Soja - Região de Miritituba vai ganhar 26 estações de transbordo de carga

SUPLEMENTO - REGIÃO NORTE
 De  Manaus 
 Grandes tradings e operadoras logísticas estão se instalando em Miritituba, distrito de Itaituba, e cidades vizinhas, no sudoeste do Pará, para aproveitar a nova rota que se abre para o transporte da soja do Mato Grosso pelos portos do norte do país.
 A pequena vila fica às margens do rio Tapajós e ao lado da rodovia BR-163, a Cuiabá-Santarém, que formarão o novo trajeto da safra do Mato Grosso, quando o asfaltamento da rodovia estiver concluído.
 O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte.  (Dnit) informa que vários trechos já foram concluídos, intercalados por outros ainda sem asfalto, com previsão de conclusão entre 2015 e 2017.  Segundo Olivier Girard, da Macrologística, faltam ser pavimentados cerca de 126 quilômetros intercalados, no trajeto de cerca de 700 quilômetros entre a divisa do Mato Grosso e Miritituba.  Até Santarém faltam mais 121 quilômetros, de um total de 335 quilômetros.  Falta também construir diversas pontes da rodovia.  Várias delas tiveram de ser licitadas novamente.  Para o especialista, é provável que até o segundo semestre de 2016, ou começo de 2017, a BR-163 esteja 100% operacional.
 Na região de Miritituba, estão previstas 26 estações de transbordo de carga (ETCs), que formarão um complexo, englobando Itaituba e Rurópolis, segundo a Fundação Amazônica de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa).  Estão previstos também cinco pátios de transportadoras em Novo Progresso.
 O primeiro terminal de transbordo em operação em Miritituba é o da Bunge, que formou uma joint-venture com a Amaggi no ano passado, a Navegações Unidas Tapajós (Unitapajós), para atuar na nova rota do rio Tapajós, entre Miritituba e Barcarena (PA).  Outro projeto é o da Cargill, que já está em construção.  Hidrovias do Brasil e Cianport também estão construindo ETCs.  Já os projetos da Unirios e da Chibatão Navegações, grupos regionais, aguardam licença ambiental.  Há também projetos da Reicon e Brick Logística.
 A previsão, segundo a Fapespa, é de que essas oito ETCs gerem um fluxo de 100 mil carretas por mês na época de pico da safra do Mato Grosso, entre fevereiro e abril.  No trajeto de volta, elas deverão transportar insumos agrícolas e produtos eletrônicos.
 A Bunge investiu também na construção de um terminal em Barcarena para exportação de grãos.  A Unitapajós leva os produtos das fazendas e armazéns da região médio-norte do Mato Grosso, pela BR-163 até o terminal de trasbordo de Miritituba.  De lá, as embarcações vão até Barcarena, onde a carga é transferida para navios e embarcados para Europa e Ásia.
 Segundo a Amaggi, o transporte está sendo feito inicialmente com uma frota de 50 barcaças e dois empurradores de 6 mil HP.  Neste ano haverá a incorporação de mais 40 barcaças e outro empurrador de igual potência.  Em 2014, a Unitapajós transportou 836 mil toneladas de grãos.  Com as novas barcaças e empurrador, a previsão é atingir 2 milhões de toneladas neste ano e 3,5 milhões, em 2016.
 A Cargill, que tem terminal graneleiro em Santarém, investe na nova rota do Tapajós.  A estação de transbordo que está construindo em Miritituba, com investimento de R$ 161 milhões, deve ser concluída em julho de 2016, segundo o diretor de portos da empresa, Clythio Buggenhout.  A nova rota, diz o executivo, aumentará o transporte de grãos para Santarém por hidrovia.  Os produtos chegarão à estação da Cargill em Miritituba pela BR-163 de onde prosseguirão em comboios de barcaças até o terminal de Santarém.
 A empresa também está investindo na ampliação desse terminal.  Com as obras, que começaram em maio de 2014, a capacidade vai passar de 2 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas anuais.  A Cargill já utilizava o terminal de Santarém para o transbordo de barcaças e caminhões, armazenamento e exportação de soja e milho de outra rota, a do rio Madeira.  Por essa hidrovia, a empresa leva a produção de Rondônia e do oeste do MT, que chega a 2 milhões de toneladas por ano.  A safra segue de caminhão até Porto Velho, onde é transferida para barcaças e transportada até Santarém, de onde segue para exportação, por navios de longo curso.

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