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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dilma, a “barbárie” e a ditadura


A presidente Dilma Rousseff tem tido uma agenda muito interessante. Na semana passada, ela foi ao tal Fórum Social, por onde já havia passado o terrorista e assassino Cesare Battisti (que mereceu um abraço apertado de Tarso Genro; na verdade, eles se merecem), e definiu lá a desocupação do Pinheirinho como “barbárie”.  Não houve barbárie nenhuma! Ao contrário. Dado o tamanho da operação, a Polícia Militar se saiu muito bem. No dia seguinte, Gilberto Carvalho, um humanista conhecido — de notáveis serviços prestados ao partido, especialmente no caso Celso Daniel —, endossou as palavras da chefe e avançou: falou em “terrorismo”. Talvez os miasmas deixados  pela passagem de Battisti por lá o tenham contaminado.

Ontem, Dilma foi à Bahia, onde uma cozinheira ficou cega de um olho em razão de um confronto com a Polícia. A Soberana não viu barbárie nenhuma e preferiu ignorar o assunto, a exemplo do que fizeram as TVs. Seguindo os passos do antecessor, atacou governos passados, que não teriam se preocupado com casas populares… Já fizemos a conta: a presidente que prometeu quase 1.600 creches para o ano passado (seis mil até 2014) e que fechou 2011 sem entregar nenhuma é a mesma que prometeu 3 milhões de casas até o fim do mandato. Dado o ritmo atual, chegar-se-á a esse número por volta de 2034!!!
Dali ela rumou para Cuba. Cuba é aquela ilha para onde Tarso Genro, esse aí acima, despachou dois pugilistas. Eles haviam justamente fugido da ditadura dos irmãos Castro. Parece que os rapazes tinham a ficha limpa demais para merecer refúgio. O então ministro da Justiça impediu até mesmo que tivessem contato com a imprensa.
A presidente que acusa “barbárie” num ato de reintegração de posse no Brasil (ato que cumpre os mais estritos princípios do estado democrático e de direito), visita alegremente uma tirania — onde o Brasil financia obra de quase R$ 700 milhões — e deixa claro que sua pauta está voltada para os negócios. Nada de política! Dilma não pretende tratar de questões que digam respeito aos direitos humanos e, obviamente, não quer conversa com os críticos do regime. O limite do Brasil foi conceder o visto à blogueira Yoani Sánchez caso a ditadura cubana permita que ela saia da ilha para participar de um seminário no Brasil.
É… Faz sentido! A decisão de Dilma de não se encontrar com críticos do regime é coerente com o seu passado. Afinal de contas, ela queria instalar no Brasil, quando militante, justamente o regime hoje vigente em Cuba. O paraíso dos facinorosos irmãos Castro é a utopia da militante Dilma.
No dia 29 de março de 1978, o então presidente norte-americano, Jimmy Carter, desembarcava no Brasil. Respondendo ao discurso frio de recepção do presidente Ernesto Geisel, foi direto: “Hoje estamos todos nos unindo num esforço global em prol da causa da liberdade humana e do Estado de Direito. Esta é uma luta que só será vitoriosa quando estivermos dispostos a reconhecer as nossas próprias limitações e a falarmos uns com os outros com franqueza e compreensão”. Encontrou-se com líderes da oposição e críticos do regime, como dom Paulo Evaristo Arns e Raymundo Faoro, presidente da OAB. Recebeu um dossiê com nomes de pessoas mortas, torturadas e exiladas.
Dilma vai adular dois ditadores que promovem a barbárie, esta sim, há mais de 50 anos. Carter veio ao Brasil e cobrou democracia de um regime acusado de matar 424 pessoas. Em Cuba, entre fuzilamentos e pessoas que se afogaram tentando fugir, morreram 100 mil (234,8 vezes mais) — e passam de um milhão as que vivem no exílio. E há outra gigantesca diferença: a população brasileira é 19 vezes maior do que a cubana.
Dilma foi às armas contra a ditadura de cá. Eleita pela democracia, continua a adular a ditadura de lá.
Por Reinaldo Azevedo

Longe de dissidentes e com dinheiro para os nababos assassinos...,


Longe de dissidentes, Dilma chega a Cuba com linha de crédito milionária

Por Lisandra Paraguassu, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff chegaria ontem à noite em Havana para sua primeira visita oficial a Cuba. A julgar pelos sinais enviados por Brasília, o governo cubano tem mais razões para ser otimista do que a dissidência. Dilma leva à ilha mais uma linha de crédito, dessa vez de US$ 523 milhões. Com isso, o financiamento brasileiro à ilha chega a US$ 1,37 bilhão.
Com a visita da presidente brasileira, o regime cubano - que investe em algumas mudanças econômicas para tentar tirar a ilha da inércia financeira - espera do Brasil mais investimentos pesados em obras de infraestrutura. Por seu lado, os dissidentes, apesar de todos os sinais contrários vindos de Brasília, ainda acreditavam ontem que o governo brasileiro não manteria a tradicional indiferença às violações dos direitos humanos no país.
O Itamaraty não esconde que o propósito da visita de Dilma é econômico e comercial. O Ministério das Relações Exteriores tem reiterado que o Brasil não tem intenção de tratar publicamente de temas espinhosos, como a repressão cubana. A avaliação do Brasil, de acordo com o chanceler Antonio Patriota, é a de que “a situação dos direitos humanos em Cuba não é emergencial”. Incluir na agenda presidencial encontros com opositores do regime, mesmo que para tratar de direitos humanos - na teoria, um tema caro à presidente - não cairia muito bem.
O que interessa ao governo brasileiro é incentivar o regime cubano a seguir adiante com as mudanças econômicas. A avaliação da diplomacia brasileira é a de que ajudar Cuba a avançar economicamente é a melhor colaboração que se pode dar ao país. Por isso, o País vai financiar do término do Porto de Mariel, uma obra de US$ 683 milhões, até a compra de alimentos e máquinas. O comércio entre os dois países cresceu 31% de 2010 para 2011, chegando a US$ 642 milhões. No entanto, essa é quase uma via de mão única: apenas US$ 92 milhões são de exportações cubanas, especialmente medicamentos. Há pouco para Cuba vender e muito para comprar. Chegam do Brasil equipamentos agrícolas, sapatos, produtos de beleza, café, em alguns momentos, até açúcar.
Hoje extremamente dependente da Venezuela, que garante praticamente todo o petróleo usado na ilha a preço de custo, os cubanos repetem uma situação que já viveram nos anos 70 e 80 com a União Soviética, antes de Moscou falir e abandonar Cuba à própria sorte. “A Venezuela é nossa nova URSS. O equilíbrio cubano hoje se chama Hugo Chávez”, avalia o economista Oscar Espinosa Chepe. “Há muito potencial, especialmente na agricultura, mas é preciso investimento. É preciso buscar investimentos estrangeiros reais, buscar um país mais sério.” Pelo menos três diferentes grupos de dissidentes pediram audiência a Dilma ou a alguém de sua comitiva, mas não receberam resposta.
“O que podemos esperar é que a presidente fale das pessoas, do povo cubano. Ela pode falar muito perto de Raúl e Fidel Castro, nós não podemos. Gostaria que essa visita marcasse o antes e o depois”, disse a blogueira e colunista do Estado Yoani Sánchez.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Bezerra e a chuva (de votos)


O Senado refrescou Fernando Bezerra porque a perseguição a ele é injusta.

O ministro da Integração Nacional não se afastou um milímetro daquilo que o governo popular espera de seus gestores: não desperdiçar o cargo público para fazer política partidária.
Vejam o caso do ministro da Educação, Fernando Haddad, que atingiu praticamente a perfeição. No momento em que Haddad esvazia as gavetas no ministério para sair candidato a prefeito de São Paulo, estoura o enésimo escândalo do Enem.
O mais novo erro do MEC garfou 880 pontos de um estudante de 17 anos – morador da cidade que o seu algoz quer governar.
A prova de redação da vítima levou nota zero, com a justificativa de que o texto fugiu do tema proposto. A família do aluno só conseguiu o reconhecimento do erro porque foi à Justiça.
A correção de dezenas de provas de redação está sob suspeita. Mas esses alunos não devem se preocupar: basta entrarem com um processo judicial, que o MEC reconhece que fugiu do tema e devolve a nota roubada.
Após três anos consecutivos de pegadinhas do MEC de Fernando Haddad, os candidatos do Enem aprenderam que precisam se preparar melhor. O estudante moderno já sabe que não será ninguém sem um bom advogado.
Nesse meio tempo, o ministro Haddad não fugiu do tema: fez política o tempo todo. Usou o cargo para aparecer na imprensa (com jóias como o natimorto kit gay para a educação infanto-juvenil), fez a campanha presidencial de Dilma Rousseff, tentou se popularizar defendendo livros com erros de português, pavimentou sua candidatura a prefeito.
É um formidável índice de aproveitamento do cargo público com fins privados.
Não é à toa que o ministro Aloísio Mercadante quer herdar sua cadeira no MEC. E tem currículo para isso.
À frente do Ministério de Ciência e tecnologia, Mercadante fez belos comícios na época da tragédia na região serrana do Rio. Era o que bastava, porque acidentes climáticos dessa monta levam anos para se repetir.
Só para implicar com o PT, São Pedro repetiu a dose um ano depois.
Mas o ministro não se omitiu: prometeu aos flagelados em Minas Gerais e no Rio uma “força-tarefa de geólogos”. Alívio geral.
O Brasil precisa entender que esses ministros militantes têm uma agenda cheia demais para ainda terem que bolar programas sérios de infra-estrutura.
O ministro das Cidades, por exemplo, está há meses trabalhando duro para fugir do tema das irregularidades de que é acusado e se segurar no cargo. Não se pode exigir que, além disso, ele ainda faça hora extra com políticas públicas.
Por tudo isso, a perseguição ao ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra é injusta. Ao repassar 90% das suas verbas contra enchentes para Pernambuco, ele obedeceu rigorosamente à doutrina do governo popular.
E ela é muito simples: não importa onde a chuva cai, mas onde o eleitor vota.
Os incomodados que se mudem – ou abram o guarda-chuva.

*Guilherme Fiúza

O padrão DNOCS


O diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, perdeu a cabeça mas não perdeu o prestígio.
No momento da demissão, seu chefe, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, fez questão de reafirmar “absoluta confiança no trabalho realizado” pelo subordinado demitido.
É mais um integrante do governo Dilma que vai para casa coberto de elogios.
É perfeitamente compreensível a admiração do ministro Bezerra pelo subordinado. O agora ex-diretor do Dnocs ficou conhecido por destinar ao seu estado, Rio Grande do Norte, 37 dos 47 projetos do órgão contra desastres naturais.
Foi exatamente a mesma técnica usada pelo próprio Bezerra na distribuição das verbas contra enchentes. Como se sabe, 90% do dinheiro choveu sobre Pernambuco, estado do ministro.
Fica a dúvida de sempre: com tanta eficiência e confiança, agindo perfeitamente de acordo com os padrões do Ministério, por que Elias Fernandes caiu?
Uma hipótese pode ser a modéstia: o ex-diretor do Dnocs beneficiou seu estado com apenas 78,7% dos projetos. Em termos de verbas, o Rio Grande do Norte ficou com um pouco menos de 50%.
Diante dos 90% de Pernambuco, é realmente um índice sofrível.
Isso talvez explique o fato de o diretor do Dnocs ter caído e o ministro da Integração ter ficado de pé. Ambos usaram dinheiro público com propósitos políticos, mas Fernandes mostrou ser tímido demais nesse ramo.
Se não foi isso, como explicar a permanência de Fernando Bezerra no governo?
Pode ter sido uma questão de calendário. No caso do ministro do Desenvolvimento – o consultor Fernando Pimentel –, a sequencia de manchetes foi interrompida pela chegada de Papai Noel. No caso de Bezerra, o governo estava de férias.
O azar do companheiro do Dnocs foi o Carnaval não ter caído em janeiro.
*Guilherme Fiúza

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A GRANDEZA DO MAR


Paulo Roberto Gaefke
(No livro "Quando é preciso Viver" página 29)
Você sabe por que o mar é tão grande?
Tão imenso? Tão poderoso?
É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.
Sabendo receber, tornou-se grande.
Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios,
não seria mar, mas sim uma ilha.
Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.
A perda faz parte.
A queda faz parte.
A morte faz parte.
É impossível vivermos satisfatoriamente.
Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber viver.
Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará.
Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.
E isto você já sabe.
Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade
o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte.

Entre a generosidade e a infâmia...,


A blogueira cubana obriga a presidente a escolher entre a generosidade e a infâmia

Em outubro de 2009, a blogueira Yoani Sánchez fez a primeira tentativa de viajar para o Brasil. O setor de imigração da mais antiga ditadura do mundo recusou-lhe o visto indispensável para sair da ilha-presídio. Tentou de novo em março de 2010, para assistir em Jequié, na Bahia, à estreia do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta Cláudio Galvão, que conta como vive e trabalha a mais célebre dissidente do regime totalitário. Para contornar o cerco dos carcereiros, Yoani pediu socorro a Lula por escrito.
“O senhor tem dado mostras de que confia na boa-fé do governo cubano”, observou a remetente no penúltimo parágrafo da carta remetida ao então presidente da República. “Para manter viva essa confiança”, supôs, os irmãos Castro não rejeitariam uma solicitação do amigo brasileiro. ”O senhor estaria pedindo o que para qualquer ser humano é um direito inalienável”, argumentou. O episódio foi tema de um post publicado neste espaço.
“É a chance de Lula mostrar que a opção preferencial pela ditadura companheira, sempre vergonhosa, não é de todo inútil”, escrevi. “Depois de curvar-se tantas vezes à vontade de Fidel, depois de repreender o preso político Orlando Zapata por ter morrido de fome, o presidente brasileiro pode demonstrar que atitudes desonrosas trazem algumas vantagens. Por exemplo, conseguir que Fidel e Raul Castro permitam que uma jornalista conheça o Brasil. Mais uma vez, Lula está obrigado a escolher entre as cavernas e a civilização, entre a generosidade e a infâmia. Ele decide”.
Previsivelmente, decidiu-se pelo silêncio pusilânime. Sempre obediente à partitura do oportunismo, só neste janeiro lembrou-se de Yoani. Ao saber que a blogueira resolvera fazer uma terceira tentativa, Lula mandou-lhe um conselho pelo senador Eduardo Suplicy: deveria escrever a Dilma Rousseff pedindo à afilhada que fizesse o que o padrinho não fez. A carta foi enviada nesta semana. Se a presidente não ajudar a prisioneira sem condenação formal, registrei nesta quarta-feira no comentário de um minuto para o site de VEJA, estará reafirmando que, no começo dos anos 70, não estava interessada na restauração da liberdade e da democracia. Sonhava com a substituição da ditadura militar pela ditadura comunista.
Há poucas horas, o Itamaraty anunciou a concessão do visto de entrada no Brasil a Yoani. Bom sinal. Mas falta o essencial: a permissão para a saída. Dilma precisa afirmar publicamente que o colega Raul Castro deve autorizar a viagem. Como Lula em 2010, a presidente está  obrigada a escolher entre a generosidade e a infâmia. Ela decide.
* Augusto Nunes

Os pés podem ser a tradução da cabeça...,



Como Jânio Quadros antes da renúncia à Presidência, como Barack Obama depois de escancarado o impasse no Iraque e no Afeganistão, como Sérgio Cabral sempre que se aproxima a estação das chuvas, o prefeito Gilberto Kassab traduziu com os pés, nesta quarta-feira, a confusão mental de quem fundou um partido que não é de esquerda, não é de direita e não é de centro, namora simultaneamente o PSDB e o PT e flerta com Lula sem romper o noivado com José Serra. O prefeito pode acabar descobrindo que quem se oferece a todo mundo não consegue freguês nenhum.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Liberdade sempre...,


Brasil cai 41 posições no ranking de liberdade de imprensa

É a 2ª queda mais acentuada entre países da América Latina, diz organização

Favela de Antares: Ernani Alves, repórter da Band (dir.), que estava com o colega de trabalho, o cinegrafista Gelson Domingos, minutos antes dele ser baleado
Favela de Antares: Ernani Alves, repórter da Band (dir.), que estava com o colega de trabalho, o cinegrafista Gelson Domingos, minutos antes dele ser baleado (Fernando Quevedo / Agência O Globo)
O Brasil caiu 41 posições no Ranking de Liberdade de Imprensa, realizado anualmente pela organização Repórteres Sem Fronteiras. O país caiu do 58º lugar, que ocupava em 2010, para o 99º, no levantamento 2011-2012 divulgado nesta quarta-feira. Esta é a segunda queda mais acentuada entre os países da América Latina, destaca a entidade, que relaciona o péssimo desempenho brasileiro ao "alto índice de violência" e a mortes de jornalistas no ano passado (sem detalhar, a organização fala em três casos; em novembro, um cinegrafista foi morto ao cobrir uma ação do Bope no Rio). Só o Chile registrou performance pior que a brasileira na região, perdendo 47 colocações, principalmente em função dos protestos estudantis. A pesquisa, que completa uma década, atribui notas a 179 países de acordo com os perigos que os profissionais da imprensa encontram para trabalhar (os melhores colocados recebem pontuação negativa).
"Este ano, o ranking apresenta o mesmo grupo de países no topo. Entre as nações estão Finlândia, Noruega e Holanda, que respeitam a liberdade básica. Isso é um lembrete de que a independência da mídia só pode ser mantida em democracias fortes e que a democracia precisa de liberdade de imprensa", destacam os Repórteres Sem Fronteiras, em comunicado. "Vale a pena notar a entrada de Cabo Verde e Namíbia para o Top 20 - dois países africanos onde nenhuma tentativa de obstrução do trabalho da imprensa foi relatado em 2011", acrescentam.
Ditaduras - Já na outra ponta da tabela, entre as piores colocações, não há surpresas. "Ditaduras que não permitem qualquer liberdade civil ocupam novamente os últimos três lugares (Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia). Este ano, eles são imediatamente precedidos por Síria, Irã e China, "países que parecem ter perdido o contato com a realidade, pois têm sido sugados para dentro de uma espiral louca de terror", enfatiza a organização.
Além da Síria, outros países atingidos pelas revoltas árabes, como Egito, Iêmen e Barein, também apresentam índices alarmantes. "Muitos meios de comunicação pagaram caro pela cobertura das aspirações democráticas ou movimentos da oposição. A censura passou a ser uma questão de sobrevivência para os regimes totalitários e repressivos."
Confira, abaixo, o desempenho de cada país:

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

EDUCAÇÃO SEM ÉTICA: PAÍS CORRUPTO


Quando Sérgio Buarque de Holanda escreveu e publicou o livro “Raízes do Brasil”, em 1936, aprimeira definição que ele fez no texto da obra, no sentido de justificar a postura da sociedade da época, foi fundamentado e respaldado numa matéria prima muito especial: os reflexos das tradições da colonização portuguesa, preservando as raízes ibéricas, com os ranços de suas origens, é a cultura da personalidade, que traz em seu bojo a frouxidão de laços sociais, com a ausência dos princípios éticos que toldam a personalidade do indivíduo, de uma sociedade e de uma nação.
Quando um indivíduo que é criado e educado no meio social onde a ética e os princípios fundamentais da moral não se tornaram bem claros e bem definidos, é muito provável, em regra geral, e se torna muito provável — com muita probabilidade — com possibilidades óbvias, que este cidadão, mais cedo ou mais tarde, nas próximas esquinas de oportunidades, e sempre que este encontrar o portão vulnerável ou entreaberto, ele irá entrar e mostrar suas unhas, irá se locupletar com recursos financeiros do erário público ou de terceiros, passar a perna em seus companheiros, falsificar documentos, se apropriar de trabalhos de outros profissionais, formar quadrilhas como forma de aferir o vil metal, proveniente do ilícito, do desonesto, do imoral, simplesmente pelo simples ou muito prazer em saciar a sede e a fome de poder, do ter e do ser.
Nesta obra mencionada “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda, a presença da ausência da ética e da moral está sempre latente e é uma constante no texto, e, quando o autor se refere à moral, ele escreve com um tom de muita preocupação, não - somente no que tange às raízes e à metodologia pela qual o Brasil foi colonizado pelos portugueses —, com influência significativa dos resquícios dos espanhóis e holandeses, invasores e depois expulsos, mas que tiveram suas contribuições para formaram uma população com uma miscigenação, envolvendo os silvícolas — os filhos da terra —, e africanos, sendo estes últimos importados da mãe África, acorrentados, e transportados em navios negreiros, para trabalharem nas senzalas, nos engenhos e em grandes fazendas, no Brasil Colônia, no período da escravidão, coincidindo com o período da colonização e de formação da base da população atual, que é, hoje, a resultante de um somatório de heranças que construíram o que somos nos dias atuais.
O autor revela, claramente, a preocupação com a nossa civilização, com o tirar proveito em tudo e, finalmente, com os rumos do presente da época e para o futuro das gerações que surgirão, como se pode extrair do texto do autor, com a seguinte íntegra: “A carência dessa moral do trabalho se ajusta bem a uma reduzida capacidade de organização social. Efetivamente o esforço humilde, anônimo e desinteressado é agente poderoso da solidariedade dos interesses e, como tal, estimula a organização racional dos homens e sustenta a coesão entre eles(BUARQUE, Sérgio, 2000).
Os escândalos sobre corrupção são constantes, em todos os níveis das administrações municipal, estadual e federal, de todo o planeta e, com destaque especial no Brasil, se tornando uma constante nos noticiários da mídia eletrônica escrita, falada e televisada — e nos demais meios de comunicação.
Por que esta escalada e aumento crescente no nível de corrupção do País vêm aumentando, do dia para noite no Brasil? Esta pergunta pode ser respondida com outra pergunta, com significado e tradução de afirmação: quais os gestores públicos honestos neste País? Eu conheço vários  mas se pode contar nos dedos.
Por outro lado, quando o gestor público é honesto ele tem sempre muita dificuldade em escolher seus assessores diretos e indiretos que tenham históricos de trajetórias de honestidades e de probidade — quando ocuparam cargos de confiança e ocuparam as funções de ordenadores de despesas, num passado próximo, e, mesmo, assim, ainda, ocorrem casos de corrupção, mesmo contrariando a orientação do gestor que o indicara.
Quando o gestor público é corrupto e cara-de-pau e este fez a nomeação de um auxiliar corrupto e este é flagrado com a mão na botija, todos negam, inclusive o gestor, sob a alegação de que não viu nada, e que não conhecia nada de errado, mesmo ocorrendo aos olhos de sua cara e do conhecimento de toda a sociedade.  
Quando o gestor público é corrupto, por excelência, este jamais irá nomear um secretário ou outro assessor honesto e probo, pois este tem certeza de que mais cedo ou mais tarde este auxiliar irá acabar por atrapalhar seus projetos de trapaças.
Vejam com muita atenção, prezados leitores e amigos, que situação vexatória para a reputação da classe política do estado de Rondônia, com veiculação na mídia, em nível Nacional e internacional,  é esta que estamos acabando de ver no nosso Estado, envolvendo vários deputados estaduais, especialmente os membros da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa –ALE-RO, quando o Presidente da Casa de Leis do Estado está foragido e procurado pela Polícia e o Presidente Interino da ALE-RO, Deputado Estadual Hermínio Coelho anuncia aos quatro cantos da Casa que pretende solicitar a convocação dos Suplentes de Deputados para assumirem as vagas dos Deputados titulares, denunciados pela Polícia Federal como suspeitos de um verdadeiro esquema de corrupção, semelhante àquele famoso anterior de corrupção do mensalão instalado no Congresso Nacional, que envolvera alguns Deputados Federais e Senadores e até o Ministro Chefe da Casa Civil do Governo do então Presidente da República.
Por outro lado, acabo de receber através de e-mail, e, ao mesmo tempo, o desprazer de ler uma publicação na grande mídia Nacional, em veículos de comunicação de massa, a realização de um evento que ocorreu neste último dia 20 de janeiro, na cidade do Rio de Janeiro, na data em que os cariocas comemoravam o dia de São Sebastião, padroeiro do estado do Rio de Janeiro, a seguinte matéria. Vejam a íntegra do texto que veiculou na grande mídia Nacional:
“O Troféu Algemas de Ouro de 2011 “consagrou” o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), e a deputada Jaqueline Roriz (PMN). Os foliões que compareceram ao tradicional Clube dos Democráticos, na Lapa, para participar do ‘Baile do Pega Ladrão!’, realizado na madrugada desta sexta-feira, 20, no Rio, vaiaram entusiasticamente os vencedores da votação realizada no Facebook, que teve sete mil eleitores. Foram entregues as algemas de ouro, prata e bronze, respectivamente, a Sarney, que teve 59,5% dos votos, a Dirceu, com 18,8%, e à deputada Jaqueline Roriz, com 8,4%, filmada recebendo dinheiro de propina e que foi absolvida pela Câmara dos Deputados no ano passado.”.
Segundo a mesma fonte, “o baile foi animado pelo conjunto vocal Anjos da Lua, de Eduardo Gallotti, que apresentou repertório inspirado na corrupção e na impunidade na política brasileira, como ‘Se gritar pega ladão!’, de Bezerra da Silva; ‘Pecado Capital’, de Paulinho da Viola; ‘Lama’, de Mauro Duarte; ‘Homenagem ao malandro’, de Chico Buarque; ‘Saco de feijão’, de Francisco Santana; e ‘Onde está a honestidade?’, de Noel Rosa.”
Quando um determinado indivíduo é desprovido de ética moral, inexoravelmente, este não tem ética nenhuma no campo profissional e nem nunca terá, e, não tenha dúvida, este elemento tem tudo para ser um grandessíssimo corrupto, em todos os níveis, ou melhor, já o é em toda a sua essência, há muito tempo, porque em suas ações no mundo dos negócios e em todas as suas transações comerciais e estará sempre disposto a passar a perna nos próprios companheiros, em todas às vezes que tiver oportunidade, podendo, até fazer espetinho da própria mãe para vender na feira e aferir ganhos financeiros com estas vendas. Um dia a casa cairá e como cairá. Aguardem!.
Antônio de Almeida Sobrinho é graduado em Engenharia de Pesca, com Pós-Graduação em Análise Ambiental na Amazônia Brasileira e Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cadê as 1.695 creches, soberana?


A operação Haddad e a mentira como método. Ou: Cadê as 1.695 creches, soberana?

Outro dia recebi um comentário mais ou menos assim: “Reinaldo, você é o ultimo oposicionista do Brasil!” Numa reunião de jornalistas, contam-me, alguém se referiu à oposição, e um desses jornalistas isentos, engajados no governismo, ironizou: “Que oposição? O Reinaldo Azevedo?” e riu satisfeito. Os gracejos - um amistoso, outro hostil - são falsos de várias maneiras, mas refletem o espírito do tempo.
Não sou “de oposição” porque não faço política partidária. Já fui hostilizado por alguns tucanos, por alguns democratas e, obviamente e desde sempre, pelas esquerdas. E mantenho relações cordiais com pessoas de todas essas correntes. Mas, obviamente, não sou da turma do pudê. Meus valores não estão representados nesse governo - todo mundo que me lê sabe disso.
Tampouco sou o único, inclusive da imprensa, a ter um posicionamento crítico em relação ao petismo - na verdade, a governos. Há muito mais gente. “Sempre crítico, não imposta o tema?” Não! Contra alguns parceiros liberais, com os quais costumo estar alinhado, defendi, por exemplo, a decisão de baixar os juros - e ainda os considero excessivamente elevados, a despeito de todos os motivos que explicam a taxa. No caso daquela patuscada de Belo Monte, eu e os petistas de carteirinha estivemos do mesmo lado. Eu nunca me ocupo em saber antes o que os outros pensam para depois dizer o que eu penso. E nem tudo o que não é petismo me interessa. Como sempre digo tudo, lá vai mais uma vez: considero o marinismo mais obscurantista do que o petismo.
Mas acabei me alongando demais nos considerandos introdutórios, hehe - “Diga-me um de seus defeitos, Reinaldo…” E eu diria: “Escrever demais!” Sigamos. Confrontar o que se diz com os fatos não é “fazer oposição”, mas expressar apreço pela verdade. No post anterior, vemos um Haddad todo ancho, a afirmar: “O governo federal não tinha programa para a educação infantil. Incluímos a creche e pré-escola no Fundeb [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica] e repassamos recursos para investimentos.”
Huuummm… Como é que se conta a verdade inteira? O PT FOI CONTRA A CRIAÇÃO DO FUNDEF, que antecedeu o Fundeb - na verdade, o “b” substituindo o “f” foi mais uma das patranhas petistas. Resolveram botar marca nova no que já havia. Quem criou o Fundef foi o ministro Paulo Renato, este, sim, um grande ministro da Educação, a despeito da história recontada pela ligeireza de Sérgio Cabral. Grande e perseguido pela escória sindical.
O petismo fez com o Fundef o mesmo que fez com o “Bolsa Família”. O partido era contra as bolsas, chamava-as de “esmola”. Lula o disse LITERALMENTE. Mais: afirmou que pobre que recebia dinheiro do governo deixava de plantar macaxeira, sugerindo que se tornava um vagabundo. Em lugar do programa, inventou um troço que nunca chegou a existir: o “Fome Zero”. Algum tempo depois, dados o insucesso e as trapalhadas da iniciativa, reuniu, por decreto, todas as bolsas criadas pelo governo FHC numa bolsa só: a “Família”. E passou a cacarejar. Como Haddad cacareja agora.
FHC chegou ao poder, em 1995, e a taxa de matrícula no ensino fundamental era de 89%. Quando Lula assumiu, estava perto de 98% - o mesmo índice em que está agora. No início do governo tucano, havia 33% dos brasileiros de 15 a 17 anos fora da escola; no fim, eram  18% - redução de 15 pontos percentuais (ou 45%). No governo Lula, caiu para 14,8% (redução de apenas 20%). Uma coisa é assumir a Presidência sem dispor de um instrumento para intervir da educação, ter de criá-lo (enfrentando a oposição de petistas e de seus aliados sindicais) e operá-lo com eficiência, como fez Paulo Renato. Outra, distinta, é chegar com tudo pronto, com o fundo disponível, e poder trabalhar sem ter de enfrentar sabotadores - porque, afinal, os sabotadores passaram a ser poder… Paulo Renato criou ainda o Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) - a portaria que o instituiu é de dezembro de 1994, mas só começou a existir, de verdade, no governo tucano - e o Exame Nacional de Cursos, depois rebatizado de Enade pelos petistas. No post abaixo, a gente lê que Sérgio Cabral considera Haddad o melhor ministro da Educação da história do Brasil. Claro, claro… Quando se tem a determinação de puxar o saco de alguém, os fatos contam muito pouco. E eu trato de fatos.
Finalmente, no que diz respeito ao post abaixo, vemos Dilma e Haddad a fazer proselitismo na inauguração de uma creche. Não porque eu seja da oposição (não sou; até porque a oposição não parece ser de oposição, hehe); não porque eu esteja determinado a não reconhecer os méritos dos companheiros (a acusação é tola), mas porque, mais uma vez, estamos diante de fatos.
DILMA PROMETEU, NA CAMPANHA ELEITORAL, CONSTRUIR CINCO MIL CRECHES ATÉ 2014. As metas para 2011, aliás, eram estas:
- 3.288 quadras esportivas em escolas;
- 1.695 creches;
- 723 postos de policiamento comunitário;
- 2.174 Unidades Básicas de Saúde;
- 125 UPAs.
Quantas creches a soberana construiu até agora? Lembro, como arremate, que Lula prometeu erguer um milhão de casas, e Dilma, mais dois milhões. No ritmo de entrega, na conta que fiz em dezembro, a promessa será cumprida daqui a 22 anos…
Encerro“Pô, Reinaldo, quem tem de dizer essas coisas é o Sérgio Guerra, é o Aécio, é a oposição…” Eu não tenho a menor pretensão de pautar que quer que seja.
Eu sei o que eu tenho a obrigação de dizer.
Por Reinaldo Azevedo