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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Apenas 417 municípios geram mais impostos que gastos públicos ...

Só 8% dos municípios brasileiros arrecadam mais do que gastam

Cidades das regiões mais pobres do País costumam ser deficitárias, mas o mesmo ocorre com Brasília, que concentra um grande número de funcionários públicos e gasta R$ 59 bilhões a mais por ano do que sua economia consegue arrecadar.

SÃO PAULO - A grande maioria dos municípios brasileiros tem gastos públicos maiores do que o que sua economia gera de imposto sobre a produção, somando as arrecadações municipais, estaduais e federais. No total, apenas 417 cidades brasileiras geram mais dinheiro público do que gastos. Elas são as responsáveis pelo superávit usado nos outros 4.875 municípios que apresentam gastos maiores que o arrecadado em impostos.

Os números foram calculados pelo Estadão Dados com base na pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios de 2011, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim de dezembro. Eles mostram um retrato revelador de como a produção e geração de riqueza é extremamente concentrada no Brasil: a arrecadação total de impostos sobre a produção é de R$ 612 bilhões por ano, enquanto os gastos calculados pelo IBGE chegam a R$ 576 bilhões. No entanto, apenas 7,8% das 5.292 cidades que constam no levantamento geram mais impostos desse tipo do que gastam. Todo o resto do Brasil é deficitário.
Nessa conta, de acordo com a metodologia do órgão, não entram apenas os gastos públicos das prefeituras, mas todos os gastos das três esferas do Executivo. Além disso, investimentos não contam como gasto público - são levados em consideração apenas as despesas de custeio, ou seja, pagamento de aposentados, transferências de renda, salário de servidores, gastos de manutenção de órgãos públicos, entre outros. Já os impostos são aqueles que incidem sobre a produção, como IPI e ISS, já que o levantamento foi feito com base na lógica da oferta.
A concentração é impressionante: apenas a cidade de São Paulo gerou R$ 62 bilhões a mais do que gastou naquele ano - quase um décimo de toda a arrecadação com impostos sobre a produção em 2011. Esse impacto é quase compensado pelo gasto com a máquina pública em Brasília. Como a capital federal concentra boa parte do funcionalismo federal, os gastos da administração pública lá superam a arrecadação com impostos em R$ 59 bilhões.
Superávit. Além de São Paulo e capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e Porto Alegre, os municípios que mais concentram atividades geradoras de receita são cidades portuárias como Santos (SP), Itajaí (SC) e Paranaguá (PR); polos industriais como São José dos Campos (SP), Betim (MG) e Camaçari (BA); e locais com forte economia agrícola, como Uberlândia (MG) e Luís Eduardo Magalhães (BA). Além disso, há cidades de menor porte onde estão localizados grandes fontes de recolhimento de impostos, como Confins (MG), sede do aeroporto que serve a capital daquele Estado.
É possível entender o perfil dos municípios deficitários quando se analisa os dados por unidade da federação. Com exceção do Distrito Federal, oito Estados nordestinos estão entre os dez com maior defasagem entre arrecadação e gastos públicos. Os outros dois são Pará e Rondônia. "A estrutura econômica de municípios mais pobres do Norte e do Nordeste é muito dependente de gastos públicos. Por isso, na nossa metodologia, resolvemos separar essa variável, que na verdade compõe o PIB dos serviços", explicou a responsável pela pesquisa do IBGE, Sheila Zani.
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,so-8-dos-municipios-brasileiros-arrecadam-mais-do-que-gastam,174415,0.htm

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A "Presidenta Competenta" e a Come(tiva)..., Turismo e Regabofe em Lisboa...,

‘O rolezinho da presidente em Lisboa’, por José J. de Espíndola

JOSÉ J. DE ESPÍNDOLA*
Dilma Rousseff embarcou em Zurique, na Suíça, e fez escala “técnica’, segundo informa, em Lisboa. A escala foi necessária, informou a presidente, porque o seu avião, o Aerolula (também conhecido como Força Aérea 51), não tem autonomia para voar, sem reabastecimento, de Zurique a Havana. Esta é a história contada. Vamos aos fatos reais.
O Aerolula é um A319 CJ, jato corporativo fabricado pela Airbus. O modelo do qual deriva é um A319, muito usado pela TAM em voos de curtas e médias distâncias. O modelo A319CJ, corporativo e derivado do A319 comercial, foi adaptado para longas distâncias, pela adição de novos tanques e para um número menor de passageiros.
Sua capacidade, dependendo do layout adotado, varia de 10 a um máximo de 39 passageiros, ou um pouco mais. Sua autonomia de voo, para o caso de dez passageiros, é de 11.650 km.
Entretanto, a autonomia de voo (MTOW) específica do Aerolula, que se vê informada no site, é de reduzidos (em relação a 11.650 km) 8.500 km. Oito mil e quinhentos quilômetros! Isto significa que o Aerolula foi configurado para um número máximo de passageiros (claro, é assim que as coisas são neste país: turismo e regabofe para o máximo de pessoas, quando quem paga é o contribuinte).
A distância (geodésica, isto é, levando em conta a curvatura da Terra) entre Zurique (Suíça) e Havana (Cuba) é de 8.044,76 km. A diferença entre a autonomia de voo do A319CJ da FAB e a distância geodésica entre Zurique e Havana é: 8.500 – 8044, 76 = 455,24 km (quatrocentos e cinquenta e cinco quilômetros e duzentos e quarenta metros). Isto é mais do que a distância entre Florianópolis e São Paulo (490,11 km).
As informações acima põem sérias dúvidas sobre a veracidade da alegação de que, por falta de autonomia do Aerolula, a escala em Lisboa foi ‘técnica’, isto é, teve de ser feita. Ao menos que a FAB dê uma explicação mais convincente (algo que supere os dados levantados acima), no que não acredito, tendo a pensar que Dilma mente, o governo mente. Certamente mentir não é uma novidade no governo do PT desde 2005, quando Lula começou a alegar que nada sabia do mensalão.
Mas, por mais esclarecedores que os dados acima possam ser, o mais importante ainda está para ser dito, e aí dou meu testemunho.
Em julho de 1972, aterrissei às 23 horas na mesma Lisboa de Dilma, vindo de Roma. Só que naquela época o avião era um Boeing 707-320 Intercontinental, equipado com quatro motores turbojets da Pratt & Whitney, insaciáveis bebedores de combustível. Os motores do Aerolula são modernas máquinas turbofans, muito mais econômicas em termos de consumo de combustível por quilômetro voado, além de menos ruidosas.
Aqueles Boeings históricos carregavam o máximo (em voos intercontinentais) de 23000 US gallons, ou 87.000 litros de combustível para o transporte de, no máximo, 141 pessoas. Já o Aerolula recebe um máximo de 41.000 litros. Ou seja, o tempo de reabastecimento do Aerolula, em Lisboa, forçosamente foi bem menor do que o do meu Boeing 707-320, de 1974.
Por que faço essas comparações? Só para dizer que o tempo de parada do meu 707–320 no aeroporto de Lisboa foi de aproximadamente uma hora. Ou seja, lá pelas 0h30 estava ele decolando rumo ao Rio. Ora, além da suspeitosa razão ‘técnica’ para a escala do Aerolula, como já demonstrado acima, é preciso registrar que, certamente em menos de uma hora (às 18h30, portanto), a presidente e sua entourage já poderiam estar voando para La Habana, si señor.
Como a decisão da presidente foi permanecer em Lisboa, em vez de esperar uma hora (quando muito!) para reabastecimento, concluo que só houve realmente uma razão real para isso: abastecer-se a si própria e a sua (come)tiva, em um regabofe fantástico, pago com o dinheiro do contribuinte. Não há como contornar esses fatos aqui arrolados.
O valor gasto nas hospedagens (caríssimas!) e no reabastecimento da presidente e sua (come)tiva não é a razão principal da minha indignação pessoal: o Brasil não irá à falência por causa disso. As despesas decorrentes de sua (sim, sua!) decisão de pernoitar em Lisboa são infinitamente importantes pelo seu simbolismo: foi um  espetáculo de desconsideração de Dilma e seu grupo para com o povo humilde do Brasil. A farra gastronômica foi um deboche jogado na cara do contribuinte. As mentiras para justificá-la apenas agravam a falta de respeito e desconsideração.
Ah, sim, a presidente garante que todos pagaram de seus bolsos as contas, como se a questão do rolezinho em Lisboa se limitasse a isso. Quem acreditar que cada um dos participantes realmente pagou alguma coisa ganha um A319CJ corporativo.
*José J. de Espíndola  é PhD, Dr.h.c, é Professor Titular da Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/opiniao-2/o-rolezinho-da-presidente-em-lisboa-por-jose-j-de-espindola/#more-820179

O lixo nas ruas diz muito sobre as pessoas, a cultura, ou o que restou dela…, ou delas..,

O lixo nosso de cada dia: a porcaria nas ruas é o retrato de um povo sem educação

Em artigo publicado hoje no GLOBO, o engenheiro Carlos Aguilar fala sobre o excesso de lixo que nós brasileiros jogamos nas ruas. Compara com outras culturas, como a japonesa, que delega a cada um os cuidados com o próprio lixo. Diz ele:
É equivocado o pensamento de que limpeza urbana é um problema unicamente do poder público. Em muitos países, a população já compreendeu que o descarte e o tratamento do lixo também são de responsabilidade de quem o produz. Garantir que ele chegue ao destino adequado é uma questão de cidadania e respeito ao futuro.
Em Tóquio, por exemplo, não existe a necessidade de instalação de lixeiras nas ruas. Os moradores entendem que possuem a obrigação de levar o lixo para casa e separá-lo para a coleta seletiva. O sistema de reciclagem local abrange mais de dez categorias. Em alguns bairros, como Odaíba, a taxa de reaproveitamento do lixo chega a 100%. Em Toronto, no Canadá, a participação popular nos trabalhos de reaproveitamento do lixo chega a 96%.
O autor, em seguida, lembra da quantidade absurda que os cariocas despejam de lixo por ano nas ruas. São números impressionantes. O ano novo já deixa sua marca no dia seguinte: começamos cada ano recolhendo uma quantidade incrível de porcaria nas praias. O Carnaval vem aí, para repetir a dose.
Como conclui o engenheiro, as autoridades públicas não devem ficar isentas de responsabilidade, pois lhes cabe desenvolver sistemas de coleta mais modernos e fiscalizar os porcalhões. “Nada disso, porém”, diz ele, “apresenta qualquer resultado se a outra parte envolvida continuar ignorando o seu papel de fazer uma cidade sustentável. O problema do lixo é de todos”. Chama-se cidadania.
Escrevi sobre o assunto aqui, com base em um ótimo livro de Theodore Dalrymple, que recomendo a todos. No texto, concluí a mensagem da seguinte forma:
Eis o que precisamos para combater a crescente porcaria pública: incutir nas crianças que lixo é lixo, e que é simplesmente errado jogá-lo no chão. Para isso existem as latas e sacos de lixo. Se o desespero de Dalrymple no Reino Unido é grande, imaginem o meu no Brasil, país em que “mijões” pululam por aí e muitos acham que as vias públicas são depósitos de lixo para seus restos de comida.
É hora de limpar essa porcaria toda. O lixo, como sabem os autores de livros policiais, diz muito sobre a pessoa. E o lixo nas ruas diz muito sobre a cultura, ou o que restou dela…
http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/o-lixo-nosso-de-cada-dia-a-porcaria-nas-ruas-e-o-retrato-de-um-povo-sem-educacao/


"Quatro Homens Numa Jangada".

Documentário de Orson Welles "Four Men on a Raft" 
Inspirado num artigo que leu em 1941
Conta a história de quatro pescadores que sairam de Fortaleza - CE(1941), embarcados numa jangada, rumo ao Rio de Janeiro - RJ, para falar com o Presidente Getúlio Vargas. 
Após 61 dias e 1.650 milhas sem quaisquer instrumentos para navegar , enfrentando o vento, chuva e sol forte, e fazendo muitas paradas a ao longo do caminho, chegaram ao Rio como heróis nacionais. 
Os quatro homens, liderados por Manoel Olímpio Meira, chamado de "Jacaré"), foram apresentar suas queixas diretamente ao Presidente Getúlio Vargas.
Reclamavam de um sistema de exploração econômica em que todos os pescadores foram obrigados a dividir metade de sua captura semanal entre si e a outra metade iria para os proprietários das jangadas. O resultado foi um projeto de lei assinado pelo presidente Vargas que dava direito aos jangadeiros os mesmos benefícios concedidos a todos os sindicatos de trabalhadores - aposentadoria , fundos de pensões para viúvas e filhos, habitação, educação e cuidados médicos.



Boa leitura, vale a pena...,


Prezado Luís,


Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra, né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão. Por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo? Era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra ca­sa, já eram onze e meia da noite e, com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite. De ma­drugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu vivia com so­no. 
Estou pensando em mudar para viver aí na cidade, que nem vocês. Não que seja ruim o sítio. Aqui é muito bom. Muito mato, passarinho, ar puro. Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. Estou vendo todo mundo falar que nós da agricultura estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio do vô, que foi do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em ca­sa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro de uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança. Então vejo televisão na praça da igreja. Então vejo televisão na praça da igreja.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou, deve ser verdade, né Luís?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né), contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou.
Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família.
Mas vieram umas pessoas aqui, do Sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana, aí não param de fazer leite.
Ô, os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encompridar uma cama, só comprando outra, né Luis?
O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele.
Bom Luís, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos Sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra Delegacia, bateram nele e não apareceu nem Sindicato, nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada, onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros.
Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor.
Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas.
O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não vai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luís, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande, né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados.
As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luís? Quem será?
Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da Capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar.
Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto!
No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foram os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado, Luís, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, aí tem luz, carro, comida, rio limpo.
Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar aí com vocês, Luís. Mas fique tranquilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Aí é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem plantar, nem cuidar de galinha, nem porco, nem vaca, é só abrir a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe, Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado, pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
Texto escrito pelo Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor do Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.
http://www.agroab.com.br/blog/prezado-luis/

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Vale do Araguaia continua esquecido pelo governo; rodovia do Calcário é só buracos

Adelar Franciscon carregado de milho para o estado de Goiás; viagem a 10 Km por hora
O Vale do Araguaia continua esquecido pelos governantes. Para o setor produtivo é o Vale da Prosperidade, sendo a última fronteira agrícola do país. Para os mais de 200 carreteiros que passam duas vezes por dia pela MT326 é uma rodovia de chão batido conhecida como rodovia do calcário e se caracterizando como Vale dos Esquecidos. Eles têm ainda que fazer a travessia do Rio das Mortes também duas vezes por dia em cima de balsas.
Passa pela rodovia o calcário que é incorporado nas terras de toda a região onde a demanda cresce a cada ano, e também o milho plantado como segunda safra para o mercado consumidor de Goiás, Norte e Nordeste do país.
O desprezo do governo é tanto que a rodovia está pior do que na época da colonização da região. Como nos anos 80/90 os caminhões eram toco e truck e as carretas LS, o tráfego era pequeno e as rodovias permaneciam arrumadas. Até as pontes de concreto foram construídas na MT 020 no Rio 7 de setembro, Culuene e Couto Magalhães e em um córrego próximo a Nova Nazaré. Muitos governos passaram e as pontes de concretos foram esquecidas, agora em pleno ano de 2013 ainda foi construída em um desvio do Rio Água Suja uma ponte de madeira que deixou mais distante o sonho da pavimentação. Se fossem fazer o asfalto neste projeto MT Integrado, iriam construir a ponte de concreto que fica apenas 100% mais cara.
O caminhoneiro gaúcho Adelar Franciscon, 52 anos, residente em Canarana, viajava neste domingo (17.11) carregado de milho para o estado de Goiás e na volta vai carregar calcário em uma das mineradoras do município de Cocalinho para Canarana. “Do entroncamento da MT 326 até o calcário eu gasto 8 horas de viagem para rodar apenas 80 km, sendo que 10 do trevo da MT 240 até Nova Nazaré são pavimentados. Estamos abandonados. A iniciativa privada está trabalhando e produzindo e o poder público não faz a sua parte”.
A reportagem presenciou pedaços de parachoques, lanternas e outros objetos oriundos de veículos que ficaram ao longo das estradas. Ouvimos  mais e de uma dezena de caminhoneiros que vivem, e ver o abandono e revoltante: o sofrimento é generalizado. Dois colegas trabalham em caminhões trucados com mais de 20 anos de uso e perguntamos se é viável economicamente porque levam pouco calcário. "Não sabemos fazer outra coisa. Se as estradas fossem boas até que dava para se manter. Do geito que está, o lucro fica em peças. Nós e os nossos caminhões estão se acabando". 
Rogério Pereira Almeida, um jovem motorista de 28 anos, falou que para fazer o trajeto do trevo da BR 158 até as usinas de calcário (cerca de 80 km) demora 7 horas, tanto para ir vazio ou voltar carregado. Isso equivale a uma velocidade pouco mais de 10 Km/hora. Rogério tem uma ideia, já que o responsável pela estrada, que é o governo estadual não faz a manutenção: "As prefeituras da região deveriam se mexer e fazer uma 'vaquinha'. Cada uma poderia ceder parte dos seus maquinários e fazer a manutenção por conta própria, juntamente com as transportadoras e produtores ajudando com a parte óleo diesel. Ou entregaria a estrada para a iniciativa privada e cobrasse pedágio pra passar e trafegava em estrada boa." “Uma mola mestre que quebra o prejuízo é grande, e a quantidade de óleo diesel que gasta a mais, além da produtividade baixa para as empresas, faz com que o vencimento dos motoristas ficam prejudicados, porque a maioria de nós ganhamos por comissão”.
Enquanto isso o governador do Estado Silval Barbosa luta contra o tempo para entregar as obras da Copa, para não passar por um vexame internacional. Parte dos recursos para as construções dessas obras de mobilização urbana da capital estão sendo edificadas com recursos oriundos do FETHAB -Fundo Estadual de Transporte e Habitação, que é suor sagrado dos produtores rurais e teve a benevolência e o beneplácito dos deputados estaduais que, através de um projeto de Lei autorizaram o governador a desviar os recursos do imposto que foi criado para ser uma contribuição destinada a financiar o planejamento, a execução, o acompanhamento e avaliação de obras e serviços de transportes e habitação em todo o território mato-grossense.
Vale do Araguaia lugar próspero que continua Esquecido pelo poder público e que a iniciativa privada está transformando em Vale da Prosperidade e das Oportunidades; a Última Fronteira Agrícola Brasileira, quiçá de todo o mundo.
Minha opinião:
Dos governantes os produtores rurais só querem estradas para chegar os insumos e sair a produção. É muito pouco. Ainda lembramos que dentro da propriedade eles se viram e fazem suas estradas para retirar a safra que muitas das vezes são muitos quilômetros. Acho está na hora dos nossos prefeitos e vereadores dos municípios que estão dependendo desta rodovia do calcário se unirem aos produtores e transportadores para pressionar o governo, porque afinal, o ano que vem tem eleição.
A rodovia MT 326 precisa de uma patrulha permanente. Os consertos paliativos não resolvem nada. Não esqueçam, são mais de 400 passadas de carretas por dia naquela estrada.
Reflitam e tenham uma Boa Semana!!!
http://www.aguaboanews.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=3227:o-vale-do-araguaia-continua-esquecido-pelo-governo-rodovia-do-calcario-e-so-buracos&catid=38:agua-boa&Itemid=140

El Coma Andante: a ridícula tentativa de Fidel Castro de mostrar virilidade

Os latino-americanos adoram sonhar com um messias salvador, com um sujeito viril, barbudo, que vai falar firme (por horas?), bater na mesa, enfrentar os “imperialistas” e finalmente trazer a tão sonhada “justiça social”. Muita tirania já foi construída em cima desse ideal.
A cubana é o melhor exemplo. Com seus uniformes verde-oliva, aqueles guerrilheiros eram “machos” que desafiariam os ianques e lutariam por “liberdade”. O resultado está aí: meio século de sangrenta ditadura, milhares de mortos inocentes e presos políticos, e muita miséria e escravidão.
Mas Fidel Castro, com seus quase 90 anos, mais conhecido como “El Coma Andante”, ainda precisar alimentar essa imagem, é algo realmente patético. O uso dos já tradicionais uniformes Adidas (de vez em quando é Nike, empresa, pasmem!, americana) serve para simular uma virilidade há muito perdida.
Deve ser terrível ter de viver assim, eternamente como o símbolo de algo inexistente. Revolucionários preferem mártires, como Che Guevara, que morreu jovem e cuja foto tirada por Korda, com o olhar no horizonte, pode ser apreciada por milhões de idiotas úteis e muitas “amantes espirituais”, como diria Nelson Rodrigues.
Fidel não teve o mesmo destino. Envelheceu, ficou um tanto caquético, sua decadência física acompanha a decadência do próprio regime que criou. Mas para as esquerdas, aparência é tudo. Portanto, lá vamos nós, com o uniforme Adidas, fazer um tremendo esforço para uma foto, na vã esperança de que os inocentes úteis possam manter a imagem de líder viril em suas mentes.
Só um detalhe: quem acusa o embargo americano pela miséria cubana, além de atestar a maravilha do comércio com os “exploradores” ianques, precisa explicar porque o ditador pode desfrutar de produtos internacionais na maior tranquilidade. Pelo visto, importar não é tão difícil em Cuba. Impossível mesmo é ter o dinheiro para tanto, quando se trata do povo…

Rodrigo Constantino
http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/socialismo/el-coma-andante-a-ridicula-tentativa-de-fidel-castro-de-mostrar-virilidade/

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mensaleiros merecem o ostracismo, diz Barbosa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou nesta segunda-feira que réus condenados no julgamento do mensalão merecem ficar no “ostracismo” e não devem ocupar “páginas nobres” de jornais. A manifestação foi uma resposta à entrevista do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato, ao jornal Folha de S. Paulo.

Na entrevista ao jornal, João Paulo classificou como “gesto de pirotecnia” o fato de Barbosa ter determinado a execução imediata de sua pena, mas ter viajado em férias sem assinar a ordem de prisão do parlamentar.
“A imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena”, afirmou Barbosa, em Londres. “A pessoa, quando é condenada criminalmente, perde uma boa parte dos seus direitos. Os seus direitos ficam em hibernação, até que ela cumpra a pena.”
“No Brasil, estamos assistindo à glorificação de pessoas condenadas por corrupção à medida que os jornais abrem suas páginas a essas pessoas como se fossem verdadeiros heróis”, argumentou. “Esse senhor [João Paulo] foi condenado pelos onze ministros do Supremo Tribunal Federal. Eu não tenho costume de dialogar com réu. Eu não falo com réu. Não faz parte dos meus hábitos, nem dos meus métodos de trabalho ficar de conversinha com réu.”
O petista foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão em regime fechado, mas ainda recorre de parte da condenação de lavagem por meio de embargos infringentes. Conforme denúncia do Ministério Público sobre o esquema do mensalão, entre as irregularidades, João Paulo recebeu 50.000 reais do publicitário Marcos Valério para favorecer a agência de publicidade SMP&B em um contrato da Câmara dos Deputados. Na época do escândalo, confrontado com a descoberta do pagamento, João Paulo disse que o PT enviou recursos para que fosse paga uma fatura de TV a cabo. Em juízo, mudou a versão e afirmou que petistas encaminharam o dinheiro para realizar pesquisas pré-eleitorais na região de Osasco (SP). Para o STF, porém, o recurso era propina.
 Por Reinaldo Azevedo

“Pela foto, parece que tiveram que dar uns sopapos na presidenta, para ela pagar a conta”. *Comentário de um internauta português

Veja o que os leitores portugueses acharam da ‘escala técnica’ de Dilma em Lisboa

Dilma em Portugal
                                          Dilma com o chef Joachim no restaurante Eleven em Lisboa, Portugal.
Em 8 de março de 2012, o jornalista Celso Arnaldo Araújo comentou a inverossímil escala da comitiva presidencial no Porto: a caminho da Alemanha, Dilma Rousseff e seus turistas de estimação pararam na cidade portuguesa para comer um prato de bacalhau muito apreciado pela chefe de governo. Honrado com a visita, o dono do restaurante retribuiu no fim do jantar: o prato foi rebatizado de Bacalhau à Dilma.
Perplexo com a reincidência registrada neste fim de semana, Celso Arnaldo remeteu à coluna um punhado de comentários de leitores de um jornal português. Confiram o recado do nosso caçador de cretinices. Volto no fim. (AN):
Enquanto nossa mídia registra, sem se escandalizar, a “parada técnica” do Aerodilma em Lisboa, onde 45 suítes foram ocupadas pela comitiva real nos hotéis Ritz e Tivoli (os mais caros da cidade) só para um jantar no Eleven (único restaurante estrelado Michelin de Portugal), o Diário de Notícias de lá falou do jantar e deu uma foto de Dilma com o chef Joachim e suas impressionantes olheiras (que os portugueses também chamam de “fronhas”). Selecionei abaixo alguns comentários de internautas portugueses do site do jornal. Veja que o tom crítico e até derrisório lá é maior que o de cá.
“Algo que sempre adorei nos auto-denominados “solidários”, é que quando têm o carcanhol dos outros nas nas mãos para “gerir”, tornam-se sempre adeptos do conforto capitalista. O contribuinte brasileiro a pagar jantaradas para grupos no Eleven (onde em média são Euros 100,00 por cabeça) e noitadas no Ritz !!!!! Vai lá vai….”
“Quando se acabar o crédito e/ou as riquezas naturais, acabam-se os Maduros, os Moráles e as Dilmas. Lá como cá, quando se acaba o dinheiro, acaba-se o socialismo. Depois, já se sabe, será a culpa dos mercados, dos bancos, blá, blá, blá…..”
“Coitada ! A mulher até mete dó! Deus me livre de tal coisa”.
“Por amor da Santa! Será que não era possível arranjar uma foto melhor, quer de um quer de outro? Parece que saíram de um naufrágio. A Dilma, então, que até nem é feia de todo, está um pavor, parece que ficou mal disposta com a janta. Que coisa mal amanhada! Será que pediram licença à senhora para postar a foto na rede? Tirem lá isso, se querem manter a freguesia. Se bem que o tal de 11 a mim não me diz nada mas se é na continuação do Lágrimas de Coimbra (onde caí uma vez por acaso), não vai deixar saudades à brasileira”.
“Tava linda hein Dilma, adorei esse look Fester Addams”.
“Parece photoshop ao contrário. Que vanguardista”.
“Pela foto, parece que tiveram que dar uns sopapos na presidenta, para ela pagar a conta”.
Voltei para a constatação: o retrato desenhado pelos comentários só não é pior que o retrato de Dilma ao lado do chef Joachim. 
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/veja-o-que-os-leitores-portugueses-acharam-da-escala-tecnica-de-dilma-em-lisboa/

UMA SIMPLES CADEIRA...,



Eu me sinto na obrigação de falar, com todas as letras. SOMOS BURROS!

Olhem só essa cadeira,sim uma simples cadeira, que serve para sentar, os mais sensíveis dirão... para decorar... os mais imaginativos poderão pensar outras coisas... MAS, continua sendo uma bela e funcional cadeira.

Principal Característica: é de alumínio e foi inventada pela Marinha Americana para usar em navios (ui ui ui)


Preço
Acabamento Escovado: R$ 2775
Polido: :R$  7.386,00
Preço na gringolândia:
Escovado: US$ 490 ou R$ 1160
Polido: US$ 1300 (+ ou - 3000 mil reais)

E aí? Isso tudo é imposto? custo brazil? ou burrice da Classe A que não sabe o que fazer com seu $$?

Na boa... não pagaria nem o preço gringo por essa porqueira... a utilidade dela é: sentar a bunda.
http://www.estamosricos.com.br/2014/01/uma-simples-cadeira.html

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Deslumbrados.., perderam completamente a vergonha na cara...,

'Lisboa e Tejo e tudo', por Maria Helena RR de Sousa

Como é possível que uma senhora que já não é mais criança, ocupante do mais alto cargo de uma Nação cheia de problemas, se comporte como uma Maria-Chuteira que não sabe mais nem em quê gastar de tanto que seu marido ganha?
À menina que sai da periferia de qualquer de nossas cidades e vai parar em Barcelona ou Madrid e fica extasiada com as purpurinas de sua nova vida, dá-se um desconto: é natural que queira pavonear-se para os da sua turma.
Mas dona Dilma ir se exibir em Lisboa e nos fazer passar pelo vexame de mostrar que no fundo ainda somos os mesmos tupinambás boquiabertos com os espelhos e as miçangas?
Será que ela porventura acha que os grandes empresários do mundo não vão pôr num prato da balança a estadista e seu discurso em Davos e no outro a deslumbrada sem limites?
Será que ela por um átimo de segundo achou que esse piquenique às margens do Tejo ia passar despercebido e que não ia ser comparado com o rastilho de pólvora que começa a unir nossas cidades?

Carlos Botelho (óleo)

Eu mesma respondo. Acho que ela está convencida que nós, os trouxas absolutos, não faremos nada e que ela, retroalimentada pelo PT e seu dono, pode mesmo tudo e que nada de mau lhe acontecerá, a não ser a reeleição e aí...
Bem, aí entra a Carta do Leitor de O Globo, que copio:
Estou cansado de ver oportunistas manipularem pessoas, usando a religião e a política para ganhar dinheiro fácil e poder. De ver tantas mortes e acidentes em estradas esburacadas, perigosas e mal conservadas. De ver políticos jogando pretos contra brancos, empregados contra patrões, pobres contra ricos, incentivando o preconceito e botando lenha na fogueira da luta de classes. De ver ministérios inúteis, criados para acomodar companheiros, no esquema do toma lá dá cá. Estou cansado da carga tributária de 37,5% do PIB, uma das mais altas do mundo, com quase nenhum retorno. De ter medo de sair à rua, apavorado com bala perdida, assalto e arrastões. Do trânsito e do transporte público sempre infernais. De ver políticos e governantes zombarem da nossa inteligência. Da educação cada vez mais desvalorizada. Estou cansado de muitas coisas, mas, principalmente, de ver a mediocridade tomando conta do país. Rubem Paes, Niterói, RJ”.
É carta que seria assinada por mim e por muita e muita gente. Perfeita. E com o timbre da Verdade.
Eu só acrescentaria uma linha depois de olhar detidamente a foto-testemunha do ‘rolézinho’ às margens do Tejo: precisavam sair carregando a mercadoria?

*O título, já se sabe, é do poema Lisbon Revisited (1926), Álvaro de Campos (Fernando Pessoa).

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.

Dilma oferece mais R$ 701 milhões para financiar porto cubano

Tem futuro um negócio desses?

Ao lado do ditador cubano, Raúl Castro, a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira um crédito adicional de US$ 290 milhões (R$ 701 milhões) do BNDES para a zona econômica especial do porto de Mariel.
O Brasil já forneceu um crédito de US$ 802 milhões (R$ 1,88 bilhão) para a construção do porto que foi inaugurado hoje por Dilma, Raúl Castro, Nicolás Maduro (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e outros.
Do montante total, US$ 682 milhões (R$ 1,6 bilhão) foram entregues à Odebrecht, que lidera as obras, e outros US$ 120 milhões (R$ 282 milhões) a outras empresas brasileiras.
Leiam:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/01/1403485-dilma-oferece-mais-r-701-milhoes-para-financiar-porto-cubano.shtml

“Tem algo errado ou estamos ricos??”

A rotunda pergunta, feita com dois pontos de interrogação, é o cartão de boas-vindas do blog Estamos Ricos, cujo editor assina apenas como Walter.
Garimpando sites de imobiliárias casas e apartamentos no Brasil e no exterior – e disponibilizando os links para as fontes -, ele compara os nossos preços de venda com os encontrados em países como Estados Unidos, México, Alemanha e Chile.
Os resultados obtidos são espantosos. Se alguém procura bons exemplos de que vivemos algo parecido a uma “bolha imobiliária”, trata-se de um prato cheio.
Abaixo, listo algumas das duplinhas comparativas separadas peloEstamos Ricos (não deixem de conferir as outras).
- SEATTLE (EUA) x DIADEMA-SP - vejam o que se compra com R$ 850 mil na metrópole americana, sede da Microsoft e da Boeing, e na cidade da zona metropolitana de São Paulo:
Seattle
Seattle 1

Seattle 3

Seattle 2
Diadema
Diadema 1

Diadema 2
Diadema 4

FRANKFURT (ALEMANHA) x SANTOS-SP – a quantia em euros referente a R$ 300 mil vale um apartamento de 151 metros quadrados em Frankfurt, a capital financeira da Alemanha, cidade que recuperou magnificamente sua área histórica destruída durante a II Guerra Mundial e ergueu, também, um moderníssimo centro de negócios — ou um beeem mais apertado e em pior estado em Santos, no congestionado litoral sul paulista:
Frankfurt
Frankfurt1
Frankfurt2
Frankfurt3
Santos
Santos3
Santos2
Santos1

- SAINT PÔTAN (FRANÇA) x CAÇAPAVA-SP – tudo indica que um casarão reformado charmoso na Bretanha, noroeste da França — algo que, no Brasil, equivaleria a um palácio de milionário –, está saindo os mesmos R$ 492 mil que uma casa em pacato município do interior de São Paulo:
Saint Pôtan
St Potan 1
St Potan 2
Caçapava
Caçapava 1
Caçapava 2

SANTIAGO (CHILE) x FEIRA DE SANTANA-BA x NOVA IGUAÇU-RJ – e para quem já estava achando que falávamos só da bolha paulista, aqui vai um exemplo duplo. Uma bela e nova em folha residência nos arredores de Santiago, capital do país mais rico da América do Sul, é até mais barata do que construções que há décadas não vêm uma gota de tinta em uma região pouco glamorosa da Bahia e na complicada e insegura Baixada Fluminense, pelas quais se pede a bagatela de R$ 630 mil.
Santiago
Chile1
Chile2
Feira de Santana
Feira de Santana
Nova Iguaçu
Nova Iguaçu
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/blog-expoe-a-espantosa-bolha-imobiliaria-brasileira-comparando-nossos-precos-com-os-de-outros-paises/