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sexta-feira, 17 de março de 2017

Carne Fraca

Operação Carne Fraca é a maior da história da PF
Operação Carne Fraca é a maior da história da PF (PF/Divulgação)
Carne Fraca: Justiça bloqueia R$ 1 bilhão de investigados.

Maior operação da história da PF investiga esquema de venda de carne adulterada e vencida corrupção de fiscais federais; 46 investigados sofreram bloqueio.

A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de 1 bilhão de reais em contas e bens de investigados na Operação Carne Fraca, deflagrada na manhã desta sexta-feira, para combater corrupção de agentes públicos federais e crimes contra a saúde pública. Segundo a Polícia Federal, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Agricultura no Paraná, Minas Gerais e Goiás “atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público”.

O juiz Marcos Josegrei da Silva, que determinou o bloqueio, disse que as medidas “têm por finalidade primordial assegurar o ressarcimento do dano causado” e evitar “que o autor do delito aufira qualquer tipo de lucro com a sua empreitada criminosa”.

Ao todo são mais de oitenta investigados na fase deflagrada na manhã desta sexta, porém o bloqueio de bens vale para 46 deles. A Carne Fraca é a maior operação da história da PF.

Procurada pelo site de VEJA, a BRF declarou que “está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas”. Já a JBS informou por meio de nota que “adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos.” A companhia destacou, ainda, que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos”.

Confira a nota da JBS na íntegra:

“Em relação a operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje, a JBS esclarece que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação.

A ação deflagrada hoje em diversas empresas localizadas em várias regiões do país, ocorreu também em três unidades produtivas da companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás. Na unidade da Lapa (PR) houve uma medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.

A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas.

A JBS no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos.

A companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e/ou comercialização – e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos.




domingo, 5 de março de 2017

Como Chico Xavier fez do Brasil o maior país espírita do mundo

LIVRO | Chico Xavier© image/jpeg LIVRO | Chico Xavier

Em 75 anos de trabalho, Chico Xavier conseguiu fazer do Brasil a maior nação espírita do mundo. Mais de 3,8 milhões de brasileiros se dizem seguidores da religião. Contando os simpatizantes, o número pula para 30 milhões. Esse talvez seja o principal legado do médium no Brasil: tornar a religião acessível, conhecida e respeitada.

Os brasileiros logo reconheceram a dimensão do médium. Em 2006, a revista Época decidiu escolher o maior brasileiro da história. A publicação formou uma comissão com 33 personalidades notáveis, que ia do ex-presidente Fernando Henrique ao ator Paulo Autran, para escolherem o agraciado. Deu empate entre o escritor Machado de Assis e o político e diplomata Ruy Barbosa. A redação se viu obrigada a votar também, e o escolhido foi Barbosa. Em paralelo, Época criou uma enquete online para dar voz aos leitores na questão. A revista colocou no site uma lista de 50 nomes pré-selecionados.

O médium não estava entre as sugestões oferecidas pela redação. Mas a votação previa um espaço em branco para que o leitor elegesse outras pessoas. Com essa brecha, o azarão Chico Xavier assumiu a ponta da eleição e terminou em primeiro lugar, com 36% dos votos, o dobro do segundo colocado, Ayrton Senna.

LEIA: 3 cartas inacreditáveis que Chico Xavier psicografou

Chico também venceu o concurso O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, promovido pelo SBT ao longo de 12 programas em 2012. Para chegar ao posto, o mineiro deixou para trás Irmã Dulce, Princesa Isabel, Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek. Chico, no programa final, foi representado pelo amigo Saulo Gomes, o jornalista que lhe convenceu a dar a entrevista para o Pinga-Fogo.
Desde 2002, o mineiro calou-se, mas deixou um amplo e fértil terreno para outros espíritas trilharem seu caminho. Chico não deixou herdeiros diretos. Na Casa da Prece, em Uberaba, ele era o único médium. Mas a semente estava plantada. A cidade tinha cerca de cem centros espíritas no ano da sua morte. No vácuo de Chico, nomes como Divaldo Pereira Franco puderam consolidar suas carreiras.
Divaldo é o maior missionário do espiritismo. Aos 89 anos, quase 70 deles dedicados à doutrina, percorreu os cinco continentes e milhares de cidades brasileiras para divulgar a religião por meio de palestras e entrevistas, sendo o principal responsável pela abertura de novos centros e pelo crescimento do movimento fora do Brasil. Achou conforto nos espíritos ainda criança, quando dois irmãos morreram. Em 1947, aos 20 anos de idade, fundou um centro espírita em Salvador.
Começou a psicografar mensagens ainda na adolescência. O primeiro livro, Messe de Amor, só seria publicado em 1964, quando Divaldo já tinha quase 40 anos. Mas depois disso deslanchou: foram mais de 250 títulos, alegadamente guiados por mais de 200 espíritos. Vendeu 8 milhões de exemplares, com tradução para quase 20 idiomas. Parte do sucesso se explica pela versatilidade. Nos seus textos, Divaldo explorou vários estilos, tendo publicado contos, romances, poemas e crônicas. Os temas também foram plurais: há livros psicológicos, doutrinários, históricos e até mesmo infantis.
Divaldo diz que recebe mensagens de uma mentora chamada Joanna de Ângelis, espírito que teria um talento especial para reencarnar em pessoas que testemunharam fatos históricos. Em suas vidas passadas, Joanna teria sido uma das mulheres que acompanhavam Jesus no momento da crucificação, a fundadora de uma ordem católica no século 13, uma poetisa mexicana no século 17 e mártir da independência da Bahia em 1822.

Com a ajuda de Joanna, Divaldo diz ter escrito os livros Autodescobrimento, de 1995, e Triunfo Pessoal, de 2002, sucessos recentes de uma série psicológica em que o médium explora uma abordagem mais próxima da autoajuda. Embora respeitosas à doutrina kardecista, as psicografias do médium baiano estão mais alinhadas a uma nova faceta do espiritualismo, em que os adeptos buscam apoio do plano dos mortos para prosperar e superar os problemas do cotidiano.
Embora seja conhecido pela psicografia, Divaldo diz possuir talento para clarividência, vidência e psicofonia – a habilidade de falar em nome de espíritos. Além da importância dentro do movimento espírita, Divaldo também é responsável por projetos sociais na cidade de Salvador, onde fundou a Mansão do Caminho, em 1952.

LEIA:11 perguntas e respostas sobre Chico Xavier
O mercado editorial espírita deve muito a Chico Xavier. Ele escreveu mais de 400 livros em vida e deixou um catálogo de 491 títulos, incluindo as obras póstumas com coletâneas de textos inéditos. Divaldo e outros autores alinhados à doutrina vendem milhões de exemplares, uma babilônia perto das tiragens médias de 3 mil exemplares dos livros do mercado “laico”. A grande massa de leitores espíritas cultivada por Chico Xavier permitiu, por exemplo, o sucesso de Zibia Gasparetto, uma médium de 90 anos autora de livros supostamente psicografados desde 1958. Ela coleciona mais de 40 títulos, alguns deles traduzidos para o inglês, espanhol e japonês, e acumula mais de 16 milhões de exemplares vendidos. É figura constante nas listas dos best-sellers brasileiros.
Mas a autora se distanciou da doutrina. Ela já foi kardecista engajada, deixou o movimento e hoje se diz identificada com o termo “espiritualista”, mais genérico que “espírita”, uma palavra que pode ser entendida como sinônimo de “kardecista”. No final dos anos 1960, Zibia fechou o centro espírita que mantinha com a venda de livros e passou a publicar por uma editora própria. Manteve poder sobre seus direitos autorais, uma decisão radicalmente oposta aos ensinamentos de Chico Xavier e que rende críticas até hoje – para os espíritas, o médium não pode ganhar em cima do que teria recebido de graça. Zibia é empresária e comanda uma lucrativa operação familiar que inclui programas de televisão, rádio e palestras – além dos livros. Ela não enxerga conflito ao monetizar o suposto dom mediúnico. Embora enfrente certa oposição, Zibia encontrou sucesso dentro e fora do movimento espírita, e parte da explicação está no teor das obras, que transitam no popular segmento de autoajuda.

Outro pilar espírita de hoje está em Goiás. Mais precisamente para a cidade de Abadiânia, onde João de Deus promove seus tratamentos sobrenaturais. Estima-se que ele já tenha tratado mais de 9 milhões de pessoas na Casa Dom Ignácio de Loyola, seu quartel-general em Abadiânia. Lá, ele promove sessões de reza e meditação, mas também corta alguns doentes com bisturis, dispensando qualquer anestesia, ou enfia facas ou tesouras nas narinas dos pacientes. Tudo parece ocorrer sob algum tipo de transe, e os voluntários dizem que não sentem dor. João de Deus já teria arrancado até tumores do cérebro de doentes com suas técnicas nada ortodoxas. Quando incorpora o papel de médico, o médium fica com o olhar perdido e fala pouco. Parece fora de si.

As filas que contornavam os quarteirões de Uberaba agora são vistas em Abadiânia. Ônibus de todo o Brasil estacionam na cidade de 17 mil habitantes que vive em função de atender as caravanas de doentes. São apenas 117 km de Brasília, uma posição privilegiada que ajuda a ampliar a clientela de João de Deus. O médium é um fenômeno no Brasil, mas cerca de 80% dos doentes vem do exterior, onde ele é conhecido como John of God. Em 2012, foi a vez da apresentadora Oprah Winfrey desembarcar em Abadiânia para encontrar o curandeiro e gravar segmento para o seu programa, um dos campeões de audiência nos Estados Unidos. Parte da fama internacional veio após o depoimento da atriz Shirley MacLaine, que diz ter sido curada de um câncer no abdômen com a ajuda do curandeiro.

Divaldo, Zibia e João de Deus podem ter ocupado o espaço que foi todo de Chico Xavier, mas os seguidores ainda aguardam notícias do mineiro. Antes de morrer, Chico afirmou que não se manifestaria logo do mundo espiritual. Mas deixou uma senha, ou seja, um código secreto, para confirmar a autenticidade de mensagens suas quando enfim resolvesse se comunicar direto do plano dos mortos. Ele queria evitar que charlatões anunciassem a chegada de uma mensagem exclusiva sua – o que lançaria qualquer médium ao estrelato. A chave para o contato com Chico no além foi entregue oito anos antes da sua morte ao filho adotivo, Eurípedes Higino dos Reis, ao médico e amigo Eurípedes Tahan Vieira e para a vizinha Kátia Maria. Cada um recebeu uma palavra diferente, um segredo individual, que não deve ser compartilhado nem entre os integrantes do trio. A verdadeira carta enviada por Chico teria necessariamente essas três palavras mágicas. Os fiéis seguem aguardando.

[Este texto é um trecho do livro Chico Xavier. A vida. A obra. As polêmicas., publicado pela SUPER]


sábado, 4 de março de 2017

Intelectuais do PT informam: o povo ‘perderam’

O manifesto concebido para livrar Lula da cadeia tortura a verdade e trucida a língua portuguesa.

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“Por que Lula?”, pergunta a primeira linha do manifesto em que 424 autodenominados intelectuais a serviço do PT imploram ao chefe da seita que oficialize a candidatura à eleição de 2018. Até os bebês de colo e os doidos de hospício sabem a resposta: porque a esperteza talvez ajude a fantasiar de “perseguido político” um prontuário ambulante enriquecido por sítios, apartamentos, palestras secretas, jatinhos, negociatas africanas, filhos que multiplicam dinheiro de origem misteriosa e outros espantos. Só finge não saber disso a fila de signatários do documento, puxada pelo inevitável Leonardo Boff e previsivelmente engrossada por Chico Buarque (assinatura n° 9) e João Pedro Stédile (n° 10).

Por que submeter a verdade a tão selvagens sessões de tortura?, perguntam os brasileiros normais ao fim da leitura do manifesto. Não há uma única e escassa menção ao assalto à Petrobras, ao maior esquema corrupto de todos os tempos, a descobertas da Lava Jato, à herança maldita legada por Lula e Dilma, a quadrilheiros engaiolados, à devastação provocada por 13 anos de roubalheira e incompetência. Aos olhos dos fiéis, a alma viva mais pura do mundo não tem nada a ver com isso. Lula tem tudo a ver apenas com a consolidação da democracia, o extermínio da pobreza, o sistema de saúde próximo da perfeição, o sistema educacional de dar inveja a professor finlandês e a transformação do Brasil numa potência petrolífera respeitada no mundo inteiro, fora o resto.

E por que assassinar o pobre português já no primeiro parágrafo?, perguntam os que tratam com mais brandura a língua oficial do Brasil. Em que medida o massacre do idioma ajudaria a livrar da cadeia um ex-presidente que saiu da História para entrar na bandalheira? Teriam os redatores do palavrório resolvido homenagear o Exterminador do Plural? Ou seria uma demonstração de solidariedade aos inventores da linguística lulopetista, para os quais falar errado está certo? Se não tem nada de mais insultar o português pronunciando frases como “Nós pega os peixe”, os discípulos de Lula estão à vontade para redigir o trecho abaixo reproduzido, com observações em negrito do colunista.

“É o compromisso com o Estado Democrático de Direito, com a defesa da soberania brasileira e de todos os direitos já conquistados pelo povo desse (Errado, o certo é ‘deste’) País, que (Alguém infiltrou uma vírgula bêbada entre ‘País’ e ‘que’) nos faz, através desse (É errado o uso de ‘através desse’: o certo é ‘por meio deste’) documento, solicitar ao ex-Presidente Luiz Inácio LULA da Silva que considere a possibilidade de, desde já, lançar a sua candidatura à Presidência da República no próximo ano (A candidatura deve ser lançada desde já ou no próximo ano?), como forma de garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam”.

Como é que é, companheiros inteleques? Quem “perderam”? O povo? Nesse caso, foram simultaneamente trucidados os fatos e a concordância verbal. O povo brasileiro nunca “perderam”; sempre perdeu, no singular. Mas desta vez não perdeu a dignidade, o orgulho e a autonomia, como fantasia o manifesto. O que perdeu foi a montanha de dólares acumulada pelo PT e seus comparsas. Também perdeu o respeito pelos farsantes no poder havia 13 anos, perdeu a paciência com os poderosos patifes e perdeu o medo de ditar os rumos da nação.

Nenhum país tem mais intelectuais por metro quadrado que o Brasil, constatou Nelson Rodrigues. O problema é que a maioria é incapaz de pensar. Enquanto mantêm guardado na cabeça um romance incomparável, escritores escrevem manifestos de envergonhar o mais bisonho reprovado no Enem. Nessa categoria figura o que sonha com a volta de Lula. A coleta de assinaturas recomeçará na segunda-feira, informou o site do PT. Sobra tempo para que os 424 pensadores façam as correções indispensáveis. Se quiserem copiar as feitas acima, estejam à vontade. De nada.
Também clama por um revisor com mais de cinco neurônios o texto que festeja no site do PT a desembestada ofensiva retórica. Confira:

“Numa iniciativa que responde à escolha que milhões de brasileiros manifestam com clareza sempre que lhe perguntam quem deve governar o país, o lançamento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República começa a tomar forma e conteúdo. A partir de segunda-feira (6), todo cidadão brasileiro será convidado a colocar seu nome, através de uma plataforma aberta na internet, a um abaixo assinado que solicita a Lula considerar “a possibilidade de, desde já, lançar sua candidatura a Presidência da República como forma de garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam.”

Esse monumento à ignorância vai ficar sem retoques. Primeiro, porque a cena do crime deve permanecer intocada, como alertam as séries policiais da TV americana. Depois, porque o parágrafo acima, da mesma forma que o manifesto, é uma prova contundente de que ─ ele, de novo ─ Nelson Rodrigues tinha razão: os idiotas estão por toda parte. Por que estariam ausentes de reuniões que terminam com o parto de outro manifesto?

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/intelectuais-do-pt-informam-o-povo-perderam/

sexta-feira, 3 de março de 2017

Uma grande safra indo para o ralo, diz ministro da Agricultura

Pelo menos 11 navios que estavam no porto de Belém esperando para carregar soja foram desviados para portos do Sul do País

Armazenamento de soja em Luís Eduardo Magalhães - BA
Armazenamento de soja em Luís Eduardo Magalhães - BA (Cristiano Mariz/VEJA)
Bastou chover um pouco mais que o esperado e parte da supersafra brasileira de soja corre o risco de “micar” no país sem conseguir chegar aos portos. Ela está encalhada nos 100 km não asfaltados da BR-163, a rodovia que é hoje a principal ligação entre uma grande zona produtora do grão, no Mato Grosso, e os portos do Norte do país. “Dinheiro que estava na mesa, de uma grande colheita, está indo para o ralo, nos buracos das estradas” lamentou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “Dá pena de ver.”
Ele informou que 11 navios que estavam no porto de Belém esperando carga de soja já foram desviados para portos do Sul do país. Os produtores tiveram prejuízo de 6 milhões de dólares só com a “demourage”, a taxa paga pela permanência das embarcações. A carga desviada, por sua vez, poderá sobrecarregar portos como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
No total, o setor estima que o prejuízo nessa safra será de 350 milhões de reais, segundo informou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli. “Estamos queimando notas de cem dólares, uma atrás da outra”, afirmou o executivo.
Segundo Maggi, o produtor que vende a soja precisa entregá-la no prazo, no local definido pelo comprador. Diante do atraso no escoamento da produção local, a alternativa é, muitas vezes, adquirir soja de outros países produtores, como Estados Unidos e Argentina, para honrar o contrato. “E aquela soja brasileira que iria para esse comprador fica ‘micada’ aqui”, explicou o ministro, um dos maiores produtores de soja do país.
Maggi e o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, se reuniram nesta quinta-feira, com representantes dos produtores para discutir a situação na BR-163. Eles acertaram um esquema pelo qual será reduzido o envio de caminhões para a rodovia, de forma que será possível manter as condições de tráfego.
A estrada será aberta para a passagem de caminhões por períodos. Depois, o trânsito será interrompido para que as máquinas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) possam aplainar novamente a pista. E assim sucessivamente, num esquema “anda e para”.

Fila

Nesta quinta, 1,2 mil caminhões, numa fila de 40 km, aguardavam autorização para seguir viagem pela rodovia no sentido norte. A pista já havia sido aberta para automóveis de passeio e caminhões com carga perecível. A expectativa era permitir o trânsito de caminhões pesados nesta quinta mesmo. Com isso, a fila poderá acabar em cerca de dois dias, se o clima colaborar.
A pista no sentido sul já está aberta e não há mais filas. Mas, para chegar a essa situação, foi necessário buscar ajuda do Exército para desfazer a aglomeração de veículos na via e permitir a passagem das máquinas do Dnit. Até o Carnaval, a via estava bloqueada e a fila chegava a 700 km.
Para socorrer os caminhoneiros e famílias que estão há dias parados nas estradas, e também as comunidades isoladas, o Exército vai distribuir 3 mil cestas básicas e água. O primeiro carregamento chegou nesta quinta ao local.
“A prioridade do governo é garantir o escoamento pelo Arco Norte”, disse Quintella, referindo-se aos portos no Norte do país. Ele lamentou o “gargalo” na BR-163 e informou que o asfaltamento dos 100 km que estão faltando já está totalmente contratado. A expectativa é que sejam asfaltados 60 km este ano e outros 40 km no ano que vem.
(Com Estadão Conteúdo)

quinta-feira, 2 de março de 2017

Manipulação silenciosa..,

NÓS E OS ALGORITMOS

Por Maria Lucia Victor Barbosa (*)
Na sua magistral obra, Homo Deus, Yuval Noah Harari trata de temas extremamente complexos e instigantes de forma compreensível ao senso comum. Entre outros assuntos ele mostra com clareza o que é um algoritmo, termo que vai entrando na moda, mas que é pouco entendido pela maioria:
“Um algoritmo é um conjunto metódico de passos que pode ser usado para realização de cálculos, na resolução de problemas e na tomada de decisões”. Como exemplo simples de algoritmo ele dá uma receita de sopa em que os “passos metódicos” são os ingredientes usados para fazer o alimento.
Acrescenta o autor do best-seller que já vendeu mais de dois milhões no mundo, “que os algoritmos que controlam os humanos funcionam mediante sensações, emoções e desejos”, justamente o ponto que desejo abordar nesse pequeno e modesto texto. Isto porquê, se a tecnologia é algo extraordinário, dependendo do uso que se faz dela pode ser usada não para o bem e sim para o mal como tudo que é humano.


Fluxograma, um exemplo de 
algoritmo imperativo. O estado
 em vermelho indica a 
entrada do algoritmo
 enquanto os estados
em verde indicam as 
possíveis saídas.By Wikipedia
Um dos usos perigosos é o aperfeiçoamento da manipulação, que sempre existiu, mas que agora é elaborada por técnicas cada vez mais avançadas. Sem perceber a maioria obedece aos interesses de governos, de partidos políticos, da mídia, do marketing, do mercado, da opinião pública, de outras entidades ou grupos. Isso se faz através de passos metódicos baseados em algoritmos que manipulam sensações, emoções e desejos.
A mídia, conforme, Jorge Moreira, tem o “setting, um tipo de efeito social que compreende a seleção, disposição e incidência de notícias sobre temas que o público falará e discutirá. “A agenda é pautada por diversas conveniências do governo e da necessidade de verba de publicidade dos meios de comunicação”. “O que um canal de TV, um jornal ou uma revista postam, todos seus concorrentes seguirão a pauta”.
Como exemplo concreto relembro que o uso da mídia e do marketing foi largamente usado pelo governo petista, muito além de outros governos. Desse modo, Lula se tornou intocável, inimputável, sempre encaixado no papel de vítima. Criticá-lo era sacrilégio, crime de lesa-majestade, algo politicamente incorreto.
Eleito presidente da República na quarta tentativa, foi reeleito malgrado o escândalo do mensalão e, para provar que detinha quase a maioria do povo elegeu e reelegeu sua sucessora, uma façanha política e tanto.
O PT, que se disse puro, ideológico, capaz de mudar o que os outros partidos faziam de errado, continuou elegendo correligionários apesar de ter institucionalizou a corrupção. Os petistas haviam finalmente encontrado um bom marqueteiro que fazia a mágica.
Entretanto, uma das características da vida e das sociedades é o dinamismo e por um processo ligado a uma série de fatores mudanças acontecem mesmo em sistemas autoritários e totalitários. Nas democracias a insatisfação popular manifesta livremente é um dos fatores de mudança e nenhum governo resiste quando a economia vai mal.
Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff mergulharam o Brasil na pior recessão da nossa história. Como consequência aconteceu o impeachment na esteira da insatisfação popular. Atentos às suas necessidades de votos, parlamentares foram sensíveis à reivindicação de milhões de brasileiros que nas maiores manifestações já havidas no País foram às ruas pedir a saída de Rousseff.
O pior governo que o Brasil já teve esboroou com estrondo. Em vão o PT tentou chamar de golpe o que na verdade era resultado do inconformismo popular com o desemprego, a inflação, a inadimplência. Nas eleições municipais veio outro troco dos brasileiros: o PT perdeu 60% de suas prefeituras e Lula viu minguar seu prestigio.
Diante disto, lideranças petistas agora fazem cálculos para recuperar o enorme poder que já desfrutaram, mas sabem que só podem resgatá-lo mediante a volta à presidência da República do seu único candidato viável, Lula da Silva, em que pese este ser cinco vezes réu.
Apropriadamente surgiu uma pesquisa benfazeja mostrando Lula em primeiro lugar. Pesquisas podem funcionar como marketing, pois pessoas costumam votar em quem está no topo das escolhas para também sentirem vencedoras. O PT sabe disso e tem esperança de que seu líder volte a ser amado enquanto dirige o foco do ódio, que tão bem sabem manejar, para outras figuras como Temer, Alexandre de Moraes, a Polícia e até Trump, presidente dos Estados Unidos do qual não se deixa de falar mal um dia sequer.
Lula sabe instintivamente manipular sensações, emoções e desejos. Em 2018 tudo vai depender das circunstâncias, mas é bom lembrar do que escreveu Nicolau Maquiavel, em 1513, na sua eterna obra, O Príncipe: “Os homens são tão pouco argutos e se inclinam de tal modo às necessidades imediatas, que quem quiser enganá-los encontrará sempre quem se deixe enganar”.

(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, autora entre outros livros do “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a ética a malandragem” e “América Latina – em busca do paraíso perdido”.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

José Nêumanne: Uma banda sã e outra podre

Publicado no Estadão

Enquanto saneia a economia, governo Temer mantém hábitos podres da política.

Há uma aparente contradição em termos no noticiário da semana passada. De um lado, sinais positivos começam a aparecer na economia, tornando o otimismo possível, ainda que com cautela. De outro, a pesquisa MDA/CNT flagrou a continuação de um vertiginoso desabamento do apoio popular ao governo que o promove.
“Devemos ter crescimento neste primeiro trimestre. O ponto da virada parece ter sido em dezembro”, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, a Adriana Fernandes, do Estado. Nas contas do secretário, a reação aparece no desempenho do agronegócio, com uma safra recorde, o que não é novidade para ninguém, de vez que, apesar da tolerância do Estado brasileiro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outros similares, o setor continua sendo nossa galinha dos ovos de ouro. Mas, para surpresa geral, a alta burocracia da Fazenda garimpou boas novas na normalização dos estoques da indústria automobilística e no aumento do consumo, sobretudo em hiper e supermercados, para alavancar os bens não duráveis. A equipe econômica conta com a tendência de aumento de preços no mercado internacional de minério de ferro e a recuperação da construção civil por causa das medidas recentes de ampliação do programa social Minha Casa, Minha Vida. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço também entra na lista, seja por causa da elevação para R$ 1,5 milhão do limite para compra da casa própria, seja pela injeção esperada de R$ 30 bilhões no mercado com a liberação de suas contas inativas. A manchete de capa do caderno de Economia & Negócios do Estado de sábado – Brasil registra entrada recorde de investimento estrangeiro em janeiro – pode prenunciar, além da rima, uma solução, parodiando o verso de Drummond.
Oxalá a virada, datada em dezembro último, não signifique que a economia possa ter capotado, mas que tenha chegado ao fundo do poço, a ascensão depois da queda. Aleluia!
O que, então, aconteceu nos últimos dias para a sociedade, em vez de estar aliviada com os bons indícios, ter ficado aborrecida com o governo, a ponto de manifestar o desagrado com este, caindo de 14,6% em outubro para 10,3% agora? Ou seja, levando em conta a avaliação mais recente da mesma pesquisa, o substituto está 0,9 ponto porcentual abaixo da última avaliação da antecessora, à época do desfecho do processo do impeachment dela, qual seja, de 11,2%. Mais preocupante ainda para o atual presidente, e seus aliados do PMDB e do PSDB, é que, ao contrário do que seria de esperar depois do massacre do Partido dos Trabalhadores (PT) nas urnas, Lula subiu na preferência popular para 30,5% dos cidadãos.
A 19 meses do pleito eleitoral, os números relativos à intenção de votos são, na prática, desprezíveis. Eles revelam, entretanto, enorme desconhecimento da massa acerca da absoluta responsabilidade do ex-presidente pela crise que levou o País à quebradeira das empresas, ao desemprego recorde de 12 milhões de trabalhadores desocupados, à queda da arrecadação e a todas as consequências nefastas de 13 anos, 5 meses e 12 dias de desgovernos federais petistas. O descompasso entre a realidade e a impressão popular é explicado pelo talento de comunicador do ex-dirigente sindical, posto em confronto com o amadorismo injustificável da comunicação na gestão de um governante que pretende ser reconhecido como “reformista”.
Esse profundo e evidente paradoxo poderá, de um lado, prolongar o calvário da falta de credibilidade de Temer e, de outro, servir para realizar as pretensões de volta ao poder do “sapo barbudo” de Brizola. Desde o começo a atual gestão padece de uma esquizofrenia institucional aguda: a respeitável equipe de técnicos dá duro para sanear e reconstruir a economia, enquanto a banda podre de políticos faz o diabo para escapar da cadeia.
O presidente faz juras de fidelidade ao inédito processo de depuração, que tenta dar cabo ao conúbio entre gestores corruptos da República e empresários que dilapidam o patrimônio público e desmoralizam a democracia, mas age no sentido oposto. Governa de joelhos para o País oficial e de costas para o Brasil real.
Lula, Dilma e o PT prometiam “mudar tudo o que está aí”, mas levaram aos mais sórdidos exageros a malversação do erário. Isso explica por que o petista Tarso Genro disse ao juiz Sergio Moro que sua grei pratica o caixa 2, crime nocivo às finanças públicas e à competição entre empresas, sem a qual o capitalismo perde a razão de ser. Delatado na Lava Jato como receptador de R$ 7 milhões de propinas da Odebrecht, o ministro da Indústria (!), Marcos Pereira, do PRB do bispo Edir Macedo, confessou, candidamente, que pediu doações para a campanha de seu correligionário Marcelo Crivella. O uso do cachimbo entorta a boca e, no caso, também a ética da fé que ele diz seguir – dos dez mandamentos de Deus, o que proíbe furtar.
Temer indicou e dispensou do expediente seu ministro da Justiça, durante o motim da PM capixaba, que resultaria em 149 mortes, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi acusado de plágio, o que implica falta de notório saber e de reputação ilibada, e pilhado “simulando” sabatina em festa numa chalana, regada a champanhota flutuante. Mas nada abalou suas pretensões ao posto.
O presidente conseguiu ainda do amigo decano do STF autorização para blindar outro amigão das garras da primeira instância. E o abrigou à sombra da mesma Suprema Tolerância Federal em nome da prerrogativa de foro, a mais hipócrita violação da igualdade de todos os cidadãos perante a lei que se pode imaginar em qualquer Estado de Direito.
Diante disso, resta-nos rezar para a banda sã da economia prevalecer, antes que a banda podre da política a afunde no lamaçal da safadeza geral em que estamos atolados.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Grandes marcas de caminhão que você nunca ouviu falar

Já contamos a história do surgimento dos primeiros caminhões e ônibus (se você não viu, clique aqui). Em nosso quadro Retrovisor também sempre mostramos caminhões antigos. Se Europa, e principalmente a Alemanha, é o berço dos veículos comercias, não é de se estranhar então que no começo da era dos veículos automotores, muitas indústrias surgiram nos países de lá. Algumas foram muito grandes, verdadeiros impérios, outras nem tanto, mas muitas delas não sobreviveram. E mesmo em época de internet, onde a gente consegue informações de todos os lados do mundo, ainda é possível descobrir marcas de caminhão que você nunca ouviu falar. Te convidamos agora a dar uma voltinha na história dos caminhões e conhecer essas marcas que fizeram história, mas que hoje viraram peças de museu.

Henschel

Henschel é outra marca de caminhão que você nunca ouviu falar
Modelo da Henschel de 1969
É uma marca alemã, fundada em 1810 e conhecida por fazer locomotivas. Sua sede era na cidade de Kassel, no centro do País. A empresa atuou em diversos setores, incluindo a indústria bélica durante a II Guerra Mundial. Assim como muitas outras empresas alemãs, a Henschel usou mão de obra praticamente escrava com trabalhos forçados dentro de sua fábrica durante a guerra. Talvez por isso a empresa tenha sido quase totalmente destruída por bombardeios.
Henschel é a primeira das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Henschel é a primeira das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
No pós-guerra a empresa se reestruturou. A divisão de caminhões foi vendida para a Daimler, a mesma do grupo Mercedes-Benz. Porém a empresa não usa mais a marca Henschel desde 1974. Outros setores da companhia passaram por diversas fusões, aquisições e parceiras até ser vendida para a canadense Bombardier em 2002. A planta de Kassel ainda opera até hoje.

Krupp

Os modelos da Krupp fizeram muito sucesso, mas a marca não existe mais
Os modelos da Krupp fizeram muito sucesso, mas a marca não existe mais
Krupp é outra marca alemã que produzia motores, veículos comerciais, caminhões e ônibus. Os veículos começaram a ser fabricados depois da primeira guerra mundial, em 1919, e o último saiu em 1969. Após o fim da fabricação, o grupo Daimler ficou com os concessionários e serviços pós-venda da marca, mas não com a marca em si, que morreu naquele ano.
Modelo Krupp Mustang de 1957
Modelo Krupp Mustang de 1957

Deutz

Caminhões novos da marca você não verá, mas a empresa ainda existe
Caminhões novos da marca você não verá, mas a empresa ainda existe
O logotipo parece foguete né? Mas não é nada disso. A Deutz é outra empresa alemã de motores. Mas a explicação do logo é meio confusa. A Deutz é da cidade de Colônia, norte da Alemanha. Porém na década de 1930 ela comprou a Magirus, empresa de equipamentos para bombeiros de Ulm, cidade no sul do País. Mas parece que a Deutz gostou mais do logo da Magirus que do dela própria e o adotou. O desenho é a torre da catedral da cidade de Ulm com um M de Magirus na base.
Deutz é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar, mas ainda dá tempo, já que a empresa ainda existe
Deutz é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar, mas ainda dá tempo, já que a empresa ainda existe
A Deutz existe até hoje, atuando também no Brasil com motores voltados ao mercado agrícola. Já a Magirus foi comprada pela Iveco e esse continua sendo o nome de toda a linha voltada para bombeiros da montadora italiana, inclusive aqui no Brasil.

Ernst Grube Werdau

Ernst Grube Werdau é uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Ernst Grube Werdau é uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Mais uma marca alemã, desta vez da cidade de Werdau, centro leste do país. A empresa surgiu em 1898 e fabricou vagões, caminhões, ônibus e trólebus. Mudou de nome várias vezes até 1952, quando adotou a marca em homenagem a Ernst Grube, um político da resistência que foi contra o regime nazista. Ele nasceu na cidade de Werdau e morreu em um campo de concentração em 1945. A empresa era uma estatal e conseguiu sobreviver ao pós-guerra, porém faliu em 2004.

Faun

Faun é uma marca de caminhão que você nunca ouviu falar
Modelo da Faun de 1955
Faun é na verdade uma sigla, o nome real dessa empresa alemã é bem difícil de pronunciar, Fahrzeugfabriken Ansbach und Nürnberg, que quer dizer Fábrica de veículos de Ansbach e Nuremberg, duas cidades da região da Baviera, de onde se originou a fábrica.
Faun é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Faun é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Ela foi fundada em 1845, porém a produção de caminhões começou na década de 1930. Originalmente, a Faun era focada em veículos para uso municipal, como coleta de lixo e limpeza de ruas, com o tempo a marca foi se expandindo, mas durante a década de 1960, a concorrência com grandes marcas como MAN e Mercedes-Benz dificultou a vida dos fabricantes menores, por isso a marca encerrou sua produção de caminhões convencionais e ônibus no fim da década. Caminhões especiais foram fabricados para o governo russo da década de 70 até 1990, quando a empresa encerrou de vez a produção de caminhões. No mesmo ano a Faun foi vendida para a japonesa Tadano e hoje seu nome oficial é Tadano Faun GmbH.

Vomag

Vomag é mais uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Vomag é mais uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Com certeza uma das histórias mais cheias de reviravoltas e situações improváveis é a da Vomag, empresa alemã fundada em 1881. A indústria produzia, inicialmente, máquinas de bordar. Em 1902 expandiu seu negócio também para máquinas de impressão. Em 1910 fez a primeira máquina de bordar automática e se tornou um sucesso na Europa. Em 1912 outro sucesso, construindo a primeira impressora offset rotativa. Porém a eclosão da Primeira Guerra Mundial mudou os rumos da empresa.
A partir de 1914 a Vomag começou a construir caminhões com capacidade de carga de 3 toneladas. Essa indústria foi crescendo, assim como a gama de veículos disponíveis. A empresa começou a produzir também artefatos de guerra como granadas, minas e projéteis. Em 1919 a guerra acabou, mas a empresa seguiu em boa fase até a depressão de 1929. Com o mundo em colapso e uma má administração, que rendeu diversos processos por fraude para a empresa, a Vomag abriu falência no começo da década de 1930. No mesmo período o partido de Hitler subiu ao poder e comprou a marca. Ao longo da Segunda Guerra Mundial, a empresa passou a construir também tanques de guerra. Como muitas outras empresas alemãs, a Vomag adotou trabalhos forçados durante o período. O local virou um complexo importante dos nazistas.
Muito provavelmente pela mesma razão, no pós guerra houve uma tentativa de apagar o nome Vomag. A divisão de impressoras saiu do grupo em 1946 e atua até hoje sob o nome Plamag Plauen. O restante foi mudando de nome e de ramo. Hoje a empresa se chama WEMA VOGTLAND Technology GmbH e seu site não traz nenhuma referência a Vomag

Škoda

Škoda é a única de nossa lista que não surgiu na Alemanha
Škoda é a única de nossa lista que não surgiu na Alemanha
Essa daqui não é alemã (logo se vê por esse acento estranho em cima do S). A Škoda é uma empresa da República Checa fundada em 1859. Na época a região ainda fazia parte do Império Austríaco. No começo a empresa fabricava equipamentos de guerra para os militares Austro-Húngaros. Eram locomotivas, navios e outros veículos bélicos. Ela chegou a ser a maior fabricante de produtos bélicos do império antes da Primeira Guerra Mundial, exportando suas armas para Europa e até América Latina.
Depois da I Guerra a empresa começou a expandir sua gama de produtos, não sendo mais exclusivamente uma indústria bélica. Em 1924 ela comprou uma fabricante de automóveis. Os caminhões parecem não ter sido muito importantes para a marca, pois não são lembrados em sua história. Ao longo dos anos a empresa passou por vendas e compras e em 1999 a divisão de carros foi comprada pela Volkswagen e ainda mantém o nome Škoda Autos. Outra divisão, totalmente independente, é a Škoda Transportation, que também segue ativa porém com foco em transporte de passageiros.

Büssing

Büssing é a última de nossa lista de marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Büssing é a última de nossa lista de marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Büssing nos chamou atenção por seu logo parecido com o da MAN, e não é por coincidência. A empresa foi fundada em 1903 por Heinrich Büssing em Braunschweig, centro norte da Alemanha. O primeiro caminhão foi o ZU-550, com motor 2 cilindros a gasolina que levava até 2 toneladas. Nos anos seguintes a capacidade de carga cresceu, até que em 1923 a marca se tornou número um em participação no mercado alemão com o inovador caminhão com três eixos.
Assim como quase todas as outras empresas alemãs que conhecemos até agora, durante a II Guerra Mundial, a Büssing também usou trabalho forçado dos presos em campos de concentração em suas fábricas. A empresa também passou a produzir alguns veículos militares. No pós-guerra a marca lançou modelos cara-chata e teve a MAN como um de seus principais clientes tanto para caminhões quanto para peças. Em 1971 a MAN AG comprou oficialmente a Büssing, passando a se chamar MAN-Büssing e adotando o logo da Büssing, o famoso leão. Com o tempo o nome Büssing foi retirado dos caminhões, mas seu logo de leão é a marca oficial da MAN até hoje.
Büssing de 1953 com o logo de leão que hoje é símbolo dos caminhões MAN
Büssing de 1953 com o logo de leão que hoje é símbolo dos caminhões MAN
Devem existir ainda muitas outras marcas que surgiram e morreram ao longo dos anos, mas que deixaram seus veículos em museus e coleções particulares de amantes de caminhão. Por aqui temos os saudosos e queridos FNMs, que já foram tema de matérias do Pé na Estrada (clique para assistir). Também olhamos vários desses modelas na IAA 2016 e você pode vê-los também clicando aqui. Se você sabe de outras marcas não conhecidas aqui no Brasil mas que fizeram muito sucesso em outros países, mande pra gente. E dessas todas, qual foi a sua preferida? Conte pra gente nos comentários e compartilhe com os amigos do trecho amantes da história do transporte.
Por Paula Toco