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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Belém virou uma verdadeira zona de guerra, e enquanto o Pará chega a 44,8 homicídios por 100 mil habitantes, há cidades da Região Metropolitana de Belém próximas dos 100 homicídios por 100 mil habitantes. No Uruguai, a taxa é de 5,9/100 mil, na Argentina 6,6 e no Chile 2,14. Isso nos coloca entre as 30 cidades mais violentas do mundo! Casos como o do pai de família alvejado e morto em frente ao Colégio Moderno, enquanto deixava seu filho; da invasão audaciosa da Secretaria Municipal de Administração; assaltos com reféns em faculdades  e execuções sumárias, em plena luz do dia, em áreas "nobres". Noticiam-se atrocidades diariamente, e crimes bárbaros já nem chamam tanto a atenção... Vamos chamar a atenção de nosso governador para o assustador clima de terror em que vive a capital!!
Este abaixo-assinado será entregue para:

Dilma diz que não autorizou. Mas não nega caixa 2 em campanha

Presidente afastada afirmou que nunca autorizou repasse de dinheiro sujo. Marqueteiro admitiu ter recebido 4,5 mi de dólares do petrolão.

No dia seguinte ao depoimento em que o casal João Santana e Mônica Moura admitiu que dinheiro desviado dos cofres da Petrobras pagou dívidas de campanha de Dilma Rousseff, a presidente afastada afirmou que “nunca autorizou o pagamento de caixa dois a ninguém”. Mas não negou o repasse de propina: “Se houve pagamento, não foi com o meu conhecimento”, prosseguiu a petista nas redes sociais.
Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro na quinta-feira, o marqueteiro e sua mulher e sócia confessaram que, ao serem presos em fevereiro pela Polícia Federal, mentiram no inquérito. Ao juiz federal Sergio Moro, o casal esclareceu que 4,5 milhões de dólares recebidos por meio do doleiro e operador de propinas Zwi Skornicki era dinheiro da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, em 2010.
Segundo Mônica, os valores recebidos por meio do operador eram relativos a “dívidas da campanha presidencial de 2010 (Dilma) e Zwi lhe foi indicado pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto”. Ela negou, contudo, que soubesse que o dinheiro tinha origem em propinas do esquema Petrobras. Afirmou que está disposta a colaborar com a Justiça, mas só o fará com “acordo assinado”.
Tweet da presidente afastada Dilma Rousseff
Tweet da presidente afastada Dilma Rousseff (@dilmabr/Twitter)

Obra de Karl Ove Knausgård é a resposta ao nosso tempo

Enquanto as redes sociais podem nos distanciar do mundo e dos amigos, nos desumanizando; o livro 'Uma Temporada no Escuro' nos aproxima de nós mesmos e dos outros, nos comove e nos humaniza

O escritor norueguês Karl Ove Knausgård
O escritor norueguês Karl Ove Knausgård teve sua obra traduzida em mais de 20 línguas
Diego Braga Norte
A esta altura, com o lançamento do quarto volume da série Minha Luta no Brasil, Uma Temporada no Escuro (Companhia das Letras, 504 páginas, 59,90 reais), e com a vinda do seu autor para a Flip 2016, a história da jornada literária de Karl Ove Knausgård já é familiar para muitas pessoas. O escritor decidiu dividir as mais de 3.600 páginas de sua autobiografia romanceada em seis volumes que não obedecem a uma sequência cronológica e que podem ser lidos de forma avulsa ou fora da ordem de lançamento. Mas que também podem viciar os experimentados na saga existencial do norueguês.
A escritora britânica Zadie Smith declarou que espera pelos livros como um drogado anseia pelo crack. Exagero? Talvez, mas o magnetismo provocado pela obra do norueguês costuma captar os leitores de forma imediata, logo nas primeiras páginas. Para os iniciados na prosa limpa e direta de Knausgård, o quarto volume chega para suprir uma necessidade. Para os iniciantes, o volume é talvez a porta de entrada mais fácil para a série. Um livro prazeroso de se ler e com inúmeras cenas engraçadas ou constrangedoras — para os leitores e, principalmente, para o autor-personagem.
Karl Ove Knausgård (pronuncia-se Karl Uve Quinausgórd) tem agora 18 anos, acabou de terminar o ensino médio em Kristiansand, no sul da Noruega, e decide perseguir a carreira de escritor. Para isso, ele aceita um emprego de professor primário e muda-se para Håfjord, no belo e gélido norte do país. Seu plano era simples: ganhar dinheiro suficiente para se sustentar e ter tempo livre para se dedicar à escrita em um local calmo. Em parte, o plano deu certo. Mas os muitos empecilhos e desventuras enfrentados por ele dão corpo às histórias do livro. Bonito e inteligente, Knausgård não esconde a sua prepotência juvenil, da mesma maneira que também não oculta as suas falhas e inseguranças.
Capa do livro "Uma Temporada no Escuro"
Capa do livro “Uma Temporada no Escuro – Minha Luta 4″
A narrativa prossegue entremeando o seu cotidiano com memórias e reflexões pontuais — sobre música, literatura, família, sexo, amizades etc. E é aí, nessa mescla de estilos, que entra a magia do talentoso escritor nórdico. Com um fluxo narrativo poderosíssimo, o autor mistura, sem o menor pudor, memórias, ficção e ensaio. O produto final é robusto e belo, criando uma teia narrativa que se desloca ora entre as ações do dia a dia e ora pelo fluxo de pensamentos na cabeça do autor. Sim, a semelhança entre o Minha Luta e o totem literário Em Busca do Tempo Perdido já tinha sido aventada aqui e acolá, mas a confirmação da influência veio em recente palestra do Knausgård em São Paulo, aonde o autor esteve para promover seu livro.
O escritor norueguês confessou que o francês Marcel Proust é sua maior influência; admitiu inclusive que inveja a forma de como o francês insere as divagações interrompendo uma cena de ação e retomando-a no mesmo ponto alguns parágrafos ou mesmo muitas páginas depois. Fazer isso e ainda manter o ritmo narrativo sem deixar o livro enfadonho não é fácil, mas Knausgård supera a dificuldade com méritos. E, em meio às cenas de bebedeiras e frustrações sexuais, e descrevendo as suas atividades como professor, o autor nos apresenta parágrafos como estes:
“Eu tinha escrito um conto bom pra c***.
Alegria, alegria, alegria.
E também havia a luz, um pouco escurecida em meio aos homens e às coisas dos homens, repleta de uma escuridão desgastada que, espalhada na luz, não a dominava nem a subjugava, mas apenas a tornava mais discreta ou mais opaca, enquanto no céu a luz brilhava pura e clara.
Alegria.”
São bastante curiosas as passagens em que o autor explica aos seus leitores como ele se tornou um escritor. Os trechos metalinguísticos, verdadeiras salas de espelhos “borgeanas”, longe de constituírem um truque fácil de um tipo de literatura voltada para si mesma, são um recurso de coesão para dar força ao realismo que a obra se dispõe a narrar.
A vida de um jovem em uma vila de pescadores esquecida na extrema borda continental da Noruega, literalmente no fim do mundo, tal como aconteceu (ou tal como o autor nos conta) é também banal, enfadonha, repetitiva e muitas vezes triste. A tristeza e a solidão física e existencial são realçadas sobretudo pela presença opressora do inverno com temperaturas negativas e escuridão durante 20 horas por dia – a tal “temporada no escuro” do título.
A sinceridade dilacerante da obra e sua extensão talvez sejam a contrapartida adequada e antagônica aos nossos dias atuais. É o tempo das micronarrativas de 140 caracteres e felicidades (muitas vezes fingidas ou exageradas) compartilhadas em fotos nas redes sociais; é o tempo das banalidades efêmeras tratadas como assuntos sérios. A caudalosa obra de Karl Ove Knausgård é a resposta adulta e literária ao mundo supérfluo, extremamente infantil e fugaz das redes sociais. Enquanto o Facebook pode usar seus poderosos algorítimos e conexões para nos distanciar do mundo e dos amigos, nos desumanizando, a obra de Knausgård nos aproxima de nós mesmos e dos outros, nos comove e nos humaniza.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Vídeo especial – Senadores detonam covardia de Dilma e fim melancólico da Era PT

Estrelando: Magno Malta, Simone Tebet, Ana Amélia, José Medeiros e Ronaldo Caiado

Por: Felipe Moura Brasil  
Senadores montagem
Fiz uma edição especial dos melhores momentos da primeira semana de julho no Senado Federal, mesclando os pronunciamentos dos senadores Magno Malta (PR-ES), Simone Tebet (PMDB-MS), Ana Amélia (PP-RS), José Medeiros (PSD-MT) e Ronaldo Caiado (DEM-GO); e também o recado à nação feito pelo coautor do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff e fundador do PT, Hélio Bicudo.
A propósito: Malta nomeia quem vai votar contra e a favor do afastamento definitivo da petista.
Assista!
PS: Na sexta-feira (8) em que o presidente interino da Câmara, Waldir “Dilmo” Maranhão, foi o protagonista do noticiário, confesso que aproveitei para trabalhar num projeto secreto para o segundo semestre, muito mais interessante que discutir data da eleição para o comando da Casa. Aguardem.
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O padre que chutava de bico latas milagreiras liquidaria em dois minutos os surtos paranormais de Marilena Chauí

Se a professora de Filosofia que anda tendo visões vivesse numa pequena paróquia do século passado, não escaparia da excomunhão nem do manicômio

Muitos anos antes da estreia do destrambelhado sexto sentido de Marilena Chauí, Taquaritinga se alvoroçava de tempos em tempos com a notícia que se espalhava feito rastilho pela cidade de 10 mil habitantes: alguém tivera uma visão. Em agosto de 1958, por exemplo, fiquei sabendo num começo da tarde que uma mulher que morava na Vila Sargi acabara de ver Nossa Senhora refletida numa lata de alumínio esquecida no quintal da casa de chão batido. Cavalgando a Monark com freio no pé que herdara de um dos meus irmãos, cheguei em cinco minutos ao cenário da aparição e consegui infiltrar-me na terceira fileira, espremido entre uma moça de sombrinha e um homem de bigode e chapéu. Era tudo verdade, confirmou a troca de impressões entre os dois.
O homem se disse impressionado com o intenso azul do olhar da santa. A moça observou que o azul do manto era um pouco mais escuro. Achei que seria falta de educação declarar que não estava vendo coisa alguma além do alumínio castigado pelo sol, e já estava pronto para enxergar um terceiro tom de azul quando o padre Lourenço Cavallini estacionou ruidosamente seu Fusca verde-limão a um metro da calçada, desceu do carro sem tirar a chave da ignição e abriu uma picada no meio da multidão com safanões e cotoveladas.
Ao divisar o alvo que perseguia, o impetuoso pastor do rebanho municipal acelerou o ritmo das passadas e, mesmo com os movimentos dificultados pela batina preta, mandou para o espaço com um tremendo bico de esquerda a lata de alumínio com Nossa Senhora e tudo. O que parecia um último chute era um pontapé inicial — a senha para o ato seguinte do espetáculo da santa cólera. A lata ainda voava quando ecoou a ordem baixada pela temida voz de tenor: “Vão trabalhar, seus vagabundos!”, berrou o padre Cavallini.
Não me senti afrontado: eu tinha 8 anos e nessa idade ninguém trabalhava. Mas a plateia que se ia dispersando vagarosamente aumentou a velocidade da retirada, que virou correria com o prosseguimento das chicotadas verbais. O próximo cretino que tentasse aproveitar-se de figuras sagradas seria sumariamente excomungado, avisou a maior autoridade religiosa da paróquia. E sem direito a queixar-se ao bispo, muito menos apresentar recursos à Santa Sé, porque um padre não tem tempo a perder nem paciência a desperdiçar com vigarices de ateus, maçons, espíritas ou carolas imbecis.
É verdade que, passado o susto, os paroquianos que tinham visões continuaram a tê-las, mas ficaram mais cautelosos. Só relatavam o acontecido a parentes próximos e amigos de infância, que juravam manter a história longe dos ouvidos do padre Cavallini. Depois que deixei a cidade onde nasci, não soube de nenhum episódio semelhante ao que testemunhei naquela tarde — até ser confrontado, há 12 anos, com o primeiro dos surtos paranormais protagonizados por Marilena Chauí.
A estreia desse sexto sentido de quinta categoria ocorreu em 2004, no dia em que a professora de Filosofia da USP saiu de uma audiência com o presidente da República como se estivesse saindo de uma crônica de Nelson Rodrigues: varada de luz feito santo de vitral, comunicou aos jornalistas que zanzavam pelas imediações do Palácio do Planalto que, “quando Lula fala, o mundo se ilumina”.
Como apenas Marilena Chauí viu a garganta do deus do PT gerando mais energia que mil Itaipus, e como a solitária espectadora do fenômeno se dispensou de descrições mais precisas, tornou-se impossível confrontar o que viu a professora com os assombros que se materializam no mundo real sempre que Lula desanda numa discurseira. Os plurais saem em desabalada carreira, a gramática se refugia na embaixada portuguesa, a ortografia se asila em velhos dicionários, a regência verbal se esconde no sótão da escola abandonada, o raciocínio lógico providencia um copo de estricnina sem gelo, a razão pede a proteção da ONU para livrar-se de outra sessão de tortura.
No segundo surto, Marilena Chauí foi menos sovina com os interessados nos detalhes do que tinha visto. Como atesta o vídeo, ela revelou publicamente que, da mesma forma que Dilma Rousseff vê um cachorro oculto atrás de toda criança, vira escondido em cada brasileiro da classe média um traidor da nação, um inimigo da pátria ou coisa pior. “Eu odeio a classe média”, decolou a pensadora do PT. “A classe média é o atraso de vida. A classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética, porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante”.

A terceira manifestação, reproduzida no vídeo abaixo, informa que o caso de Marilena saiu do terreno da galhofa para adentrar o pátio do manicômio. A mulher que tem visões agora enxerga na operação que desmontou o maior esquema corrupto de todos os tempos uma trama internacional destinada a roubar riquezas armazenadas nas profundezas do mar do Brasil. “A Lava Jato não tem nada a ver com a moralização da Petrobras”, delirou Marilena há poucos dias. “É pra tirar de nós o pré-sal”.
Na visão da filósofa de terreiro, o juiz Sérgio Moro é um agente do imperialismo ianque e das seis maiores multinacionais petrolíferas, as “Seis Irmãs”. Depois de alguns anos de cursos e treinamentos no FBI (Marilena aparentemente ignora por que a velha CIA ficou fora dessa), Moro voltou ao Brasil preparado para engaiolar bravos guerreiros do povo brasileiro, atribuir crimes inexistentes a um Lula incorruptível, obrigar empreiteiros, diretores da Petrobras e figurões da política a confessarem delinquências que jamais cometeram, delatar amigos inocentes ou devolver propinas que nunca embolsaram e, com tudo isso e muito mais, precipitar a queda de Dilma Rousseff.
Se tivesse tais visões numa pequena paróquia do século passado, Marilena não escaparia da excomunhão por charlatanice decretada por um padre Cavallini, seguida de pedagógicas temporadas no hospício mais próximo. Como vive num mundinho infestado de fanáticos, daqui a alguns anos a companheira paranormal talvez esteja empoleirada em púlpitos pintados de vermelho, contando as coisas que anda vendo a bandos de devotos da seita lulopetista.
Admita-se: vista de perto, Marilena Chauí tem tudo para fazer bonito no papel de animadora de missa negra.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Lula acabou de descobrir que é muito mais seguro ser perseguido pela Lava Jato do que socorrido por Ciro Gomes

Sempre que o ex-governador do Ceará tem uma ideia, alguém precisa trancá-lo imediatamente num banheiro e aguardar o fim do surto


lulaciro2.srzd.dez
Sempre que Ciro Gomes diz que teve uma ideia, alguém precisa trancá-lo imediatamente num banheiro e esperar que o surto passe. Como até agora nenhum parente ou amigo se animou a executar essa medida preventiva (que venho recomendando desde o século passado pelo menos três vezes por ano), a usina de propostas irretocavelmente imbecis só é desativada quando Ciro está dormindo. O problema é que dorme pouco.
Nesta terça-feira, depois de atravessar mais uma noite à caça de alguma ideia que livrasse Lula das investigações da Lava Jato e de uma temporada na cadeia, o ex-governador do Ceará ergueu-se da cama excitado com o que lhe pareceu um plano perfeito: “Pensei: se a gente formar um grupo de juristas, a gente pode pegar o Lula e entregar numa embaixada. À luz de uma prisão arbitrária, um ato de solidariedade particular pode ir até esse limite”. Limite é o mais recente codinome de sequestro.
“Proteger uma pessoa de uma ilegalidade é um direito”, descobriu Ciro. Para garantir ao prisioneiro libertado “uma defesa plena e isenta”, Lula teria no bolso um pedido de asilo ao cruzar o portão da embaixada de um país governado por gente confiável. A Venezuela, por exemplo. Além do ambiente aconchegante, a sede da representação venezuelana tem espaço de sobra para abrigar o velho cúmplice de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Para abrandar a solidão de um ex-presidente martirizado pelo desterro em seu próprio país, o idealizador do sequestro poderia também hospedar-se na Pensão do Lula ─ para sempre, de preferência. Mas é improvável que o chefão embarque no que é, mais que uma formidável ideia de jerico, uma operação criminosa que costuma dar cadeia até no Brasil. Se lhe restou algum juízo, Lula sabe que é muito mais seguro ser perseguido pela Lava Jato do que socorrido por Ciro Gomes.