Seguidores

segunda-feira, 30 de junho de 2014

UM ESPANTO: Fidel Castro e sua inacreditável ilha particular (que não é Cuba)

*Ricardo Setti
PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
A ILHA DO CARA
Revelado o segredo dos altos índices de desenvolvimento humano em Cuba.
Eles devem estar sendo medidos na ilha privativa de Fidel Castro, um paraíso nababesco
Reportagem de Leonardo Coutinho publicada em edição impressa de VEJA
Cultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina, Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude, em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã.
Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo, por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da história.
Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.
Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guar­da-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.
Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos?
Fidel tem.
Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple, que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas por baterias antiaéreas?
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Fidel tem tudo isso em sua ilha – e não se está falando de Cuba, que, de certa forma, é também sua propriedade particular.
O que o ex-guarda-costas revela em detalhes é a existência de uma ilha ao sul de Cuba onde Fidel Castro fica boa parte do seu tempo livre desde a década de 60. Nada mais condizente com uma dinastia absolutista do que uma ilha paradisíaca de usufruto exclusivo da família real dos Castro.
Juan Reinaldo Sánchez narra a liturgia diária do séquito de provadores oficiais que experimentam cada prato de comida e cada garrafa de vinho que chegam à mesa do soberano para garantir que não estejam envenenados. “A vida inteira Fidel repetiu que não possuía nenhum patrimônio além de uma modesta cabana de pescador em algum ponto da costa”, escreve Sánchez no seu livro.
A modesta cabana de Fidel é uma imensa casa de veraneio de 300 metros quadrados plantada em Cayo Piedra, ilha situada a 15 quilômetros da Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. Quando Fidel conheceu Cayo Piedra, logo depois do triunfo de sua revolução de 1959, o lugar lhe pareceu o refúgio ideal para alguém decidido a nunca mais deixar o poder.
Eram duas ilhotas desertas sobre um banco de areia com uma rica fauna marinha. Condições excelentes para a caça submarina, um dos passatempos do soberano resignatário de Cuba. Muito se especulava sobre a existência do resort de Fidel, mas sua localização só se tornou conhecida agora, depois da publicação do livro de Sánchez.
O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido recentemente, frequentava esse refúgio e, claro, nunca revelou o segredinho do amigo Fidel.
As coordenadas da casa principal de Cayo Piedra são: latitude 21°57¿52.06″N e longitude 81°7¿4.09″O. Além dela, o paraíso caribenho de areias branquinhas e mar transparente foi equipado com alojamento para a guarda pessoal, casa de criados, estação de geração de energia, baterias antiaéreas, um viveiro de tartarugas (Fidel as adora numa sopa), uma casa de hóspedes de 1 000 metros quadrados, piscina semiolímpica e um delfinário – que podemos apelidar, por que não, de a “Sea World do castrismo”.
Um lazer obsceno, quando se sabe que os cubanos não têm recursos para frequentar praias, reservadas aos turistas estrangeiros e seus dólares. Quando vão à praia, é para tentar um bico como guia ou se prostituir.
Em Cayo Piedra há também um heliporto, que serve apenas para o recebimento de suprimentos e para uma eventual emergência. Segundo Sánchez, Fidel só viajava para a ilha a bordo de seu iate – pelo menos até o seu câncer no intestino se agravar, em 2006.
Aquarama II é uma versão melhorada e ampliada de uma embarcação que ele confiscou de um milionário local depois de derrubar o governo de Fulgencio Batista, em 1959. Construído nos anos 70, o iate de Fidel tem 27,5 metros de comprimento e leitos para dezesseis pessoas, as mais privilegiadas no conforto de duas suítes.
O interior é revestido de madeiras nobres de Angola e há quatro motores – presentes do então líder soviético Leonid Brejnev – capazes de desenvolver a velocidade de 78 quilômetros por hora. No salão principal estão seis poltronas de couro negro. Uma delas, a maior, era exclusiva de Fidel. Ele costumava passar os 45 minutos da viagem bebendo uísque da marca Chivas Regal, o seu preferido, com gelo.
OSTENTAÇÃO — Fidel, em 1988, com o guarda-costas Juan Reinaldo, autor do livro devastador sobre o luxuoso estilo de vida do ditador socialista, ídolo do PT (Foto: SIPA Press)
OSTENTAÇÃO — Fidel, em 1988, com o guarda-costas Juan Reinaldo, autor do livro devastador sobre o luxuoso estilo de vida do ditador socialista, ídolo do PT (Foto: SIPA Press)
Em Cuba, uma garrafa custa 45 dólares, o dobro do salário mensal de um cidadão comum. Iate, mesmo que setentão? Um luxo, sem dúvida, ainda mais num país em que até os pescadores são proibidos de ter canoas, para evitar que fujam para os Estados Unidos, a 200 quilômetros de Cuba.
A residência de Fidel em Havana é uma casa de dois pavimentos com área construída de cerca de 1 200 metros quadrados e situada no centro de uma propriedade de 30 hectares, o equivalente a 36 campos de futebol. Conhecida como Ponto Zero, a área concentra ainda um conjunto de mansões onde vivem alguns de seus filhos.
Há casas de hóspedes, academia de ginástica, piscina, lavanderia industrial e até uma sorveteria exclusiva para a família Castro. As ruas dos arredores são inacessíveis para qualquer outro morador da cidade. O sítio urbano e cercado por muralhas de Fidel também tem um pomar, uma horta orgânica, um galinheiro e um curral.
O ditador é obcecado por suas vacas. No período em que Sánchez frequentou sua casa, cada integrante da família bebia o leite de uma vaca específica. A do ditador era a de número 5, o mesmo da camisa de basquete que ele usava na juventude.
Fidel dizia que o leite de cada vaca tinha um nível de acidez e que, depois de muitos testes e cruzamentos genéticos, ele havia encontrado o sabor de leite ideal para cada um dos cinco filhos que teve com Dalia del Valle, sua segunda mulher, com quem vive até hoje. (No total, Fidel tem nove filhos, incluindo um do primeiro casamento e três de relações extraconjugais.)
A farra das vacas leiteiras de Fidel é um acinte em um país em que apenas crianças de até 7 anos têm acesso garantido ao leite, e ainda assim limitado a 1 litro por dia.
Houve um tempo, conta o seu ex-se­gurança, em que Fidel guardava suas preciosas vacas na mesma casa em que morava uma de suas amantes, a revolucionária de primeira hora Celia Sánchez, no bairro de Vedado, um dos melhorzinhos de Havana. Celia, falecida em 1980, ocupava o 4º e último andar de um dos melhores imóveis da quadra.
No 3º andar, ficavam quatro vacas, que foram alçadas ao estábulo especial por meio de guindastes. Elas tinham em seus aposentos mais espaço do que a maioria dos seres humanos da capital, onde é comum que duas ou mais famílias sejam obrigadas a dividir um apartamento no qual deveria caber apenas um casal com dois filhos.
A relação obsessiva de Fidel com as vacas limita-se, aparentemente, à produção de leite. Uma delas, que chegou a figurar no Guinness por produzir 109 litros de leite em um único dia, está exposta no Museu da Revolução. Empalhada. À mesa, o ditador preferia peixe, lagosta, presunto espanhol e ovelha, enquanto os seus súditos se consideram afortunados quando têm carne de porco e, ainda mais raramente, de frango para comer.
Frutos do mar, para os cubanos, só em restaurantes turísticos e ao custo de um salário mensal. Não é difícil encontrar em Havana adultos que nunca comeram um bife de boi ou um assado de ovelha na vida. Pelo menos eles não convivem com a paranoia de morrer envenenado, como ocorre com Fidel, que exige que cada prato feito por seus dois chefs particulares seja provado antes por um funcionário ou pelo guarda-costas. Suas roupas, depois de lavadas e passadas, são submetidas a um teste de detecção de radiação.
Com o fim dos repasses de dinheiro da União Soviética para Cuba, no início da década de 90, conta o ex-guarda-costas, Fidel organizou um esquema de venda no mercado negro de diamantes contrabandeados de áreas de conflito na África e passou a vender serviços a traficantes colombianos. “Para Fidel, o narcotráfico era uma arma de luta revolucionária antes de ser um meio de enriquecimento ilícito”, escreveu Sánchez, que trabalhou com Fidel entre 1977 e 1994.
Ele foi demitido depois que o seu irmão fugiu de balsa para os Estados Unidos. Para Fidel, era inadmissível ter ao seu lado alguém que não previu que dentro de sua família havia “traidores da revolução”. Sánchez foi preso. Depois de dois anos na cadeia, passou uma década tentando fugir do país. Conseguiu em 2008, e levou consigo alguns segredos de Fidel.
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/um-espanto-fidel-castro-e-sua-inacreditavel-ilha-particular-que-nao-e-cuba/

"Só um intervalo"

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,craques-e-craques-imp-,1520927O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,craques-e-craques-imp-,1520927O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,craques-e-craques-imp-,1520927

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
Um jogo de futebol, mesmo um jogo de abertura de Copa do Mundo e com o time brasileiro em campo, é apenas um jogo de futebol. Para a maioria da população brasileira, as aflições da luta diária e silenciosa pela sobrevivência são bem maiores, na prática, do que qualquer tristeza esportiva; ninguém tem tempo para ficar chorando quando é preciso encarar, logo na madrugada seguinte, três horas de ônibus, metrô e trem para ir até o trabalho. O ex-presidente Lula pode achar que é uma “babaquice” pensar em transporte público de primeira classe para quem vive na terceira, nesta bendita Copa que inventou de trazer para o Brasil sete anos atrás. Pode achar o que quiser, mas não vai aliviar em um grama a selvageria imposta à população para que ela exerça seu direito constitucional de ir do ponto A ao ponto B – e muitos outros prometidos em troca dos 30 bilhões de reais que custará a Copa mais cara da história, num país onde a classe média começa nos 290 reais de renda por mês. Do mesmo modo, as alegrias da vitória são apenas momentos que brilham, depois de leve oscilam, e se desfazem num prazo médio de 48 horas.
A vitória do Brasil sobre a Croácia por 3 a 1, em sua estreia na mais grandiosa e emocionante disputa esportiva do planeta, foi um desses momentos que valem enquanto duram. Não garante nada, é claro, numa competição de alpinismo em que cada passo rumo ao topo é mais difícil que o passo anterior; garante mais, em todo caso, que uma derrota. Mas para a vida do Brasil e dos brasileiros é apenas um intervalo que não muda nada – justamente numa hora em que é urgente mudar tanto. É urgente porque o Brasil se encontra, neste mês de junho de 2014, em estado de desgoverno. A questão, a esta altura, não é dizer que o governo da presidente Dilma Rousseff tem tudo para ficar entre os piores que o país jamais teve. Isso muita gente, e cada vez mais gente, já está cansada de saber – segundo a última pesquisa do Pew Institute, organização americana de imparcialidade e competência indiscutíveis, mais de 70% dos brasileiros estão hoje descontentes com o governo; eram 55% em 2013. Esse nível de frustração, segundo o instituto, “não tem paralelo em anos recentes”. Que mais seria preciso dizer? O problema real, seja qual for o resultado final da Copa, é que o governo federal deixou de existir como autoridade responsável; traiu os eleitores, suprimindo o seu direito de ser governados sob o império da lei, e passou a agir no mundo da treva. Não se sabe se os donos do poder estão sonhando em arrastar o Brasil para uma aventura totalitária. Mas certamente dão a impressão de quererem algo muito parecido com isso.
Lula, Dilma, o PT e as forças postas a seu serviço não aceitam, por tudo o que dizem e sobretudo pelo que fazem, a ideia de perder a eleição presidencial de outubro. Por esse objetivo, mandaram a governança do país para o diabo e empregam 100% de suas energias, sua capacidade de cometer atos ilegais e seu livre acesso ao dinheiro público para impedir que a massa dos insatisfeitos possa eleger para a Presidência qualquer candidato que não se chame Dilma Rousseff. Uma greve ilegal e abusiva dos agentes do metrô de São Paulo, armada na zona escura dos apoios clandestinos ao governo, fez algo inédito: montou piquetes para impedir que os passageiros chegassem aos trens – dentro da estratégia de impor a desordem nos serviços públicos paulistas e, com isso, prejudicar candidatos da oposição. Um decreto da presidente criou, e quer tornar efetivos, uns “conselhos populares” com poderes e competências acima dos do Congresso Nacional e do Judiciário. Num país com 55 000 assassinatos por ano, o governo nega aos cidadãos o direito fundamental à vida, ao tornar-se cúmplice dos criminosos com sua tolerância máxima ao crime – em quase doze anos de governo, Lula e Dilma não disseram uma única palavra contra esse massacre, e muito menos tomaram a mínima providência a respeito. Ambos tiveram, ou compraram, o apoio de 70% do Congresso; o que fizeram de útil com essa imensa maioria? Zero. Ela foi usada apenas para impedir investigações sobre seus crimes, como na espetacular sequência de escândalos na Petrobras, por exemplo, e encher o PT e seus aliados com empregos públicos, verbas e oportunidades de negócio. O uso sistemático da mentira tor­nou-se a forma mais praticada de ação política. A presidente da República não fala ao público na abertura da Copa – fica num discurso pré-fabricado de elogio a seu governo.
Um Brasil como esse perde se perder e perde se ganhar.

Quem escreve as bulas?

Quando me perguntam a profissão e eu digo que sou escritor, logo vem outra em cima: de que? De tudo, minha senhora. De tudo, menos de bula. Romance, cinema, teatro, televisão, crônicas, ensaios, tudo-tudo, menos bula!
Uma vez, num barzinho, uma gatinha me perguntou o que eu escrevia e disse que escrevia bula. Ela não deu a menor atenção para mim. Se dissesse que era cronista do Estadão talvez tivesse mais sucesso. Por que o preconceito contras as geniais bulas? Quando é bula papal todo mundo leva a sério, mesmo que seja para dizer que não se pode fazer amor sem a intenção da procriação (que palavra mais animal!).
Não que eu não aprecie as bulas. Pelo contrário. Adoro lê-las. E com atenção. E, sempre, depois de ler uma, já começo a sentir todas as reações adversas.
Admiro, invejo esse colega que escreve bulas. Fico imaginando a cara dele, como deve ser a sua casa. Que papo tal escrivão deve levar com a mulher e com os vizinhos?
Tal remédio é contra-indicado a pacientes sensíveis às benzodiazepinas e em pacientes portadores de miastenia gravis. Dá vontade de telefonar para o autor e perguntar como é que eu vou saber se sou sensível e portador? Quanto ele ganha por bula? Será que ele leva os obrigatórios dez por cento de direitos autorais? Merecem, são gênios.
Jamais, numa peça de teatro, num roteiro de um filme ou mesmo numa simples crônica conseguiria a concisão seguinte: é apresentado sob altera a fisiologia das células da mucosa nasal, em associação com cloreto de benzalcônio. Sabe o que é? O velho e inocente Rinosoro.
Vejam o texto seguinte e sintam na narrativa como o autor é sádico: você poderá ter sonolência, fadiga transitória, sensação de inquietação, aumento de apetite, confusão acompanhada de desorientação e alucinações, estado de ansiedade, agitação, distúrbios do sono, mania, hipomania, agressividade, déficit de memória, bocejos, despersonalização, insônia, pesadelos, agravamento da depressão e concentração deficiente. Vertigens, delírios, tremores, distúrbios da fala, convulsões e ataxia. Pronto, tenho que ir ao dicionário ver o que é ataxia: incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários e que pode fazer parte do quadro clínico de numerosas doenças do sistema nervoso.
Já tá sentindo tudo descrito acima?
Quem mandou ler?
E quem tem úlcera pélvica não pode tomar remédio nenhum. Está condenado à morte? Toda bula odeia essa tal de úlcera pélvica. As demais úlceras entram como coadjuvantes nos textos dos autores buláticos (tem a palavra no Aurélio).
E as gestantes (é como os buláticos chamam a grávida)? Elas não podem tomar nenhum remédio. Os nobres coleguinhas protegem a gravidez.
Para todo remédio uma bula diferente, um estilo próprio, um jeito de colocar a vírgula diferente.
Tudo isso para dizer que outro dia, na cama, com a parceira amada, pego uma camisinha na mesinha e abro. Sabe o quer estava escrito lá dentro?Parabéns! Você adquiriu o mais avançado e seguro preservativo do mercado brasileiro. Era uma bula. Escrita por algum conhecedor, é claro, dentro da caixinha da camisinha. Claro que me entusiasmei e segui a leitura deixando a amada de lado. Broxei, é claro. Mas, em compensação, fiquei sabendo que o agente espermicida nonoxinol é contra as DSTs.
Depois dessa informação, aí sim, voltei para a alcova. Mas e a amada, onde estava?
E lembre-se sempre: todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças. E não tome remédio sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para a sua saúde.
E pra cabeça!
Agora, falando sério. Admiro os escritores de bula. Assim como invejo os poetas. Talvez por nunca ter sido convidado (nem teria experiência) para escrever uma e nunca tenha conseguido escrever um poema. Sempre gostei de escrever as linhas até o final do parágrafo.
Para mim o poeta é um talentoso preguiçoso. Nunca chega ao final da linha. Já repararam?
Já o bulático, esse sim, é um esforçado poeta!
*Mario Prata

A árvore que não cabe numa foto só

Ela está no Sequoia National Park, o célebre abrigo de árvores gigantes ao sul da Califórnia, nos Estados Unidos. The Presidente Tree, ou “A Árvore Presidente”, ganhou este nome há 90 anos, tamanha a admiração dos que lhe observam. O tronco, com 75 metros de altura, se mantém sobre uma base de 8,5 metros de diâmetro e sustenta quase 2 bilhões de folhas. Aos 3.200 anos, a Presidente continua a crescer precisamente 1 m³ por ano e é a segunda maior árvore em volume do mundo, atrás apenas da General Sherman – outra sequoia, com 82,6 metros de altura e 7,8 metros de diâmetro na base.
De tão portentosa, a Presidente nunca havia sido eternizada numa única imagem até que, em novembro de 2012, o fotógrafo Michael Nichols, da revista National Geographic, dedicou-se a superar o desafio em duas semanas. Depois de dividir a árvore em 126 fotos, juntou-as numa só. Confira algumas etapas do trabalho que resultou na imagem que mostra a Presidente em sua gloriosa inteireza:
arvore-gigante (1)
arvore-gigante (2)
arvore-gigante (3)
arvore-gigante (4)
arvore-gigante (5)
arvore-gigante (7)
article-0-1BD5E0FE00000578-570_634x1614-934x
Assista abaixo ao vídeo da National Geographic que registrou o desafio dos cientistas e fotógrafos que se propuseram a fazer com que a Presidente coubesse numa única imagem:

Copa do mundo de futebol 2014

Tabelinha Veja/Placar: Augusto Nunes conversa sobre a Copa com o colunista Ricardo Setti

Veja-Placar-2-150x150“O segundo tempo do jogo entre Brasil e Chile parecia uma pelada entre solteiros e casados”, resumiu o jornalista Ricardo Setti no quarto programa da série Tabelinha VEJA/Placar. Colunista de VEJA, Setti coordenou na linha de frente a cobertura da Copa de 1982, quando a Seleção foi eliminada pela derrota contra a Itália.
No bate-papo, foram comentados grandes momentos desta e de outras copas, a melhora dos times de países latino-americanos, especialmente a Colômbia e a Costa Rica, a suspensão do uruguaio Luis Suárez, além de cobranças célebres de pênaltis, como as feitas por Zico e Sócrates contra a França em 1986. “A decisão por pênaltis é tão injusta que vários bons jogares perderam gols nessas situações”, observou Setti.
Neste sábado ficou evidente que os jogadores em campo dependem cada vez mais de Neymar. E que a Seleção parece uma caricatura do time que venceu a Copa das Confederações.

domingo, 29 de junho de 2014

Ave, Júlio César!

Como já estou cansado de repetir para os meus dezessete leitores e meio (tem um anão, não se esqueçam), não assisto às partidas para que o resultado do jogo não interfira na minha análise crítica, isenta e imparcial. Assim sendo, lá vão minhas considerações equilibradas, sensatas e serenas sobre jogo. Haaaaaaaaaaaaja coração! O Brasil inteiro assistiu ao dramático jogo contra o Chile com uma ambulância-UTI à porta de casa.

O Brasil esteve o tempo todo à beira de um ataque: do ataque do Chile, do ataque de coração e do ataque de nervos. Felizmente havia um deus ex machina, um Querubim Celeste, um goleiro de beleza apolínea e nome de imperador romano: Júlio César. Ave, Júlio César! Aqueles que vão bater pênalti te saúdam! Não basta ser goleiro, tem de parecer goleiro. 
Reprodução/VEJA
Agamenon
Já que estavam em Minas, os chilenos foram para o fundo do buraco, mas para eles isso não é nenhum problema, já estão acostumados
​O Chile jogou completo, com: Tarapacá, Montes Alpha, Altair, Errazuriz, Almaviva, Don Melchor, Tabali, Undurraga, Ventisquero, De Martino, Concha y Toro. Sem contar com o seu banco de “reservas” sempre das melhores safras e cepas. A seleção chilena não tem técnico, tem um sommelier. 
Os chilenos apresentaram um futebol frutado e bastante tânico, com toques de cereja, carvalho e xixi de gato no retrogosto. Mas, apesar da boa adega, se não fosse o Júlio César, o Brasil iria acordar com uma tremenda de uma ressaca. Cá estou na capital das Alterosas, terra de Aético Neves, o Beocinho, candidato à Presidência do Brasil. Aécio já avisou que, se for eleito, vai transferir a capital federal para o Rio de Janeiro, de onde governou Minas Gerais por oito anos. 
Belo Horizonte é uma festa! As brasileiras dão para os estrangeiros com a maior facilidade. Basta ser gringo que a entrada está liberada, nem precisa pagar ingresso. Para não ficar na mão, eu me disfarcei de paraguaio e acabei pegando um travesti maneiro, quer dizer, um travesti mineiro. Só descobri o engano quando a criatura me ofereceu o seu tradicional tutu com linguiça. 
Como todos sabem, cegos, surdos, mudos e pernetas têm o direito de comprar ingressos mais baratos para o Mundial. Por isso mesmo pedi ao meu amigo, o rei Roberto Carlos, que me arrumasse os seus tíquetes para a Copa para vender a bom preço na porta do estádio. Roberto Carlos não vai poder assistir aos jogos do Brasil, pois está muito ocupado censurando a própria autobiografia. 
Na porta do estádio encontrei o ex-presidente em exercício, Luísque Inácio Lula da Silva, estacionando o seu jegue em lugar proibido. Enquanto a polícia rebocava o quadrúpede, Lula me confidenciou que não tinha ingresso. Imediatamente vendi ao Guia Genial dos Povos Latino-Americanos uma das minhas entradas para deficiente, falsificada, é claro. Como a entrada era falsa, Lula fez questão de me pagar com dinheiro do caixa dois da campanha da Dilma.

Agamenon Mendes Pedreira não é o Willian, mas também só chuta pra fora

sexta-feira, 27 de junho de 2014

100 erros de português frequentes no mundo corporativo

De A a Z, confira os erros de português mais frequentes no universo corporativo, segundo especialistas consultados por EXAME.com

 A lista de equívocos frequentes no mundo corporativo é grande e é bem provável que você já tenha cometido alguns deles. Para chegar aos 100 erros, EXAME.com consultou professores de português e também o livro de Laurinda Grion “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva. De A a Z, confira os tropeços mais comuns e as dicas para nunca mais errar:

1 A/há
Erro: Atuo no setor de controladoria a 15 anos.
Forma correta: Atuo no setor de controladoria há 15 anos.
Explicação: Para indicar tempo passado usa-se o verbo haver.
2 A champanhe/ o champanhe
Erro: Pegue a champanhe e vamos comemorar.
Forma correta: Pegue o champanhe e vamos comemorar.
Explicação: De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra “champanhe” provém do francês “champagne” e é um substantivo masculino, como defende a maioria dos gramáticos, explica Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional
3 A cores/ em cores
Erro: O material da apresentação será a cores
Forma correta: O material da apresentação será em cores
Explicação: Se o correto é material em preto em branco, o certo é dizer material em cores, explica Laurinda Grion no livro "Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer).
4 A domicílio/ em domicílio
Erro: O serviço engloba a entrega a domicílio
Forma correta: O serviço engloba a entrega em domicílio
Explicação: No caso de entrega usa-se a forma em domicílio. A forma a domicílio é usada para verbos de movimento. Exemplo: Foram levá-lo a domicílio.
5 A longo prazo/ em longo prazo
Erro: A longo prazo, serão necessárias mudanças.
Forma correta: Em longo prazo, serão necessárias mudanças.
Explicação: Usa-se a preposição em nos seguintes casos: em longo prazo, em curto prazo e em médio prazo.
6 A nível de/ em nível de
Erro: A nível de reconhecimento de nossos clientes atingimos nosso objetivo.
Forma correta: Em relação ao reconhecimento de nossos clientes atingimos nosso objetivo
Explicação: De acordo com o professor Reinaldo Passadori, o uso de “a nível de” está correto quando a preposição “a” está aliada ao artigo “o” e significa “à mesma altura”. Exemplo: Hoje, o Rio de Janeiro acordou ao nível do mar. A expressão "em nível de" está utilizada corretamente quando equivale a "de âmbito" ou "com status de". Exemplo: O plebiscito será realizado em nível nacional.
7 À partir de/ a partir de
Erro: À partir de novembro, estarei de férias
Forma correta: A partir de novembro, estarei de férias.
Explicação: Não se usa crase antes de verbos
8 A pouco/ há pouco
Erro: O diretor chegará daqui há pouco.
Forma correta: O diretor chegará daqui a pouco.
Explicação: Nesse caso, há pouco indica ação que já passou, pode ser substituído por faz pouco tempo. A pouco indica ação que ainda vai ocorrer, a ideia é de futuro.
Leiam no site da revista:
http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/100-erros-de-portugues-frequentes-no-mundo-corporativo/

Caos em SP: Situação pós-jogo

União Brasileira Socialista Soviética

Copa 2014


Na 2ª fase, chave desequilibrada. E os argentinos festejam

Definidos os dezesseis classificados, já é possível projetar todos os caminhos até a final. A seleção de Messi deu sorte: seu lado da chave é muito mais fraco.

Não é só a genialidade de Lionel Messi que tem iluminado o caminho da Argentina nesta Copa do Mundo: a equipe viu sua estrada até a final clarear graças à eliminação de algumas seleções tradicionais logo na primeira etapa da competição. A fase de grupos terminou nesta quinta-feira, com as últimas quatro partidas de classificação para as oitavas de final e a montagem de todos os cruzamentos na rota até o Estádio do Maracanã, palco da decisão, em 13 de julho (confira todos os confrontos). Como não houve grandes zebras nesta rodada derradeira – a poderosa Alemanha confirmou o primeiro lugar em seu grupo, deixando os Estados Unidos na segunda posição –, a Argentina será a única campeã mundial em seu lado da chave. O Brasil, por outro lado, ficará numa estrada cheia de armadilhas. Se passar pelo Chile, no sábado, em Belo Horizonte, a equipe pode enfrentar o bicampeão Uruguai já nas quartas e a tricampeã Alemanha ou a campeã França na semifinal. No lado argentino, a principal força é a Holanda, três vezes vice-campeã, que a seleção de Messi só pegaria numa possível semifinal. Trata-se, evidentemente, de uma projeção ainda distante  – num Mundial em que diversas favoritas já sucumbiram diante de equipes menos consagradas, é bem possível que alguma das cinco gigantes classificadas às oitavas saia dos trilhos antes dos cruzamentos mais aguardados, nas quartas e semis do torneio.
A trajetória menos complicada – pelo menos na teoria – foi um duplo golpe de sorte dos argentinos. A estrela dos bicampeões mundiais brilhou logo na definição dos grupos, no fim do ano passado, quando o sorteio colocou o time de Messi num cruzamento com um grupo mais modesto nas oitavas e com chances menores de cruzamento com outra campeã mundial nas quartas. Para completar, três equipes tradicionalíssimas que poderiam cruzar seu caminho foram eliminadas logo de cara. Quem via a Espanha como provável primeira colocada de sua chave e Itália e Inglaterra disputando o topo do grupo da morte com o Uruguai não imaginava que essas três campeãs (uma delas, a Azzurra, a única que era capaz de alcançar o Brasil em número de títulos nesta Copa) voltariam para casa tão cedo. Com a Alemanha confirmada no topo de seu grupo nesta quinta, um lado da chave somará onze títulos mundiais (cinco dos brasileiros, três dos alemães, dois dos uruguaios e um dos franceses) e o outro, apenas dois, dos argentinos. A chance de surgimento de uma campeã inédita no Brasil estará nos pés de outras onze seleções: Chile, Colômbia, Nigéria, México, Holanda, Costa Rica, Grécia, Suíça, Bélgica, Estados Unidos e Argélia. Derrotada em três finais no passado (1974, 1978 e 2010), a seleção holandesa, uma das melhores da competição até agora, surge como a candidata mais realista a um primeiro título – nas demais, convenhamos, é difícil crer, apesar de boas campanhas de equipes como Colômbia, México e Bélgica.
Sobreviventes - Entre as seleções que carimbaram o passaporte para as oitavas, a Nigéria é a equipe com pior colocação no ranking da Fifa, ocupando apenas o 44º lugar – e ela está na parte brasileira da chave. Mas os nigerianos são exceção: quatro das dez primeiras colocadas (a Alemanha, em 2º lugar, o Brasil, em 3º, o Uruguai, o 7º, e a Colômbia, 8ª) estão num mesmo lado da fase eliminatória. Outras quatro (Itália, Inglaterra, Portugal e a líder Espanha, que deverá ser desbancada do topo na próxima atualização da lista) já deram adeus ao Mundial, deixando para a parte argentina da chave apenas a própria seleção de Messi (em 5º lugar) e a Suíça (em 6º), coincidentemente sua adversária nas oitavas. Há outras curiosidades no cruzamento, como a possibilidade de uma (improvável) partida de quartas de final entre dois africanos (Nigéria e Argélia), as únicas sobreviventes do continente. Além das duas seleções africanas, há cinco sul-americanas e seis europeias, e uma boa presença de representantes da Concacaf, que reúne as equipes das Américas Central e do Norte: Estados Unidos, México e Costa Rica seguem vivas, e todas terão rivais europeus nas oitavas. Os sul-americanos, com cinco de suas seis representantes na Copa classificadas às oitavas, sofrerão um corte brusco nas próximas fases: com os confrontos de sábado, Brasil x Chile e Uruguai x Colômbia, dois já voltam para casa no fim de semana. Os que vencerem se encaram em seguida, com a garantia de um semifinalista do continente que recebe a Copa pela quinta vez (e que teve o campeão nas outras quatro).
Resultados e estatísticas: Consulte todos os números da primeira fase
Ao mesmo tempo, do outro lado da chave, a Argentina pretende aproveitar o fato de a sorte ter sorrido para ela e espera ser outra sul-americana entre as quatro melhores seleções do planeta. Depois de duas edições consecutivas em que sua despedida foi idêntica – eliminação nas quartas de final para a Alemanha, em 2010 e 2006 – e de ter sido despachada logo na primeira fase em 2002, a equipe alviceleste quer alcançar as semis pela primeira vez desde 1990, quando foi finalista e caiu diante da Alemanha (sempre ela) na final. Neste ano, a vingança contra os alemães pode ocorrer só na decisão, desde que os tricampeões mandem embora a Argélia, como todos esperam, superem a França, favorita a bater a Nigéria, e ainda tirem do caminho a equipe vencedora da “mini-Copa América” a ser disputada por Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai. O retrospecto recente dos alemães, aliás, mostra excelentes campanhas, interrompidas apenas pelas campeãs. Foi assim em 2002 (quando perderam para o Brasil na final), em 2006 (quando caíram na semi, me casa, contra a Itália), e em 2010 (quando só sucumbiram na hora de encarar a Espanha, que acabou levantando sua primeira taça). E neste ano, como será: a Alemanha será capaz quebrar essa sina, sendo ela própria a campeã, ou voltará a servir de amuleto para quem a tirou do páreo, como nas últimas três Copas? Como o Brasil pode encontrar com a tricampeã mundial na semifinal, a torcida é por esse último cenário. Tantos retrospectos, coincidências, estatísticas e projeções começam a ser colocadas à prova no fim de semana. Depois de uma folga na tabela nesta sexta, será o momento de dar início à fase em que o Mundial esquenta de verdade.

Blowin' In The Wind - Soprando no Vento

*BOB DYLAN

Soprando no vento 
Quantas estradas um homem deve percorrer
Pra poder ser chamado de homem?
Quantos oceanos uma pomba branca deve navegar
Pra poder dormir na areia?
Sim e quantas vezes as balas de canhão devem voar
Antes de serem banidas pra sempre?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e por quantos anos uma montanha pode existir
Antes de ser lavada pelos oceanos?
Sim e por quantos anos algumas pessoas devem existir
Antes de poderem ser livres?
Sim e quantas vezes um homem pode virar a cabeça
Fingir que ele não vê
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantas vezes um homem deve olhar pra cima
Antes de conseguir ver o céu?
Sim e quantos ouvidos um homem deve ter
Pra poder conseguir ouvir as pessoas chorarem?
Sim e quantas mortes serão necessárias até ele saber
Que pessoas demais morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento


Link: http://www.vagalume.com.br/bob-dylan/blowin-in-the-wind-cifrada.html#ixzz35quzSNey

A mensagem insalubre da Copa do Mundo

Pesquisadores afirmam que é responsabilidade da FIFA assegurar que os espectadores do torneio não recebam mensagens que sejam prejudiciais à saúde

Kent Buse e Sarah Hawkes
O telão da Fifa Fan Fest em Copacabana
O telão da Fifa Fan Fest em Copacabana (Pâmela Oliveira)
Um bilhão de pessoas assistiram à cerimônia de abertura da Copa do Mundo da FIFA em São Paulo, no Brasil, e centenas de milhões mais sintonizarão em algum momento durante o torneio de um mês de duração. Para seis parceiros principais da FIFA e oito patrocinadores oficiais do evento, esse público é nada menos que uma mina de ouro. Na verdade, essas empresas pagam dezenas de milhões de dólares na esperança de que um pouco da magia do "jogo bonito" caia em suas marcas – algo que é perfeitamente plausível. Para os espectadores, no entanto, isso pode ser prejudicial.
Ao menos para um dos parceiros da FIFA, a cervejaria Budweiser, o pontapé inicial não ocorreu sem controvérsias. A empresa foi acusada de pressionar o governo brasileiro a derrubar uma lei nacional que proíbe a venda de álcool dentro de estádios de futebol. Apesar da oposição generalizada à revogação da lei, a FIFA foi categórica: "as bebidas alcoólicas fazem parte da Copa do Mundo da FIFA, então nós vamos tê-las.”
Empresas patrocinadoras como a Budweiser, McDonald's, Coca-Cola e o gigante dos pratos prontos Moy Park trazem milhões de dólares para o jogo. Mas que mensagens são transmitida ao público de todo o mundo? Promover o consumo de bebidas alcoólicas, refrigerantes e fast-food pode significar enormes lucros para as corporações, mas também pode significar um impacto negativo na saúde dos indivíduos e pode se tornar um fardo dispendioso aos sistemas de saúde pública desses países.
Ao invés de focar exclusivamente no potencial de violência associada ao consumo de álcool dentro de estádios, a mídia deveria também ressaltar as consequência do consumo de álcool e alimentos processados à população mundial todos os dias. O consumo desses produtos continua aumentando – o que se deve em boa parte às campanhas publicitárias às que se gastam bilhões de dólares em todo o mundo. Na última década, a venda global de refrigerante duplicou; e o consumo de álcool e tabaco per capita aumentou. Para piorar, a maior parte desse crescimento está ocorrendo em países de baixa e média renda, que são os menos preparados para lidar com a crise sanitária que se acerca.
Um dos fatores subjacentes a tais ameaças para a saúde pública é o modo tradicional de classificar as enfermidades. Especialistas em saúde costumam separar as doenças em duas grandes categorias: doenças transmissíveis (as que são causadas predominantemente por infecção) e as doenças não transmissíveis (DNT) – ou seja, todas as demais.
Entre as doenças não transmissíveis, quatro são as que mais causam morte prematura ou invalidez: as doenças cardiovasculares, as doenças pulmonares crônicas, o câncer e o diabetes. Em 2010, essas quatro doenças causaram 47% de todas as mortes, incluindo nove milhões de mortes em pessoas abaixo dos 60 anos de idade.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento dessas patologias – tabagismo, consumo excessivo de álcool, excesso de peso e sedentarismo – estão relacionados a comportamentos insalubres profundamente arraigados. Precisamente porque esses comportamentos são incentivados por empresas tais como as que patrocinam a Copa do Mundo, talvez fosse melhor que se criasse uma classificação mais apropriada para essas doenças: pestilentia lucro causa (PLC), ou seja, “patologia induzida pelo lucro.”
O consumo excessivo de álcool, tabaco e alimentos processados hipercalóricos é muitas vezes apresentado como "escolhas" de estilo de vida, mas os determinantes de tais escolhas geralmente escapam do controle imediato das pessoas. As fortes associações entre as PLC, por exemplo, a pobreza ou gênero, sugerem que as forças sociais mais amplas exercem considerável pressão sobre os comportamentos individuais que afetam a saúde.
Para fazer frente à PLC, é preciso desenvolver novas abordagens em matéria de saúde pública e às organizações encarregadas de protegê-las. O sistema atual não permite às Organizações das Nações Unidas, nem a outros organismos técnicos relacionados com a política sanitária, que consigam enfrentar eficazmente os determinantes das condutas insalubres. As grandes corporações têm recursos, poder lobista, incluindo orçamentos de publicidade, redes e cadeiras de suprimento, os quais a ONU só pode sonhar. E enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) é mantida com dois bilhões de dólares por ano, a indústria do tabaco embolsa 35 bilhões de dólares em lucros anuais.
Que medidas podem ser tomadas para nivelar o campo de jogo? Como qualquer comentarista de futebol diria, o sucesso depende do trabalho em equipe. Primeiro e acima de tudo, os consumidores devem ser melhor informados sobre o impacto a longo prazo dos produtos dos patrocinadores. Afinal de contas, a maneira mais eficaz de obrigar as empresas a mudar é boicotando os seus produtos. Quando as pessoas se fazem ouvir – digamos, para a proibição de publicidade de produtos substitutos do leite materno ou para exigir o acesso aos fármacos que poderiam salvar vidas – as grandes corporações muitas vezes escutam.
Em segundo lugar, os políticos devem ser realistas. Enquanto o otimismo é certamente possível em relação aos avanços tecnológicos, que contribuem para o controle dos custos de tratamentos de saúde, é um fato que o tratamento de uma parte crescente da população mundial simplesmente não é viável. Com efeito, o Fórum Econômico Mundial estima que as quatro principais PLC custarão à economia global 3,75 trilhões em 2010, bem mais de metade do que foi gasto em cuidados médicos. Neste contexto, as estratégias de prevenção são de vital importância.
Em terceiro lugar, as empresas também desempenham um papel decisivo. Conter as PLC, além de ser um aspecto fundamental de responsabilidade social corporativa– e assim garantir a saúde e a produtividade das gerações atuais e futuras –, é também interesse das próprias empresas. Os compromissos voluntários que a indústria de alimentação assumiu para limitar o açúcar em refrigerantes e reduzir os níveis de sal em alimentos processados é um passo positivo; mas estão longe de ser suficientes.
Finalmente, cada equipe para ter sucesso precisa de um treinador forte. Na batalha contra as PLC, as autoridades reguladoras nacionais e internacionais devem cumprir o seu papel, definindo e aplicando as regras do jogo para proteger a saúde da população do planeta.
A Copa do Mundo tem um enorme impacto social, inclusive sobre a saúde global. É de responsabilidade da FIFA assegurar que os espectadores do torneio não recebam mensagens que sejam prejudiciais à saúde.   
Kent Buse é o chefe para Assuntos Internacionais e Estratégia da Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS. Sarah Hawkes é bolsista sênior no Instituto de Saúde Global da University College London.
(Tradução: Roseli Honório)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uma vaia para a presidente

Foi Nelson Rodrigues quem cunhou a máxima de que “no Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio”. Segundo reza a lenda, a velha fama do Maior do Mundo é fruto da reação da torcida carioca ao anúncio da morte do ex-presidente Castelo Branco, durante uma peleja em 1967. As vaias se tornaram a coroa de flores ofertada pela grande massa ao Marechal. Nelson registrou a máxima num artigo no Globo, em 28 de janeiro de 1970, questionando o fato do general Emílio Garrastazzu Médici não ter sido vaiado num jogo no Morumbi.
- É preciso não esquecer o que houve nas ruas de São Paulo e dentro do Morumbi. No Estádio Mário Filho, ex-Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio, e, como dizia o outro, vaia-se até mulher nua. Vi o Morumbi lotado, aplaudindo o presidente Garrastazu. Antes do jogo e depois do jogo, o aplauso das ruas. Eu queria ouvir um assobio, sentir um foco de vaia. Só palmas. E eu me perguntava: “E as vaias? Onde estão as vaias?”. Estavam espantosamente mudas.
Nelson
O Velho Profeta no Maraca.
Mas as vaias não nasceram com o Marechal. De acordo com o historiador Aureliano Leite, o impopular Campos Sales, que governou o país de 1898 a 1902, era vaiado toda vez que seu nome era anunciado pela estação de trem, quando voltava à sua cidade natal. Graças à política de ajuste financeiro, Sales não deixou de ser vaiado nem quando deixou a presidência.
Artur Bernardes foi outro que passou por maus bocados. Em certa ocasião, recebeu acaloradas vaias e gritos de “Seu Mé” – apelido que detestava – ao passar pela Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Segundo consta, atribuiu a hostilidade do povo carioca contra ele à “canalha das ruas”. Vale lembrar que Bernardes, nascido em Minas, foi eleito presidente ao derrotar Nilo Peçanha, nascido no Rio, em 1922, na provável eleição mais disputada da República Velha. “Ai, seu Mé!” e “Canalha das Ruas” se tornaram marchinhas na bucólica Cidade Maravilhosa da década de 20. A vaia presidencial virou folia.
Getúlio Vargas não deixou por menos. Em 1954, poucos meses antes de cometer suicídio, durante as comemorações do quarto centenário de São Paulo, recebeu uma vaia monumental no Jockey Club paulistano. Foram 15 minutos intermináveis, ao lado do governador do estado, Lucas Nogueira Garcez. Segundo o relato do historiador Fernando Jorge, Vargas virou-se para o então Ministro da Justiça, Tancredo Neves, e cochichou:
- Não sabia que o Garcez era tão impopular.
Vargas soube rir de si mesmo.
Poucas décadas depois, em novembro de 1979, foi a vez do então presidente Figueiredo passar pelo momento mais tenso da história das vaias presidenciais. Figueiredo foi recepcionado em Florianópolis por uma manifestação com cerca de 4 mil estudantes, organizada pelo DCE da Universidade Federal de Santa Catarina. Era um dos momentos mais tensos do período militar brasileiro e o General foi vaiado dos pés à cabeça. Choveram paus, pedras e latas de cerveja. Figueiredo disse ter ficado ofendido particularmente“com os palavrões contra a minha honra e a honra de minha mãe” e precisou ser contido por seguranças para não sair no braço com os manifestantes. Choveu cacetete policial pra tudo quanto é lado. A cena entrou para os livros de história conhecida como Novembrada. A vaia era então uma aliada no combate à Ditadura.
Novembrada
Novembrada.
Nem Fernando Henrique Cardoso escapou, vaiado ao menos em três oportunidades distintas. Numa ocasião, em Uberaba, FHC foi acalentado pelo então governador de Minas, Hélio Garcia, que adaptou Nelson Rodrigues em bom mineirês e proclamou triunfante:
- Em Uberaba, os meninos vaiam até boi premiado.
As vaias, por fim, perseguiram Luis Inácio. Vaiado seis vezes na cerimônia de abertura do Pan-Americano do Rio, em 2007, Lula simplesmente desistiu de fazer a declaração habitual de abertura, como exigia o protocolo, e foi substituído no último respiro da cerimônia pelo presidente do comitê organizador, Carlos Arthur Nuzman. Lula, no alto de sua covardia, foi o grande protagonista no fiasco continental da noite.
Mas sua sucessora não deixou por menos. Dilma, que já havia sido vaiada na abertura da Copa das Confederações, no ano passado, adicionou um novo capítulo à história das vaias presidenciais, na abertura da Copa do Mundo – mesmo fugindo do discurso oficial, na primeira Copa em décadas não aberta oficialmente pelo chefe de estado do país sede. Foi o caos. Para Lula, as vaias foram “a maior vergonha que o país já viveu”. Para os críticos – que há alguns meses insistiam no caráter popular da Copa – tudo não passou dos delírios de uma elite raivosa paulistana. Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência da República, fez a egípcia e disse que as vaias não foram diretamente para Dilma, mas para “qualquer autoridade”. Em ano de eleição todos foram culpados – incivis, golpistas, mal educados, reacionários. Menos Dilma. Juca Kfouri, homem branco da elite paulistana, culpou a elite branca paulistana. Os blogs progressistas condenaram a atenção que a mídia deu ao barulho ensurdecedor. Os carolas se indignaram com os palavrões sendo gritados em pleno estádio de futebol, vejam só. Logo, rolou um buchicho de que tudo partiu da área VIP do estádio. Como foram as 40 mil vozes VIPs e reacionárias no Festival João Rock, há pouco mais de duas semanas. Dilma era apenas uma pobre vítima disso tudo.
A vaia é uma ferramenta de indignação popular presente nos mais diversos momentos da nossa história republicana. Perseguiu as mais distintas lideranças, foi um dos raros instrumentos no combate aos governos mais repressivos. Na Copa do Mundo mais superfaturada da história do futebol mundial, não vaiar a autoridade presidencial que sequer teve coragem de prestar contas para o público presente, seria um ato incivil. Dilma fez por merecer. Vida longa à vaia.
http://liberzone.com.br/uma-vaia-para-presidente/

terça-feira, 24 de junho de 2014

A lista do PT

A personificação dos ‘inimigos da pátria’ é um truque circunstancial: os nomes podem sempre variar, ao sabor das conveniências

Lula só pensa naquilo. Diante das vaias (normais no ambiente dos estádios) e dos xingamentos (deploráveis em qualquer ambiente) a Dilma Rousseff na abertura da Copa, o presidente de facto construiu uma narrativa política balizada pela disputa eleitoral. A “elite branca” e a “mídia”, explicou, difundem “o ódio” contra a presidente-candidata. Os conteúdos dessa narrativa têm o potencial de provocar ferimentos profundos numa convivência democrática que se esgarça desde a campanha de ataques sistemáticos ao STF deflagrada pelo PT.
O partido que ocupa o governo decidiu, oficialmente, produzir uma lista de “inimigos da pátria”. É um passo típico de tiranos — e uma confissão de aversão pelo debate público inerente às democracias. Está lá, no site do PT, com a data de 16 de junho (http://www.pt.org.br/alberto-cantalice-a-desmoralizacao-dos-pitbulls-da-grande-midia/). O artigo assinado por Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, acusa “os setores elitistas albergados na grande mídia” de “desgastar o governo federal e a imagem do Brasil no exterior” e enumera nove “inimigos da pátria” — entre os quais, este colunista. Nas escassas 335 palavras da acusação, o representante do PT não cita frase alguma dos acusados: a intenção não é provar um argumento, mas difundir uma palavra-de-ordem. Cortem-lhes as cabeças!, conclama o texto hidrófobo. O que fariam os Cantalices sem as limitações impostas pelas instituições da democracia?
O artigo do PT é uma peça digna de caluniadores que se querem inimputáveis. Ali, entre outras mentiras, está escrito que os nove malditos “estimulam setores reacionários e exclusivistas a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes”. Não há, claro, uma única prova textual do crime de incitação ao ódio social. Sem qualquer sutileza, Cantalice convida seus seguidores a caçar os “inimigos da pátria” nas ruas. Comporta-se como um miliciano (ainda) sem milícia.
Os nove malditos quase nada têm em comum. Politicamente, mais discordam que concordam entre si. A lista do PT orienta-se apenas por um critério: a identificação de vozes públicas (mais ou menos) notórias de críticos do governo federal. O alvo óbvio é a imprensa independente, na moldura de uma campanha de reeleição comandada pelo ex-ministro Franklin Martins, o arauto-mor do “controle social da mídia”. A personificação dos “inimigos da pátria” é um truque circunstancial: os nomes podem sempre variar, ao sabor das conveniências. O truque já foi testado uma vez, na campanha contra o STF, que personificou na figura de Joaquim Barbosa o ataque à independência do Poder Judiciário. Eles gostariam de governar um outro país — sem leis, sem juízes e sem o direito à divergência.
Cortem-lhes a cabeça! A palavra-de-ordem emana do partido que forma o núcleo do governo. Ela está dirigida, imediatamente, aos veículos de comunicação que publicam artigos ou difundem comentários dos “inimigos da pátria”. A mensagem direta é esta: “Nós temos as chaves da publicidade da administração direta e das empresas estatais; cassem a palavra dos nove malditos”. A mensagem indireta tem maior amplitude: no cenário de uma campanha eleitoral tingida de perigos, trata-se de intimidar os jornais, os jornalistas e os analistas políticos: “Vocês podem ser os próximos”, sussurra o persuasivo porta-voz do presidente de facto.
No auge de sua popularidade, Lula foi apupado nos Jogos Panamericanos de 2007. Dilma foi vaiada na Copa das Confederações. As vaias na abertura da Copa do Mundo estavam escritas nas estrelas, mesmo se o governo não experimentasse elevados índices de rejeição. O governo sabia que viriam, tanto que operou (desastrosamente) para esconder a presidente-candidata dos olhos do público. Mas, na acusação desvairada de Cantalice, os nove malditos figuram como causa original da hostilidade da plateia do Itaquerão contra Dilma! O ditador egípcio Hosni Mubarack atribuiu a revolução popular que o destronou a “potências estrangeiras”. Vladimir Putin disse que o dedo de Washington mobilizou um milhão de ucranianos para derrubar o governo cleptocrático de Viktor Yanukovich. O PT bate o recorde universal do ridículo quando culpa nove comentaristas pela recepção hostil a Dilma.
Quanto aos xingamentos, o exemplo nasce em casa. Lula qualificou o então presidente José Sarney como “ladrão” e, dias atrás, disse que FHC “comprou” a reeleição (uma acusação que, nos oito anos do Planalto, jamais levou à Justiça). O que gritaria o presidente de facto no anonimato da multidão de um estádio?
Na TV Estadão, critiquei o candidato presidencial José Serra por pregar, na hora da proclamação do triunfo eleitoral de Dilma Rousseff, a “resistência” na “trincheira democrática”. A presidente eleita, disse na ocasião, é a presidente de todos os brasileiros — inclusive dos que nela não votaram. Dois anos mais tarde, escrevi uma coluna intitulada “O PT não é uma quadrilha”, publicada nos jornais O GLOBO e “O Estado de S. Paulo” (25/10/2012), para enfatizar que “o PT é a representação partidária de uma parcela significativa dos cidadãos brasileiros” e fazer o seguinte alerta às oposições: “Na democracia, não se acusa um dos principais partidos políticos do país de ser uma quadrilha”. A diferença crucial que me separa dos Cantalices do PT não se encontra em nossas opiniões sobre cotas raciais, “conselhos participativos” ou Copa do Mundo. Nós divergimos, essencialmente, sobre o valor da liberdade política e da convivência democracia.
Se, de fato, como sugere o texto acusatório do PT, o que mais importa é a “imagem do país no exterior”, o “inimigo da pátria” chama-se Cantalice. Nem mesmo os black blocs, as violências policiais ou a corrupção sistemática são piores para a imagem de uma democracia que uma “lista negra” semi-oficial de críticos do governo.
Demétrio Magnoli é sociólogo


Read more: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-lista-do-pt-12915771#ixzz35awCTHjf