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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Não sabe, não viu...,


Há quantos dias Lula foge de perguntas sobre a Primeira Assombração? Confira a contagem no centro da coluna

Só nas últimas 30 horas 37 milicianos a serviço da seita apareceram por aqui para, entre um insulto à mídia golpista e uma imprecação contra FHC, berrar a mesma exigência: devo parar imediatamente de escrever sobre o caso de polícia estrelado em parceria por Lula e Rosemary Noronha. É hora de controlar a inveja provocada pelo construtor do Brasil Maravilha, repetem. Vire o disco, mude de assunto, trate  de coisas relevantes. Chega de ficar lembrando que há mais de dois meses o palanque ambulante foge de perguntas sem resposta sobre a primeiríssima amiga que se transformou na Primeira Assombração.
Entusiasmado com a gritaria dos que acham que mexer com Lula é mexer com eles, decidi que tratar do assunto duas ou três vezes por semana é pouco. A procissão dos comparsas coléricos está de bom tamanho, mas merece crescer.  E vai, graças ao espaço aberto nesta terça-feira no centro da coluna: ali os leitores poderão saber há exatamente quantos dias o ex-presidente foge da história que o persegue desde 23 de novembro. “Lula ainda não disse nada sobre o caso Rose, que já completou…”, repete o texto. Só muda a contagem dos dias de mudez malandra. No momento, são 68.  No primeiro minuto da quinta-feira, serão 69.
Como ensinou Chacrinha, um programa de TV só acaba quando termina. O galã da chanchada pornopolítica que enriqueceu a quadrilha de Rose acredita que esse filme de quinta ficará sem desfecho. Logo vai descobrir que errou.
*http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Operação abafa!


Atendendo ao incompetente Tarso Genro, PT deflagra operação para sufocar escândalo em Santa Maria

Operação abafa – Há por trás da tragédia de Santa Maria algo muito mais sério e putrefato do que se imagina. Horas depois do acidente ocorrido em uma casa noturna, na madrugada do último domingo (27), um séquito de petistas “cinco estrelas” já estava na cidade gaúcha para prestar solidariedade às vítimas e às famílias dos que morreram. Encenação da pior qualidade, que não seria aceita nem mesmo em set de filmagem de pornochanchada.
O PT aproveitou o palco da tragédia para mostrar ao Brasil e ao mundo que a inoperância do governo de Dilma Rousseff não passa de invenção da mídia golpista, que se uniu às elites do País. Conversa fiada de quem não tem o que fazer e carece de bom senso para saber a hora exata de a politicagem entrar em cena. Em nenhuma tragédia ocorrida no Brasil até hoje viu-se tantas autoridades chegando de forma tão célere no local dos fatos, como aconteceu em Santa Maria.
Dilma Rousseff, que estava no Chile, carregou a tiracolo um séquito de aduladores, os quais fizeram questão de, mesmo ao fundo, aparecer nas imagens registradas pelas câmeras. Carpideiras desalmadas que pisotearam a dor alheia para exibir uma competência administrativa que jamais subiu a rampa do Palácio do Planalto.
Com o acidente na boate podendo colocar o PT no olho do furacão, desta vez atingindo Tarso Genro e sua horda, o peremptório governador gaúcho pediu ajuda aos companheiros. Dilma, truculenta como sempre, mandou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não sair de Santa Maria sem a sua autorização. Como se a presença do ministro da Saúde na cidade mudasse algo na tragédia consumada. Ora, se o sistema público de saúde do Rio Grande do Sul não tem capacidade para atender duas centenas de vítimas de uma tragédia, Padilha e Tarso Genro devem pedir demissão.
A situação torna-se mais estranha quando o presidente da Câmara dos Deputados,Marco Maia, petista e gaúcho, cria uma comissão parlamentar para acompanhar as investigações, sob a desculpa de que é preciso preservar a transparência no trabalho de investigação. Ora, a polícia gaúcha está sob o comando de Tarso Genro, que é tão petista quanto Maia. Porém, como as farsas da “companheirada” são sempre recheadas de detalhes bisonhos, Marco Maia nomeou o deputado Paulo Pimenta, também petista e gaúcho, como presidente da Comissão que acompanhará os trabalhos investigatórios em Santa Maria.
Pimenta é o mesmo que, em uma madrugada de 2005, encontrou-se às escondidas com Marcos Valério na garagem do Senado federal. À época, acontecia no Congresso Nacional a CPI dos Correios e naquele dia, horas depois, o operador financeiro do Mensalão do PT seria ouvido pelos integrantes da Comissão. Paulo Pimenta está sendo acusado de ser o verdadeiro e oculto dono da boate Kiss, onde ocorreu o trágico acidente que matou 235 pessoas.
Pimenta, como bom petista que é, reagiu com truculência e prometeu processar os caluniadores e entregar o caso à Polícia Federal. O deputado petista precisa pensar bem antes de chamar a PF, pois pode não ser a decisão mais acertada. Até porque, telhado de vidro sempre é o mais vulnerável. Paulo Pimenta esperneou desnecessariamente depois de a notícia ter circulado na internet, quando, na verdade, bastava ele provar que não é dono da tal boate e que sequer conhece os proprietários. Pimenta não sabe, mas à mulher de César não basta ser honesta, é preciso que ela mostre ser como tal.
O cenário em Santa Maria tornou-se mais complexo para Tarso Genro, depois que o governador desautorizou a declaração de um coronel do Corpo de Bombeiros do estado, que se não falou tudo o que sabia, ao menos deixou pistas importantes para quem tem massa cinzenta. O mesmo Corpo de Bombeiros que liberou o funcionamento de uma boate para mais de mil pessoas com apenas uma porta – de entrada e saída – exigiu de um pároco de Santa Maria abrisse duas portas laterais em uma igreja com capacidade para no máximo cem fiéis.
Essa queda de braços está apenas começando e o PT já se prepara para deflagrar uma operação abafa sem precedentes na história. Muita gente deve tombar nesse palco de guerra que se instalou em Santa Maria. Aguardemos!
http://ucho.info/atendendo-ao-incompetente-tarso-genro-pt-deflagra-operacao-para-sufocar-escandalo-em-santa-maria

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A lição de Buenos Aires ensina como interromper a contagem regressiva para outro massacre disfarçado de acidente


O governador Tarso Genro reagiu à tragédia na boate Kiss acionando o trabuco que dispara só palavrórios: “Quero garantir que o inquérito seja exemplar, que dele possam decorrer, a partir de iniciativas do Ministério Público, modificações legislativas nos planos federal, municipal e estadual, para que isso nunca mais aconteça”. Tradução: vem aí mais um “rigoroso inquérito”. Toda investigação assim adjetivada nasce com cara de brava. Mas é mansa. Arrasta-se preguiçosamente por alguns meses e morre de inanição.

Foi sempre assim no Brasil. E assim será desta vez ─ a menos que Santa Maria se mire no exemplo de Buenos Aires e trate de ensinar ao país que lágrimas não bastam. A Argentina começou a descobrir essa verdade na noite de 30 de dezembro de 2004, quando um incêndio de características similares ao da boate Kiss destruiu a discoteca Cromagnon, em Buenos Aires, matou 194 pessoas, quase todas por asfixia, e feriu outras 1.432. Os sepultamentos coletivos exumaram a indignação represada. E os cortejos fúnebres logo se desdobraram em manifestações de rua.
Convocados por parentes das vítimas aglutinados na organização Nâo se Repita, engrossados por multidões de buenairenses, os atos de protesto impediram que o horror fosse esquecido e os responsáveis pelo homicídio culposo em massa escapassem da Justiça. O prefeito Aníbal Ibarra, por exemplo, sonhava com a Casa Rosada quando a Cromagnon começou a arder. O descaso e a miopia conivente dos órgãos fiscalizadores o transformaram no alvo de um processo de impeachment que o despejou da prefeitura em 2006.
Hoje, o antigo aspiante à presidência da República é apenas mais um deputado estadual. Rumina a obscuridade no mesmo limbo que hospeda Omar Chabán, um dos reis da noite argentina até aquele dia 30 de dezembro. As investigações constataram que o dono da discoteca havia autorizado a venda de um volume de ingressos três vezes maior superior ao que permitia o espaço físico. Também por ordem de Chabán, as portas de emergência foram fechadas “para evitar a entrada de penetras”. Condenado a 20 anos de prisão, conseguiu reduzir a pena para 10 anos e nove meses.
Quando sair da cadeia, vai surpreender-se com as mudanças na paisagem. Sob intensa fiscalização municipal, dezenas de discotecas desapareceram. As que sobreviveram tiveram de sujeitar-se a rígidas normas de prevenção de incêndios. Campeões da ganância desembolsaram fortunas na compra de requintados equipamentos exigidos pela legislação modernizada. As vítimas da Cromagnon ao menos não morreram em vão.
Que se faça por aqui o que foi feito em Buenos Aires. O resto é conversa fiada. Se o Brasil não assimilar a lição argentina, nada interromperá a contagem regressiva para a próxima chacina disfarçada de acidente.
*Augusto Nunes

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Entrevista com o médico Dráuzio Varella


Internação compulsória é caminho a ser percorrido
Para o médico, medida pode não ser a ideal, mas politizar a questão torna a discussão inútil; segundo ele, ninguém tem receita exata para tratar dependentes de crack
CLÁUDIA COLLUCCIDE SÃO PAULO
Revoltado. É assim que o médico e colunista da Folha Drauzio Varella, 69, diz se sentir com a polêmica envolvendo a internação compulsória de dependentes de crack, adotada há uma semana pelo governo Alckmin.
Cancerologista de formação e com profundo conhecimento em dependência química, Varella considera a discussão "ridícula".
"Que dignidade tem uma pessoa jogada na sarjeta? Pode ser que internação compulsória não seja a solução ideal, mas é um caminho que temos que percorrer. Se houver exagero, é questão de corrigir."
Ele defende que as grávidas da cracolândia também sejam internadas mesmo contra a vontade. "Eu, se tivesse uma filha grávida, jogada na sarjeta, nem que fosse com camisa de força tiraria ela de lá."
A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha, na última quinta, em seu consultório no centro de São Paulo.
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Folha - Muito se discute sobre a ineficácia das internações compulsórias. Na opinião do sr., elas se justificam?
Drauzio Varella - Não conhecemos bem a eficácia ou a ineficácia porque as experiências com internações compulsórias são pequenas no mundo. Mesmo as de outros países não servem para nós. O Brasil tem uma realidade diferente.
Neste momento, temos uma quantidade inaceitável de usuários. E muitos chegando aos estágios finais. Estão nas ruas, nas sarjetas. O risco de morte é muito alto, e nós estamos permitindo isso.
Qual o tratamento ideal?
Depende da fase. Você tem usuários que usam dois ou três dias e param. Tem gente que usa um, dois dias, repete e nunca mais fica livre. E você tem os que chegam à fase final.
A gente convive com essa realidade, e quando o Estado resolve criar um mecanismo para tirar essas pessoas da rua de qualquer maneira começa uma discussão política absurda. Começam a falar que essa medida não respeita a dignidade humana. Que dignidade tem uma pessoa na sarjeta daquela maneira?
Está na hora de parar com essa discussão ridícula. Pode ser que internação compulsória não seja a solução ideal, mas é um caminho que temos que percorrer. Se houver exagero, é uma questão de corrigir. Vão haver erros, vão haver acertos. Temos que aprender nesse caminho porque ninguém tem a receita.
O debate está ideologizado?
Totalmente. É uma questão ideológica e não é hora para isso. Estamos numa epidemia, quanto mais tempo passa, mais gente morre.
Sempre faço uma pergunta nessas conversas: 'Se fosse sua filha naquela situação, você deixaria lá para não interferir no livre arbítrio dela?'
Eu, se tivesse uma filha grávida, jogada na sarjeta, nem que fosse com camisa de força tiraria ela de lá.
Quando vemos essa discussão nos jornais, parece que estamos discutindo o direito do filho dos outros de continuar usando droga até morrer. É uma argumentação frágil, jargões vazios, de 50 anos atrás. Eu fico revoltado com essa discussão inútil.
E o que fazer com as grávidas do crack?
São casos de internação compulsória, o sistema de saúde tem que ir atrás e internar mesmo que não queiram. O crack é mais forte do que o instinto materno. Elas não param porque estão dominadas pelo crack. Tem uma relação de uso e recompensa e acabou. Nada vale tanto quanto essa dependência.
Como prevenir a gravidez na cracolândia?
É a coisa mais fácil. Há anticoncepcionais injetáveis, dá a injeção e dura três meses.
Haveria mais polêmica...
A menina não engravida para experimentar os mistérios da maternidade, ela engravida porque na situação em que ela vive não há outra forma de se relacionar com os homens. Essa é a realidade.
Precisa levar para um lugar onde terá amparo, um pré-natal decente. Não podemos ficar nessa posição passiva.
Por que é tão difícil adotar uma estratégia efetiva de enfrentamento do crack?
Pela própria característica da dependência. É uma doença crônica. Você deixa de ser usuário de uma droga qualquer, mas não deixa de ser dependente. É a mesma história do fumante. Há 20 anos sem fumar, um dia fica nervoso, pega um cigarro e volta a fumar. Ou do alcoólatra.
Com o crack, é a mesma coisa, a dependência persiste para sempre. Você pega uma pessoa que fuma crack, interna, passa por psicólogo, reata laços com a família, passa um ano sem fumar. Aí, um belo dia, recomeça tudo. Você não pode dizer que o tratamento falhou. Ele ficou um ano livre. Isso não invalida que ele seja tratado novamente.
Fazendo uma analogia com a especialidade do sr., é como tratar um tumor avançado?
Exatamente. Eu pego uma paciente com câncer avançado, faço um tratamento agressivo com quimioterapia e ela passa seis meses com remissão da doença.
Acho ótimo. Pelo menos passou seis meses bem, com a família, tocando as coisas. Aí, quando sai da remissão [volta do tumor], a gente tenta outro esquema. A gente não se dá ao direito de não tratar um doente porque a doença vai voltar. Por que não se faz isso com usuário de drogas?
Isso acontece porque há muito preconceito com as dependências de uma forma geral?
Sim, temos muito preconceito. Nós usamos drogas também, uns fumam, outros bebem, só que temos controle. E temos o maior desprezo pelos que perdem o controle.
Qual o futuro do tratamento das dependências?
A medicina não sabe tratar dependência. Vejo na cadeia meninas desesperadas, me pedindo ajuda. Eu fico olhando com cara de idiota. Não tem o que fazer. Só posso dizer: fique longe da droga.
Não tem um remédio que você diga: você vai tomar um remédio bom em que 30% dos casos ficam livres da droga.
O problema é o prazer. Se você conseguir uma pequena molécula que inative os receptores dos neurônios que recebem a cocaína, o sujeito deixa de ter prazer. Há experiências com anticorpos para tentar desarmar essa ligação, mas estamos em fase inicial.
O sr. acredita que veremos o fim dessa epidemia do crack?
Droga é moda, e a moda do crack vai passar ou ficar restrita a pequenas populações.
Mas para isso acontecer não é preciso uma política nacional de enfrentamento do crack?
Acho que temos que ter uma política nacional para definir as grandes diretrizes. Mas não acho que vamos definir isso com políticas nacionais. Temos que particularizar. Cada cidade tem que criar estruturas locais de atendimento.
Nós perdemos muito tempo. Não fizemos campanha educacional, não trabalhamos as crianças. Agora todos ficam horrorizados. Temos que ter aulas nas escolas, aprender desde pequeno. Precisamos chegar antes da dependência.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Dilma abre a torneira para a farra dos aeroportos regionais


Pacote de estímulo à aviação regional prevê investimentos de 7,3 bilhões de reais em aeroportos de cidades pequenas - muitas vezes grudadas umas às outras

Ana Clara Costa
Aeroporto Correia Pinto, em Lages, Santa Catarina
Aeroporto de Lages, em Santa Catarina, será um dos que receberá investimentos do governo (Divulgação/Infraero)
Em um país sério, qualquer plano de investimentos elaborado pela Presidência da República que envolva a participação de estados, municípios e empresas privadas é amplamente discutido e ajustado com as partes envolvidas, antes de ser divulgado. A sensatez nos gastos públicos dita que o dinheiro da população não pode ser despejado a rodo em obras de infraestrutura que correm o risco de se tornar inúteis. Mas não no Brasil. Exemplo de tal prática é o pacote de investimentos no setor aeroportuário anunciado pela presidente Dilma Rousseff pouco antes do Natal. O plano prevê o aporte de 7,3 bilhões de reais em recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para turbinar 270 aeroportos pequenos,  que servem cidades com população inferior a um milhão de habitantes. Um olhar mais detalhado sobre o projeto descortina erros e indícios de mau planejamento. Há cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, que receberão recursos para reformar seus aeroportos – e que ficam separadas por distâncias inferiores a 50 quilômetros de outros municípios também beneficiados pelo pacote do governo.
A distância mínima sugerida entre dois aeroportos em áreas que possuem demanda média de passageiros é de 100 quilômetros, segundo normas da Comissão Europeia que são adotadas por grande parte dos países. Em locais de difícil acesso rodoviário, sem pavimento ou estradas, o regulamento europeu admite uma distância de 75 quilômetros. Porém, no plano elaborado pelo governo, municípios de pouca relevância econômica e próximos de metrópoles já servidas por grandes aeroportos passarão a ter aeródromos aptos à operação de voos regulares. A expectativa do Palácio do Planalto é de que a existência de um aeroporto seja suficiente para trazer desenvolvimento a regiões carentes de infraestrutura. “Efetuamos uma análise de cobertura territorial para mais de 94% da população brasileira. Fizemos consultas ao Ministério do Turismo, IBGE, governo e empresas aéreas. O objetivo é beneficiar a população”, afirmou o secretário-executivo da Secretaria de Aviação Civil (a SAC), Guilherme Ramalho.
Contudo, as coisas não ocorreram exatamente assim. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão que regula o setor e dispõe de conhecimento técnico para abastecer a SAC, sequer participou da elaboração do plano. As companhias aéreas foram avisadas menos de uma semana antes da divulgação do pacote. Elas foram chamadas a Brasília para uma reunião com membros da Casa Civil, da SAC e, em alguns casos, até mesmo com a presença do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin – que tem funcionado como uma espécie de “banqueiro” do Palácio do Planalto, financiando a maior parte dos pacotes de bondades da gestão petista. Durante a reunião, as empresas apenas ouviram dos interlocutores da presidente que haveria um pacote para estimular a aviação regional. Seus executivos não foram convidados a opinar, dar contribuições ou manifestar qualquer interesse nos destinos que seriam beneficiados pelo governo. “O governo não pré-define rotas. Vamos prover infraestrutura para que elas sejam criadas. O plano é fomentar voos para localidades ainda não atendidas”, afirmou Ramalho.
O governo sustenta a tese de que a descentralização da economia garantirá o sucesso dos aeroportos. A crença no fato de empresas migrarem dos grandes centros em direção a cidades médias em busca de mão de obra barata e menores custos é o argumento utilizado para explicar a escolha de cidades como Lages, em Santa Catarina, como destino de recursos do pacote. Com cerca de 160 mil habitantes, o município está a 32,8 quilômetros de distância de Correia Pinto – outro local que receberá dinheiro público para seu aeródromo. Correia Pinto tem 14 mil habitantes. “Essa tese do desenvolvimento regional é uma falácia. É como se o deslocamento dos investimentos para cidades de porte médio e pequeno fizesse com que os aeroportos, da noite para o dia, se tornassem estruturas essenciais”, afirma um interlocutor do governo que preferiu não ter seu nome citado. 

O site de VEJA conversou com funcionários de órgãos envolvidos na elaboração do plano – e, mesmo dentro governo, poucas são as vozes que não têm restrições ao pacote. “Essas medidas ignoram aspectos técnicos. É como distribuir uma infinidade de impressoras sem a menor garantia de que haja cartuchos para que elas sejam usadas. É a ideologia que se sobrepõe à razão”, afirmou uma das fontes. O governo parece desconsiderar que, depois de prontos, tais aeroportos terão de ser geridos por prefeituras e estados – e poderão se converter em fardo, caso não sejam lucrativos. “A construção ou reforma de um aeroporto é o menor problema. O mais caro é a manutenção e a operação. Se o plano não prevê um aeroporto que se sustente, alguém tem de pagar essa conta”, afirma o consultor de aviação João Eduardo Tabalipa.
O governo de Minas Gerais, que desde 2003 executa seu próprio programa aeroportuário (o ProAero), destacou que alguns aeroportos contidos no pacote do governo federal já estão sendo ampliados ou reformados pelo estado – o que mostra o nível superficial de conversas entre as duas esferas na elaboração do plano. Há cerca de duas semanas, o governador Antonio Anastasia (PSDB-MG) anunciou mais 235 milhões de reais para o ProAero e ainda afirmou que tentará ajustar melhor a lista de aeroportos mineiros que constam no pacote. A ideia é direcionar os recursos liberados pelo Fnac para aeródromos que não estejam sendo reformados pelo programa estadual de investimentos.
O governo federal ainda não detalhou como tornará os aeroportos atrativos para as companhias aéreas nacionais. Afirmou, sem dar muitos detalhes, que subsidiará tarifas aeroportuárias e, até mesmo, assentos em voos, como forma de incentivá-las. João Eduardo Tabalipa se junta ao outros especialistas do setor que enxergam a medida como uma forma deprotecionismo que poderá, em vez de beneficiar, dizimar as empresas de aviação. “Muitos acreditam que as companhias aéreas brasileiras, como a Varig, não sobreviveram justamente por causa disso. Havia a obrigatoriedade de ter rotas regionais e os subsídios prometidos nem sempre chegavam”.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

IDIOTOCRACIA..., Não penso, Não existo, Só assisto!

Carro movido a ar estará nas ruas em 2016

Os compactos C3, da Citroën, e o 208, da Peugeot, poderão ser equipados com sistema que usa motor a combustão associado a um sistema de ar comprimido

Algo que parecia improvável pode virar realidade nos próximos três anos: um carro movido a ar. Na verdade, é um protótipo híbrido, desenvolvido pelo grupo PSA Peugeot Citroën em parceria com a empresa alemã Bosch, e que utiliza um motor a combustão, de três cilindros, movido a gasolina, associado a um sistema de ar comprimido em vez de um gerador a eletricidade.

Batizada de Hybrid Air, a tecnologia permite o funcionamento dos dois dispositivos de forma independente ou atuando em conjunto, com o bloco a gasolina sendo auxiliado pela propulsão a ar. O modo a combustão é indicado para percursos em estrada, em que a velocidade é constante e o motor atua em baixas rotações. O compressor de ar entra em ação em trajetos urbanos, em velocidades de até 70 km/h, sem que haja emissão de gases poluentes. O modo combinado, por sua vez, é indicado para acelerações, subidas de ladeira ou situações em seja necessária potência adicional.
O sistema de ar comprimido usa dois tanques de armazenamento, um grande e de maior pressão, sob o assoalho, entre os eixos dianteiro e traseiro; e outro menor, sob o porta-malas. Para injetar o ar no motor, o sistema usa a energia elétrica gerada em frenagens para pressurizar o tanque maior. O ar, por sua vez, aciona um motor hidráulico, que auxilia o bloco a gasolina por meio de um conjunto de engrenagens.
De acordo com a PSA Peugeot Citroën, o Hybrid Air pesa cerca de 100 kg - metade de um sistema híbrido elétrico convencional - tem operação mais simples e não utiliza metais raros ou materiais difíceis de reciclar. A empresa quer equipar modelos como os compactos C3, da Citroën, e o 208, da Peugeot, a partir de 2016. A potência gerada, em ambos os casos, deve ficar entre 80 cv e 100 cv.

Ninguém aguenta mais o xarope!

Em nova visita imprópria, Lula se encontra com Dilma

Depois de submeter Fernando Haddad ao humilhante papel de subordinado e tentar assumir o protagonismo na articulação política do governo Dilma, a intromissão do ex-presidente começa a causar desconforto em setores do PT

Laryssa Borges e Gabriel Castro, de Brasília
Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, durante reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns secretários, na sede da Prefeitura
Humilhação: Lula e o secretariado de Haddad na sede da prefeitura (Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

A presidente Dilma Rousseff desembarcará nesta sexta-feira em São Paulo com dois compromissos oficiais: uma solenidade com atletas paralímpicos e, em seguida, um evento de entrega de 300 casas do programa Minha Casa, Minha Vida. Não consta na agenda, mas Dilma também irá se reunir com o antecessor no cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, em horário e local não divulgados - provavelmente, no escritório da Presidência da República na capital paulista.
Não há problema e até é desejável que um ex-presidente da República dê conselhos a aliados, seja consultado em momentos de turbulência e alerte para riscos institucionais. Foi o que fez, por exemplo, o ex-presidente democrata Bill Clinton ao então novato Barack Obama, quando recomendou mais otimismo em relação à crise financeira mundial e defendeu uma regularização da situação dos imigrantes ilegais. No cenário nacional, a participação de Lula também seria compreensível se ele não extrapolasse os limites da sua atual condição de "ex-presidente".
Na semana passada, a intromissão de Lula foi escancarada na foto divulgada pelos jornais com o ex-presidente sentado à mesa e orientando o secretariado do seu pupilo Fernando Haddad. O local? A sede da Prefeitura de São Paulo em horário de pleno expediente. 
Embora previsível, o ativismo político de Lula tem incomodado até integrantes do PT, com a avaliação de que o ex-presidente tem utilizado sua popularidade para interferir excessivamente em gestões que não são suas. “O presidente Lula começou maior do que o partido, depois ficou maior que o governo e agora quer ser maior do que a nação. O PT que ajudei a fundar não tinha dono nem deus”, critica o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA). Para o senador Paulo Paim (PT-RS), a postura do presidente é aceitável, mas pode causar desgastes: "Muitas vezes ele poderia se omitir para se preservar. Mas ele prefere se expor".
O comportamento de Lula não encontra precedentes na história da República brasileira. José Sarney, por exemplo, jamais deixou de orbitar o poder, mas se contenta com seus feudos na máquina federal. Fernando Collor, que deixou o Palácio do Planalto pela portas dos fundos, nunca influenciou os sucessores. Itamar Franco, que fazia política discretamente, manteve a distância respeitosa do Planalto. Fernando Henrique Cardoso prefere não se intrometer diretamente nem mesmo nas disputas políticas de seu partido, o PSDB. Com Lula é diferente. 
A intromissão do ex-presidente em assuntos que não dizem respeito a um "ex" não é de hoje: as ofensivas do petista atingiram os três poderes. Em 2011, durante uma viagem de Dilma, ele manteve reuniões com o vice-presidente, Michel Temer, e líderes partidários para tentar emplacar a reforma política - que até agora não saiu do papel - e tentar justificar os crimes do mensalão como um mero esquema de caixa dois. Antes disso, ele já havia despachado com ministros de Dilma como se ainda fosse chefe de estado.
Atuando como uma espécie de co-presidente, Lula agora se proclamou articulador político para a consolidação da aliança com PSB e PMDB. A missão é demover pretensões do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na corrida pelo Palácio do Planalto em 2014 e manter sob suas rédeas caciques peemedebistas. “Lula vai jogar toda sua energia para a manutenção e consolidação da aliança entre PT, PSB e PMDB”, resumiu o ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, nesta segunda-feira. “Ele tem um papel político a cumprir na constituição da nossa base política e social para 2014”, completou o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Luiz Dulci. O senador Paulo Paim é mais franco: "Vamos dizer que ele queira mesmo ser candidato em 2014 ou 2018. E daí? Ele vai querer buscar o seu espaço".
Afastado oficialmente da política desde o fim de seu mandato, Lula tem atuado sem qualquer cerimônia nas diretrizes do governo de Dilma Rousseff. Foram para seu guichê negociações políticas, nomeações de apadrinhados e até a sessão de reclamações gerais pelo estilo Dilma de governar. Ele impôs nos últimos anos a nomeação de ministros no governo da sucessora – são de sua cota as nomeações de Antonio Palocci, Wagner Rossi, Alfredo Nascimento, todos abatidos por escândalos políticos – e o aparelhamento de agências reguladoras. 
As reais pretensões políticas de Lula ainda não são claras nem mesmo para aliados. Interlocutores negam a hipótese de uma candidatura presidencial em 2014, mas, nos bastidores, quem convive com o ex-presidente há tempos, não trata essa possibilidade como assunto resolvido. No PT, não faltam simpatizantes à ideia de uma candidatura já em 2014. O próprio Lula deixou escapar suas ambições no ano passado, quando fez campanha proibida e levou o então "poste" Fernando Haddad ao "Programa do Ratinho", no SBT. Questionado pelo amigo e apresentador de TV se pensava em voltar à cena política em 2014, Lula rebateu: “Se ela (Dilma) não quiser, eu não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil”.
Nesta sexta, Lula e Dilma estarão novamente à mesa. Espera-se que seja apenas - mais uma - visita.
*Escapou e continua fazendo estripulias

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Luz mais barata "corrói" verbas sociais

FERNANDA ODILLA
JULIA BORBA
DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

A conta de luz ainda não está mais barata, mas a medida, que se transformou numa das principais promessas da presidente Dilma Rousseff, já tem efeitos colaterais.
Para compensar a perda de receita com a diminuição das tarifas, as estatais elétricas estão cortando investimentos em patrocínio social, esportivo e institucional.
Em troca da renovação das concessões, as empresas do setor aceitaram receber tarifas menores pela energia, que vai ficar 20,2% em média mais barata para o consumidor a partir do próximo mês.
A medida foi anunciada pela presidente no último 7 de Setembro. Desde então, a redução da conta de luz passou a ser tratada como prioridade pelo governo.
Com a previsão de menos dinheiro em caixa, as empresas estão cortando despesas que não estão diretamente relacionadas à produção e à transmissão de eletricidade.
CLUBES DE FUTEBOL
A Eletrosul anunciou em seu site que haverá "ações contingenciais" devido à redução das tarifas. "Cancelamos para o ano de 2013 os editais de Patrocínio Social e Institucional, além de outras parcerias", informou.
Os times catarinenses de futebol Avaí e Figueirense, assim como outras modalidades esportivas e instituições sociais financiadas pela Eletrosul, terão patrocínios suspensos. No ano de 2014, informa a empresa, não haverá "quaisquer patrocínios relacionados às leis Rouanet e de Incentivo ao Esporte".
Contabilizando um impacto negativo de 15% na receita total com a medida provisória que antecipou a renovação das concessões, a Eletronorte definiu metas para reduzir custos.
Entre elas, cortou 50% dos recursos previstos para patrocínios em seu planejamento anual e admite que ainda pode diminuir o apoio a projetos sociais neste ano.
SEM RENOVAÇÃO
A maior companhia de energia elétrica da América Latina, a Eletrobras, assegurou recursos apenas para os projetos que se localizam em regiões onde têm empreendimentos em construção, como hidrelétricas.
Extraoficialmente, contudo, a empresa tem informado aos parceiros que o valor dos repasses será reduzido ou que projetos já em curso dificilmente serão renovados.
Sem o patrocínio da Eletrobras, iniciativas como a de apoio a mais de 800 crianças vítimas de violência doméstica e sexual em São Gonçalo (RJ) estão demitindo profissionais e limitando o atendimento aos casos mais graves (leia texto ao abaixo).
A CGTEE, companhia de geração térmica com sede no Rio Grande do Sul, reduziu quase à metade as verbas de patrocínio que atendem, principalmente projetos culturais de teatro e música.
No site, a companhia (que faz parte do sistema Eletrobras) avisa que, "por questões administrativas internas", os editais de patrocínio para este ano ainda não estão disponíveis.
HOSPITAL REPASSADO
A Chesf, companhia do rio São Francisco, que produz, transmite e comercializa energia, é outra estatal do grupo Eletrobras que anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, de recebimento de propostas de patrocínio.
A empresa também negocia a transferência de instalações para o Executivo local. No início do mês, foi assinado documento para repassar um antigo clube à Prefeitura de Recife, que pretende montar um centro comunitário.
Em 2014, a Chesf também deve passar ao governo do Estado e à Universidade Federal do Vale do São Francisco, um hospital que mantinha em Paulo Afonso, na Bahia.
A manutenção do hospital é de R$ 29 milhões ao ano, segundo carta assinada por João Bosco de Almeida, presidente da Chesf, à qual a Folha teve acesso.

Tem gente que acredita em almoço gratuito...,


Resposta aos governistas sobre a farsa da redução da conta de luz

Por Implicante

A blogosfera governista não gostou que desmascaramos o anúncio feito por Dilma em rede nacional. Soltaram por aí textos nervosos e acusatórios, mas a verdade continua a mesma: o anúncio da “redução da conta de luz” foi um truque de marketing. Houve cobrança irregular, A MAIOR, durante oito anos e SETE BILHÕES DE REAIS teriam que ser devolvidos de qualquer jeito.

Nas últimas 48 horas, uma informação veiculada pelo Implicante transformou-se em um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. A notícia, trazida pela leitora assídua e colaboradora Rejane do @BlogBymel, explicitou mais um embuste do governo federal. No último dia 6 de setembro, a presidente Dilma Rousseff apareceu em rede nacional de rádio e TV para anunciar pretensas conquistas do governo e informar sobre a redução nas tarifas de energia elétrica. No discurso presidencial, a redução foi apresentada como uma medida de estímulo à economia, e só seria possível por “acertos” do governo ocorridos nos últimos 10 anos.
O problema é que, no anúncio, Dilma NÃO falou que, durante 8 anos, o governo permitiu que as concessionárias de energia eletrica cobrassem um valor ACIMA do correto. A cobrança indevida ocorreu por erros de cálculos da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Como sintetizou o jornalista Augusto Nunes, “fomos presenteados pelo governo com parte do dinheiro que nos roubaram com a cumplicidade do governo”. É importante lembrar que Dilma foi ministra de Minas e Energia (a quem a ANEEL é subordinada) de janeiro de 2003 a junho de 2005, durante o governo Lula.
Pois bem, o vídeo publicado aqui no Implicante foi amplamente divulgado e, em poucas horas, representantes da blogosfera progressista acusaram a informação de “farsa”. Um dos posts mais virulentos traz coisas assim:
Um blog de ultradireita desses que beiram a criminalidade usou o tal comentário desse demente (Luiz Carlos Prates) correlato à questão energia elétrica a fim de produzir uma das farsas mais absurdas e burras que já se viu e que passo a relatar agora.
O tal blog acusa a presidente Dilma de mentir à população sobre a razão da medida que reduzirá as contas de luz. Diz que a redução anunciada se daria por conta de processo no Tribunal de Contas da União (TCU) que detectou erro de cálculo nos reajustes das tarifas de energia elétrica que, entre 2002 e 2009, surrupiou 7 bilhões de reais ao público.
Em primeiro lugar, “o tal blog ultradireitista que beira a criminalidade” não afirmou que Dilma (sic) reduzirá a conta de energia elétrica POR determinação do TCU. O que AFIRMAMOS foi que Dilma fez o povo de otário, trouxa, ao anunciar uma redução nas tarifas de energia como um benefício, mesmo sabendo que, por 8 ANOS, TODOS OS CONSUMIDORES PAGARAM UM VALOR A MAIS PELA CONTA DE ENERGIA ELÉTRICA.
Mas o mais interessante está por vir:
O processo no TCU é verdadeiro. Cogita-se, realmente, devolver ao distinto público o que pagou a mais na conta de luz. Todavia, é uma deslavada mentira que a redução de tarifas anunciada por Dilma tenha qualquer relação com esse caso.
Entenderam? Nem o blogueiro governista (e nem ninguém, diga-se) é capaz de desmentir o parecer do TCU. Em outras palavras, mesmo aqueles que ficaram indignados com o conteúdo de nosso vídeo negam que houve cobrança indevida ao longo dos 8 anos de governo Lula. A única alegação que conseguiram até agora foi a de que o desconto anunciado pela presidente não estaria relacionado ao parecer do TCU. O que ninguém explica é quando, como e SE virão novos descontos.
Anunciar uma redução na tarifa de energia, quando se tem a informação de que durante 8 anos todos os consumidores sofreram perdas por erro do próprio governo é, no mínimo, apostar na desinformação e tratar o povo como trouxa.
A menos que algum representante do governo venha a público anunciar a reposição de perdas ocasionadas pelo erro da ANEEL durante todo esse período, e se proponha a conceder um novo desconto além do que foi anunciado, Dilma jamais poderia apresentar a redução como um pacote de bondades do governo. Do jeito que está, isso é no máximo uma compensação de prejuízo, não um “presente” fruto da “competência” gerencial do governo.
Implicante publicou algo óbvio: foram cobrados INDEVIDAMENTE R$ 7 bilhões nas contas de luz e, por conta disso, o valor seria devolvido em forma de “redução da conta”. Dilma, um mês depois desse relatório do TCU, apressou-se ao julgamento final e concedeu um “desconto”, sem mencionar a cobrança indevida ocorrida durante 8 anos. Denunciamos, mostramos a farsa. E, claro, blogs governistas tentaram dizer que era papo furado.
 Atualização importante: Neste exato momento, o vídeo que gerou desconforto nas hostes progressistas já foi visto mais de 800 mil vezes. Agradecemos a todos que compartilharam. Aguardamos a resposta do governo.

Até que enfim uma invasão em área improdutiva...,


Que é isso companheiro, abandonar os amigos na hora do perigo?


Lula fica 'chateado' com invasão de instituto e muda agenda de trabalho

Segundo o diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, Lula iria para ao escritório nesta quarta-feira, mas após invasão decidiu viajar para lugar não divulgado

Agência Estado 

O diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, se reuniu nesta quarta-feira (23) com os invasores da entidade e disse aos jornalistas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "chateado" com a ação dos sem-terra . "Relatei o movimento e ele ficou chateado porque o pessoal invadiu e ele teve de mudar a agenda, mas faz parte", disse Okamotto. Segundo ele, Lula iria para ao escritório nesta quarta-feira, mas decidiu viajar para lugar não divulgado.

Agência Brasil
Cerca de 50 integrantes do Assentamento Milton Santos, que fica na cidade de Americana, ocupam a sede do Instituto Lula, na zona sul da capital paulista

Okamotto ressaltou que o grupo tem a solidariedade do ex-presidente, mas que ele, Okamotto, não concorda com o método dos invasores. "Eles têm a solidariedade do presidente Lula para resolver o problema do assentamento e de todos nós. O que eu não posso concordar é com os métodos que eles estão usando. Eu acho que é inadequado, não pediram sequer uma audiência. Nunca pediRam apoio", reclamou o diretor-presidente do Instituto Lula.
Okamotto afirmou ainda que tudo o que a entidade poderia fazer pelos invasores, além de oferecer "café e água", já foi feito. "Mais do que isso é dizer que o movimento deles está certo, mas que a forma não me parece muito correta."
Ele transmitiu aos sem-terra a disposição da presidência do Incra em recebê-los, desde que eles deixem o Instituto Lula e a sede do Incra em São Paulo. "Por enquanto, estão como nossos convidados aí, mas não podem ser convidados eternos, têm de achar uma solução", disse o diretor-presidente descartando uma medida judicial para a retirada dos invasores neste momento. "A partir de agora é a relação deles com o governo. O nosso papel é só levar os fatos que ocorreram para ver se as autoridades tomam alguma providência", completou.
De acordo com Okamotto, que teve o consentimento dos invasores para entrar no prédio, as instalações estão preservadas. Com essa ação, ele já avisou que pretende mudar os procedimentos de segurança do Instituto Lula para evitar ações semelhantes. "Certamente algumas rotinas terão de ser alteradas."

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ERRADICAR A MISÉRIA


ALMIR PAZZIANOTTO PINTO

Nada tão simples de prometer, e tão difícil de realizar, quanto a erradicação da miséria.
Desde sempre ouço, da boca de notórios corruptos e inconsequentes demagogos, que em seu governo a pobreza será extirpada, a desigualdade de rendas desaparecerá, todos, indistintamente, terão direito à saúde, à educação, ao trabalho, à segurança, como falsamente promete a Constituição de 1988.
A revista VEJA , na edição de 22 de janeiro de 2002, trouxe, como matéria de capa, a denúncia: “Miséria ─ O Grande Desafio do Brasil”, tendo, como subtítulo a frase “A pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros é uma tragédia que não pode ser mais ignorada”. Assinada por Ricardo Mendonça, a reportagem veio ilustrada com fotografias em branco e preto de Pedro Martinelli.
É válido perguntar o que teria ocorrido, passados dez anos, com as crianças fotografadas. Os governos que se sucederam tomaram conhecimento de que existiam, se sensibilizado, e adotado providências destinadas a lhes proporcionar vida minimamente digna e decente? Certamente não. De qualquer forma, seria interessante procurá-las e investigar o que aconteceu, mas não só com elas, também com milhões de outras em condições semelhantes.
O governo Lula, sob a inspiração do Ministro Patrus Ananias, lançou o programa “bolsa-família”, como instrumento de combate à miséria. Os resultados permanecem questionados, sobretudo porque não se cuidou da colocação dos supostos favorecidos no mercado de trabalho, ao qual não têm acesso, nos estados mais pobres por falta de desenvolvimento, nos desenvolvidos pela ausência de qualificação
Desde meu retorno de Brasília a São Paulo, também no início de 2002, transito diariamente pela antiga av. das Águas Espraiadas, hoje Jornalista Roberto Marinho. Até há pouco tempo imensa favela se estendia da Av. Washington Luiz, após o aeroporto de Congonhas, até a Av. Engenheiro Luiz Carlos Berrini. Aos poucos muitos barracos cederam lugar a grandes edifícios, não obstante permaneçam ainda dezenas, habitados por famílias cujo nível de pobreza é desnecessário descrever. Trata-se de uma entre centenas de favelas da capital mais próspera do País, conhecidas como focos de violência, sob controle de traficantes, usuários de drogas e assaltantes, em convívio diário com famílias trabalhadoras.
Ao ver uma criança nos braços da mãe, brincando na calçada, ou à caminho da escola pública, fico a me perguntar o que teria acontecido com aquelas que há dez anos eu observava nas mesmas condições de carência. Conseguiram, com o precário apoio dos pais, se alfabetizar e continuar estudando na busca de espaço dentro de sociedade competitiva, cujos melhores posições estão reservadas às famílias de elevado poder aquisitivo? Ao chegarem à adolescência resistiram às pressões do narcotráfico, e não se tornaram usuários de drogas, prostitutas, quadrilheiros, delinqüentes juvenis caçados pela polícia?
A presidente Dilma teria prometido que seu governo erradicaria a miséria. Já entrada na segunda metade do mandato, quais os resultados alcançados? Pelo visto, permanecemos como em 2002, quando o PT chegou ao poder.
A cracolândia paulistana é documento inquestionável do malogro federal, estadual, e municipal, no combate ao tráfico, à marginalidade e à indigência em que permanecem milhões de brasileiros. Se a inépcia das três instâncias de governo não consegue vencer o desafio de recuperar algumas centenas de seres humanos, abandonados à própria sorte no centro de São Paulo, como acreditar, então, nas promessas de extermínio da miséria ao longo do imenso território nacional?
Corrupção e miséria são faces da mesma moeda. Aos corruptos não convém que o povo seja politizado e criterioso na escolha dos homens públicos porque, se e quando isso acontecer, perderão o controle que detém sobre o eleitorado.
O uso do voto como mercadoria de troca, por dinheiro, promessa de emprego, ou qualquer outro hipotético benefício, é comum entre os necessitados. Descrentes dos candidatos, ignorados pelos governantes, e sem perspectivas futuras, não vacilam em permutá-lo por algo que lhe sugira vantagem imediata ou imaginária.
Faço votos de que a presidente Dilma mantenha o propósito de liquidar a miséria. Restam-lhe, porém, brevíssimos dois anos para oferecer à Nação os primeiros resultados. Poderá começar pelo entorno de Brasília.

Abre-te Sésamo!


PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN


Renan Calheiros e Henrique Alves
CARLOS BRICKMANN
Pode ficar escandalizado desde já: na semana que vem, o senador Renan Calheiros deve ser eleito presidente do Senado (e, portanto, presidente do Congresso). Continue escandalizado: a menos que aconteça algo totalmente inesperado, o deputado Henrique Alves será eleito presidente da Câmara (e, portanto, o segundo na linha sucessória da Presidência da República, atrás apenas do vice-presidente Michel Temer). Aliás, se por qualquer motivo Alves não puder substituir a presidente da República, o próximo na linha sucessória será Renan.
Pode deixar de escandalizar-se. Renan e Henrique Alves, ambos do PMDB, são amplamente conhecidos pelos eleitores. Renan já teve de renunciar à Presidência do Senado, para não ser cassado, quando alguns dos assuntos que julgava particulares foram trazidos a público. Henrique Alves brigou com a própria irmã gêmea, Ana Catarina, por disputa de poder político; brigou com a ex-esposa, Mônica Azambuja, pela partilha de bens depois do divórcio (ela o acusou de subestimar o patrimônio do casal e de ter remetido irregularmente muito dinheiro ao Exterior). No caso dele, tudo já está certo: esta sua ex-esposa ─ bem como o filho de Henrique Alves ─ estão bem empregados em Brasília, na Conab, Cia. Nacional de Abastecimento, velho feudo do partido de ambos, o PMDB.
Nada disso é secreto; e, nas campanhas eleitorais, foi levantado por seus adversários. Mesmo assim, ambos foram eleitos. Então, caro eleitor, assuma a culpa: eles não chegaram lá sozinhos.
Jamais teriam êxito sem seu precioso voto.
Perguntas sem resposta
1 – Por que senadores e deputados (estaduais e federais) precisam de um carro à disposição, mais motoristas, com gasolina e manutenção por nossa conta?
2 – Imaginando que precisassem, por que a concorrência foi especificada de tal maneira que só dois modelos de automóveis podem concorrer?
3 – Por que magistrados precisam de carro oficial? Nos Estados Unidos, só o presidente da Suprema Corte tem direito a carro oficial.
4 – O prefeito de Atibaia, bela cidade de 130 mil habitantes perto de São Paulo, deve precisar de carro oficial, pois tem de viajar muito à Capital. Mas precisa de um Ford Edge importado do Canadá, de mais de R$ 130 mil? Da mesma marca, um Ford EcoSport, que custa a metade, não resolveria o problema?
5 – Pouca coisa? Some o número de parlamentares, magistrados, prefeitos, multiplique pelo preço dos carros, mais motoristas, mais despesas. É por essas e outras que o dinheiro para atividades essenciais acaba ficando curtinho.
 Me dá um dinheiro aí
Vereadores e prefeitos andaram promovendo fartos aumentos de salários nessas últimas semanas, pouco se importando com o atendimento das necessidades da população (as cidades serranas do Rio, por exemplo, continuam em ruínas desde as chuvas do ano passado, mas Suas Excelências tiveram bons aumentos).
Até aí, neste país, tudo normal. Mas o prefeito de Nova Iguaçu, RJ, o peemedebista Nelson Bornier, tripudia sobre o cidadão. Seu reajuste foi de 102,1% (algo que o caro leitor dificilmente terá obtido), e ainda disse que este tsunâmico aumento “é digno”. Completando: “É mais do que justo para quem quer fazer trabalho sério e honesto, principalmente no momento em que há gente que vive de corrupção”.
Ou seja, o corrupto só é corrupto porque ganha pouco. Marcos Valério, pobre moço, se ganhasse melhor não estaria entre os mensaleiros.