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sábado, 31 de maio de 2014

O mais fantástico dos séculos

Do blog do Augusto NunesO mais fantástico dos séculos

Nesta semana, a coluna convida os leitores para uma viagem por imagens que mostram por que o século XX foi o mais fantástico — e o mais bizarro — da história da Humanidade. Do “homem-despertador” às máquinas de uísque, passando pelas televisões em formato de óculos, não perca esse mergulho no passado que tem muito a dizer sobre o presente — e sobre o futuro.
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O primeiro “selfie” da história (1839)
Pessoas posando com a Estátua da Liberdade, antes da construção
Visita à Estátua da Liberdade em construção
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“Mulher-mostruário” (1900)
Homem-despertador, contratado para acordar as pessoas batendo nas janelas (1900)
Homem-despertador, contratado para acordar clientes batendo nas janelas (1900)
Moto Harley Davidson usada pela polícia para transportar criminosos
Moto Harley-Davidson usada pela polícia para transportar criminosos
Fiscal medindo o comprimento do traje de banho das mulheres (1929)
Fiscal mede o comprimento do traje de banho das mulheres (1920)
Tirolesa urbana (1923)
Tirolesa urbana (1923)
Manifestação comunista que usava como símbolo um porco gigante (1920)
Manifestação comunista que usava como símbolo um porco gigante (1920)
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Máscara de natação desenvolvida para proteger a pele dos raios solares (1920)
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Funcionário de um zoológico dá um banho de regador num pinguim (1930)
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Boias concebidas para tornar a natação mais segura (1931)
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Método usado por fabricantes para mostrar que o ônibus de dois andares era seguro 1933)
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A extravagante Zorita e sua serpente de estimação (1930)
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Compartimentos para garantir aos bebês ar fresco e banho de sol (1930)
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Um tataravô do GPS
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Máscaras de gás para bebês (1940)
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Soldados de partida para a Segunda Guerra Mundial
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Um trem que colidiu com um muro depois de descarrilar (1948)
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Máquina de uísque com gelo (1950)
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A ganhadora do concurso de Miss Bomba Atômica (1950)
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Jovens namorando na praia (1953)
Mulheres afegãs em uma biblioteca pública antes da tomada de poder pelos islamitas
Mulheres afegãs em uma biblioteca pública antes da tomada de poder pelos islamitas (1950)
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Uma festa da alta sociedade (1950)
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Uma mulher leva sua lagosta de estimação para passear
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As televisões em formato de óculos que nunca chegaram a fazer sucesso
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Um garoto escuta o discurso “I have a dream” (Eu tenho um sonho), de Martin Luther King (1963)
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O sargento Edgar Bradsoe leva um bebê vietnamita para a enfermaria (1963)
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Um homem acende o cigarro de uma mulher por uma fresta do Muro de Berlin (1989)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O Analista de Bagé

Luis Fernando Verissimo

Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.

— O senhor quer que eu deite logo no divã?

— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.

— Certo, certo. Eu...

— Aceita um mate?

— Um quê? Ah, não. Obrigado.

— Pos desembucha.

— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?

— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.

— Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe

— Outro.

— Outro?

— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.

— E o senhor acha...

— Eu acho uma pôca vergonha.

— Mas...

— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

Brasil da Copa das Copas, das copas, das copas..., visto que custou mais do que as últimas três..., ACORDA BRASIL!!!

30/05/2014
 às 6:05

REFAÇO O CONVITE: Vamos fugir! Deixemos o Brasil para os peles vermelhas de Carvalho, os peles verdes da Marina e os padres de tacape. Que as vastas solidões de Banânia se inundem de sapos, pererecas e ongueiros comendo larva de mosca

Pois é, pois é… José Eduardo Cardozo recebeu as lideranças indígenas um dia depois de um policial militar ter sido ferido por um flechada num dos infindáveis protestos dos silvícolas que tomam conta da Esplanada dos Ministérios. Pois é… Daqui a pouco, nesse processo regressivo que toma conta do Brasil, sob o comando da presidente Dilma Rousseff, os caetés ainda pedirão um novo bispo para deglutir, reavivando o sabor da carne certamente já tenra do bispo Sardinha. Não lhe bastou um naufrágio na costa de Alagoas em 1556, ainda teve de topar com “os verdadeiros donos do Brasil” cheios de fome… Desta feita, sugiro Gilberto Carvalho com batatas coradas.
Sim, senhores! Cardozo, aquele que garantiu que o Brasil é um país seguro para os estrangeiros — os 56 mil brasileiros assassinados em 2012 que se danem! — seguiu o padrão deste governo: bata, faça escarcéu, arranque sangue, mande a lei às favas e seja recebido pelo governo, com o tapete vermelho estendido.
O ministro recebeu uma comissão de 18 indígenas, entre eles, informa a Folha, o cacique Uilton Tuxá, da Bahia, que classificou o encontro como “o pior” de que já participou. “Ele [Cardozo] disse que não vai assinar nada. Que vai insistir na tentativa de construir mesas de diálogo”. Um dos silvícolas ameaçou: “Por culpa dele, muitos fazendeiros vão morrer”. Índios amarrados ao mastro da bandeira se soltaram e tingiram “o símbolo augusto da paz” de vermelho, o que significa, no simbolismo dos povos primitivos da floresta, uma “declaração de guerra”. Então vou de outro índio: “Ai, que preguiça!”.
Números
Querem números? Eu dou. Há 359 territórios indígenas completamente definidos no país, e outros 45 já foram homologados pela Presidência. Estão em discussão mais 212 áreas. Paramos por aí? Não! Há mais 339 pedidos de demarcação. Veja bem, leitor amigo: aquelas 359 áreas já resolvidas correspondem a 13% do território brasileiro. Caso se façam todas as vontades, a elas se acrescentariam, por enquanto, outras… 596!!! Depois falta resolver o problema dos quilombolas… De novo: o Brasil já destina hoje aos pouco mais de 500 mil índios que moram em reservas (de um total de pouco mais de 800 mil) uma área correspondente a 26,6 Holandas, 11 Portugais ou duas Franças.
O governo do PT reencruou a questão indígena, especialmente na gestão Dilma Rousseff. O encarregado da área é Gilberto Carvalho, o secretário-geral da Presidência. Seu braço-direito é um tal Paulo Maldos. Eles é que incendeiam as aldeias com a sua “política”. Esses dois respondem pela destruição de uma vila chamada Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. A turma de Carvalho e Maldos destruiu um povoado de quatro mil pessoas. É que ficou decidido que ela estava no meio da reserva Suaiá-Missú, dos xavantes. Nada ficou de pé. Nem a escola. Só restou uma igrejinha em meio a escombros. Se vocês querem saber do que é capaz a política humanista de Carvalho, vejam este filme.
Refaço o convite
Refaço um convite que já fiz aqui há quase um ano, no dia 1º de junho de 2013, relembrando, antes, mais um número.
Descontadas as áreas de preservação permanente — sim, também será preciso contemplar a fúria demarcatória dos ambientalistas —, toda a pecuária e toda a agricultura brasileira são produzidas em 27,5% do território brasileiro — pouco mais do dobro do que se destina hoje às reservas indígenas, onde não se produz um pé de mandioca. Quem frequenta praias do Litoral Norte, em São Paulo, passa à beira de uma reserva indígena, às margens da rodovia Rio-Santos. Os guerreiros estão com suas barraquinhas armadas à beira da estrada, vendendo palmito, ilegalmente extraído, e bromélias… É o que a Funai entende por preservação dos povos tradicionais…
Vamos fechar Banânia! Os brancos voltamos para a Europa; os amarelos, para a Ásia, os negros, para a África. Os mestiços podem tentar negociar — talvez servir de mão de obra escrava aos “racialmente puros”, sei lá… Vamos devolver o Brasil aos índios, deixando as vastas solidões para os 800 mil indígenas e para os sapos, as pererecas e os bagres da Marina Silva. A propósito: por que os ambientalistas fazem questão de ignorar a óbvia degradação do meio ambiente nas reservas indígenas? Já sei: ambientalista bom é aquele que briga com o agronegócio — ou não aparece nenhuma ONG estrangeira, geralmente ligada a produtores rurais americanos ou europeus, para financiá-los, né? Como, em regra, os índios não produzem nada e não precisam competir com ninguém — vivem de cesta básica, Bolsa Família e extração ilegal de madeira e minérios —, por que mexer com eles?
Chega de Banânia! Vamos embora deste lugar, gente! Não é que não haja por aqui um povo empreendedor. Mas é chato esse negócio de tentar produzir comida tendo de enfrentar os peles-verdes, os peles-vermelhas e os caras de pau.
Texto publicador originalmente às 22h10 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/refaco-o-convite-vamos-fugir-deixemos-o-brasil-para-os-peles-vermelhas-de-carvalho-os-peles-verdes-da-marina-e-os-padres-de-tacape-que-as-vastas-solidoes-de-banania-se-inundem-de-sapos-pererecas/

Visitem a página: http://www.imigrantesitalianos.com.br/

"Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? 
é a massa dos infelizes? 
Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. 
Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. 
Criamos animais, mas não comemos a carne. 
Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? 
Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?" 
(resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa)
Visitem a página:
http://www.imigrantesitalianos.com.br/
O objetivo deste trabalho é apresentar a você  muitos sobrenomes de imigrantes italianos, com as respectivas origens, entre os quais, com alguma sorte, poderá encontrar os de seus ancestrais.
Caso não os encontre desde logo, não desanime. A Internet tem facilitado muito a troca de informações e aqui serão acrescentadas todas as que meus preciosos amigos internautas têm "garimpado" e me indicado.Caso seu objetivo seja o reconhecimento da cidadania italiana, veja AQUI como a Itália tem negado esse direito e como você pode ajudar se conscientizando do problema e protestando.

Antes de navegar por esta página, no entanto, saiba, prezado visitante, que o processo de reconhecimento da cidadania italiana está atualmente demorando algumas décadas, sobretudo no Consulado italiano de São Paulo.
Se quiser juntar-se ao protesto organizado por iniciativa dos presidentes dos COMITES e dos membros do C.G.I.E. do Brasil entre, por favor, no seguinte endereçohttp://www.petitiononline.com/sal5255/petition.html
e clique no "Sign the Petition" (assinar a petição);
na página que se abrirá, coloque seu nome, e-mail e faça qualquer comentário, 
que pode ser "eu concordo"
Precisamos mostrar aos políticos italianos que somos muitos e muito unidos na
defesa de nossos direitos.
Habemus legem! Enquanto não mudada, a Lei tem que ser cumprida!
Para saber mais sobre a odiosa burocracia, via da qual a Itália nos está impedindo o reconhecimento da cidadania, acesse o seguinte endereço
CIDADANIA ITALIANA
Ainda que o objetivo primeiro de suas pesquisas seja a obtenção do passaporte europeu, não se esqueça de preservar e reverenciar a memória dessa "brava gente" que tanto ajudou na construção do Brasil.
Lembrando que o caminho da genealogia italiana é quase sempre longo e espinhoso, enquanto a pesquisa for se desenrolando aproveite para conhecer, nos muitos endereços aqui reunidos, um pouco da Itália: sua história, sua língua, sua gente, seus artistas, escritores, suas igrejas, suas cidades e tantas outras curiosidades que falam tão de perto à nossa alma ítalo-brasileira.
Embora tenha imaginado esta página como um grande "almanaque", há uma seqüência mais ou menos lógica dos endereços, que estão agrupados por assunto segundo a ordem de maior procura.
http://www.imigrantesitalianos.com.br/

Lula, além da cidadania italiana que possui, parece que gosta de fazer negócios com os italianos, nesse lado o admiro, vai logo ao chefe dos chefes, não faz negócio com pelêgo...,

Nome de Lula aparece no caso Berlusconi

Na carta em que extorquia o ex-premiê italiano, o jornalista Valter Lavitola, hoje preso, diz que Lula o ajudou num polêmico negócio de madeiras na Amazônia. Justiça da Itália já ouviu Pizzolato

Janaina Cesar, de Nápoles e Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br), de Brasília
No fim de abril, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, recebeu em sua cela na penitenciária de Sant’Anna, em Modena, a visita do procurador italiano Vicenzo Piscitelli. O integrante do MP italiano estava acompanhado de três policiais. O encontro alimentou especulações de que Pizzolato estaria envolvido na investigação conduzida por Piscitelli sobre o rumoroso caso do jornalista Valter Lavitola, ex-diretor do diário “Avanti” preso por extorsão contra o ex-premiê Silvio Berlusconi e que responde a processo também por lavagem de dinheiro e corrupção internacional. Pizzolato, porém, não foi interrogado na condição de suspeito ou de testemunha, mas como colaborador. O procurador queria sua ajuda para esclarecer um trecho até hoje misterioso da carta em que Lavitola cobra de Berlusconi ajuda financeira. Em três das 25 páginas do documento, obtido por ISTOÉ, o jornalista italiano fala que recorreu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conseguir vender uma área de manejo florestal que tinha na Amazônia. Nas palavras de Lavitola, Lula “provou ser um verdadeiro amigo”.
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TRANSAÇÃO
Em carta encaminhada ao premiê Silvio Berlusconi, em dezembro de 2011,
Valter Lavitola afirma que recorreu a Lula para negociar área de manejo florestal na Amazônia.
"Ele conseguiu que a direção da empresa compradora fizesse um acordo comigo."
A carta escrita por Lavitola foi encontrada no computador do ítalo-argentino Carmelo Pintabona, amigo e um dos homens de confiança do jornalista condenado. Pintabona, então presidente da Federação das Associações Sicilianas da América do Sul, foi preso em 3 de agosto de 2012, em Palermo. Ele foi indiciado no mesmo processo de extorsão, mas acabou inocentado e ganhou a liberdade em março do ano passado. No depoimento que deu ao MP napolitano, Pintabona disse que Lavitola “conhecia bem Lula”, de quem falava com frequência e confirmou a existência da concessão na Amazônia. “Foi o próprio Lavitola que me disse para explicar o porquê do pedido de dinheiro a Berlusconi, pois existia o risco de perder a concessão”, disse o empresário. Na carta, Lavitola dá instruções ao ex-premiê para que pagasse US$ 900 mil a uma empresa chinesa que teria sido responsável pelo plano de manejo florestal. Outros 5 milhões de euros (US$ 7 milhões) também seriam necessários para bancar um escritório de advocacia que cuidaria da arbitragem do negócio.
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Até decidir se entregar em 16 de abril de 2012, Lavitola permaneceu foragido por oito meses. Segundo Lavitola, naquele momento ninguém queria se envolver em negócios com seu nome, por conta do processo na Itália. Na carta, ele fala que recorreu anteriormente a Lula, o qual se mostrou um verdadeiro amigo, mas que naquele momento, em dezembro de 2011, quando escreveu a carta, já não poderia mais contar com ele. “Infelizmente o presidente Lula (que está provando ser um verdadeiro amigo) já não pode fazer muito. Ele conseguiu que a direção da empresa compradora, por meio de uma sentença (obviamente acordada) de um tribunal de arbitragem, fizesse um acordo comigo”, escreveu. Em seguida, avalia que os compradores da área “deveriam aceitar” uma procuração em seu nome para tocar o negócio, enquanto estivesse impedido “por questões alheias” a sua vontade.
O caso intriga os procuradores. Eles pediram ajuda a Pizzolato na expectativa de que novas informações pudessem contribuir para elucidar o caso. “Do que é citado na carta, tudo o que apuramos até agora mostrou ter fundamento”, diz uma fonte do MP. Quando Pizzolato foi preso em Modena, a Procuradoria Antimáfia cruzou as informações da carta com outros dados e decidiu interrogá-lo, considerando sua filiação ao PT e a amizade com Lula. Mas o ex-diretor do BB preferiu não abrir a boca. Procurado por ISTOÉ, Lula informou por meio da assessoria que “nunca ouviu falar de Valter Lavitola ou dos outros assuntos perguntados”. “Vale lembrar que em dezembro de 2011 o ex-presidente estava em tratamento quimioterápico contra o câncer”, disse, em nota.
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MISTÉRIO
A carta escrita por Valter Lavitola (foto) em que Lula é citado foi encontrada
no computador do ítalo-argentino Carmelo Pintabona, amigo e um dos
homens de confiança do jornalista, que também responde  a processo
por lavagem de dinheiro e corrupção internacional
No ano passado, o Ministério Público brasileiro e a Polícia Federal entraram no caso, acionados por carta rogatória a pedido da Procuradoria italiana que atua no Tribunal de Nápoles. No processo em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), obtido por ISTOÉ, os procuradores pedem a quebra do sigilo telefônico e bancário de Lavitola, a identificação de propriedades em seu nome, além de busca e apreensão em diversos endereços. Também solicitam a notificação e o interrogatório de pessoas que seriam “laranjas” do jornalista italiano em uma complexa rede de empresas de fachada. São eles: Alexander Heródoto Campos, Danielle Aline Louzada e Neire Cássia Pepe Gomes.
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ELUCIDAÇÃO
No fim de abril, o procurador italiano Vicenzo Piscitelli procurou
Henrique Pizzolato, em sua cela da penitenciária de Sant'Anna,
em Modena, para tentar esclarecer menção a Lula
Até agora, o Ministério Público brasileiro não conseguiu localizar Neire e Danielle. Heródoto deve ser ouvido em breve. Em depoimento às autoridades italianas, em 2012, Heródoto revelou que, além da concessão de exploração de madeira, Lavitola tinha uma companhia aduaneira, uma imobiliária e duas empresas de exportação de pescado. Os investigadores suspeitam que as empresas teriam sido usadas para lavagem de dinheiro. A “Pesqueira Barra de São João”, além da “Immobiliare Italiana” e da madeireira “Maremma”, ambas situadas em Roma, pertenceriam ao conglomerado econômico “Bonaventura Group”, com sede em Miami e controlado por Lavitola. Depois que o jornalista italiano foi preso, Heródoto usou documentação falsa para tentar reivindicar a titularidade do Bonaventura. Ele diz que havia acertado a compra do negócio por US$ 5,6 milhões e que Lavitola lhe devia US$ 800 mil. No depoimento, Heródoto acrescentou que, em 2009, encontrou Lavitola numa feira de empresários em São Paulo. Ele estava com Berlusconi. “Fui apresentado a ele. Berlusconi fora convidado como presidente do conselho e estava em companhia de Lula, nosso presidente naquela época”, lembra. De acordo com a investigação, Lavitola, em 2004, vendeu 50% da Maremma para a Wilmar Company, gigante asiático do setor madeireiro.
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SILENCIOU
Condenado no processo do mensalão, Henrique Pizzolato
evitou incriminar Lula. Questionado, nada falou sobre
a suposta ligação entre Lula e Valter Lavitola

Festa na Papuda

Papuda:  enfesta
Papuda: em festa
Mesmo sem champagne, taça de cristal ou repastos inesquecíveis, ontem foi dia de festa na Papuda. Entre os advogados dos mensaleiros, a comemoração foi como deve ser feita: com tudo a que têm direito.
Por Lauro Jardim

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dilma decidiu extinguir a democracia por decreto. É golpe!

Dilma decidiu extinguir a democracia por decreto. É golpe!

Atenção, leitores!

Seus direitos, neste exato momento, estão sendo roubados, solapados, diminuídos. A menos que você seja um membro do MTST, do MST, de uma dessas siglas que optaram pela truculência como forma de expressão política.
De mansinho, o PT e a presidente Dilma Rousseff resolveram instalar no país a ditadura petista por decreto. Leiam o conteúdo do decreto 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria uma tal “Política Nacional de Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação Social”. O Estadão escreve nesta quinta um excelente editorial a respeito. Trata-se de um texto escandalosamente inconstitucional, que afronta o fundamento da igualdade perante a lei, que fere o princípio da representação democrática e cria uma categoria de aristocratas com poderes acima dos outros cidadãos: a dos membros de “movimentos sociais”.
O que faz o decreto da digníssima presidente? Em primeiro lugar, define o que é “sociedade civil” em vários incisos do Artigo 2º. Logo o inciso I é uma graça, a saber: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.
Pronto! Cabe qualquer coisa aí. Afinal, convenham: tudo aquilo que não é institucional é, por natureza, não institucional. Em seguida, o texto da Soberana estabelece que “todos os órgãos da administração pública direta ou indireta” contarão, em seus conselhos, com representantes dessa tal sociedade civil — que, como já vimos, será tudo aquilo que o governo de turno decidir que é… sociedade civil
Todos os órgãos da gestão pública, incluindo agências reguladoras, por exemplo, estariam submetidos aos tais movimentos sociais — que, de resto, sabemos, são controlados pelo PT. Ao estabelecer em lei a sua participação na administração pública, os petistas querem se eternizar no poder, ganhem ou percam as eleições.
Isso que a presidente está chamando de “sistema de participação” é, na verdade, um sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de brasileiros: os que têm direito de participar da vida púbica e os que não têm. Alguém dirá: “Ora, basta integrar um movimento social”. Mas isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido político.
A Constituição brasileira assegura o direito à livre manifestação e consagra a forma da democracia representativa: por meio de eleições livres, que escolhem o Parlamento. O que Dilma está fazendo, por decreto, é criar uma outra categoria de representação, que não passa pelo processo eletivo. Trata-se de uma iniciativa que busca corroer por dentro o regime democrático.
O PT está tentando consolidar um comissariado à moda soviética. Trata-se de um golpe institucional. Será um escândalo se a Ordem dos Advogados do Brasil não recorrer ao Supremo contra essa excrescência. Com esse decreto, os petistas querem, finalmente, tornar obsoletas as eleições. O texto segue o melhor padrão da ditadura venezuelana e das protoditaduras de Bolívia, Equador e Nicarágua. Afinal, na América Latina, hoje em dia, os golpes são dados pelas esquerdas, pela via aparentemente legal.
Inconformado com a democracia, o PT quer agora extingui-la por decreto.
 Por Reinaldo Azevedo

Bravata & Bazófia...,

Lula revela que só não foi Cabral porque nasceu no século 20. Sorte dele: já no dia do Descobrimento teria virado comida de índio

Até virar passarinho, Hugo Chávez se apresentou como a reencarnação de Simón Bolívar. Sem compromisso com qualquer tipo de fidelidade, Lula é mais versátil. Já foi Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas e Dom Pedro II. Na semana passada, a metamorfose delirante informou que apenas quatro séculos impediram que fosse também Pedro Álvares Cabral.
O vídeo de 16 segundos registra a novidade, revelada neste 16 de maio numa das escalas da caravana que zanza pelo interior paulista tentando engordar os raquíticos índices atribuídos ao candidato Alexandre Padilha por todos os institutos de pesquisa. No meio do falatório, o palanque ambulante se dirige a um certo Hamilton para lembrar que “eles ficam muito nervosos”.
Sem esclarecer quem são “eles” nem explicar as razões do nervosismo, decola rumo a 1500. “Ficam dizendo que o Lula pensa que é ele que descobriu o Brasil. Se eu existisse na época eu teria descoberto mesmo. É que eu não existia”, delira o recordista mundial de bravata & bazófia sob risos e aplausos da plateia amestrada.
Sorte dele. Se Lula estivesse no lugar de Cabral, não haveria uma Primeira Missa, mas um Primeiro Comício de curtíssima duração. Mesmo sem saber o que dizia aquela figura estranha, os donos da terra logo entenderiam que era tudo vigarice. A troca de espelhinhos por pedras preciosas comprova que eram tão ingênuos quanto os milhões de modernos primitivos que mantêm o PT no poder. Mas não sofriam de abulia paralisante que grassa no Brasil do século 21. E achavam que tapeação tem limite.
Depois de cinco minutos de discurseira insuportável, até uma tribo de vegetarianos estaria transformada num bando de antropófagos ansiosos pelo começo do banquete. E já no dia 22 de abril de 1500 o descobridor do Brasil viraria comida de índio.

"As ocasiões fazem as revoluções."

"Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies."
*Machado Assis

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A arte de contar histórias

Imagens em Movimento: Ruth Guimarães Botelho, uma mestra na arte de contar histórias

Foto: Rita Elisa Seda
Foto: Rita Elisa Seda
SYLVIO DO AMARAL ROCHA
Em noites de tempestade, daquelas bem barulhentas, é que nasce o Sacy. Ele é chocado por sete anos dentro dos gomos do taquaruçu e fica setenta e sete anos no mundo. O Sacy não morre, vira orelha de pau, aquele fungo que cresce nos troncos das árvores.
No dia 21 de maio de 2014 as madeiras do vale do Paraíba se encheram de orelhas de pau. Ruth Guimarães Botelho morreu — ou se encantou, como costumava dizer.
Professora, tradutora, escritora, pesquisadora e contadora de causos, Ruth — ou melhor, dona Ruth — ensinou para muitos a arte de contar histórias. Falava com propriedade, fazia pausas em momentos perfeitos e compunha a narrativa com seu corpo inteiro. Depois de escrever Água FundaFilhos do Medo e tantos outros livros, chegou a vez Calidoscópio – A Saga de Pedro Malazarte, no qual estão 130 histórias do anti-herói pesquisadas durante 10 anos.
Tinha uma receita infalível de como colher bons causos. “Não chegue pedindo para que te contem uma história”, dizia. “Conte uma primeiro. Os que pensarem que você é louco, irão embora. Os que têm histórias para contar, vão se aproximar e dividi-las com você”.
Formada em letras clássicas pela USP nos anos 40, conviveu com Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Antonio Candido, Silveira Bueno e José Paulo Paes. Teve Roger Bastide como orientador e, em 2008, passou a ocupar a cadeira número 22 da Academia Paulista de Letras.
Muito conhecida no Vale do Paraíba, são poucos os que a “descobriram” na capital. Uma pena. Alguém como ela tem a capacidade de melhorar os que estão ao seu redor. Com uma generosidade ímpar, doava seu conhecimento e seu tempo para compartilhar e difundir a cultura nacional.
No Brasil, professor é maltratado e, caipira, tido como bobo. Dona Ruth se apresentava como professora e caipira — e assim pedia para ser tratada. Tinha orgulho dos dois.
São raros os documentos em vídeo nos quais dona Ruth aparece. Umaentrevista ao Programa Todo Seu, de Ronnie Von, em 2011, alguns pequenos vídeos disponíveis no YouTube e o documentário Somos Todos Sacys, de 2005, que dirigi com Rudá K. de Andrade.
No filme, o depoimento de dona Ruth é o guia condutor, responsável por dar graça e profundidade ao mito. Vale a pena ver esta grande mulher fazendo o que sabia de melhor: contar histórias. Dona Ruth vai fazer muita falta.

‘Machado de Itararé, Barão de Assis’

Publicado no Globo desta quinta-feira
DEONÍSIO DA SILVA
Quando junho vier, antes de outubro chegar, milhões de leitores serão enganados por um falso Machado de Assis.
É que serão distribuídos seiscentos mil exemplares (600.000; você não leu errado!) de uma edição falsificada de “O alienista”, uma história de loucos, isto é, de médico e louco, dos quais todos nós temos um pouco, mas não na dose a ser administrada ao distinto público nas próximas semanas.
Machado de Assis foi o maior escritor brasileiro de todos os tempos. De seu livro roubado e mutilado foi produzida essa montanha de equívocos, com o seu, o meu, o nosso dinheiro, por meio de um recurso fabuloso, a renúncia fiscal, que, entretanto, tem resultado em projetos culturais tão louváveis, bonitos e importantes! Mas que vem se prestando também a algumas falcatruas.
A vida do Bruxo do Cosme Velho, como o chamou Carlos Drummond de Andrade, não foi fácil, mas, se ele vivesse no Brasil de hoje, seria ainda pior. Poucos entendem seus livros nos circuitos escolares, e a razão é muito simples. Basta olhar nossos indicadores de educação no mundo!
Mas o motivo é outro, segundo nos esclarece Patrícia Secco, a autora da “adaptação”.
“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”, profetizou o lendário humorista gaúcho Barão de Itararé. “Entendo por que os jovens não gostam de Machado de Assis”, disse Patrícia Secco ao jornalista Chico Felitti. “Os livros dele têm cinco ou seis palavras que não entendem por frase. As construções são muito longas. Eu simplifico isso.”
Escreve o jornalista: “Ela simplifica mesmo: Patrícia lançará em junho uma versão de ‘O alienista’, obra de Machado lançada em 1882, em que as frases estão mais diretas e palavras são trocadas por sinônimos mais comuns (um ‘sagacidade’ virou ‘esperteza’, por exemplo).” (…) “A ideia não é mudar o que ele disse, só tornar mais fácil.”
Machado era órfão de mãe (de pai é uma coisa, de mãe é outra, o abandono é ainda maior!), descendente de negros, pobre, gago, epiléptico, casou com uma solteirona portuguesa que tinha comido a merenda antes do recreio, e não tiveram filhos para não transmitir a ninguém o legado da doença. Mas deixou-nos uma obra imortal!
Mais que gênio, oxigênio de nossas letras, Machado venceu preconceitos de raça, de cor, de dinheiro, de tudo. Mas não passou pela senhora dona Patrícia Secco, em breve “coberta de ouro e prata (600.000 exemplares!)”, mas que “descubra seu rosto”, “queremos ver a sua cara”.
Augusto Meyer disse que “quase toda a obra de Machado de Assis é um pretexto para o improviso de borboleteios maliciosos, digressões e parênteses felizes”.
Araripe Júnior também foi outro que se enganou: “Filho das próprias obras, ele (Machado) não deve o que é, nem o nome que tem, senão ao trabalho e a uma contínua preocupação de cultura literária.”
Astrojildo Pereira enganou-se ainda mais: “Machado de Assis é o mais universal dos nossos escritores; (…) ele é também o mais nacional, o mais brasileiro de todos.”
O francês Roger Bastide, destacando a paisagem carioca que poucos viam em Machado, concluiu: “Escrevi estas páginas de protesto contra os críticos literários que lhe negam essa qualidade: humilde homenagem de um estrangeiro a um mestre da literatura universal.”
Paro por aqui. A senhora dona Patrícia Secco não tem o direito de fazer o que fez. A obra de Machado de Assis não é dela. É patrimônio do povo brasileiro.

terça-feira, 27 de maio de 2014

José Mujica, presidente do Uruguai

Acredite: o proprietário e motorista desse fusquinha é o presidente de um país — o Uruguai

O presidente do Uruguai, José Mujica, desce de seu Fusca, que vale mil dólares
Publicado originalmente em 18 de junho de 2012.
Amigos, diante de tantos exemplos de vidão à custa do dinheiro público que temos “neste país”, achei interessante o contraponto trazido pelo jornalista gaúcho Mario Marcos de Souza em seu blog, mostrando aquele que o jornal espanhol El Mundo considera “o presidente mais pobre do mundo” — José “Pepe” Mujica, chefe de governo do Uruguai desde março de 2010 e que permanecerá no poder até março de 2015.
Confiram. O título original é o que vai abaixo, os intertítulos e algumas considerações entre colchetes são de responsabilidade do blog:
Quem está a bordo deste fusquinha é o presidente de um país
Todos os dias ele embarca no seu Fusquinha azul de estimação, de 1.300 cilindradas (foto), e toma o rumo de seu pequeno sítio Rincón del Cerro, nos arredores de Montevidéu, onde vive com a mulher, senadora da República – que é a proprietária da área. A casa é discretamente vigiada por dois seguranças.
No fim do mês, quando recebe o salário de 12,5 mil dólares como presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica separa 1,25 mil [para si] e doa o restante, cerca de 90%, a pequenas empresas e Organizações Não-Governamentais que trabalham com habitações populares.
– Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos – costuma repetir este uruguaio de maneiras simples, 77 anos, que, em reportagem do jornal espanhol El Mundo, foi chamado de “o presidente mais pobre do mundo”.
Além de sua casa no pequeno sítio, seu único patrimômio é o Fusca avaliado em pouco mais de mil dólares.
Vida espantosamente simples
Como transporte oficial, em vez dos carrões com ar-condicionado dos demais presidentes, ele usa um Corsa. Sua mulher, a senadora Lúcia Topolansky, parceira de muitos anos, também doa boa parte de seu salário.
O presidente da República na casa em que vive, no sítio pertencente à mulher (Foto: estadao.com.br)
Mujica vive de forma espantosamente simples, apesar de presidir um dos países mais importantes da América do Sul, nunca usa gravata (é quase sempre uma camisa branca com casaco) e convive com os mesmos amigos de antes da eleição que o conduziu ao poder.
É capaz de pegar o Fusca, ir até uma loja de ferragem comprar um acessório de banheiro e, no caminho, parar em um pequeno estádio para animar os jogadores do Huracán, time da segunda divisão, e prometer um churrasco caso subam para a Série A.
Ele não tem dívidas nem conta em banco
Sem contas bancárias ou dívidas, de acordo com El Mundo, ele apenas repete que espera concluir seu mandato para um descanso sossegado no Rincón del Cerro.
A vida simples não é mera figuração ou tentativa de construir uma imagem, seguindo orientações de um marqueteiro. Não, ela faz parte da própria formação de Mujica, um homem que lutou contra a ditadura, foi preso e, ao lado de dezenas de [guerrilheiros e terroristas] Tupamaros, participou de uma fuga cinematográfica da antiga prisão onde hoje está o Centro Comercial Punta Carretas, em Pocitos, lutou pela volta da democracia e hoje é presidente eleito do país.
Tudo isso sem abrir mão de suas convicções, em nenhum momento – a ponto de rejeitar a ideia de mudança de sua vida por ser o chefe de uma nação. [Mujica, que continua se considerando um político de esquerda, defende e pratica ideias que em outras latitudes são desprezadas "neoliberais". Em outubro de 2010, o presidente concedeu uma entrevista às Páginas Amarelas de VEJA em que expôs suas posições, muito distantes do marxismo que defendia nos tempos de juventude.
Uma de suas declarações fala por si: “A estatização é uma solução que foi abandonada. Trata-se de uma receita perfeita para desenvolver uma burocracia opressora. Continuo sendo socialista porque sou inimigo da exploração do homem pelo homem. Isso não inclui defender um Estado grande e um funcionalismo público inchado. Seria um desastre”.
Quanto a querer controlar a imprensa, como ocorre com outros governos supostamente "progressistas" do continente, o presidente não poderia ser mais claro:
“Quando um governo se mostra mais tolerante à diversidade, acaba ajudando a formar uma imprensa respeitosa. Quando radicaliza nas suas políticas, no entanto, vai tudo pro diabo. (…) A melhor lei de imprensa que existe é a que não existe”.]
A residência presidencial já serviu de abrigo a uma moradora de rua e seu filho. O presidente prefere não morar na mansão  (Foto: ultimahoradiario.com.ar)
No último dia 24 de maio, por ordem de Mujica, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial, que ele não ocupa por seguir morando no sítio. Ela só saiu de lá quando surgiu vaga em uma instituição.
Neste início de inverno, a casa e o Palácio Suarez y Reyes, onde só acontecem reuniões de governo, foram disponibilizadas por Mujica para servir de abrigo a quem não tem um teto. Em julho do ano passado, decidiu vender a residência de veraneio do governo, em Punta del Este, por 2,7 milhões de dólares. O banco estatal República comprou e transformará a casa em local de escritórios e espaço cultural. Quando ao dinheiro, será inteiramente investido – por ordem de Mujica, claro – na construção de moradias populares, além de financiar uma escola agrária na própria região do balneário.
Nada de carros blindados
Ele nem se preocupa em reforçar seus esquemas de segurança e, ao circular no Fusca ou em um Corsa, claramente não está a bordo de veículos blindados.
Nem sei se é certo ou não alguém, no papel de um país, com toda a importância que o cargo tem e nestes tempos loucos ditados muitas vezes por fanatismo, levar a vida de uma pessoa comum.
Até acho que não. Afinal, um presidente não pode conduzir sua própria vida. Há milhões de pessoas que deram a ele o direito de dirigir um país e esperam não ver nada abalando esta tarefa – e é por isso que de Barack Obama, num extremo, a Dilma Rousseff, no outro, todos os presidentes são devidamente protegidos por fortes esquemas de segurança. Ao ser eleito, o escolhido faz uma espécie de renúncia pública de sua autonomia – e sabe que não terá mais tanta liberdade assim.
O que me causa profunda admiração no caso de Mujica, independentemente das razões destacadas acima, é ver alguém que se recusa a renunciar a suas próprias convicções, mesmo desafiando todas as regras do protocolo. Ele pensa nestes princípios, lutou a vida inteira por eles, arriscou sua segurança e de sua própria família, por que mudar logo agora?
Foi eleito por isso, certamente, por suas ideias e estilo de vida. Dane-se a liturgia do cargo, deve pensar este uruguaio. Para Mujica, ela não tem importância. O que importa, acima de tudo, é dormir com a consciência tranquila (…).
O mundo seria um lugar bem melhor e, com toda a certeza, muito mais pacífico se tivéssemos outros Mujicas conduzindo países por aí.