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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

DEPOIMENTOS DE FINAL DE ANO

*Vejam o que Danilo Gentili, do CQC, escreveu a respeito da piada de Robin
Williams sobre o RJ e sua escolha como cidade-sede das Olimpíadas de 2016,
no programa do David Letterman.*
* *
*"HÁ, HE, HI, ROBIN WILLIAMS **
*
*Uns anos atrás os Simpsons vieram pro Brasil. Homer foi sequestrado. Bart
ficou excitado com a loira de shorts enfiado na bunda que apresentava um
programa infantil na TV. O menino pobre que a Lisa ajudou não tinha o que
comer mas estava muito feliz desfilando no Carnaval. *
*Esses dias Robin Willians falou o seguinte: "Claro que o Rio ganhou de
Chicago a sede das Olimpíadas. Chicago levou Michele e Oprah e o Rio levou
50 strippers e 500g de cocaína". **
Eu ri!

Advogados, autoridades e populares se revoltaram nos dois casos. Eles não se
revoltam, não se mobilizam, não processam, não abrem inquéritos, não fazem
passeatas quanto ao sequestro, pouco importa a loira vagabunda apresentadora
de programa infantil, a idiotice do carnaval, o tráfico de drogas e a
prostituição que acontecem na vida real bem debaixo dos nossos narizes.


Eles se revoltam só quando usam isso pra fazer piada.
A piada realmente boa sempre ofende alguns e mata de rir outros por um
motivo simples: A boa piada sempre fala de uma verdade.


Num País onde aprendemos a mentir, enganar, roubar, tirar vantagem desde
cedo a verdade não diverte. Assusta. O cara engraçado pro brasileiro é
sempre aquele que fala bordões manjados, dá cambolhatas no chão em altas
trapalhadas, conta piadas velhas, imita o Silvio Santos e outras
personalidades ou faz um trocadilho bobo mostrando ser um ignorante acerca
dos assuntos. Esses bobos passivos nos deliciam porque nào incomodam
ninguém! Um cara que faz um gracejo com uma verdade inconveniente pro
brasileiro é como o alho pro vampiro. Merece ser execrado.
*
*O brasileiro é uma gorda de 300 quilos que odeia ouvir que é gorda. Ela faz
um regime pra parar de ouvir isso? Não! Regime e exercicio dão muito
trabalho. É mais fácil ir ao shopping, comprar roupa de gente magra, vestir
e depois acomodar a bunda na cadeira do McDonalds. O problema é que nem todo
mundo é obrigado a engolir que aquela fabrica de manteiga é Barbie, só
porque está com a roupa da Gisele Bundchen. Então é inevitável que mais hora
menos hora alguém da multidão grite: "Volta pro circo!" ou "Minha nossa! É o
StayPuff com o maiô da Dayane dos Santos?". Então a gorda chora. Se revolta.
Faz manha. Ameaça. Processa. Porque, embora ela tenha tentado se vestir como
uma magra, no fundo a piada a fez lembrar que ela é mais gorda que a conta
bancária do Bill Gates. A auto-estima dela tem a profundidade de um pires
cheio de água.**
*
*Ao invés de dizer que "Robin Williams tem dor de corno", prefeito do Rio,
vá cuidar primeiro da sua dor de mulher de malandro. Sabe? Mulher de
malandro, sim, aquela que apanha, apanha, apanha mas engole os dentes e o
choro porque acha que engana a vizinha dizendo: “Eu tenho o melhor marido do
mundo”. **

Advogados. Vocês já são alvos de piadas por outros motivos. Já que se
incomodam com piadas evitem ser alvos de mais algumas delas não processando
Robin Williams. Em vez de processo, envie pra ele uma carta de gratidão.
Pense que ele estava num dos melhores programas de TV do mundo e só falou de
puta e cocaína. Ele poderia ter falado por exemplo, que o turista que vier
pra Olimpíadas se não for roubado pelo taxista, o será no calçadão.


Poderia também ter dito que o governo e a polícia brasileira lucram com
aquela cocaína do morro carioca que ele usou na piada. E se ele resolvesse
falar algo como: “As crianças do Brasil não assistirão as Olimpíadas porque
estarão ocupadas demais se prostituindo” ?


Ah... E se ele resolvesse lançar mais uma piada do tipo: “Brasileiro é tão
estúpido que se preocupa com o que um comediante diz, mas não se preocupa
com o que o político em quem ele vota faz...”.
*
*Enfim... são muitas piadas que poderiam ter sido feitas. Quem é imbecil e
se incomoda com piada, não seja injusto e agradeça ao Robin Williams porque
ele só fez aquela. E depois brasileiro insiste em fazer piada dizendo que o
Português é que é burro." **



Não esmoreça e nem desista. Trabalhe duro! Afinal, milhões de pessoas que vivem do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Gafe ministerial!

"O meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. Isso significa que é uma ameaça para o futuro de nosso planeta e dos nossos países" Dilma Roussef.

Pra vocês verem que não é só o presidente Lula quem fala merda! Na verdade deve ser essa a condição básica pra fazer parte deste governo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tivemos na República Velha uma sucessão de governos ineptos, depois duas revoluções ditatoriais (uma civil e outra militar) consideradas "modernizadoras", o suicídio de Vargas e a ascensão democrática de Juscelino, o presidente que fez da construção de Brasília ("a mãe de todos os escândalos") instrumento programático da corrupção oficial.

Vendo no jornal da TV Globo ("uma emissora a serviço do governo") Lula dizer que as imagens do governador Zé Arruda arrastando a grana do propinoduto brasiliense "não falam por si", nem provam coisa alguma, me veio à cabeça uma pergunta tardia, mas obrigatória: quando foi que o Brasil começou a se ferrar?

Logo me lembrei que o historiador inglês Paul Johnson, em seu livro "Tempos Modernos" (Instituto Liberal/Rio/1990), afirma que o fatídico século XX, dominado pela desgraça totalitária, começou no Brasil, quando um eclipse solar foi fotografado na cidade de Sobral, no Ceará, revelando o imprevisto desvio de movimento do planeta Mercúrio em exatos 43 segundos no transcorrer de todo século XIX.

O singular fenômeno do desvio do corpo celeste, detectado por possantes telescópios, abalava fundo a cosmologia de Newton (baseada nas linhas retas da geometria euclidiana e nas noções do tempo absoluto de Galileu), que tinha servido como pano de fundo para o Iluminismo europeu, a Revolução Industrial e a vasta expansão do conhecimento humano. Segundo Johnson, o desvio de meros 43 segundos flagrado a partir da foto do eclipse solar em Sobral, deu margem a criação de uma nova - e fragmentada - teoria do universo: a Teoria da Relatividade Restrita (e depois "Geral"), criada e consagrada por Albert Einstein.

Fiquei matutando durante tempo considerável se o tal desvio não estaria na raiz do nosso sinistro presente, mas logo me dei conta de que as observações teóricas do físico alemão em torno da relatividade do tempo e do espaço, tidas como superadas, me levariam à funesta equação de que "toda massa pode ser transformada em energia", vale dizer, na Bomba Atômica - e então, adotando a postura de Mercúrio, desviei de rota.

Em seguida, pensei: talvez a resposta sobre como e quando o Brasil começou a entrar pelo cano demande esforço em outra direção. Então, em vez de queimar a mufa com a ciência relativista, por que não procurar resposta no Google, ou consultar o Nivaldo Cordeiro, que tem resposta para tudo, ou, quem sabe, examinar os velhos alfarrábios? Como a madrugada avançava célere, eliminei as duas hipóteses iniciais e parti para a terceira. Fui à biblioteca, e da estante de obras raras retirei o grosso volume de "Notícia do Brasil", escrito em 1587 por Gabriel Soares de Sousa, um colono que durante 17 anos percorreu todo o país para revelar em prosa honesta o que éramos nos nossos primórdios.

No vasto levantamento que fez do Brasil, Gabriel Soares nos leva a acreditar que, de fato, seriamos o "país do futuro". Sua visão do que tínhamos e éramos pode ser considerada mais do que positiva. Por exemplo: escrevendo ao primeiro editor do livro, o nobre Cristóvão de Moura, residente em Madrid, o autor não contém o entusiasmo com as "grandezas e estranhezas" que tomam conta do lugar, ressaltando que, nele, a "terra é quase toda muito fértil, mui sadia, fresca e levada de bons ares, e regada de frescas e frias águas".

No que se refere às nossas riquezas naturais, ele diz que "A província é abastada de mantimentos de muita substância e menos trabalhosos que os de Espanha". E especifica: "Dão-se nelas muitas carnes, assim naturais, como das de Portugal, e maravilhosos pescados; onde se dão também melhores algodões que em outra parte sabida, e muitos açucares tão bom como na ilha da Madeira".

E prossegue Gabriel Soares no seu encantamento: "Tem muito pau de que se fazem as tintas. Em algumas partes dela se dá trigo, cevada, e vinho muito bom, e em todas todos os frutos e sementes de Espanha. E há que se descobrir os metais que nesta terra há; porque lhe não faltam ferro, aço, cobre, ouro. esmeraldas, cristal e muito salitre, e em cuja costa sai do mar todos os anos muito e bom âmbar; e de todas estas e outras podiam vir todos os anos a estes reinos em tanta abastança";

No capítulo em se reporta ao gentio, o autor de "Notícia do Brasil" não se mostra menos efusivo, embora com crua ressalva: "São grandes lavradores dos seus mantimentos, de que estão sempre mui providos, e são caçadores bons e tais flecheiros que não erram nunca flechadas que atirem. São grandes pescadores de linha, assim no mar como nos rios de água doce. Cantam, bailam, comem e bebem pela ordem dos tupinambás, onde se declara miudamente sua vida e costumes, que é quase o geral de todo o gentio da costa do Brasil". No entanto, ressalva: "Eles não costumam perdoarem a nenhum dos contrários que cativam, porque os matam e comem logo".

Ele próprio colono, proprietário de engenho na Bahia, Gabriel Soares via os pares, vindos de Portugal ou Espanha, como "gente de constância e valor, de muita fé em Deus e no trabalho", todos "prudentes e de boa paz", mas "experimentados" quando enfrentam "os franceses, invasores e ladrões".

A crer no que diz o primeiro cronista do Brasil, a coisa aqui era bastante promissora. Havia riqueza, o gentio era destro e o colono, de valor, acreditava nos preceitos divinos. Bem, cabe então indagar: se os nossos primórdios eram tão auspiciosos, e os habitantes dotados de tantas e notáveis distinções, por qual razão o País mergulhou no mar de degradação ética, política e social que a todos afoga neste início de milênio?

No histórico, deixando a Colonização e o Império de lado, a proclamação da República foi um episódio esquisito: o marechal Deodoro, amigo de confiança do Imperador, de súbito viu-se envolvido por mexericos contra D. Pedro II e terminou por proclamá-la (a despeito da vontade popular). A "consolidação", por sua vez, foi problemática: tivemos na República Velha uma sucessão de governos ineptos, depois duas revoluções ditatoriais (uma civil e outra militar) consideradas "modernizadoras", o suicídio de Vargas e a ascensão democrática de Juscelino, o presidente que fez da construção de Brasília ("a mãe de todos os escândalos") instrumento programático da corrupção oficial.

No parecer de bons observadores o país começou a degringolar com a permissiva figura de Juscelino Kubstchek, enquanto presidente, entre 1956/1960. De fato, para impor o seu populismo estróina, o antigo presidente arrombou os cofres da nação, imprimiu dinheiro sem fundo, pediu empréstimos aos borbotões, deu calotes, abriu espaço para os comunistas da Sudene e sumidouros idênticos, enriqueceu banqueiros (com a instalação do processo inflacionário premeditado), empreiteiros (com o superfaturamento de obras) e políticos (com a instituição de nomeações, vantagens e propinas como armas de cooptação política). De fato, depois da era JK, em que se ampliou vertiginosamente o processo de decomposição da ética na política, a idéia de um Estado comprometido com a decência virou fenômeno de fata morgana, ou seja: uma miragem.

Por sua vez, posteriormente aos militares, não se pode negar as extraordinárias contribuições de figuras como o "Honorável" Sarney, Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso no curso da desintegração (e apodrecimento) das instituições legais do país. Sem dúvida que todos eles, cada um a seu modo, em maior ou menor proporção, drenaram fundo o mar de lama que hoje sufoca a vida da nação.

De minha parte, para responder a pergunta que na certa todo brasileiro consciente já se fez, ou se faz, eu respondo, sem mais delongas: o Brasil entrou pelo cano irreversível quando Lula da Silva tomou assento no Palácio do Planalto, em 1º de Janeiro de 2003.

Coisa que trataremos de comprovar, com detalhes, no nosso próximo escrito.

domingo, 13 de dezembro de 2009

BAJULA , O FILHO DO BRASIL !

Enquanto crítico de cinema isento , não costumo assistir os filme que vou criticar para não deixar que a obra interfira na minha análise rigorosa e independente . Por isso , graças à contribuição do meu amigo Barretão, junto com outras empresas que preferiram manter o anonimato, consegui engordar a minha outrora minguada e caída conta bancária. Ainda bem! Eu estava mais duro que o pau-de-arara que trouxe o Lula do Nordeste, e esse trabalho de crítica imparcial chegou em boa hora.

Infelizmente, o presidente não pode comparecer à première da sua autobiografia filmográfica no Teatro Nacional em Brasília porque a segurança vetou. A quantidade de puxa-sacos e bajuladores que queriam se pendurar nos Primeiro e Segundo Testículos da Nação era enorme, e essa parte da anatomia presidencial ainda não é blindada .

Poucos filmes me deixaram tão emocionado quanto o filme Lula, o Molusco do Brasil . Eu , um crítico espada, frio e calculista, só tinha chorado assim, aos prantos, quando assisto aos filmes pornô do Alexandre Frota. Apesar de ser um melocudrama épico, o filme é cheio de surpresas. Eu não sabia que o Lula era filho da Gloria Pires e também não tinha idéia de como era a cara da Dona Marisa antes de se transformar na Marta Suplicy.

Pobre e semi-analfabeto, Lula chegou do Nordeste e teve que ficar no ABC. Infelizmente , o futuro presidente do Brasil não se interessou em aprender as outras letras e arrumou um emprego de entorneiro mecânico no time do Corinthians. Numa cena dramática, vemos o exato momento em que Lula, num acidente de botequim, perde o mindinho ao pedir dois dedos de pinga. Líder sindical perseguido pela ditadura, Lula foi preso pelos militares, mas, na época, ele achou uma boa: só assim se livrou de sua namorada, Miriam Cordeiro, que, mais tarde, foi a estrela da campanha política do Collor. Tempos depois, os milicos soltaram o Lula, mas a sua língua continuou presa.

Os invejosos de plantão acusam o filme de ser oportunista e eleitoreiro. Mas, agora que o cheque já compensou, posso afirmar sem erro: o filme Lula, o Filho do Barril não é uma deslavada propaganda política visando às eleições de 2010. Até porque os produtores deixaram de fora as principais realizações do governo Lula : o mensalão , o apagão e a invenção da Dilma Roussef.

PENSAMENTO DO DIA, QUER DIZER, DO GLOBO
” O Cinema é a maior bajulação . “

FIGURAÇA DA SEMANA

Ahmadinejad

Ahmadinejad

Depois da Madonna, quem está chegando esta semana ao Brasil pra pedir dinheiro ao Eike Batista é o presidente do Irã. Mahmoud Ahmadinejad é o terrorista preferido do Lula, depois do César Battisti, é claro . O Brasil, além de ser o destino preferido dos gays, tradicionalmente sempre foi o refúgio de criminosos, bandidos, facínoras e genocidas internacionais. O Brasil, além de ” gay friendly”, também é um país “criminal friendly ” . Um país que abriu suas pernas, quer dizer, seus braços, para acolher o nazista Mengele e o ditador Stroessner não pode negar guarida ao Ahmadinejad. O presidente do Irã, ao lado de Kim Jong Il, Chávez e Kadhafi, é sócio fundador do Eixo do Mal, mas veio ao Brasil com um único objetivo em mente: assistir ao filme do Lula, fazer umas cópias-pirata para vender nas ruas de Teerã. O belicoso iraniano acredita que o filme vai bombar, e olha que disso ele entende. Anti-semita assumido, Ahmadinejad nega o Holocausto, não reconhece o estado de Israel e as colônias de Guarujalém e Teresópolis. Mahmoud Ahmadinejad é um sujeito revoltado. Antes de ser presidente do Irã, Ahmadinejad ganhava a vida imitando a Madonna nos clubes de travesti de Teerã e ficou uma fera quando a popstar se converteu ao judaísmo e fez circuncisão .

Agamenon Mendes Pedreira é o filho da p*!!****!!##!** do Brasil .


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta do Zé Agricultor para Luis da Cidade




Luis, quanto tempo!

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.

To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.



*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) *
"Na prática, a teoria é outra."

*Deputado Luciano Pizzato
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ARRUDA PODERIA REQUERER FILIAÇÃO AO PT

Os que lêem este blog podem notar que até agora não comentei o escândalo de corrupção patrocinado pelo governador do DEM, José Roberto Arruda. Isto porque em episódios passados de operações realizadas pela Polícia Federal, como no caso de Daniel Dantas, sob o comando do delegado Protógenes Queiroz, passou a ser um ato temerário comentar e opinar sobre investigações.

Desta feita, parece que não resta outra opção ao governador do Distrito Federal que não seja a renúncia imediata ao cargo. Isto é o que acontece nas verdadeiras democracias. Sempre cito o recente escândalo de utilização de verbas parlamentares na Inglaterra em proveito particular, fato que levou o Presidente da Câmara dos Comuns a apresentar a renúncia ao cargo. Fazia pelo menos uns 300 anos que não acontecia fato semelhante no Reino de Sua Majestade.

Entretanto, no Brasil a ética e moral na esfera da política estão assentadas sobre o terreno pantanoso das falcatruas. Tanto é que o recente episódio envolvendo José Sarney, recebeu as bênçãos protetoras de Lula.

O rumoroso caso do mensalão, dos cartões corporativos, do dossiê fajuto e escândalos análogos, ainda que sobejamente provados, foram completamente esquecidos. Na eleição subseqüente a maioria dos brasileiros sufragou o segundo mandato de Lula, enquanto os envolvidos nesses nesfastos trambiques estão participando ativamente das ações políticas do PT, livres e soltos.

Neste caso, José Roberto Arruda e seus sequazes reúnem todos os requisitos para postular filiação ao PT.