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domingo, 31 de maio de 2015

STF determina que BNDES detalhe operações financeiras ao TCU

Banco terá que detalhar operações com JBS Friboi. Instituição se recusava a repassar os dados alegando sigilo bancário

POR 

A presidente Dilma Rousseff vetou, na última sexta-feira, artigo de uma lei que proibia o sigilo de empréstimos e financiamentos concedidos pelo BNDES. Na avaliação do STF, as operações do banco devem ser transparentes. O julgamento ocorreu na Primeira Turma do tribunal e foi concluído com três votos a um. O relator, ministro Luiz Fux, defendeu a transparência em operações com dinheiro público:

— Por mais que se diga que o segredo é a alma do negócio, quem contrata com o poder público não pode ter segredos, especialmente se a divulgação for necessária para o controle dos gastos dos recursos públicos.

Avaliação similar foi feita pelo ministro Marco Aurélio Mello:

— Não podemos imaginar que, para fiscalizar recursos públicos, dependa o TCU da burocratização na obtenção das informações.

A ministra Rosa Weber completou:

— A transparência há de permear a gestão da coisa pública, ninguém diverge sobre isso.

O ministro Luís Roberto Barroso ponderou que o BNDES poderia deixar de enviar ao TCU informações específicas, que poderiam comprometer o desempenho da empresa no mercado financeiro. Ele ressaltou que os dados repassados ao TCU não poderiam ser divulgados ao público.

A ação foi proposta pelo BNDES. Segundo a instituição, as operações devem ser mantidas em sigilo, porque a divulgação violaria o sigilo bancário e empresarial do grupo JBS. O banco argumenta que o TCU não tem poderes para determinar a quebra do sigilo bancário da empresa.

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Alegando que a medida poderia resultar em prejuízo à JBS perante o mercado financeiro, o BNDES não enviou ao TCU o saldo das operações de crédito, o rating de crédito, a estratégia de hedge do grupo e sua situação cadastral no banco. A defesa do BNDES argumentou que há “necessidade de que seja estabelecida uma relação de mútua confiança entre o cliente e a instituição financeira”. O banco, portanto, teria o dever de não divulgar os dados sigilosos a terceiros.

— Nada há nos autos que comprove que o fornecimento das informações possa ensejar instabilidade financeira e impacto desastroso no mercado — contestou Fux.

DECISÃO DÁ SEGURANÇA JURÍDICA, DIZ BANCO

Anteontem, ao comentar o veto de Dilma, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que há certa confusão quando se fala em sigilo. Ele enfatizou que as operações de crédito do banco são públicas e, a curto prazo, o BNDES aumentará o volume de informação a respeito dos projetos:

— Quando o banco analisa um projeto que, eventualmente, vira um contrato, a empresa nos fornece dados da sua intimidade financeira.

Para a presidente da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC), Lucieni Pereira, não pode haver sigilo sobre as operações do BNDES, já que elas têm impacto significativo sobre as contas públicas. Ela lembra os aportes do Tesouro Nacional no banco, que subiram de 0,59% da dívida mobiliária federal (em títulos) em 2008 para 15,15% em 2014. Eles ajudaram a elevar a dívida bruta, que subiu de R$ 1,8 trilhão para R$ 3,4 trilhões no período.

Especialistas defendem o aprimoramento das regras de transparência do banco e uma comunicação detalhada dos financiamentos. Para alguns, os critérios e as razões para a concessão dos empréstimos devem ser mais claros, enquanto outros veem espaço até para a divulgação de informações específicas de operações individuais, como taxas de juros e prazo de pagamento.

A clareza nos critérios para a concessão dos financiamentos é o principal aspecto que deve ser ampliado quando se trata da transparência no BNDES, na avaliação do professor do Insper Sergio Lazzarini:

— O BNDES deve explicar melhor os motivos de os empréstimos serem direcionados àquelas empresas e o resultado esperado. Em geral, as respostas são vagas, precisamos de detalhes. Mais do que escancarar uma operação em particular, os critérios devem ser claros. Pode ter confidencialidade de contratos, mas não de critérios.

Para Mansueto de Almeida, consultor e especialista em contas públicas, o banco deve divulgar condições detalhadas de financiamento para casos individuais, como taxas de juros, empréstimos e prazo de pagamento:

— O BNDES é um banco público, e as empresas têm acesso a condições melhores de financiamento. A empresa pode achar que, estrategicamente, não é interessante que as condições sejam divulgadas. Mas então deve lançar debêntures (títulos de dívida) ou recorrer a outra forma de financiamento.


Presidente do BNDES entre março de 2006 e maio de 2007, Demian Fiocca avalia que o sigilo bancário é necessário para evitar a divulgação de informações estratégicas a concorrentes:

— O BNDES tem procedimentos internos muito sólidos. Novas normas podem trazer mais burocracia e acabar alongando o processo de decisão.

O BNDES disse, em nota, que a decisão do STF dará segurança jurídica para que o banco forneça informações protegidas por sigilo bancário ao TCU. “Se a questão não fosse analisada pela mais alta Corte do país, a entrega pelo BNDES de informações ao TCU poderia gerar questionamentos legais contra o banco”. O banco informa que vai acatar a decisão, abre mão de recurso, estendendo o entendimento sempre que solicitado pelo TCU. Procurado, o JBS disse que não comentaria.
http://oglobo.globo.com/economia/infraestrutura/stf-determina-que-bndes-detalhe-operacoes-financeiras-ao-tcu-16267709


IMPOSTOS e mais impostos para alimentar o monstrengo insaciável..,

Celebre: hoje é seu último dia de trabalho para o governo

Neste 31 de maio completam-se cinco meses que o brasileiro trabalhou para pagar impostos. Com a elevação de tributos deste ano, essa conta aumentará em 2016

Acredite: 31 de maio é o último dia de trabalho de cada brasileiro para pagar impostos municipais, estaduais e federais em 2015. O cálculo de que cada contribuinte paga ao governo o equivalente a cinco meses de salário por ano foi feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e é uma forma de traduzir a imensa carga tributária da economia para a escala do trabalho. O instituto estima que os brasileiros dediquem 151 dias de trabalho ao ano para pagar impostos - o dobro do que era na década de 1970.
Complexa e pouco transparente, a carga tributária no Brasil atravanca negócios, reduz a competitividade dos produtos e penaliza a população de todas as faixas de renda - em especial as mais baixas, que estão mais sujeitas às intempéries econômicas e à má qualidade dos serviços públicos sustentados com o dinheiro da tributação.
Em ano de ajuste fiscal e elevação de impostos, como é o caso de 2015, o IBPT estima que a conta de dias trabalhados para o governo cresça para 157 a partir do ano que vem. Entre os impostos a serem elevados estão o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre os combustíveis, além do retorno da Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Também foi aprovada esta semana pelo Senado uma medida provisória que eleva a tributação sobre alguns produtos importados, como cosméticos. Outra decisão diz respeito ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito para pessoas físicas, cuja alíquota passa de 1,5% para 3%.
Onde o Brasil alcança os ricos
(VEJA.com/VEJA)
LEIA TAMBÉM:
A crescente carga tributária equipara o Brasil a nações desenvolvidas que possuem um Estado eficiente. Na Alemanha, os impostos consomem 139 dias de trabalho. Na Dinamarca, são 176 dias. "A diferença, no entanto, está na qualidade de vida oferecida nos países desenvolvidos, que superam em escala desproporcional a do Brasil", diz João Eloi Olenike, do IBPT.
Imposto único - Marcos Catão, tributarista e professor da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, conta que a carga tributária no Brasil é alta por dois motivos: em períodos de bonança, governos não trabalharam para reduzir a carga e torná-la mais eficiente; em períodos de crise, que acontecem periodicamente, é preciso elevar impostos para conter a sangria dos cofres públicos, como ocorre atualmente. "O Brasil tem o pior sistema de tributação de consumo do mundo. Os setores de telecomunicações, energia e petróleo têm carga tributária entre 50% e 60% em média. O país mais próximo nesse quesito é o México, com 25%", explica Catão.
De acordo com o tributarista, a primeira coisa a ser feita para reduzir o peso dos impostos é acabar com taxas sobre o consumo e criar uma tributação única. Seria, segundo ele, um grande passo para a tão sonhada reforma tributária. "Não faz sentido pagar ICMS, PIS e Cofins e IPI para comprar uma cafeteira. É triste que o Brasil tenha perdido a chance de fazer uma reforma quando a economia crescia para valer. Agora, será quase impossível", afirma o economista.
Além de pagar os tributos embutidos no preço dos produtos e serviços que consome, como ICMS, PIS, COFINS, IPI, ISS, o trabalhador brasileiro paga taxas sobre a propriedade, como IPVA, IPTU e ITCMD, sobre o rendimento, como Imposto de Renda Pessoa Física e a Contribuição Previdenciária, e arca ainda com taxas e contribuições de limpeza, coleta de lixo e iluminação pública. Essa carga gigantesca também incide sobre as empresas. Condensar esse arsenal de siglas em apenas um imposto exigirá coalizão política e profissionalismo dos representantes do povo no Congresso. Dada a demora e a falta de interesse da classe em empreender a reforma, supõe-se que eles não possuam nenhuma das duas características.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Chico Buarque e a teoria da irracionalidade racional


chico

Alguns amigos ficaram espantados com a entrevista do cantor Chico Buarque ao El País, na segunda-feira. Justamente quando líderes históricos abandonam o PT e o Congresso Estadual do partido em São Paulo sofre pela falta de participantes, Chico Buarque não só segue apoiando o PT como considera a crise do partido pura intriga da oposição. “Querem enfraquecer o governo para que, em 2018, o PT chegue desgastado nas eleições”, disse ele.
Houve quem chamasse o cantor de louco ou desinformado; mas na verdade a posição de Chico Buarque é racional e coerente com incentivos econômicos. Do ponto de vista da economia da política, é economicamente vantajoso teimar numa opinião errada.
Explico a ideia comparando duas situações:
SITUAÇÃO A – Chico Buarque precisa comprar um apartamento em Paris. A decisão cabe 100% a ele. Se escolher mal, Chico Buarque será o maior afetado pelo equívoco.
SITUAÇÃO B – Chico Buarque precisa decidir em quem votar. A decisão cabe não só a ele, mas a outros 142 milhões de eleitores. Dificilmente a eleição dará empate, por isso o voto dele não fará diferença alguma. É incerta a influência que o apoio de Chico Buarque ao candidato A ou B terá sobre outros eleitores. Na remota hipótese da influência de Chico Buarque decidir uma eleição, ele será pouco afetado por uma eventual decisão errada. O prejuízo causado pela decisão será dividido por 200 milhões de brasileiros. Chico Buarque será um dos menos afetados – afinal sempre pode dar um tempo do Brasil em seu apartamento em Paris.
A teoria da ignorância racional, formulada em 1957 pelo economista Anthony Downs, explica por que eleitores gastam tão pouco tempo para escolher o melhor candidato. Os eleitores intuitivamente sabem que cada voto tem um peso muito pequeno e dificilmente decidirá uma eleição. Ora, se tempo é dinheiro, e gastar tempo escolhendo um político terá pouco efeito nas urnas, então é racional ser um eleitor ignorante. A Situação A traz bem mais incentivos para uma boa decisão que a Situação B.
Em 2001, o economista Bryan Caplan refinou o raciocínio de Downs apresentando a teoria da irracionalidade racional. Se Downs acreditava que é racional pensar pouco, Caplan foi mais longe: é racional pensar bobagem e insistir em equívocos sobre a política. Se os eleitores se satisfazem mantendo algumas crenças, e se o custo de manter essas crenças é baixo, ser irracional se torna racional. “Em eleições com milhões de eleitores, a probabilidade de uma crença individual errada causar políticas ruins é quase nula”, diz Caplan. “Por isso é previsível que os eleitores adotem seu pior comportamento cognitivo” e exibam “ausência de espírito crítico, irritabilidade, credulidade a simplicidade.”
Em geral, quanto menor o custo de uma crença ao indivíduo, maior a demanda para ela:
rational irrationality
O gráfico que explica Chico Buarque: se o custo da irracionalidade cai, a demanda por ela aumenta

A teoria de Caplan explica por que tanta gente teima em partidos e ideologias obsoletas mesmo quando eles se revelam pura fraude. Se o eleitor é uma figura pública, então é ainda maior o custo de mudar de ideia. Seria preciso admitir a todos a estupidez pregressa.
Por isso eu peço aos meus amigos que parem de dizer que Chico Buarque é louco, insensato ou sonhático. O homem obedece a incentivos econômicos. Está em total controle de suas faculdades mentais.
@lnarloch

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pare de Acreditar no Governo


Autor: Bruno Garschagen

Ano: 2015
322 páginas

Sinopse

Uma obra fundamental para o momento que vive o país
Por qual razão nós brasileiros, apesar de não confiarmos nos políticos, a quem dedicamos insultos dos mais criativos e variados, pedimos que o governo intervenha sempre que surgem problemas? Por que vamos para as ruas protestar contra os políticos e ao mesmo tempo pedir mais Estado - como se este não fosse gerido pelos... políticos? Por que odiamos os políticos e amamos o Estado? Por que chegamos à condição de depender do Estado para quase tudo?
Bruno Garschagen busca entender como se formou historicamente no Brasil a ideia de que cabe ao governo resolver todos ou a maioria dos problemas sociais, políticos e econômicos. De Dom João VI a Dilma Rousseff, um compromisso inabalável uniu todos os governantes, inclusive aqueles chamados (erradamente, segundo o autor) de liberais ou neoliberais: a preservação do Estado monumental e mesmo o seu crescimento. Por quê?
Para responder a esse conjunto de questões, o autor vasculha a história política do Brasil desde que os portugueses aqui chegaram até os dias de hoje. Com texto brilhante, leve, bem-humorado e informativo, recorrendo também às explicações de pensadores brasileiros e portugueses, tece uma espécie de conversa entre os intelectuais que refletiram sobre a cultura política do Brasil para narrar a história de um país cuja formação cultural se confunde com a onipresença da burocracia nacional.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FIFA > Copa 2014 > Dirigentes presos >...,

FIFA 3 – Xiii… Olha a nitroglicerina aí… Copa disputada no Brasil sob investigação

O Departamento de Justiça dos EUA afirmou que a Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, também está sob investigação.  Olha a nitroglicerina aí…
Como é sabido, não se tratou apenas de um grande evento do mundo esportivo. Por aqui, tratou-se de uma verdadeira operação de estado. Como resta evidente que os atores de um dos lados eram muito pouco confiáveis, restaria como hipótese de sanidade moral da operação a existência de pessoas decentes do outro.
Entenderam?
Por Reinaldo Azevedo
FIFA 2 – O brasileiro J. Hawilla é o pivô do processo. Ou: Multa de US$ 151 milhões

Por Reinaldo AzevedoFIFA 1 – Ex-presidente da CBF e dirigentes da Fifa são detidos na Suíça por corrupção

Na VEJA.com:
O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos pela polícia da Suíça em uma operação surpresa na madrugada desta quarta-feira, em Zurique. As detenções aconteceram a pedido das autoridades americanas, que investigam os cartolas por envolvimento em um esquema de suborno que já duraria mais de duas décadas. As acusações foram detalhadas em um documento (leia em inglês) divulgado pelo Departamento de Justiça americano. Os dirigentes devem ser extraditados para os Estados Unidos. O presidente da entidade e candidato à reeleição, o suíço Joseph Blatter, não está entre os suspeitos e, segundo a Fifa, o pleito desta sexta-feira está mantido.
Os outros seis dirigentes detidos na Suíça foram Jeffrey Webb (presidente da Concacaf), Eduardo Li (presidente da Federação Costarriquenha), Julio Rocha (presidente da federação da Nicarágua), Costas Takkas (ex-secretário geral da federação das Ilhas Cayman), Rafael Esquivel (presidente da federação venezuelana) e Eugenio Figueiredo (ex-presidente da Conmebol).
As prisões aconteceram no luxuoso hotel cinco estrelas Baur au Lac, onde os cartolas estavam reunidos para a eleição da Fifa, marcada para esta sexta. Os agentes responsáveis pela operação chegaram ao local durante a madrugada, vestidos com trajes civis. Após apresentarem as ordens judiciais, os policiais receberam as chaves dos quartos e conduziram as detenções. Os cartolas são acusados de fraude, lavagem de dinheiro e uma série de crimes financeiros.
O empresário brasileiro J. Hawilla, dono da agência de marketing esportivo Traffic, também foi citado na investigação. Acusado de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, Hawilla fez um acordo com a Justiça americana, admitiu sua culpa e aceitou devolver mais de 151 milhões de dólares (cerca de 473 milhões de reais).
A operação teve como alvo principalmente dirigentes da América Latina. A Justiça americana indicou que parte das propinas investigadas se referiam à organização da Copa do Brasil, Taça Libertadores da América e Copa América. Além de corrupção, Marin é acusado de “conspiração”. O Ministério Público da Suíça também realizou uma operação nesta manhã, confiscando na sede da Fifa documentos e computadores sob a suspeita de que cartolas receberam propinas para votar nas sedes das Copas de 2018 e de 2022. O MP suíço confirmou que abriu uma investigação penal contra os dirigentes. A sede da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), em Miami, também foi alvo de buscas.
Copa do Mundo
Os dirigentes são acusados de envolvimento em um esquema de corrupção através do qual “delegados da Fifa e outros de organizações dependentes receberam propinas e comissões – de representantes de meios de comunicação e de empresas de marketing esportivo – que somam mais de 100 milhões de dólares”, segundo o Ministério suíço. Em troca, os agentes corruptores “recebiam direitos midiáticos, de publicidade e patrocínio em torneios de futebol na América Latina”.
“A acusação alega que a corrupção é desenfreada, sistêmica, e que está enraizada tanto no exterior quanto nos Estados Unidos”, disse procuradora-geral da Justiça americana Loretta Lynch. A nota oficial da entidade americana informa que o empresário brasileiro J Hawilla, dono e fundador da Traffic, agência detentora de direitos de transmissão e parceira da CBF, está diretamente envolvido no caso de suborno.
As acusações também apontam para o recebimento de propinas em troca de apoio nas eleições das sedes das Copas de 2018 e 2022. Os países escolhidos nesses anos foram Rússia e Catar.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/fifa-3-xiii-olha-a-nitroglicerina-ai-copa-disputada-no-brasil-sob-investigacao/
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/fifa-2-o-brasileiro-j-hawilla-e-o-pivo-do-processo-ou-multa-de-us-151-milhoes/
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/fifa-1-ex-presidente-da-cbf-e-dirigentes-da-fifa-sao-detidos-na-suica-por-corrupcao/

Juro do cheque especial sobe para 226% ao ano, maior taxa em quase 20 anos

Compra com cartão de crédito
No caso do cartão de crédito, o juro médio total subiu de 79,1% para 81,4% em abril, segundo BC (Ernesto Rodrigues/Agência Estado/VEJA)

Segundo Banco Central, o juro foi o mais alto desde dezembro de 1995, quando alcançou o patamar de 242,23% ao ano

A taxa de juros cobrada no cheque especial subir de 220,4% ao ano em março para 226% ao ano em abril. É o maior patamar desde dezembro de 1995, quando estava em 242,23% ao ano. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira pelo Banco Central.
No caso do cartão de crédito, o juro médio total avançou de 79,1% para 81,4% na passagem de março para abril deste ano. O juro do rotativo, a taxa mais alta do crédito, alcançou a marca de 347,5% ao ano em abril ante 345,8% ao ano em março. No caso do parcelado, o juro passou de 111,5% para 114,6%.
A taxa média de juros no crédito livre para pessoa física subiu para 56,1% em abril, a maior taxa verificada na série histórica iniciada em março de 2011. Em março, o porcentual era de 54,4%
Inadimplência - O Banco Central também informou que a taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 4,6% em abril ante 4,4% em março. Para pessoa física, passou de 5,2% para 5,3% na mesma base de comparação. Para as empresas, subiu de 3,7% para 3,9% de um mês para o outro.
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terça-feira, 26 de maio de 2015

‘A Casa da Mãe Dilma’ e outras cinco notas da coluna de Carlos Brickmann

‘A Casa da Mãe Dilma’ e outras cinco notas da coluna de Carlos Brickmann

COLUNA DE CARLOS BRICKMANN
A Casa da Mãe Dilma
Imagine o caro leitor que esteja andando na rua e, por algum motivo, pegue uma pedra e a atire na janela de uma casa. Na hipótese de haver algum policial por perto, o caro leitor será preso e, no mínimo, terá de prestar declarações na delegacia mais próxima – isso se tiver sorte e não apanhar antes de ser levado.
Pois bem: o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, MST, invadiu ontem, em Brasília, o Ministério da Fazenda ─ nada mais justo, porque fazendas é exatamente o que querem invadir. Quebraram janelas, arrombaram portas, causaram prejuízos que serão pagos com dinheiro de nossos impostos. Impediram o ministro Joaquim Levy, por quase meia hora, de entrar em seu gabinete. Foram fotografados, filmados, gravados. Nenhum militante foi preso, nenhum militante detido para averiguações, a ninguém se pediu o pagamento pelo prejuízo. Foram embora, enfim ─ em direção ao outro Ministério, o do Desenvolvimento Agrário.
Todos os cidadãos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. Há os que têm direito de depredar a Câmara dos Deputados, como fez o grupo liderado por Bruno Maranhão, dirigente petista de nobre estirpe; há os que têm direito de invadir institutos de pesquisa e destruir espécimes desenvolvidos por mais de dez anos. Há os que invadem áreas próximas ao Pico do Jaraguá, em São Paulo, recebem determinação judicial de deixar a área mas têm direito à proteção da Funai para descumpri-la.
São os que, como o agente 007, dispõem de licença oficial para agir à margem da lei.
São os hóspedes queridos da casa da Mãe Dilma.
A Pátria Educadora
Nunca dantes na História deste país aconteceu fato semelhante: o governo federal ainda não pagou os livros comprados para escolas públicas em 2014 pelo PNLD, Programa Nacional do Livro Didático. Todos os governos dos últimos 30 anos pagaram os livros em dia, sempre em janeiro. E não é tudo: já se sabe que, nas licitações de setembro e outubro, a Pátria Educadora cortará fundo as verbas destinadas a livros didáticos. Como disse um líder educador, ler dá azia.
A Pátria transparente
Informação da coluna Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br): apesar da Lei de Transparência, a Presidência da República segura as informações sobre o cartão corporativo de Rose Noronha, que chefiou seu escritório em São Paulo.
Pediu 45 dias para copiar e entregar o relatório dos gastos da servidora.
Dilma, ao vivo
Inauguração de três edifícios do Minha Casa, Minha Vida no Rio. Dilma caprichou: começou chamando o ministro interino do Esporte, Ricardo Leyser, de “Gleyser”. E chamou-o de ministro dos Transportes. Claro: com 38 ministérios, não vai lembrar todos os cargos que distribuiu nem o nome das Excelências. Em seguida, garantiu que muitos dos beneficiados pelos apartamentos pagavam “de R$ 300 mil a R$ 400 mil” de aluguel. Um dos condomínios foi chamado primeiro de Recanto das Gaivotas e, depois, de Jardim das Gaivotas. Na terceira virou Vivenda das Gaivotas, o nome certo.
Mas Dilma foi aplaudida assim mesmo. E o Gleyser que já foi Leyser e era ministro de outra pasta puxou as palmas.
O destino do dinheiro
A prefeitura paulistana paga, pelas salsichas que compra para a merenda escolar, mais caro que o produto da mesma marca e categoria encontrado em qualquer rede de supermercados. O Governo paulista já foi surpreendido ao pagar, pelo leite entregue à então Febem, o mesmo preço de varejo cobrado por padarias caras de classe média alta.
O Governo Federal está comprando Guaraná de dois litros por R$ 5,34 a garrafa. No comércio, o preço habitual é de R$ 4,25. E, nas promoções de supermercados, este colunista já pagou R$ 3,00. O detalhe curioso é que as compras dos Governos são feitas por licitação.
Não estaria na hora de investigar como é que são feitas as licitações? Se é assim em produtos do dia a dia, como será em compras de mercadorias de uso específico?
Justiça a uma brasileira
Margarida Genevois, ativista de Direitos Humanos, ex-presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo (escolhida pelo então cardeal d. Paulo Evaristo Arns), recebeu ontem a Legião de Honra, maior condecoração francesa. A Legião de Honra, criada em 1802 por Napoleão Bonaparte, não pode ser conferida a mais de 75 pessoas – entre elas, Margarida Genevois.
A condecoração foi entregue pelo cônsul-geral da França em São Paulo, Damien Loras.

Movimento Brasil Livre lidera amanhã, em Brasília, protesto em favor do impeachment de Dilma

Parte do grupo que marchou mais de mil quilômetros, de São Paulo a Brasília
Parte do grupo que marchou mais de mil quilômetros, de São Paulo a Brasília
As moças e moços do Movimento Brasil Livre, que saíram de São Paulo, a pé, no dia 24 de abril, já estão em Brasília e realizam amanhã um ato de protesto, na capital federal, em defesa do impeachment da presidente Dilma — não é o item único da pauta, mas é o mais urgente. Na noite de sábado, um acidente entre dois veículos acabou atingindo dois dos caminhantes: Kim Katiguiri e Amanda. Felizmente, nada de mais grave aconteceu. Pedi a Kim que narrasse essa reta final da viagem. Segue o seu relato.
*
Era um dia de sol, mas o vento deixava o clima fresco. Todos nós estávamos bastante animados, pois havíamos descansado bem. O alojamento havia sido cortesia do Padre Genésio, que já havia nos recebido com um almoço em Teresópolis e agora nos acolhia em Abadiânia. Um dia antes, a Polícia Rodoviária Federal havia nos informado um acampamento do MST nos aguardava à frente e que eles haviam recebido ordens para bloquear nossa passagem.
Isso nos lembrou da ameaça do vereador Ismael Costa, do PT de Uberlândia, que havia dito que seríamos “muito bem recebidos na estrada pelo [João Pedro] Stédile”. De qualquer forma, isso não diminuiu o moral do grupo. Pelo contrário: estávamos todos firmes e prontos para a adversidade que viesse, como havia sido durante todos os dias anteriores.
Como de praxe, o ônibus nos levou do alojamento para a estrada para darmos início à caminhada do dia. No percurso, meus colegas de marcha ensaiavam gritos de guerra para quando passássemos em frente ao assentamento. Amanda, uma colega que havia pedido dispensa do trabalho para marchar conosco naquele dia, me perguntou, bem humorada: “E aí, Kim? Cadê a pintura de guerra? Cadê o sangue nos olhos?”. Dei risada. Era consenso no grupo a avaliação de que o MST, no máximo, iria nos vaiar quando passássemos por lá.
Chegamos à rodovia. Depois de feito o alongamento, começamos a andar. Como sempre, seguimos com o passo ritmado e entoando canções de protesto. Na hora do almoço, fizemos apenas uma pequena pausa para um lanche. Queríamos continuar andando. À frente, estava o acampamento dos sem-terra.
De longe, já era possível avistar quatro bandeiras vermelhas, hasteadas no ponto mais alto do acampamento. Reforçamos os gritos de guerra e a percussão ritmada. Tudo dentro das expectativas: os militantes do MST permaneceram no acampamento, sem nos molestar de nenhum modo. Passamos pacificamente.
Anoiteceu. Estávamos quase chegando a Alexânia, todos já bastante cansados. Faltava pouco, muito pouco. Mas, infelizmente, aquela noite demoraria para acabar. Caminhava ao lado de Amanda quando ouvi um estrondo. Virei-me quase por reflexo. Vi um carro preto vindo na nossa direção, a menos de um metro de distância. Não tive tempo de fazer nada.
Fui atingido no tronco. Enquanto caía, vi, em choque, o veículo colher Amanda, que foi arremessada alguns metros, batendo a cabeça contra o nosso carro de apoio. Consegui me levantar usando o braço direito. O esquerdo sangrava muito. Amanda estava desmaiada, com o rosto coberto de sangue. Gritei para uma colega de marcha, que é ortopedista, socorrê-la.
Amanda é socorrida por equipe do Samu : acidente em marcha pelo impeachment
Amanda é socorrida por equipe do Samu : acidente em marcha pelo impeachment
No outro lado da rodovia, enxerguei alguns colegas de marcha perseguindo um homem que cambaleava. Estava visivelmente embriagado. “Deve ter sido o culpado pelo acidente”, pensei. Cheguei a temer que alguns dos nossos colegas pudesse querer agredi-los, já que estavam tensos, revoltados. Pedi que se acalmassem e que apenas o impedissem de fugir.
Depois de 15 minutos, nada de ambulância. Amanda ainda estava inconsciente. Decidimos ir a um hospital para tentar agilizar o atendimento e cuidar do meu braço. Chegando a um posto de Alexânia, soubemos que a ambulância já estava a caminho.
Depois de uma hora de espera, uma enfermeira verificou meu braço. Felizmente, não havia fratura. Depois de limpá-lo, fez um curativo e me deu uma injeção contra a dor. Minutos depois, me ligaram para avisar que Amanda estava bem e que o pessoal já estava no alojamento no qual dormiríamos. Foi um alívio.
Uma marcha que estava trazendo esperança às pessoas quase acaba em tragédia. Quase. Felizmente, seguimos firmes, fortes, e mais unidos do que nunca. Assim, faremos tremer amanhã as bases do Palácio do Planalto.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/movimento-brasil-livre-lidera-amanha-em-brasilia-protesto-em-favor-do-impeachment-de-dilma/

domingo, 24 de maio de 2015

Reynaldo Rocha: Se Levy sair, Dilma cairá

REYNALDO ROCHA

Não faço parte do time do “quanto pior, melhor”. Já fiz. Quando era petista (sim, confesso que fui), a torcida era pelo desastre que aceleraria a queda do “inimigo”. Celebrávamos a tragédia sofrida por terceiros desde que pudesse apressar a derrota de quem deveria ser somente adversário, mas se transformava em inimigo pela nossa visão distorcida. Foi essa uma das causas do meu afastamento. E da minha repulsa pelo que o PT hoje é.
O mercado mundial confia em Dilma? Não, obviamente. A escolha feita no primeiro mandato – Guido Mantega – foi motivo de piadas internacionais. O mínimo que se dizia dele é que, caso indicasse o caminho da esquerda, ficaria claro que o correto era o outro. A revistaThe Economist  rotulou de “100% Man” o brasileiro que errava 100% das previsões. E o mundo sabia que Mantega, um fantoche de Dilma, dizia ou fazia o que a chefe mandava.
É Joaquim Levy quem segura a credibilidade do Brasil. É ele quem tem impedido a perda do grau de investimento, etapa que antecede o desastre completo. Hoje, o ministro da Fazenda se recusou a participar da cerimônia que anunciou os cortes orçamentários de 2015. Levy exigia 80 bilhões. Foram 70. Levy alegou ter sido surpreendido por uma gripe para justificar a ausência.
Recado dado, recado entendido por todos. Na véspera, o senador Lindbergh Farias, do PT do RJ, exigiu a demissão de Levy. Ainda não descobriu que isso resultaria na completa perda de credibilidade. O famoso tiro no pé. Receio que Joaquim Levy já esteja cansado das farsas e desculpas inseparáveis do estilo do governo federal.
Se Levy sair, Dilma cairá. Simples assim. Ela odeia Levy. E Levy não tem qualquer simpatia pela presidente. Ambos apenas se suportam. Dilma faz isso para manter-se no poder mantido por um estelionato eleitoral. Levy tenta colocar em prática, coerentemente, o que aprendeu e ensinou.
Na visão de Nelson Barbosa, ministro do Planejamento e bobo da corte da hora, a situação está sob controle. Os cortes, garantiu, preservam tudo. Se é assim, cabe a pergunta: cortar para quê? O relevante nisso tudo é o que não foi dito. E a ausência de quem deveria estar lá para dizer.

sábado, 23 de maio de 2015

TRIBUTO A UM CÃO


Este tributo foi apresentado ao júri pelo ex-senador americano George Graham Vest (1830-1904), então advogado, que representou o proprietário de um cão da raça FoxHound chamado Old Drum (Velho Tambor) e que foi morto a tiros, propositadamente, pelo vizinho, que desconfiava que Old Drum andava matando suas ovelhas. O fato ocorreu em 23 de setembro de 1870, na cidade de Warrensburg, Missouri, nos Estados Unidos da América. O Senador ganhou o caso e seu discurso arrancou lágrimas dos jurados. Hoje existe uma estátua do cão na cidade e o discurso está inscrito na entrada do tribunal de justiça, ainda existente na cidade (imagem acima). Em 2000, a história do julgamento originou o filme The Trial of Old Drum.

“O mais altruísta dos amigos que um homem pode ter neste mundo egoísta, aquele que nunca o abandona e nunca mostra ingratidão ou deslealdade é o cão.
Senhores jurados, o cão permanece com seu dono na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença. Ele dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente.
Quando só ele estiver ao lado de seu dono, ele beijará a mão que não tem alimento a oferecer, ele lamberá as feridas e as dores que aparecem nos encontros com a violência do mundo.
Ele guarda o sono de seu próprio dono como se fosse um príncipe. Quando todos os amigos o abandonarem, o cão permanecerá. Quando a riqueza desaparece e a reputação se despedaça, ele é constante em seu amor como o Sol em sua jornada através do firmamento.
Se a fortuna arrasta o dono para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo, para protegê-lo contra o perigo, para lutar contra os inimigos.
E quando a última cena se apresenta, a morte o leva em seus braços e seu corpo é deixado na laje fria, não importa que todos os amigos sigam seu caminho, lá ao lado de sua sepultura se encontrará seu nobre cão, a cabeça entre as patas, os olhos tristes mas em atenta observação, fé e confiança mesmo à morte.”

“Jesus liberta da cachaça”

“Jesus liberta da cachaça”

Na quarta-feira, em um encontro com sindicalistas, Lula ironizou os pastores evangélicos dizendo que, para eles, se “você está desempregado, é o diabo, está doente é o diabo”. Silas Malafaia, como já era de se esperar, nem esperou muito para rebater as críticas do ex-presidente às lideranças evangélicas.
Malafaia acaba de publicar um vídeo em que diz que o mensalão, o petrolão, a roubalheira na refinaria de Pasadena e outros desvios “escondidos”, além do “estelionato eleitoral”, não são culpa do diabo, e sim do PT. O líder da Assembleia de Deus diz que só a mentira vem do demônio, pede que Lula “pare de mentir” e assuma que “sabia de toda a roubalheira do seu partido”.
Antes do “Deus abençoe a todos” final, Malafaia dá outro conselho ao ex-presidente:
- Lula, você vai entender. Você sabia que Jesus liberta da cachaça?
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/religiao/em-video-malafaia-responde-a-criticas-de-lula-a-evangelicos-e-diz-a-ex-presidente-jesus-liberta-da-cachaca/

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Padim Lula: da unção à maldição

José Nêumanne: Padim Lula: da unção à maldição

Publicado no Estadão
JOSÉ NÊUMANNE
Ricardo Pessoa, ex-engenheiro da OAS e empreiteiro da UTC, foi escalado na seleção dos “campeões mundiais” ungidos com as bênçãos do padim Lula de Caetés. Egresso de uma carreira anônima de executivo da construtora baiana, cujo dono era genro de um figurão da República nos anos JK, na ditadura militar, na Nova República e no mandarinato tucano, Antônio Carlos Magalhães, o ACM – dependendo das circunstâncias, Toninho Malvadeza ou Ternura –, subiu na vida como um foguete. E caiu ao fundo do pré-sal acusado de chefiar um cartel que demoliu o patrimônio e a credibilidade da joia da coroa estatizada brasileira, no qual dava cartas para os ex-patrões da OAS e outros figurões carimbados da construção civil nacional: Camargo Corrêa e Odebrecht, entre eles. Subida ao céu e descida aos infernos sob a égide do padroeiro.
Os irmãos Joesley e Wesley Batista, filhos de José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, que em 1953 abriu a Casa de Carnes Mineira, um pequeno açougue em Anápolis (GO), adotaram as iniciais do nome do pai, JBS, para denominar um grupo que, no século 21, passou a ser o maior processador de proteína animal do mundo, com 152 mil empregados. Para recorrer a uma metáfora futebolística, tão ao gosto do padim, é como se a Anapolina, cuja torcida chama de xata (com x mesmo), decolasse da Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol para ganhar o título mundial contra Barcelona ou Juventus de Turim, não importa.
Há, contudo, uma diferença capital entre os Batistas e Pessoa: enquanto este usa uma tornozeleira para não sair de casa, os goianos comemoram, ano após ano, lucros fabulosos. O máximo de incômodo pode ter sido a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de exigir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) abra o sigilo, que tem mantido teimosamente, sobre as vultosas quantias a que a instituição pública se tem associado em suas conquistas no Brasil e alhures. O estouro da boiada, de Consuelo Dieguez, na Piauí, conta como.
Se o TCU não encontrar nada de errado nas relações entre empresa particular e banco estatal, a não ser generosidade de compadre, a esta altura do campeonato restará a constatação de que os filhos de Zé Mineiro serão privilegiados também pelo fato de o ouro do esperto alquimista de Caetés não ter virado cinzas. Mas o clã mineiro em Goiás nunca será acusado de esbanjar, pois tem multiplicado cada centavo da “viúva” injetado. Ao contrário de Eike Batista, filho de Eliezer, o badalado gestor da Vale estatal que operou o “milagre” da transformação de metal precioso em porcaria, reduzindo a pó todos os papagaios de notas de dólar que empinou e tornando uma herança de mandarim um festival de falências.
Já houve quem dissesse que o melhor negócio do mundo é um poço de petróleo bem administrado e o segundo melhor, um poço de petróleo mal administrado. Eike desafiou essa lei do mercado, mas não passou de um golden boy num ringue de pesos pesados. Se é verdadeiro o grave conteúdo das delações premiadas coletadas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná e que têm merecido atenção e aprovação do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, a ex-maior empresa brasileira, a estatal Petrobrás, despencou do alto de desempenho e reputação invejáveis no mundo para o fundo dos próprios poços na profundeza dos mares, em caixa, patrimônio e credibilidade.
Um dos presos na investigação, antes condenado no escândalo do mensalão, o ex-deputado Pedro Corrêa disse à CPI da Petrobrás que o ex-presidente Luiz Inácio só não foi preso porque ninguém teve coragem de fazê-lo. No depoimento, ele delatou: “Lula achava que o Paulo deveria ser diretor de Abastecimento”. O delator recorreu ao testemunho de um morto, José Janene, mas não faltam vivos que se lembrem do carinho com que Lula tratava seu afilhado de “Paulinho”.
Essa talvez seja a única explicação razoável para o desabafo que o dono do dedo que ungiu os “campeões mundiais” andou fazendo em Brasília na semana passada. De acordo com relato dos colegas Andreza Matais e Ricardo Brito, da sucursal de Brasília, publicado neste jornal no sábado, o ex “admitiu” que “não atravessa uma boa fase”. Duvida quem, como o autor destas linhas, frequentou sua casa na vila operária do Jardim Assunção e sabe que hoje o padim mora em apartamento de luxo na mesma cidade de São Bernardo. E tem garantido conforto para veraneios no Guarujá em apartamento tríplex que, segundo seus acusadores, foi concluído pela OAS para a Bancoop, que não tem um histórico muito católico de entregar vivendas que vendeu. Será exagero concluir que ele cospe na própria sorte? Talvez.
Mas uma parábola futebolística é muito adequada se se juntar o que se publica nas páginas de política, polícia e esportes hoje em dia. O Corinthians não sabe, nem tem, como pagar dívida de R$ 1,15 bilhão pelo estádio ainda sem nome que o BNDES ajudou a Odebrecht a construir para o time do coração de Lula. E este e vários dos ungidos por ele enfrentam dificuldades mais amargas do que a eliminação do ex-campeão mundial da Libertadores.
O MPF leva adiante investigação sobre o poder de indicar executivos heterodoxos para gerir dinheiro público de uma amiga íntima de Lula, Rosemary Noronha, que, nomeada por ele, chefiou o escritório da Presidência da República em São Paulo. Em Portugal, o ex-premier José Sócrates, preso, responde por suspeita de protagonizar o escândalo dos sanguessugas. No processo, o colega brasileiro é citado, e não pelo feito de ser autor do prefácio de seu livro sobre tortura.
Relatam os repórteres que o preocupa mais a eventual delação premiada de Pessoa, cuja empresa tinha há sete meses R$ 10 bilhões em contratos ativos com a Petrobrás. Se este contar por que chefiava os maiores tocadores de obras de Pindorama, aí, quem sabe, a vaca tussa e a porca torça o rabo.

Tem gente que acredita no discurso.., Haja óleo de peroba!

Jandira, a comunista, escolheu o lado da luta de classes: o da executiva

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Devagar com o andor do comunismo!
A luta de classes tem limites. Um leitor me envia a foto da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que dia desses cantou as glórias da guerrilha do Araguaia na Câmara, na Business Class da Air France (voo AF 443 do dia 19/5/2015).
Ainda bem que aquele troço lá no Araguaia não deu certo, né? Em tempo: obviamente, ela não participou daquela “luta”. Tivesse prosperado, a comuna Jandira não poderia viajar com tanto conforto.
Nota: nenhuma metáfora da luta de classes é tão recorrente como a distinção entre os viajantes de um avião.
Como disse Jandira no tal discurso, ela escolheu o lado.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/jandira-a-comunista-escolheu-o-lado-da-luta-de-classes-o-da-executiva/