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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pra pensar...,


Dilmal e o Agente 51


Filme interessante, Charles Chaplin imaginou isso...,

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

*Charles Chaplin

O Curioso Caso de Benjamin Button

  
Título original: (The Curious Case of Benjamin Button)
Lançamento: 2008 (EUA)
Direção: David Fincher
Atores: Brad PittCate BlanchettJulia Ormond, Faune A. Chambers.
Duração: 166 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado

O Curioso Caso de Benjamin Button - Cartaz

Sinopse

Nova Orleans, 1918. Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Quando ainda criança ele conhece Daisy (Cate Blanchett), da mesma idade que ele, por quem se apaixona. É preciso esperar que Daisy cresça, tornando-se uma mulher, e que Benjamin rejuvenesça para que, quando tiverem idades parecidas, possam enfim se envolver.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Compare os discursos

Compare com um discurso do Hitler verdadeiro, doente, megalomaníaco..., e pense no estrago que um maluco desses é capaz de fazer na mente das pessoas, principalmente nos jovens. Existem muitos à solta mundo afora, inclusive no Brasil.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Moby Dick - Leitura indispensável



Leia trecho de "Moby Dick", livro de Herman Melville
Miragens
Trate-me por Ishmael. Há alguns anos não importa quantos ao certo, tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas. É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação. Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro; e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e rigorosamente arrancar os chapéus de todas as pessoas então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar. Esse é o meu substituto para a arma e para as balas. Com garbo filosófico, Catão corre à sua espada; eu embarco discreto num navio. Não há nada de surpreendente nisso. Sem saber, quase todos os homens nutrem, cada um a seu modo, uma vez ou outra, praticamente o mesmo sentimento que tenho pelo oceano.
Eis a cidade insular dos manhattoes, rodeada pelo cais como o são as ilhas indígenas por recifes de corais o comércio a cerca com sua ressaca. À direita e à esquerda, as ruas levam ao mar. No seu extremo sul fica Battery, onde o ilustre quebra-mar é lavado por ondas e refrescado por brisas, que poucas horas antes sopravam no mar alto. Veja o grupo de pessoas que ali contempla a água.
Perambule pela cidade numa tarde etérea de sábado. Vá de Corlears Hook para Coenties Slip e de lá para o norte, via Whitehall. O que se vê? Plantados como sentinelas silenciosas por toda a cidade, milhares e milhares de pobres mortais perdidos em fantasias oceânicas. Alguns encostados nos pilares; outros sentados de um lado do cais; ou olhando sobre a amurada de navios chineses; ou, ainda mais elevados, no cordame, como que tentando conseguir dar uma olhada ainda melhor no mar.

Apparício Torelli, Barão de Itararé. O Brando!



Apparício Torelli, Barão de Itararé, o Brando, (1895/1971), "campeão olímpico da paz", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado", "cantor lírico", "andarilho da liberdade", "cientista emérito", "político inquieto", "artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker", como se definia, era gaúcho e é um dos maiores humoristas de todos os tempos."   


"Dele disse Jorge Amado: "Mais que um pseudônimo, o Barão de Itararé foi um personagem vivo e atuante, uma espécie de Dom Quixote nacional, malandro, generoso, e gozador, a lutar contra as mazelas e os malfeitos".

Aqui pode-se ver o brasão da Casa de Itararé:

Antes "Duque", num gesto de humildade rebaixou-se para "Barão"...


.De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
. Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
. Quem empresta, adeus...
. Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
. Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
. Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
. Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
. Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.
. Quem só fala dos grandes, pequeno fica.
. Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
. Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de .  
  Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no 
  sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra).
. Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça 
  para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
. Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, 
  o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
. Os juros são o perfume do capital.
. Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
. Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
. O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
. A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.
. Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
. Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
. Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
. Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
. É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
. A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
. Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
. O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
. Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
. Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
. A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
. Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
. Pão, quanto mais quente, mais fresco.
. A promissória é uma questão "de...vida". O pagamento é de morte.
. A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.



Apparício Torelly, (o "Barão de Itararé), que também usou o pseudônimo de "Apporelly", 
era gaúcho de Rio Grande, nascido em 29/01/1895. 
Estudou medicina, sem chegar a terminar o curso, e já era conhecido 
quando veio para o Rio fazer parte do jornal O Globo, 
e depois de A Manhã, de Mário Rodrigues, um temido e desabusado panfletário. 
Logo depois lançou um jornal autônomo, com o nome de "A Manha". 
Teve tanto sucesso que seu jornal sobreviveu ao que parodiava. 
Editou, também, o "Almanhaque — o Almanaque d'A Manha".
Faleceu no Rio de Janeiro em 27/11/71. O "herói de dois séculos", 
como se intitulava, é um dos maiores nomes do humorismo nacional. 
Extraído de "Máximas e Mínimas do Barão de Itararé", 
Distribuidora  Record de Serviços de Imprensa - Rio de Janeiro, 1985, págs. 27 e 28, 
coletânea organizada por Afonso Félix de Souza.
.



Frases de Nelson Rodrigues




- O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade.

- Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

- Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo.
Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas.

- A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose.
Os admiradores corrompem.

- O brasileiro não está preparado para ser "o maior do mundo" em coisa nenhuma.
Ser "o maior do mundo" em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância,
 implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.

- Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo.
 Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.

- Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

- O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza.
Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão.
Mas o fato de ser ministro já o empalha.
É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.

- Assim como há uma rua Voluntários da Pátria,
podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, rua
Traidores da Pátria.

- Está se deteriorando a bondade brasileira.
De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

- O boteco é ressoante como uma concha marinha.
Todas as vozes brasileiras passam por ele.

- A mais tola das virtudes é a idade.
Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos?
Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

- Outro dia ouvi um pai dizer, radiante: — "Eu vi pílulas
anticoncepcionais na bolsa da minha filha de doze anos!".
Estava satisfeito, com o olho rútilo. Veja você que paspalhão!

- Em nosso século, o "grande homem"
 pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta.

- O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros.
Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.

- Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento.
É uma ressentida contra si mesma.

- Acho a velocidade um prazer de cretinos.
Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

- Chegou às redações a notícia da minha morte.
E os bons colegas trataram de fazer a notícia.
Se é verdade o que de mim disseram os necrológios,
com a generosa abundância de todos os necrológios,
sou de fato um bom sujeito.

Cadê as 6 mil casas anunciadas por Dilma e Cabral?


Os brasileiros conformados com a vida não vivida agora se rendem à morte anunciada

O Orçamento da União reservou R$ 296,9 milhões para o programa de Prevenção e Preparação para Desastres Naturais, uma peça de ficção vinculada ao lastimavelmente real Ministério da Integração Nacional. A três meses do início da temporada das chuvas e inundações, informouO Globo nesta segunda-feira, ninguém viu a cor do dinheiro. Dos R$ 9 milhões prometidos ao Rio de Janeiro para 2011, por exemplo, nenhum centavo saiu do papel. Como a verba não chegou, nada se fez. Nenhuma obra, sequer uma medida preventiva apareceu para reduzir o medo nos morros cariocas e na Região Serrana.
Ainda recolhidos a abrigos improvisados em Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis, flagelados de janeiro aguardam a chegada da estação dos temporais com a angústia dos indefesos. Ninguém sabe que fim levaram as 6 mil casas anunciadas por Dilma Rousseff e Sérgio Cabral. Foram mais de mil os soterrados e afogados há menos de um ano. E os que perderam parentes não se queixam. Outros tantos podem ser levados por inundações e deslizamentos de terra. E os marcados para morrer não protestam. Os brasileiros conformados com a vida mal vivida agora se rendem à morte anunciada.
De novo, Dilma Rousseff e Sérgio Cabral vão assistir de longe à reedição do pesadelo. Enquanto as imagens do horror frequentarem as vitrines dos telejornais e as primeiras páginas, os comparsas capricharão na cara de choro, repetirão promessas que não serão cumpridas e lembrarão que, graças à harmonia entre os governos federal e estadual, o Rio se transformou numa Califórnia sul-americana, só que  com praias e mulheres mais bonitas. Cúmplices por omissão da matança premeditada, Dilma e Cabral  não escapariam da ira das vítimas se o rebanho fosse menos obediente.
As coisas mudaram. Antes inclementes com nulidades e impostores, os “intelectuais e artistas” do Rio hoje ajudam a manter em altitudes confortáveis a popularidade de uma dupla de farsantes. Antes da posse de Lula, eles lutavam alistados no Batalhão da Bic. Com a caneta permanentemente engatilhada, não perdiam um único abaixo-assinado contra alguma coisa ─ da privatização de empresas estatais aos maus modos do guarda de trânsito, da falta de dinheiro federal para a cultura brasileira à impontualidade do entregador de pizza. De janeiro de 2003 para cá, nada conseguiu animá-los a sacar a Bic do coldre.
Para os loucos por um manifesto, pareceram pouco relevantes a institucionalização da ladroagem impune, a roubalheira do mensalão e todos as outras, a expansão espantosa do Clube dos Cafajestes, a parceria promíscua entre vestais de araque e messalinas juramentadas, a metamorfose obscena do sumo-sacerdote da seita e a cabeça indigente de Dilma Rousseff, fora o resto. Tudo é tolerável, grita o silêncio dos combatentes aposentados. Preferem não enxergar diferenças entre a corrupção e a honradez. Capitularam.
As multidões afundadas na pobreza sobrevivem como podem. Os deserdados do Brasil aprenderam faz tempo a sofrer sem balidos. Vão agora aprendendo que devem ser gratos a seus algozes.
Augusto Nunes

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Nomes próprios"



Nelson Motta
Como expressão de afeto e intimidade, os apelidos dizem mais das pessoas do que seus próprios nomes. Como maledicência, às vezes geram obras-primas de humor e critica social. O ex-deputado alagoano Cleto Falcão, que as más línguas diziam ser meio agatunado, foi apelidado de Clepto Falcão. E o ex-governador mineiro Hélio Garcia, que seria muito chegado aos copos, de Ébrio Garcia.
Brasília gargalhou quando o baixinho Celso Amorim, por sua mania de grandeza, foi alcunhado de Megalomaníaca. No Paraná todos sabem que o ex-governador Requião é chamado de Maria Louca, mas há controvérsias sobre a sua origem. Garotinho surrupiou o apelido de um famoso locutor esportivo carioca. ACM alcunhou, com sucesso, Michel Temer de “mordomo de filme de terror”. Grande mestre do uso político de apelidos, Brizola provocou gargalhadas e estragos eleitorais chamando Lula de “sapo barbudo”, Moreira Franco de “gato angorá” e Collor de “filhote da ditadura”.
Madre superiora. Em diálogos entre corruptos gravados pela Polícia Federal, Sarney é chamado de “madre superiora”. Faz sentido. Como “Rei”, só existem dois, Roberto Carlos e Pelé, e como “Bruxo” também: Machado de Assis e Golbery do Couto e Silva.
Como siglas, só três sobrevivem: JK, ACM e FHC. Grandes craques têm sempre apelidos, Pelé, Zico, Tostão, Didi, Fenômeno, ninguém pode bater um bolão como Castro, Góis ou Motta.
Dunga teve que superar o apelido ridículo para ser um campeão, assim como Pato e Ganso. Popó nocauteou Acelino. Fofão não seria uma estrela do vôlei como Hélia Pinto.
Tim teria o mesmo sucesso como Sebastião Maia? Cartola seria famoso como Angenor de Oliveira? Lulu Santos seria um popstar como Luiz Mauricio?
Ninguém imagina Lobão cantando, falando e fazendo o que faz se fosse só João Luiz. Gay e transgressivo, Cazuza não poderia ser um ídolo do rock como Agenor Araújo. Paulinho Boca de Cantor, Gato Félix, Bolacha e Baby Consuelo, batizada como Bernardete, só poderiam ser dos Novos Baianos.
Um dos apelidos recentes mais criativos é o aparentemente inofensivo Estebán, que é como a oposição venezuelana chama Hugo Chávez.
É a abreviação de “este ban-dido”.

Idéias estéticas da arte



ATHENA
(presença da cultura Grega)
Tem duas formas, ou modos, o que chamamos cultura. Não é a cultura senão o aperfeiçoamento subjetivo
da vida. Esse aperfeiçoamento é direto ou indireto; ao primeiro se chama arte, ciência ao segundo. Pela arte nos aperfeiçoamos a nós; pela ciência aperfeiçoamos em nós o nosso conceito, ou ilusão, do mundo.       Como, porém, o nosso conceito do mundo compreende o que fazemos de nós mesmos, e, por outra parte, no conceito, que de nós formamos, se contêm o que formamos das sensações, pelas quais o mundo nos é dado; sucede que em seus fundamentos subjetivos, e portanto na maior perfeição em nós -- que não é senão a sua maior conformidade com esses mesmos fundamentos --, a arte se mistura com a ciência, a ciência se confunde com a arte.
       Com tal assiduidade e estudo se empregam os sumos artistas no conhecimento das matérias, de que hão de servir-se, que antes parecem sábios do que imaginam, que aprendizes da sua imaginação. Nem escasseiam, assim nas obras como nos dizeres dos grandes sabedores, lucilações lógicas do sublime; em a lição deles se inventou o dito, o belo é o esplendor do vero, que a tradição exemplarmente errônea, atribuiu a Platão. E na ação mais perfeita que nos figuramos -- a dos que chamamos deuses -- a unamos por instinto as duas formas da cultura: figuramo-los criando como artistas, sabendo como sábios, porém em um só ato; pois o que criam, o criam inteiramente, como verdade, que não como criação; e o que sabem, o sabem inteiramente, porque o não descobriram mas criaram.
       Se é lícito que aceitemos que a alma se divide em duas partes -- uma como material, a outra puro espírito --, de qualquer conjunto ou homem hoje civilizado, que deve a primeira à nação que é ou em que nasceu, a segunda à Grécia antiga. Excetas as forças cegas da Natureza, disse Sumner Maine, quanto neste mundo se move, é grego na sua origem.
       Estes gregos, que ainda nos governam de além dos próprios túmulos desfeitos, figuraram em dois deuses a produção da arte, cujas formas todas lhes devemos, e de que só não criaram a necessidade e a imperfeição. Figuraram em o deus Apolo a liga instintiva da sensibilidade com o entendimento, em cuja ação a arte tem origem como beleza. Figuraram em a deusa Athena a união da arte e da ciência, em cujo efeito a arte (como também a ciência) tem origem como perfeição. Sob o influxo do deus nasce o poeta, entendendo nós por poesia, como outros, o princípio animador de todas as artes; com o auxílio da deusa se forma o artista.
       Com esta ordem de símbolos -- e assim nesta matéria como em outras -- ensinaram os gregos que tudo é de origem divina, isto é, estranho ao nosso entendimento, e alheio à nossa vontade. Somos só o que nos fizeram ser, e dormimos com sonhos, servos orgulhosos neles da liberdade que nem neles temos. Por isso o nascitur que se diz do poeta, se aplica também a metade do artista. Não se aprende a ser artista; aprende-se porém a saber sê-lo. Em certo modo, contudo, quanto maior o artista nato, maior a sua capacidade para ser mais que o artista nato. Cada um tem o Apolo que busca, e terá a Athena que buscar. Tanto o que temos, porém, como o que teremos, já nos está dado, porque tudo é lógico. Deus geometriza, disse Platão.

Idéias Estéticas da Arte
*Fernando Pessoa.

domingo, 25 de setembro de 2011

‘Enquanto a bola rola’


Por Nelson Motta
Para quem ama futebol não existe nada melhor do que ir a uma Copa do Mundo e assistir a todos os jogos, com o seu time terminando campeão. Mas nada pode ser pior para um torcedor apaixonado do que ir a uma Copa e não conseguir ver os jogos. Para assistir pela televisão, é mais barato e confortável ficar em casa, ou no bar com os amigos, tomando sua cervejinha no ar-condicionado. Ver um jogo no estádio é muito diferente, é uma sensação insuperável para quem ama o futebol, que nem a melhor TV em 3D consegue dar.
Quem vai viajar milhares de milhas e gastar milhares de dólares para ir a uma Copa do Mundo e não ver os jogos? Pelas contas oficiais, muita gente: 600 mil turistas são esperados para a Copa de 2014. Como entre brasileiros e estrangeiros só 80 mil vão ver a final no Maracanã, vai sobrar muito turista fora do estádio, assistindo pela TV, como se estivesse em sua própria casa. Nas semifinais, serão só 130 mil ingressos para nativos e gringos e, nas quartas, só 260 mil privilegiados vão assistir aos quatro jogos ao vivo. Os cidadãos que pagaram a conta da festa vão ver na TV.
Otimista, o Ministério do Turismo também espera 3,7 milhões de brasileiros viajando pelo País durante a Copa, mas a grande maioria não tem chance de ver os jogos além das oitavas de final. O que essa multidão de turistas – que adora futebol e gasta muito dinheiro para viajar – vai fazer aqui se não puder ver os jogos? Só se for turismo sexual. Para turistas não futebolísticos, viajar para o Brasil no inverno é uma roubada. O pior é gastar uma grana para ver seu país ser eliminado logo no início e ficar zanzando como um zumbi futebolístico, fingindo que ainda está interessado na Copa.
Mas a ministra do Planejamento já planejou: como os projetos de mobilidade urbana não vão ficar prontos para a Copa, para diminuir o número de pessoas na rua e a demanda por transporte público, pode ser decretado feriado nos dias de jogos. Enquanto 70 mil, que é menos da metade do público do Rock in Rio, vão ao estádio, o resto da “turistama” fica de bobeira, com o comércio fechado e a cidade parada, vendo a Copa pela TV.

Não é implicância, nada contra as mulheres, mas ela é muito ruim...,


Dilma Rousseff, depois do discurso na ONU: em 70 segundos, fortes emoções

Celso Arnaldo Araújo
Volta triunfal da presidente Dilma ao hotel Waldorf Astoria, depois de abrir o debate geral da 66ª Assembleia Geral da ONU – aliás, a 66ª vez consecutiva, desde 1947, que a chamada AGNU foi aberta por um brasileiro, tradição estabelecida pelo primeiro orador do evento, o diplomata gaúcho Osvaldo Aranha. Presidentes (FHC em 2001, Lula em 2003) e diplomatas (ministro Celso Amorim, no ano passado) sucederam-se, nesses anos todos, no púlpito reservado ao Brasil – com 5% da repercussão antecipada do discurso de Dilma. Ganha o contracheque de José Sarney em setembro quem se lembrar de uma linha ou de um assunto tratado por Celso Amorim na abertura da Assembleia de 2010.
Mas Dilma, reconheça-se a primazia, foi a primeira mulher a abrir o debate geral – por ser a primeira mulher presidente e nunca ter havido uma ministra das Relações Exteriores. Leu o discurso-clichê preparado por sua equipe (Patriota, Garcia) com garbo e firmeza, provocando aplausos do plenário da ONU, repleto de gente graúda. É contra a miséria, a doença, a injustiça social, a poluição, a violência contra a mulher, a desigualdade, a inflação, o déficit público, o descontrole de gastos. É pelos direitos humanos e pela paz entre os povos.
É, por estes dias, uma nova estrela no firmamento de New York, New York. Onde vai, é seguida. Onde chega, é aguardada. A mulher que encantou representantes de 192 estados-membros com seu discurso certamente tem muito mais a elaborar sobre esse momento histórico.
–Senhora presidente, senhora presidente… ─ apela um repórter, na calçada.
Dilma desvia-se da porta do Waldorf e, como ontem, concede dirigir-se ao cantinho da imprensa. Ainda no caminho, ouve a primeira pergunta, registrada pelo vídeo de apenas 35 segundos disponível no Blog do Planalto:
– A senhora se emocionou?
Abre os braços e os deixa caír pesadamente, para iniciar o sempre penoso calvário do improviso:
– É sempre uma emoção falar na Assembleia Geral, abrindo, a primeira mulher, uma emoção grande — resume Dilma, sugerindo que já falou em outras assembleias da ONU, ficando emocionada sempre.
– Qual foi a sensação? — insiste o repórter.
– Eu gostei de falá, acho que é importante pro Brasil, pras mulheres, foi muito bom.
– E a repercussão?
– Eu achei ótimo.
Mas a presidente Dilma terá muito mais a dizer. Um segundo vídeo no Blog do Planalto, também de apenas 35 segundos, registra a resposta dada a uma jornalista brasileira, identificada como repórter da Rádio ONU, provavelmente na mesma ocasião, sob a marcação cerrada de Patriota e Mercadante:
– Que lembranças a senhora vai levar desse evento?
– A lembrança do seguinte: foi um momento especial, eu acho, pra mim, para o Brasil e para as mulheres. Vou levar essa lembrança, da presença calorosa, eu acho, das mulheres desse plenário também (riso nervoso). Foi uma coisa importante que interagiu comigo.
— (Pergunta inaudível)
— Sem sombra de dúvida.