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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Completamente sem noção...,


O mensaleiro condenado pelo Supremo quer esperar na Câmara a chegada do camburão

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal, além de enquadrado por falsidade ideológica pela Justiça Federal de Minas Gerais, José Genoino foi assaltado por um surto de sensatez e, surdo aos apelos da presidente Dilma Rousseff, manteve a decisão de demitir-se do cargo de “Assessor Especial do Ministério da Defesa”. Neste domingo, animado com a derrota imposta a meia dúzia de jornalistas pela tropa de jagunços que o escoltou até a seção eleitoral, retomou a rotina da insanidade. E quer esperar no Congresso a fixação do tempo em que dormirá na cadeia.
Rebaixado a suplente pela eleição de 2010, o companheiro que presidia o PT quando o escândalo foi descoberto agora reivindica a vaga aberta na Câmara pela saída de Carlinhos Almeida, eleito prefeito de São José dos Campos .”O Genoino é o suplente e vai assumir sem problema nenhum”, endossa Rui Falcão, presidente do PT. “Genoino precisa recuperar a sua cidadania política”, avaliza o deputado paulista Paulo Teixeira, feliz com o regresso iminente do parceiro que manteve um gabinete por lá entre 1982 e 2002.
Derrotado por Geraldo Alckmin na disputa pelo governo paulista, ele teria reincidido em 2006 se a repercussão da roubalheira descoberta um ano antes não o aconselhasse a conformar-se com mais uma temporada no Legislativo. Eleito com menos de 100 mil votos, não foi além da suplência quatro anos mais tarde. Sonhava com um desempenho menos pífio na próxima quando foi atropelado pelo Código Penal.
Na Mansão dos Horrores, o deputado Genoino vai sentir-se em casa. Primeiro, porque conhece todo mundo. Segundo, porque na Câmara da Era Lula folha corrida vale muito mais que currículo, e o prontuário do companheiro condenado é bem mais impressionante que a biografia. Desde que foi condenado, por exemplo, ele recita que a Corte Suprema do Brasil democrático tem obrigação de inocentá-lo por ter lutado nos cafundós do Araguaia pela implantação da ditadura comunista. Esse argumento só recomenda uma internação no hospício.
Bem mais convincentes são as anotações na capivara. Um quadrilheiro corrupto não é um deputado qualquer. Merece esperar a chegada do camburão na presidência da Câmara.
*Augusto Nunes

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Náufragos...,


Os candidatos que pediram socorro a Dilma Rousseff naufragaram nas urnas

Dilma Rousseff resolveu estrear como articuladora política e cabo eleitoral na temporada de caça ao voto de 2012. Para impedir a reeleição do prefeito Márcio Lacerda ─ e, por tabela, desmontar o projeto presidencial de Aécio Neves, a chefe de governo articulou a candidatura de Patrus Ananias em Belo Horizonte. De olho na capital mineira, foi para Porto Alegre votar em Adão Villaverde. Os dois companheiros do PT afundaram já no primeiro turno.
Animada com os fiascos na cidade onde nasceu e no seu domicílio eleitoral, Dilma decidiu animar comícios em Salvador, Campinas e Manaus. Nos três palanques, como fizera em Belo Horizonte,  avisou que seria generosa apenas com municípios administrados por gente do seu time. Neste domingo, os companheiros Nelson Pelegrino, Márcio Pochmann e Vanessa Graziotin foram goleados pelos adversários.
Convidada a comemorar a vitória de Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo, é compreensível que não tenha conseguido disfarçar o sorriso amarelo de quem corta o bolo em festa de aniversário dos outros. Haddad é coisa de Lula. Que, para eleger o afilhado, transformou Marta Suplicy em coisa de Dilma.
*Augusto Nunes

sábado, 27 de outubro de 2012

Apagão...,


Os apagões advertem: Dilma pode presidir a escuridão que Lula fingiu ter revogado

Nomeado ministro de Minas e Energia em janeiro de 2008, Edison Lobão mostrou já no primeiro apagão que o padrinho José Sarney indicara o homem errado para o cargo errado: em vez de anunciar o que faria para tirar da UTI o sistema de distribuição de energia, o agregado da Famiglia rebaixou o que ocorrera a “interrupção no abastecimento de eletricidade”. Há um mês e meio, quando mais uma pane escureceu as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, foi a vez de Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, recorrer a malandragens semânticas para desdenhar do perigo.
“O que aconteceu foi um ‘apaguinho’ e não um apagão, como o de 2001″, fantasiou Chipp. “Esse durou pouco tempo”. Por tal critério, tampouco fora apenas um “apaguinho” o blecaute que, dois meses antes, afetara a região Nordeste. Por ordem de Lula, não existe apagão no Brasil Maravilha que o chefe pariu e Dilma Rousseff amamenta. Esse tipo de escuridão foi inventado por Lula e revogado em 2003 pelo maior dos governantes desde Tomé de Souza.
Alguém esqueceu de avisar o ministro interino Márcio Zimmermann, surpreendido na madrugada desta sexta-feira pelo sumiço da energia elétrica em todos os nove Estados do Nordeste e parte da região Norte. O substituto de Lobão, convém ressalvar, evitou disciplinadamente a palavra proibida: nas entrevistas que concedeu, apagão virou “evento”. Mas pelo menos não fez de conta que a situação é tão boa que, se melhorar, estraga. Já é alguma coisa.
“Há uma diminuição de confiabilidade no sistema elétrico brasileiro”, reconheceu Zimmermann. “O quadro não é normal”. O que o interino qualifica de anormal pode ser a antessala do colapso. Ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2007, Dilma Rousseff nunca foi além de remendos. A troca de Dilma por Edison Lobão serviu apenas para reafirmar que, no Brasil, o que está péssimo sempre pode piorar.
Em 2001, Fernando Henrique Cardoso admitiu a existência de carências graves e enfrentou a crise sem malandragens de palanqueiro. Lula e Dilma preferiram varrer o problema para baixo do tapete. Junto com milhões de brasileiros que seguem dormindo o sono dos crédulos profissionais. Dilma pode acordar no meio da escuridão que, embora revogada por Lula, não terá prazo para terminar.
“Um apagão é um problemaço”, escreveu em sua coluna o jornalista Carlos Brickmann. “Três apagões em 34 dias são mais do que três problemaços: são uma indicação de que o sistema brasileiro de energia enfrenta problemas. Pior: o  governo sabe dos problemas, tanto que teme falta de luz quando acaba uma novela; e continua brincando de explicar. A última: “não é apagão, é apaguinho”.
Brickmann endossa o alerta do especialista Ildo Sauer, professor da USP: “Uma parte do sistema é cinquentão e deveria ter passado por um processo de manutenção e substituição. A indicação mais óbvia de que isso não ocorreu são os apagões”. E encerra a nota com a localização do paradeiro de Edison Lobão: “O ministro das Minas e Energia está hospitalizado em São Paulo. Ele sabe o que faz: no Hospital Albert Einstein, há ótimos geradores”.
É isso.



Ótima entrevista com Chico de Oliveira

Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, mais conhecido como Chico de Oliveira. Sociólogo, Nordestino de Recife, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores(PT). Formou-se em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco. Professor aposentado de Sociologia do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), foi um dos fundadores do Cebrap. Assistam a entrevista, véspera de eleições..., vale a pena ver.

Debate Serra x Haddad


Serra dá um banho no debate; Haddad se viu na contingência até de elogiar programas criados pelo adversário e confundiu segurança com arrogância

Sim, sim, claro!, eu vou votar no tucano José Serra, como todo mundo sabe. Se alguém achar que isso turva a minha objetividade, basta não levar em conta o que escrevo e acabou. Vamos lá. Serra teve um desempenho muito superior ao do petista Fernando Haddad — creio que o debate da Globo estará na Internet daqui a pouco, e quem não acompanhou o embate pode fazer a sua própria avaliação. Refiro-me ao conteúdo das respostas e ao comportamento dos postulantes. Se isso vai resultar em voto ou não, aí não tenho como prever.
Num encontro que durou apenas uma hora, num ritmo frenético, com intervalo de dois minutos entre um bloco e outro, os detalhes fazem diferença. Chamo a atenção para alguns.
1 – provocado por Serra, o petista se viu na contingência de elogiar dois programas criados pelo adversário — o Mãe Paulistana e o Remédio em Casa;
2 – o petista também se comprometeu, caso eleito, em honrar o compromisso firmado pela atual gestão com os professores, que prevê reajuste de 25%;3 – Haddad disse também que, se prefeito, vai manter o contrato com as Organizações Sociais que administram aos aparelhos de saúde; isso desmente seu programa de governo;3 – Visivelmente inseguro, treinado para se mostrar sempre assertivo, Haddad acabou se mostrando, na verdade, agressivo. Serra percebeu e apontou isso. Restou ao petista dizer que sua agressividade era fruto de sua indignação;4 – nervoso, Haddad se perdeu num dado momento e não sabia se estava respondendo, perguntando ou contraditando o adversário.
Muito bem! O PT tem feito uma campanha subliminar arrogante e preconceituosa, sugerindo que Haddad é o novo e a renovação — na verdade, quer chamar Serra de “velho”, mas evita a expressão mais agressiva. Pois bem: o “velho” não se perdeu no debate; o novo parecia meio aéreo. Ocupava-se menos de fazer propostas do que de atacar o oponente. Não fez uma boa figura a qualquer um que tenha acompanhado o debate com atenção. Será essa a percepção da maioria que assistiu ao embate? Não sei.
No debate, ficou claro que Haddad não tem programa nenhum para a mulher gestante — na verdade, nem mesmo pensou sobre o assunto. Indagado sobre a questão pelo adversário, saiu-se com um truque vexaminoso. Respondeu que o tucano só via a mulher como mãe. Ele, Haddad, veria a mulher de modo integral. E tentou jogar nas costas do oponente até a violência doméstica… Uma piada!
MensalãoUm dos temas sorteados foi “corrupção”. O tucano pediu a Haddad que explicasse como o mensalão aconteceu. O petista resolveu atacar os tucanos e disse que tudo começou com o PSDB, a resposta manjada de sempre. “Não finja que você não sabe o que aconteceu em Minas Gerais, Serra.” O tucano contra-atacou: “O que aconteceu de certo na Justiça é que José Dirceu e outros dirigentes petistas foram condenados. Se havia algo de errado lá, pior é quem copiou o procedimento”.
Organizações SociaisHaddad está preocupado com o desgaste provocado pela descoberta de que seu programa de governo propõe o fim do convênio do município com as Organizações Sociais na área de saúde. Cometeu o erro de perguntar a Serra o que ele pensa sobre as parcerias público-privadas. Por que erro? Porque quem responde a uma questão fala por último; tem direito à tréplica. E coube ao tucano lembrar o óbvio: Haddad quer justamente o fim das parcerias na área da saúde. Serra carimbou no adversário o que, no fim das contas, está no programa do petista: a intenção de expulsar as OSs da gestão dos hospitais municipais.
ArrogânciaHaddad foi treinado por João Santana para ser arrogante, para jogar sempre na ofensiva, com o peito meio estufado, o queixo projetado, o olhar severo, na linha: “Aqui há alguém pronto para a guerra”.
Nesta sexta, Serra administrou melhor a guerra de imagens — até porque tem mesmo mais conteúdo. Seu olhar esteve sempre sorridente; respondeu e perguntou com segurança; não agrediu o adversário. E ainda teve tempo de ironizar: “Você está muito agressivo…”.
Eu não faço pesquisa de opinião pública, como sabem, e ando cada vez mais desconfiado de quem faz, por razões óbvias. Escrevo o que vi. Assistiu-se em São Paulo ao embate da experiência serena, que tem ideias próprias, com a arrogância quase juvenil de quem mais sabe atacar do que propor. Arrogância juvenil num homem de 50 anos não tem a menor graça.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Quem deve, teme!


O que há por trás da frenética movimentação de Lula nas eleições municipais? Respondo: medo de virar réu nos outros processos do mensalão! Explico!

Antes que entre na questão para a qual remete o título, publico um vídeo que traz Lula num comício em Diadema. Notem que, na prática, ele faz campanha para Serra em São Paulo! Seguindo o Apedeuta, para governar a cidade, é preciso ter experiência! Como o PT é poder na cidade há três décadas, ele acha perigoso largar o certo pelo duvidoso! Hummm…
Ontem, ele foi fazer campanha em Taubaté. Seu candidato na cidade, Isaac do Carmo (PT), deve ser derrotado por Ortiz Júnior (PSDB). Depois de atacar a família do tucano — sabem como Lula pode ser ético, né? —, ele fez um juízo completamente oposto àquele de Diadema: “Uma cidade tem que ser democratizada, e o povo tem que, de quatro em quatro anos, eleger pessoas, de preferência, diferentes. Taubaté é uma cidade importante. Não pode ser tratada como se fosse o curral de uma família”. Ah, entendi! Em Diadema, Lula defende que uma cidade seja curral de um partido… É mesmo um educador do povo! Quando o PT é poder, o certo é votar no conhecido; quando é oposição, é certo é renovar. E ele diz uma coisa e outra com a mesma energia e convicção. 
Com a sua enorme capacidade de brutalizar qualquer manifestação viva de inteligência, ele se disse vítima de preconceito da elite e afirmou o seguinte:
“A elite deste país é democrática enquanto ela está no poder, e nós estamos batendo palma no palanque. Mas, quando a gente sobe num palanque, e eles têm que bater palma, eles não querem”.
“Nós”, quem, cara-pálida? O PT ficará pelo menos 12 anos consecutivos na Presidência da República, com chance real de ficar 16, e disputa com o PMDB o posto de maior partido do país. Por que este senhor fala como se fosse oposição? E de que “elite” ele está falando? O PT é hoje o partido que mais recebe doações de bancos, de empreiteiras e de potentados industriais.
O frenesiPor que esse frenesi de Lula? Porque ele está com medo!
Sabe que, a qualquer momento, pode virar réu no processo do mensalão — não desta parcela que está no Supremo, mas daquele que corre na primeira instância. Lula está fazendo essa gritaria país afora para ver se intimida os representantes do Ministério Público. Tenta repetir a tática de 2005, quando correu para os “braços do povo” — e a oposição, infelizmente, caiu no truque. O procurador da República Manuel Pastana, que atua no Rio Grande do Sul, já encaminhou uma representação à Procuradoria Geral da República em que pede que o ex-presidente seja responsabilizado criminalmente pelo mensalão. A íntegra da representação está aqui.
Mais do que qualquer outro réu do mensalão, Lula tem as digitais nesse imbróglio num caso em particular: aquele que diz respeito ao banco BMG — uma das instituições financeiras que fizeram os falsos empréstimos a Valério e ao PT (já comprovados pelo Supremo).
Trechos da representação de Pastana sintetizam as ações de Lula no que diz repeito ao BMG (em azul):
1 – Banco no mensalão – O banco está envolvido no escândalo:É que, segundo a denúncia do mensalão, que resultou no maior processo criminal da história do Supremo Tribunal Federal, o banco BMG teria participação no esquema criminoso, repassando vultosas quantias ao Partido dos Trabalhadores, sob o disfarce de empréstimos bancários. Veja-se o que diz trecho da acusação (fl. 17 da denúncia): “Também foram repassadas diretamente pelos Bancos Rural e BMG vultosas quantias ao Partido dos Trabalhadores, comandado formal e materialmente pelo núcleo central da quadrilha, sob o falso manto de empréstimos bancários.” (grifo nosso). E mais. Conforme consta à fl. 182 do relatório da Polícia Federal, divulgado recentemente pela imprensa, a perícia contábil detectou cinco “empréstimos” milionários feitos, entre 2003 e 2004, pelo Banco BMG ao PT e mais três empresas que teriam participado do mensalão.
A denúncia do mensalão afirma que o BMG foi beneficiado com operações financeiras decorrentes de empréstimos bancários feitos a segurados do INSS, mediante consignação em folha de pagamento. Veja-se o que diz a inicial da Ação 470, em trâmite no STF (fl. 18 da denúncia): ‘Ficou comprovado que o Banco BMG foi flagrantemente beneficiado por ações do núcleo político-partidário, que lhe garantiram lucros bilionários na operacionalização de empréstimos consignados de servidores públicos, pensionistas e aposentados do INSS, partir de 2003, quando foi editada a Medida Provisória nº 130, de 17.09.03, dispondo sobre o desconto de prestações em folha de pagamento dos servidores públicos e também autorizando o INSS a regulamentar o desconto de empréstimos bancários a seus segurados’.
2) Empréstimos consignadosLula e o então ministro da Previdência, Amir Lando, enviaram quase 11 milhões de cartas a segurados da Previdência instando-os a tomar empréstimos para desconto em folha de pagamento — o BMG era um dos bancos que faziam esse tipo de operação. A Procuradoria da República do Distrito Federal move uma ação de improbidade administrativa contra Lula e Lando por conta dessas cartas, que foram consideradas ilegais. O custo da produção e postagem foi R$ 9.526.070,54.
3 – Medidas administativasLula tomou medidas administrativas e legais para favorecer o BMG. Inicialmente, só bancos pagadores de benefícios, como CEF, poderiam operar o empréstimo consignado. O então presidente mudou a regra para beneficiar um dos bancos do mensalão. Escreve o procurador:
A empreitada deu tão certo que, segundo o Tribunal de Contas da União, apesar de o banco BMG ser muito pequeno, pois tinha apenas 10 agências e 79 funcionários na área operacional, fez mais empréstimos a segurados do INSS do que Caixa Econômica Federal com suas mais de duas mil agências. A título exemplificativo, até meados de 2005, a gigante Caixa Econômica havia celebrado 964.567contratos de empréstimos a segurados do INSS, faturando R$ 2.380.992.632,75. Por outro lado, o minúsculo BMG fez bem mais, apesar de ter iniciado a operação vários meses após a Caixa (…). Celebrou 1.431.441 contratos de empréstimos do mesmo perfil financeiro, com faturamento de R$ 3.027.363.821,06, isso até agosto de 2005.
4 – Processo -relâmpagoO procurador transcreve um trecho de uma ação de improbidade administrativa que aponta supostas irregularidades na relação do BMG com o governo:
O Relatório de Auditória do TCU datado de 29/09/2005, produzido nos autos do TC 014.276/2005-2, verificou que o “o BMG foi a instituição financeira cujo processo ocorreu de forma mais célere. Foram 5 dias entre a publicação do Decreto no 5.180 [que permitiu a bancos privados operar O crédito consignado] e a manifestação de interesse. E 8 dias entre a manifestação de interesse e a celebração do convênio. Via de regra, são no mínimo dois meses de tramitação processual. O BMG também foi a única instituição financeira não pagadora de benefícios a aposentados e pensionistas do INSS que celebrou convênio antes da adequação da norma interna do INSS ao Decreto no 5.180/2004.
RetomoLula está com medo. Não faz tempo, ele dizia por aí que o mensalão só seria julgado em 2050. Agora que a cadeia espreita alguns de seus aliados, teme entrar na fila. Até porque, como se vê acima, se Dirceu não assinava os crimes pelos quais foi condenado, é certo que Lula deixou assinaturas que beneficiaram o BMG, que foi, é inequívoco, um dos bancos do mensalão.
Uma das razões para Lula sair por aí deitando a sua glossolalia política é blindar-se, tentando intimidar o Ministério Público e a Justiça. Ele quer que as massas gritem: “Se tocarem em Lula, haverá rebelião”.
Não haverá.
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lula e Dilma sobre o plano REAL


VÍDEO: Nunca é demais lembrar: Lula contra o Plano Real, que tanto ajudou seu governo — e Dilma reconhecendo o valor do programa implantado por FHC

Um vídeo, amigas e amigos do blog, que vale um post.
O “estelionato eleitoral” que o “deus” da ministra Marta Suplicy acusava de ter sido engendrado por FHC e pelo presidente Itamar foi, como se sabe, a base de tudo o que seu próprio governo (2003-2011) realizou.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Não deu certo...,


MENSALÃO: No começo, os advogados dos réus gargalhavam, felizes e confiantes. Vejam a foto. Já agora…

Advogados dos réus do mensalão: muito riso e muita alegria no começo do julgamento (Foto: André Dusek / AE)
A foto do excelente profissional André Dusek, tomada na primeira semana do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, fala por si mesma sobre a confiança dos advogados dos réus em que as coisas correriam bem para eles e seus clientes.
Já agora, a batalha de quase todos, inclusive de Márcio Thomaz Bastos, que alguns chamam God, é lutar para diminuir o tamanho da pena de seus patrocinados.

Grande lição...,


Marco Aurélio votou pela proscrição do país do faz de conta que desmascarou em 2006

Nesta tarde, antes de enunciar seu voto, o ministro Marco Aurélio Mello releu o magnífico discurso que pronunciou em maio de 2006, quando assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Coerentemente, condenou por formação de quadrilha os integrantes do alto comando do bando do mensalão.
Graças aos ministros que souberam honrar a toga, foram desmascarados e punidos os liberticidas que tramaram a captura do Estado Democrático de Direito. Neste 22 de outubro de 2012, pode ter começado a agonizar o país do faz de conta descrito por Marco Aurélio no texto abaixo reproduzido:
Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira ─ composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta ─ um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques ─ o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir.
Não passa dia sem depararmos com manchete de escândalos. Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, como por último consignado em denúncia do Procurador-Geral da República, Doutor Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros a uma apatia cada vez mais surpreendente, como se tudo fosse muito natural e devesse ser assim mesmo; como se todos os homens públicos, nas mais diferentes épocas, fossem e tivessem sido igualmente desonestos, numa mistura indistinta de escárnio e afronta, e o erro passado justificasse os erros presentes.
A repulsa dos que sabem o valor do trabalho árduo se transformou em indiferença e desdém. E seguimos como se nada estivesse acontecendo. Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam ─ o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis. Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se reproduzindo à plena luz, num desafio cínico à supremacia da lei, cuja observação é tão necessária em momentos conturbados.
Se, por um lado, tal conduta preocupa, porquanto é de analfabetos políticos que se alimentam os autoritarismos, de outro surge insofismável a solidez das instituições nacionais. O Brasil, de forma definitiva e consistente, decidiu pelo Estado Democrático de Direito. Não paira dúvida sobre a permanência do regime democrático. Inexiste, em horizonte próximo ou remoto, a possibilidade de retrocesso ou desordem institucional. De maneira adulta, confrontamo-nos com uma crise ética sem precedentes e dela haveremos de sair melhores e mais fortes. Em Medicina, “crise” traduz o momento que define a evolução da doença para a cura ou para a morte. Que saiamos dessa com invencíveis anticorpos contra a corrupção, principalmente a dos valores morais, sem a qual nenhuma outra subsiste.
Nesse processo de convalescença e cicatrização, é inescusável apontar o papel do Judiciário, que não pode se furtar de assumir a parcela de responsabilidade nessa avalancha de delitos que sacode o País. Quem ousará discordar que a crença na impunidade é que fermenta o ímpeto transgressor, a ostensiva arrogância na hora de burlar todos os ordenamentos, inclusive os legais? Quem negará que a já lendária morosidade processual acentua a ganância daqueles que consideram não ter a lei braços para alcançar os autoproclamados donos do poder? Quem sobriamente apostará na punição exemplar dos responsáveis pela sordidez que enlameou gabinetes privados e administrativos, transformando-os em balcões de tenebrosas negociações?
Essa pecha de lentidão recai sobre o Judiciário injustamente, já que não lhe cabe outro procedimento senão fazer cumprir a lei, essa mesma lei que por vezes o engessa e desmoraliza, recusando-lhe os meios de proclamar a Justiça com efetividade, com o poder de persuasão devido. Pois bem, se aqueles que deveriam buscar o aperfeiçoamento dos mecanismos preferem ocultar-se por trás de negociatas, que o façam sem a falsa proteção do mandato. A República não suporta mais tanto desvio de conduta.
Ao reverso do abatimento e da inércia, é hora de conclamar o povo, principalmente os mais jovens, a se manifestar pela cura, não pela doença, não pela podridão do vale-tudo, que corrói, com a acidez do cinismo, a perspectiva de um futuro embasado em valores como retidão, dignidade, grandeza de caráter, amor à causa pública, firmeza de propósitos no empenho incondicional ao progresso efetivo, e não meramente marqueteiro, do País. Ao usar a voz da urna, o povo brasileiro certamente ouvirá o eco vitorioso da cidadania, da verdade ─ que, sendo o maior dos argumentos, mais dia, menos dia, aparecerá.
Àqueles que continuam zombando diante de tão simples obviedades, é bom lembrar que não são poucos os homens públicos brasileiros sérios, cuja honra não se afasta com o tilintar de moedas, com promessas de poder ou mesmo com retaliações, e que a imensa maioria dos servidores públicos abomina a falta de princípios dos inescrupulosos que pretendem vergar o Estado ao peso de ideologias espúrias, de mirabolantes projetos de poder. Aos que laboram em tamanhas tolices, nunca é demais frisar que se a ordem jurídica não aceita o desconhecimento da lei como escusa até do mais humilde dos cidadãos, muito menos há de admitir a desinformação dos fatos pelos agentes públicos, a brandirem a ignorância dos acontecimentos como tábua de salvação.
Incumbe a cada eleitor perceber que o voto, embora individualizado, a tantos outros se seguirá, formando o grande todo necessário à escolha daqueles que o representarão. Impõe-se, nesse sagrado direito-dever, a conscientização, a análise do perfil, da vida pregressa daqueles que se apresentem, é de presumir – repito – para servir com honestidade de propósito e amor aos concidadãos, dispostos, acima de tudo, a honrar a coisa pública.
O Judiciário compromete-se com redobrado desvelo na aplicação da lei. Não haverá contemporizações a pretexto de eventuais lacunas da lei, até porque, se omissa a legislação, cumpre ao magistrado interpretá-la à luz dos princípios do Direito, dos institutos de hermenêutica, atendendo aos anseios dos cidadãos, aos anseios da coletividade. Que ninguém se engane: não ocorrerá tergiversação capaz de turbar o real objetivo da lei, nem artifício conducente a legitimar a aparente vontade das urnas, se o pleito mostrar-se eivado de irregularidades. Esqueçam, por exemplo, a aprovação de contas com as famosas ressalvas. Passem ao largo das chicanas, dos jeitinhos, dos ardis possibilitados pelas entrelinhas dos diplomas legais. Repito: não haverá condescendência de qualquer ordem. Nenhum fim legitimará o meio condenável. A lei será aplicada com a maior austeridade possível – como, de resto, é o que deve ser. Bem se vê que os anticorpos de que já falei começam a produzir os efeitos almejados. Esta é a vontade esmagadora dos brasileiros.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

‘Piada de salão’, por Ferreira Gullar


PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTE DOMINGO

FERREIRA GULLAR
Quando o escândalo do mensalão abalou a vida política do país e, particularmente, o governo Lula e seu partido, alguns dos petistas mais ingênuos choraram em plena Câmara dos Deputados, desapontados com o que era, para eles, uma traição. Lula, assustado, declarou que havia sido traído, mas logo acertou, com seus comparsas, um modo de safar-se do desastre.
Escolheram o pobre do Delúbio Soares para assumir sozinho a culpa da falcatrua. Para convencê-lo, creio eu, asseguraram-lhe que nada lhe aconteceria, porque o Supremo estava nas mãos deles. Delúbio acreditou nisso a tal ponto que chegou a dizer, na ocasião, que o mensalão em breve se tornaria piada de salão.
Certo disso, assumiu a responsabilidade por toda a tramoia, que envolveu muitos milhões de reais na compra de deputados dos partidos que constituíam a base parlamentar do governo.
Embora fosse ele apenas um tesoureiro, afirmou que sozinho articulara os empréstimos fajutos, numa operação que envolvia do Banco do Brasil (Visanet), o Banco Rural e o Banco de Minas Gerais, e sem nada dizer a ninguém: não disse a Lula, com que privava nos churrascos dominicais, não disse a Genoino, presidente do PT, nem a José Dirceu, o ministro político do governo.
Era ele, como se vê, um tesoureiro e tanto, como jamais houve igual. Claro, tudo mentira, mas estava convencido da impunidade. A esta altura, condenado pelo STF, deve maldizer a esperteza de seus comparsas. Mas os comparsas, por sua vez, devem amaldiçoar o único que, pelo menos até agora, escapou ileso do desastre –o Lula.
Pois bem, como o tiro saiu pela culatra e o partido da ética na política consagrou-se como um exemplo de corrupção, Lula e sua turma já começaram a inventar uma versão que, se não os limpará de todo, pelo menos vai lhes permitir continuar mentindo com arrogância. O truque é velho, mas é o único que resta em situações semelhantes: posar de vítima.
E se o cara se faz de vítima, tem o direito de se indignar, já que foi injustiçado. Por isso mesmo, vimos José Genoino vir a público denunciar a punição que sofreu, muito embora tenha sido condenado por nove dos dez ministros do STF, quase por unanimidade.
A única hipótese seria, neste caso, que se trata de um complô dos ministros contra os petistas. Mas mesmo essa não se sustenta, uma vez que dos dez membros do Supremo, oito foram nomeados por Lula e Dilma.
Reação como a de Genoino era de se esperar, mesmo porque, alguns dias antes, a direção do PT publicara aquele lamentável manifesto em que afirmava ser o processo do mensalão um golpe semelhante aos que derrubaram Getúlio Vargas e João Goulart. Também a nota posterior à condenação de José Dirceu repete a mesma versão, segundo a qual os mensaleiros estão sendo condenados porque lutam por um Brasil mais justo. O STF, como se sabe, é contra isso.
Não por acaso, Lula –que reside num apartamento duplex de cobertura e veste ternos Armani– voltou a usar o mesmo vocabulário dos velhos tempos: “A burguesia não pode voltar ao poder”. Sim, não pode, porque agora quem nos governa é a classe operária, aquela que já chegou ao paraíso.
Não tenho nenhum prazer em assistir a esse espetáculo degradante, quando políticos de prestígio popular, que durante algum tempo encarnaram a defesa da democracia e da justiça social em nosso país, são condenados por graves atentados à ética e aos interesses da nação. As condenações ocorreram porque não havia como o STF furtar-se às evidências: dinheiro público foi entregue ao PT, mediante empréstimos fictícios, que tornaram possível a compra de deputados para votarem com o governo. Tudo conforme a ética petista, antiburguesa.
Mas não tenhamos ilusões. Apesar de todo esse escândalo, apesar das condenações pela mais alta corte de Justiça, o PT cresceu nas últimas eleições. Tem agora mais prefeituras do que antes e talvez ganhe a de São Paulo. Nisso certamente influiu sua capacidade de mascarar a verdade, mas não só. Com a mesma falta de escrúpulos, tendo o poder nas mãos, manipula igualmente as carências dos mais necessitados e dos ressentidos.
Não vai ser fácil acharmos o rumo certo.

domingo, 21 de outubro de 2012

Trabalho escravo em empreiteira do "Minha casa, Minha vida"...,


Tudo pelo social!!! Esta mulher puniu trabalho escravo em empreiteira do “Minha Casa, Minha Vida” e foi posta no olho da rua pelo governo Dilma

Vera Lúcia Albuquerque: punição a empreiteira amiga do Planalto por trabalho escravo rendeu-lhe a demissão. Afinal, é um governo “progressista”…
Por Adriano Ceolin, na VEJA:
Na próxima semana, o Diário Oficial da União vai publicar a exoneração de Vera Lúcia Albuquerque, secretária de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho. A servidora ocupava o cargo havia quase dois anos e, nos últimos meses, começou a ser pressionada para não cumprir o seu dever. Em março do ano passado, fiscais do Ministério do Trabalho depararam em Americana, no interior de São Paulo, com uma daquelas cenas que ainda constrangem o Brasil. No canteiro de obras de uma empreiteira responsável pela construção de residências do projeto Minha Casa, Minha Vida — o mais ambicioso programa habitacional do governo federal para a população de baixa renda –, foram resgatados 64 trabalhadores mantidos em condições tão precárias que, tecnicamente, são descritas como “análogas à escravidão”. Eles eram recrutados no Nordeste e recebiam adiantamento para as despesas de viagem, hospedagem e alimentação. A lógica é deixar o trabalhador sempre em dívida com o patrão. Assim, ele não recebe salário e não pode abandonar o emprego. É o escravo dos tempos modernos.
Eis o alojamento oferecido pela empreiteira amiga do Planalto aos companheiros de Dilma Rousseff; trabalhadores “deviam” dinheiro à empresa e não podiam deixar o trabalho
Os fiscais de Vera Lúcia encontraram trabalhadores em condições irregulares nos canteiros de obras tocadas pela MRV, a principal parceira do governo no Minha Casa, Minha Vida. Isso colocou a construtora na lista das empresas que mantêm seus empregados em condições degradantes, o que as impede de fazer negócios com a União e receber recursos de órgãos oficiais. Assim, em obediência às regras, a Caixa Econômica Federal suspendeu novos financiamentos à MRV, cujas ações perderam valor na bolsa. O que Vera Lúcia não sabia é que muita gente acima dela considera a construtora intocável. Ela conta que começou a receber pressões de seus superiores no ministério para tirar a MRV da “lista suja”. A auditora resistiu, mas as pressões aumentaram muito depois de uma visita de Rubens Menin, dono da MRV, ao ministro do Trabalho, Brizola Neto. Desde então, ela passou a ser questionada pelos assessores do ministro sobre a legitimidade da inspeção da obra de Americana. Um deles chegou a insinuar que os fiscais não tinham critérios nem qualificação para autuar as empresas. “Estão querendo pôr um cabresto político na inspeção do trabalho”, disse Vera, dias depois de renunciar ao cargo.
Após a incursão no Ministério do Trabalho, Menin e diretores procuraram Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos, e Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Eles tentaram demonstrar que os problemas apontados pela inspeção já haviam sido resolvidos. Na conversa com a ministra Maria do Rosário, a construtora se ofereceu para aderir ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, convenção entre o governo, entidades da sociedade civil e empresas. “Ainda assim, pelas regras, não havia como tirar a MRV da lista”, disse José Guerra, coordenador-geral da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo.
Pressão sobre Vera Lúcia cresceu depois que empreiteiro falou com Brizola Neto (acima), cujo primeiro emprego da vida é ser ministro do… Trabalho!!!
Além da falta de pagamento de salários e da retenção da carteira de trabalho, os fiscais encontraram o alojamento em péssimas condições de higiene, além de comida de má qualidade e estragada. O relatório da fiscalização listou 44 infrações na obra, comprovadas por meio de fotos e depoimentos de trabalhadores. “Os trabalhadores tinham restringido seu direito de locomoção em razão de dívida contraída com o empregador, da retenção de suas carteiras de trabalho e, principalmente, por meio do não pagamento do salário”, diz o relatório. Assinado por dois auditores fiscais, o documento afirma que a MRV usou empresas terceirizadas para diminuir custos trabalhistas e aumentar a margem de lucro do empreendimento: “Os contratos de prestação de serviços firmados pela MRV não passam de simulacros”. Os fiscais também registraram o fato de que os proprietários das empresas terceirizadas eram ex-funcionários da própria MRV.
Esse é Rubens Menin, o empreiteiro amigo do Planalto: falou com Brizola Neto, Maria do Rosário e Gilberto Carvalho. E Vera Lúcia caiu! Viva o governo progressista!
Entre 2003 e 2011, o governo flagrou 35 000 trabalhadores mantidos em condições degradantes. A maior parte dos casos ainda ocorre em fazendas do Norte, mas eles já não são mais uma raridade em áreas urbanas. A fiscalização e a inclusão das empresas infratoras no cadastro são os instrumentos mais eficientes para inibir a ação dos exploradores. Vera acredita nisso e não cedeu. Só restou ao ministro Brizola Neto indeferir o pedido de reconsideração feito pela MRV ao ministério. A empresa, porém, conseguiu decisão favorável, em caráter liminar, no Superior Tribunal de Justiça. Por essa razão, setores do governo estudam mudanças nos critérios de inspeção. “Há um debate sobre a necessidade de aperfeiçoar os procedimentos de inclusão de empresas na lista, para evitar que eles possam ser questionados na Justiça, como vem ocorrendo”, informa a Secretaria-Geral da Presidência. Fica a lição: não apenas a escravidão, mas as demais mazelas do país tendem a se perpetuar enquanto as Veras Lúcias do serviço público forem obrigadas a sair do caminho por se recusarem a trair sua consciência e compactuar com o erro.
Por Reinaldo Azevedo

O Chefe


Em entrevista ao 'Clarín', Lula revelou quem foi o chefe do mensalão

A Argentina é logo ali, mas a entrevista concedida por Lula ao jornal El Clarín nesta quarta-feira sugere que o ex-presidente não reagiu bem à viagem sem mudança de fuso horário. Convidado a comentar o julgamento do mensalão, o palanque ambulante desta vez não se refugiou em golpes imaginários, nem enxergou “um problema de caixa dois” na imensa roubalheira descoberta em meados de 2005. Preferiu inventar outra história para safar-se do escândalo. E a discurseira resultou em outro perfeito tiro no pé.
“Para um presidente que teve oito anos de mandato, o fato de terminar com 87% de aprovação popular é um enorme julgamento”, viajou o entrevistado.
Ao confundir o Ibope, o Sensus e o Vox Populi com o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente não só admitiu que o mensalão existiu como se instalou voluntariamente no banco dos réus.
O desastre se consumou quando o declarante confundiu eleição com tribunal e eleitor com jurado.
“Já fui julgado pelas urnas”, decidiu. “A vitória de Dilma Rousseff foi um julgamento extraordinário”.
Faz de conta que sim. Nesse caso, Lula foi absolvido por 55 milhões de eleitores que votaram em Dilma. Em contrapartida, foi condenado por 43 milhões que rejeitaram a sucessora que escolheu. Não é pouca coisa.
Para essa imensidão de brasileiros ─ quem está dizendo é o próprio Lula ─, o país foi governado durante oito anos pelo chefe supremo de uma organização criminosa.

Por que será que não afunda?

PT quer Sírio-Libanês para Lula e Dilma, mas não para o povo

Daqui a pouco, haverá mais gente nos lançamentos dos meus livros do que nos comícios do PT. Ou: PT quer Sírio-Libanês para Lula e Dilma, mas não para o povo
O PT fez ontem o seu “megacomício” em São Paulo em favor da candidatura de Fernando Haddad. Estiveram presentes Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente, Michel Temer e mais sete ministros de estado, entre eles José Eduardo Cardozo (o de Justiça), Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde). O último capítulo de “Avenida Brasil” foi ao ar anteontem. Era para ser uma festança de arromba. Como todo o aparato oficial mobilizado mais a máquina partidária, compareceram ao local, com boa vontade na estimativa, umas três mil pessoas. Daqui a pouco, haverá mais gente nos lançamentos de “O País dos Petralhas II” do que nos comícios do PT.
“Olhem aí… As pesquisas apontam o Haddad na frente, e esse Reinado Azevedo fica ironizando os comícios do PT…” Ironizo mesmo, ué! Trata-se de um número ridículo quando se trata de líderes tão populares, ora! Pode até ser que o petista venha a ganhar a disputa, mas certamente não será porque a população se entusiasmou com ele. Mas não quero falar disso agora, não.  De resto, como diria o Velho Guerreiro, a eleição só acaba quando termina.
O que chama a minha atenção é outra coisa. Abaixo, reproduzo, em vermelho, texto de Gustavo Uribe, do Globo, sobre o comício petista. As ofensas que Lula dirigiu ao tucano José Serra, aliás, estão na manchete da Folha Online e na submanchete do Globo Online. Vivemos dias assim: Lula ofende alguém e ganha o noticiário. Dilma e Lula satanizaram José Serra. Era fala para ser levada ao horário eleitoral nesta semana.
Em comício na capital paulista neste sábado, a presidente Dilma Rousseff acusou o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, de fazer uma campanha eleitoral de baixo nível e, em uma crítica indireta ao ex-governador de São Paulo, disse que o PT não é “raivoso”. Em ato político em apoio à candidatura de Fernando Haddad, a presidente comparou os ataques a que o candidato do PT tem sido alvo nesta campanha eleitoral aos feitos contra ela na campanha eleitoral de 2010, quando José Serra também era o candidato do PSDB.
“Os mesmos argumentos usados contra mim estão sendo usados contra Fernando Haddad, às vezes sorrateiramente, às vezes abertamente. Eles disseram que eu era um poste, que não tinha competência para governar. Eles usaram de todos os argumentos. A mesma campanha eleitoral de baixo nível que estão fazendo com o Fernando Haddad eles fizeram comigo”, disse a presidente Dilma Rousseff.
Vamos ver. O leitor que não é de São Paulo não tem como saber, então informo. Na televisão, a campanha de Haddad já acusou Serra de ser o responsável pela quase cegueira de um homem. Isso é campanha de alto nível. Já afirmou que a Prefeitura se negou a doar terreno para creche. Documentos provaram ser mentira. Isso é campanha de alto nível. Acusa Serra de ter abandonado a Prefeitura. Ele renunciou para se candidatar ao governo e foi eleito no primeiro turno. Isso é campanha de alto nível. Sustenta que o tucano só governou para os ricos, o que é uma estupidez. Isso é campanha de alto nível.
Quanto à fala da presidente Dilma, dizer o quê? Qual foi a campanha de “baixo nível” de que ela foi vítima? Serra, como candidato de oposição em 2010, tinha críticas ao governo, o que é próprio das democracias. Imaginem se Obama, nos EUA, ousaria acusar Romney de “baixo nível” porque o contesta. Mau caminho, dona Dilma! Se a senhora se abespinhou quando nem era presidente, suponho que vá ameaçar com a palmatória quem ousar criticá-la em 2014.
Dilma está faltando com a verdade. Em 2010, infelizmente, acho que Serra foi bonzinho demais com ela. Suas contradições e a sua incompetência à frente da Casa Civil, que têm desdobramentos ainda hoje no governo meia-bomba, foram pouco exploradas. As precariedades de infraestrutura do país, que não são pequenas, têm uma grande corresponsável: Dilma Rousseff.
O ex-governador de São Paulo também foi alvo de críticas duras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o comparou aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, que não cumpriram o mandato até o final. Em 2005, José Serra deixo a prefeitura de São Paulo para disputar o governo paulista. Segundo o líder petista, José Serra é um “bicho que tem uma sede de poder inigualável” e está cada dia “mais raivoso”. O ex-presidente petista aconselhou ainda o candidato tucano a “ficar quieto e esperar para disputar a sucessão presidencial em 2014 ou 2018″. Segundo ele, José Serra deixou a prefeitura de São Paulo após “não aguentar a primeira enchente”.
“Ele perdeu as eleições e agora não sabe ficar sem um mandato. Ele deveria ficar quieto e esperar para disputar em 2014 ou 2018. Será que ele não sabe que continua a ter enchente e vai cair fora de novo?”, questionou o ex-presidente petista.
Eis aí o alto nível da campanha! A tanto descem uma presidente e um ex-presidente da República. Collor, atual aliado de Lula, foi impichado. Jânio renunciou porque queria dar um golpe. Serra saiu da Prefeitura para se eleger governador no primeiro turno, com mais votos na cidade do que teve na eleição para prefeito, tal era o “descontentamento” da população. De enchente, ademais, o PT entende bem! Serra ao menos estava na cidade, não é? Numa das vezes em que São Paulo estava debaixo d’água, a então prefeita Marta Suplicy estava descasando em… Milão!
Serra, segundo o alto nível de Lula, é “bicho que tem sede de poder”. Lula, como sabemos, é um “bicho” modesto, que se contenta em levar uma vida simples, afastado dos holofotes e do poder do estado. Por isso, em comício em Santo André e em Mauá, anunciou que vai atuar como lobista no governo Dilma para que mande mais verba para aquelas cidades caso petistas sejam eleitos.
Reparem que nem Dilma nem Lula atacaram Kassab. No palanque, na presença dos dois, parece que nem Haddad o fez. O prefeito virou alvo das porradas só no horário eleitoral, sem o endosso visível dos outros dois. Por quê? Porque a presidente conta com os quarenta e tantos votos na Câmara do partido do atual prefeito da Capital. É possível até que o PSD venha a ter um ministério. Não se descarte nem mesmo que possa integrar a base de apoio a Haddad na Câmara caso ele se eleja. Vale dizer: Kassab é usado para atacar a candidatura de Serra, mas será útil depois. O prefeito já disse que tende a apoiar Dilma em 2014. Mais: o PT conta atraí-lo também para a aliança contra Alckmin. Política de alto nível. 
Ao todo, acompanharam o ato político cerca de três mil militantes. O comício eleitoral será usado na última semana do horário eleitoral gratuito do candidato do PT. Ao todo, estiveram presentes sete ministros, entre eles José Eduardo Cardoso (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Educação). O vice-presidente Michel Temer também subiu no palanque eleitoral e assegurou que a bancada municipal do PMDB será aliada de Fernando Haddad caso seja eleito prefeito de São Paulo. Em discurso, Fernando Haddad também fez ataques a José Serra e o acusou de produzir mentiras na reta final da campanha eleitoral.
“Não podemos deixar a mentira corroer o que construímos até aqui. Eles tratam São Paulo como se fosse uma propriedade privada, o que não é”, afirmou o candidato do PT.
De mentira, Haddad também entende. Em seu programa de governo, diz que vai tirar as Organizações Sociais que gerenciam aparelhos de saúde na cidade. Caso vença e caso cumpra a promessa, será um caos no setor. Questionado, afirmou não ser essa a sua intenção. Vale dizer: seu programa diz uma coisa, e ele, outra.
O PT quer acabar com essas parcerias. Recorreu ao Supremo contra elas. Entre os gestores de hospitais públicos, estão o Albert Einstein e o Sírio-Libanês, que Dilma e Lula conhecem muito bem. Entendo! Quando eles precisaram ter a certeza de um bom atendimento, procuraram um hospital privado de primeira linha — no caso, o Sírio-Libanês. Mas acham, pelo visto, que o povo não tem direito a tamanha regalia. Tem é de se conformar com a tradicional precariedade do serviço público.
Aliás, taí. A campanha de Serra deveria levar esta questão ao horário eleitoral: por que Haddad não quer que o povo tenha o que Lula e Dilma tiveram no Sírio-Libanês: o alto nível?
Por Reinaldo Azevedo