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sábado, 26 de novembro de 2016

Lula brinca com a sujeira, literalmente, para homenagear Fidel

Assista ao vídeo em que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva escreve "Viva Fidel" com jatos de água em uma parede imunda.

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo em sua página no Facebook onde aparece escrevendo “Viva Fidel” com jatos de água em uma parede suja. O vídeo, gravado em seu sítio Los Fubangos, mostra Lula orgulhoso por sua homenagem ao ex-presidente cubano.
Em nota, ele também afirmou que a morte de Fidel Castro é como a perda de um irmão mais velho, de um “companheiro insubstituível”. “Morreu ontem o maior de todos os latino-americanos, o comandante em chefe da revolução cubana, meu amigo e companheiro Fidel Castro Ruiz”, disse ele.
Lula lembra que conheceu Fidel pessoalmente, em julho de 1980, em Manágua, durante as comemorações do primeiro aniversário da revolução sandinista. “Mantivemos, desde então, um relacionamento afetuoso e intenso, baseado na busca de caminhos para a emancipação de nossos povos”, ressaltou.
De acordo com ele, para os povos do continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente os homens e mulheres de sua geração, Fidel foi “sempre uma voz de luta e esperança”. Afirmou ainda que o espírito combativo e solidário de Fidel animou “sonhos de liberdade, soberania e igualdade”.
Segundo Lula, mesmo nos “piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações, a bravura de Fidel e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania”.
“Será eterno seu legado de dignidade e compromisso por um mundo mais justo. Hasta siempre, comandante, amigo e companheiro Fidel Castro”, concluiu Lula, que não informou se irá ao funeral do líder cubano.
http://veja.abril.com.br/brasil/lula-brinca-com-a-sujeira-literalmente-para-homenagear-fidel/

Se você quer ser feliz, saia do Facebook

Estudo mostra que, em apenas uma semana, quem deixa de usar a rede social tem níveis mais elevados de bem-estar.

EFE
A recomendação de se desconectar das redes sociais existe praticamente desde o nascimento dos smartphones. A facilidade e o imediatismo para ter acesso a qualquer momento, em qualquer lugar, permite que os usuários estejam permanentemente conectados e provocou diversas formas de vício tecnológico: do medo de ver, através da rede, como os seus amigos se divertem sem você até a nomofobia (medo de sair de casa sem o celular). Agora, um novo estudo do The Happiness Research Institute conclui que, em apenas uma semana, as pessoas que deixam de utilizar o Facebook se sentem mais felizes e menos preocupadas.
Os autores do estudo dividiram os 1.095 participantes em dois grupos. Os do primeiro não deveriam se conectar ao Facebook por sete dias; já os do grupo-controle continuaram usando a rede normalmente. Durante esse tempo, os pesquisadores mediram estados de ânimo como a felicidade, a tristeza, a preocupação, a raiva, o entusiasmo e os sentimentos de solidão e depressão.
No último dia do experimento, os cientistas perguntaram como os participantes se sentiam. E as mudanças foram evidentes: os que haviam deixado de usar a rede social admitiram estavam mais felizes e menos tristes e solitários. Além dos sentimentos positivos, perceberam um aumento em sua atividade social cara a cara e menos dificuldade de concentração. Também tiveram a sensação de que tinham desperdiçado menos tempo ao longo da semana do estudo.
Essas conclusões coincidem com as declarações de muitos especialistas de que os usuários das redes sociais só mostram em seu perfil a parte da vida que desejam que os outros vejam: as boas notícias – 61% das pessoas publicam só as coisas boas que lhe acontecem –, as fotos retocadas, o enquadramento pensado e que parece casual... Projetam uma vida irreal que faz com que metade dos usuários tenha inveja das experiências que os demais compartilham em seus perfis. E que um terço sinta inveja da aparente felicidade de seus contatos do Facebook. Segundo os especialistas do The Happiness Research Institute, as redes sociais “são como um canal que só transmite boas notícias, um fluxo constante de vidas editadas que distorcem nossa imagem da realidade”. Assim, o bem-estar dos usuários é condicionado pelo que os demais pensam e pelo número de likes que conseguem no fim do dia.
Uma das dificuldades dos pesquisadores para desenvolver o estudo foi a impossibilidade de controlar se os participantes se resistiam à tentação de entrar no Facebook. Em média, 94% dos usuários visitam seu perfil de maneira automática e rotineira. Por isso, os cientistas pediram que os participantes desinstalassem o aplicativo de seus aparelhos. Apesar dos conselhos e da apresentação voluntária ao experimento, 13% deles não conseguiram passar esse tempo sem entrar no perfil e checar as notificações.
Com respeito às limitações do estudo, os pesquisadores reconhecem que a predisposição pôde ter afetado os resultados. Os participantes eram voluntários – embora designados aos grupos de forma aleatória –, o que poderia significar que, de alguma forma, estavam interessados em deixar de usar o Facebook ou a começar a utilizá-lo por menos tempo. Os resultados podem se dever, em parte, ao efeito placebo: os participantes esperavam se sentir melhor ao se desconectarem.
Essa não é a primeira pesquisa indicando que muitos usuários seriam mais felizes se utilizassem menos as redes sociais. O estudo O Uso do Facebook Prediz uma Diminuição no Bem-Estar do Usuário, realizado em 2013 pela Universidade de Michigan, mostra que os níveis de satisfação com a vida dos participantes diminuiu ao longo da pesquisa com o uso constante do Facebook. Outro estudo, realizado em 2013 pela Universidade Humboldt e a Universidade Técnica de Darmstadt, ambas da Alemanha, concluiu que uma de cada três pessoas se sente mal e mais insatisfeita depois de visitar o Facebook. O estudo, A Inveja no Facebook: Uma Ameaça Escondida para a Satisfação do Usuário, descobriu que isso acontece porque eles sentem inveja, que desemboca em frustração, amargura e solidão.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Modesto Carvalhosa: O Berlusconi aterrissou em Brasília

A primeira lição haurida do arquicorrupto italiano é a da necessidade de desmoralização do Poder Judiciário.


Publicado no Estadão
A recente tradução para o português do célebre livro de Gianni Barbacetto, Peter Gomez e Marco Travaglio intitulado Mani Pulite – La Vera Storia, 2012 – tradução essa editada pela CDG Edições e Publicações, 887 páginas, sob o título Operação Mãos Limpas – suscitou uma grande excitação em Brasília, na aguerrida bancada Pro Corrupcione, que atua hegemonicamente no Congresso Nacional.
Aqueles autores italianos dedicam nada menos que 330 páginas a demonstrar, cronologicamente e em detalhes, as despudoradas manobras de toda espécie – incluindo mídia, leis, chantagens, desmoralização das instituições – empreendidas por Silvio Berlusconi, o vergonhoso primeiro-ministro da Itália em dois períodos entre 1997 e 2011, que levaram à total destruição dos benefícios da Operação Mãos Limpas, do início dos anos 2000. A Itália em 2012 ocupava a 69.ª posição entre os países mais corruptos do mundo, atrás de Gana.
Nada melhor, portanto, do que aprender com o execrável Berlusconi os métodos e os meios de destruir a Lava Jato.
Como toda a população brasileira sabe, o Congresso Nacional está dividido em dois blocos. O primeiro, o grupo dos deputados que formam a combativa Frente Parlamentar Anticorrupção, presidida pelo deputado Antonio Carlos Mendes Thame e da qual participam os deputados Onyx Lorenzoni, Joaquim Passarinho e dezenas de outros abnegados. No lado oposto, o sinistro bloco Pro Corrupcione, liderado pelo presidente do Senado, pelo líder do governo no Congresso (“é preciso estancar a sangria”) e pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, tendo como braço seguro, no Poder Executivo, o ministro da Transparência.
A primeira lição haurida do arquicorrupto Berlusconi é a da necessidade de desmoralização do Poder Judiciário.
Entre nós, tomou essa empreitada o condestável da República, Renan Calheiros. Reuniu ele, para anunciar a missão destruidora da reputação institucional do Judiciário, nada menos que o presidente da República, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), o futuro presidente do Congresso Nacional, etc. E ali anunciou que vai revelar, para toda a população brasileira, os supersalários dos juízes, promotores públicos, desembargadores e ministros dos tribunais superiores.
Essa medida berlusconiana, segundo ele, desmobilizará o povo, que ficará desiludido com a Lava Jato. Estará, em consequência, aberta a porta para a pôr em pauta, em regime de urgência, o famigerado Projeto 360, de Abuso de Poder, que responsabiliza pessoalmente os juízes por suas sentenças, se nelas ousarem condenar os corruptos, ou então prendê-los, ou deles homologar qualquer delação. Nessa intimidação legalizada estará incluída também a Polícia Federal, que fica de mãos atadas na sua atividade investigatória, interrogatória, de condução e de custódia.
Ademais, o grupo de trabalho Pro Corrupcione atribuiu ao lídimo líder do governo na Câmara, o deputado André Moura, mais conhecido como André Cunha Moura, por ser o principal esteio do antigo presidente daquela Casa, a missão de pôr em regime de urgência um substitutivo ao Projeto n.º 3.636, de 2015, que altera a Lei Anticorrupção. Esse sórdido substitutivo institui, a favor das empreiteiras corruptas, acordos de leniência de fachada – os famosos sham programs –, conhecidos da literatura criminal e antitruste no mundo todo. Esse sham compliance é descrito em minúcias no Guia de Programas de Compliance do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), item 3.1.2.
E mais. Por meio dessa encenação de compliance de fachada, não apenas as empreiteiras corruptas poderão voltar a contratar com o poder público federal, estadual e municipal como também os seus controladores, diretores e funcionários terão seus processos e condenações promovidos pela Lava Jato automaticamente extintos.
Para que se “aperfeiçoe” melhor esse simulacro de acordo com as empreiteiras corruptas estarão afastados da sua celebração o Ministério Público e o Tribunal de Contas, a quem cabe declarar a inidoneidade dessas empresas por irregularidade nos contratos de obras.
Essa missão do grupo Pro Corrupcione, visando a extinguir todos os efeitos dos processos levados avante pela Lava Jato, conta com a decidida contribuição do Ministério da Transparência, onde serão “celebrados” os acordos de compliance de fachada. O líder do governo André Moura declarou que tem o apoio do titular daquele ministério. Questionado pela imprensa, o ministro Torquato Jardim respondeu que a única providência que deve ser tomada é – pasmem – mudar a denominação “acordo de leniência” por um nome mais elegante, mais fino, menos chocante para as empreiteiras hipocritamente arrependidas e que agora voltam ao convívio do governo, com leis que garantem, para sempre, a corrupção.
Tudo isso em nome da moralidade pública. Um verdadeiro massacre, tal e qual ocorreu na Itália do nefasto Berlusconi. Ali o Judiciário foi humilhado, com todo o tipo de manobra, inclusive o desaforamento dos processos que corriam em Milão, para outras comarcas mais complacentes com os negócios de Berlusconi et caterva. A prescrição dos crimes de corrupção foi diminuída pela metade, as empresas corruptas puderam “regularizar” os seus balanços, sem revelar o montante de propinas que, durante décadas, pagaram aos políticos e partidos, e assim por diante.
Na Itália, legalizaram a corrupção por obra e graça do senhor Berlusconi e seus asseclas na Câmara e no Senado. No Brasil, inspirados no exemplo edificante daquele país, desejam os nossos políticos corruptos não só se eximir de sua responsabilidade criminal, mas também “reerguer” as empreiteiras corruptas, sob o pretexto de manutenção de empregos – tal como proclamava a ex-presidente Dilma – para, assim, dar continuidade ao festival eterno de corrupção nas obras públicas, sem cujo oxigênio não podem os políticos viver e muito menos sobreviver.

sábado, 19 de novembro de 2016

Juiz sueco: “É inacreditável que juízes brasileiros tenham o descaramento de se auto-conceder benefícios como auxílio-alimentação”



Por Claudia Wallin*, no Diário do Centro do Mundo/Geledés
Ab ovo, desde o princípio dos tempos ditos civilizados, quid latine dictum sit altum sonatur, tudo que é dito em latim soa profundo nas egrégias Cortes da Justiça. Mas hic et nunc, neste instante, os linguistas mais perplexos com os atos de auto-caridade praticados pelo Judiciário do Brasil já estarão se perguntando, data venia, se não é chegada a hora de ampliar a definição do conceito de pornografia nos dicionários brasileiros.
In ambiguo, na dúvida, vejamos: em uma das maiores obscenidades já registradas em um mês das noivas, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pediu e ganhou, em votação na Assembléia Legislativa em maio, uma bolsa-educação de até R$ 2,86 mil mensais a fim de bancar escolas e universidades particulares para filhos de juízes – que além de receberem salário de cerca de R$ 30 mil, contam com vantagens como plano de saúde, auxílio-creche, auxílio-alimentação e carro com motorista à disposição.
Ao bacanal de maio seguiu-se o projeto do Supremo Tribunal Federal (STF) para a futura Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que prevê auxílios para magistrados ab incunabulis, desde o berço, até o caixão. Ganha uma toga quem adivinhar o resultado da votação do projeto pelos representantes do Congresso, a quem a dor dos vizinhos da praça dos poderes sempre parece incomodar.
O plano inclui o pagamento de até 17 salários por ano aos magistrados brasileiros, que deverão ter um leque admirável de benefícios extras e garantidos até o túmulo: até a conta do funeral dos juízes, conforme prevê a proposta do STF, será paga pelo erário.
Entre os vivos, encenou-se a devassidão de junho: os guardiões da lei do Rio Grande do Sul, que têm piso salarial de R$ 22 mil, acabam de se auto-conceder um auxílio-alimentação de R$ 799 por mês.
Trata-se de um valor escandalosamente maior do que a maldita Bolsa Família (R$ 167,56 em média), dada aos pobres que, segundo avançados estudos científicos conduzidos nos Jardins, não querem saber de aprender a pescar.
Como provavelmente não comeram nos últimos quatro anos, as excelências do Sul decidiram também que o pagamento do benefício deverá ser ex tunc, retroativo a 2011.
O indecoroso Bolsa Caviar contemplará todos os juízes, desembargadores, promotores e procuradores, assim como – suprema ironia – os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, responsáveis pela fiscalização do uso do dinheiro dos impostos do cidadão. Tudo devidamente encaixado na categoria de verba indenizatória, para ficar isento de imposto de renda: afinal, o dinheiro público parece ser res nullius, coisa de ninguém.
Exempli gratia, por exemplo, levantamento do jornal O Dia mostra agora que 90% dos juízes e desembargadores do Rio de Janeiro receberam vencimentos que chegam a estourar o teto permitido pela Constituição Federal. Em janeiro, o contra-cheque de um juiz chegou a registrar R$ 241 mil. Só em março, a folha de pagamento de juízes e desembargadores fluminenses totalizou o equivalente a 50.279 salários mínimos.
E seguramente sem animus abutendi, intenção de abusar, procurou-se também calibrar ainda mais os supersalários da magistratura brasileira juris et de jure, de direito e por direito, no ano passado: foi quando os conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público aprovaram o auxílio-moradia de até R$ 4.377 para todos os juízes, desembargadores, promotores e procuradores do Brasil – mesmo para quem já mora em imóvel próprio. Cálculos aproximados estimam que o impacto anual decorrente do benefício será de R$ 1 bilhão, nestes tempos dourados de PIB gordo e pleno emprego no País das Maravilhas.
Há que se registrar as notáveis exceções à promiscuidade, como por exemplo a postura do desembargador Siro Darlan de Oliveira – que, ao se posicionar de forma veementemente contrária ao auxílio-educação para filhos de juízes, foi afastado de suas funções pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Carvalho.
Mas quis custodiet ipsos custodes? – quem afinal vigia os vigias?
O fundamental respeito de uma sociedade por seu Judiciário vai aos poucos, e perigosamente, sendo engavetado como um processo de Geraldo Brindeiro.
Nas mídias sociais, a frase de um internauta dá a medida do temerário grau de escárnio que cresce entre tantos indignados com as benesses das Cortes: “quando é que vai aparecer uma operação Lava-Toga”?
Recomendam o bom senso e a razão o graviter facere nos tribunais – agir com prudência, moderação, gravidade.
Goran Lambertz, da Suprema Corte sueca: “Em minha opinião, é absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de serem tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos. Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer”
Goran Lambertz, da Suprema Corte sueca: “Em minha opinião, é absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de serem tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos. Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer”
Decido ad judicem dicere, falar com um juiz, aqui na Suécia. Telefono então para Göran Lambertz, um dos 16 integrantes da Suprema Corte sueca, para contar as últimas novidades da corte brasileira. Lambertz é aquele juiz que pedala todos os dias até a estação central, e de lá toma um trem para o trabalho – e que me disse há tempos, em vídeo gravado para a TV Bandeirantes, que luxo pago com dinheiro do contribuinte é imoral.
Quando descrevo a nova lista de benefícios dos juízes brasileiros, Göran Lambertz dispensa totalmente, para meu espanto, a tradicional reserva e a discrição que caracteriza o povo sueco.
“Em minha opinião, é absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de serem tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos. Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer”, diz Lambertz.
Com o cuidado de avisar que não se trata de um trote, telefono em seguida para o sindicato dos juízes suecos, o Jusek, e peço para ouvir as considerações de um magistrado sindicalizado acerca da última série de benefícios auto-concedidos a si próprios pelos magistrados brasileiros — o Bolsa Moradia, o Bolsa Educação, o Bolsa Alimentação.
Sim, existe um sindicato dos magistrados na Suécia. É assim que os juízes suecos, assim como os trabalhadores de qualquer outra categoria, cuidam da negociação de seus reajustes salariais.
O juiz Helland: “É simplesmente impossível que a aprovação de benefícios como auxílio-alimentação ou auxílio-moradia para magistrados aconteça por aqui. Não temos esse tipo de sistema imoral. Temos um sistema democrático, que regulamenta o nível salarial da categoria dos magistrados, assim como dos políticos. E temos uma opinião pública que não aceitaria atos imorais como a concessão de benefícios para alimentar os juízes à custa do dinheiro público”
O juiz Helland: “É simplesmente impossível que a aprovação de benefícios como auxílio-alimentação ou auxílio-moradia para magistrados aconteça por aqui. Não temos esse tipo de sistema imoral. Temos um sistema democrático, que regulamenta o nível salarial da categoria dos magistrados, assim como dos políticos. E temos uma opinião pública que não aceitaria atos imorais como a concessão de benefícios para alimentar os juízes à custa do dinheiro público”
Meu telefonema é transferido então para o celular do juiz Carsten Helland, um dos representantes da categoria no sindicato.
Sinto um impulso incontrolável de dizer a ele que fique à vontade para recusar o colóquio e bater impiedosamente o telefone como bate seu martelo na Corte, pois os fatos que vai ouvir podem provocar sensações indesejáveis de regurgitação neste horário inconveniente que antecede o almoço do magistrado.
Mas, como que invadida pela cegueira da Justiça, decido narrar de vez ao juiz, sem clemência nem advertência, todos os obscenos benefícios pedidos e concedidos aos colegas brasileiros no além-mar.
Para minha surpresa, o magistrado sueco dedica os segundos iniciais da sua resposta a uma sessão de risos de incredulidade.
“Juízes não podem agir em nome dos próprios interesses, particularmente em tamanho grau, com tal ganância e egoísmo, e esperar que os cidadãos obedeçam à lei”, diz enfim o juiz, na sequência da risada que não pôde ou não quis evitar.
Recobrado o equilíbrio e a compostura que a toga exige, Carsten Helland continua:
“Um sistema de justiça deve ser justo”, ele começa, constatando o óbvio com a fala didática de quem tenta se comunicar com uma criatura verde de outro mundo.
“As Cortes de um país são o último posto avançado da garantia de justiça em uma sociedade, e por essa razão os magistrados devem ser fundamentalmente honestos e tratar os cidadãos com respeito. Se os juízes e tribunais não forem capazes de transmitir esta confiança e segurança básica aos cidadãos, os cidadãos não irão respeitar o Judiciário. E consequentemente, não irão respeitar a lei”, enfatiza o juiz sueco.
Pergunto a Carsten o que aconteceria na Suécia se os juízes, em um louco delírio, decidissem se auto-conceder benefícios como um auxílio-alimentação.
“Acho que perderíamos o nosso emprego”, ele diz, entre novo surto de risos. “Mas é simplesmente impossível que a aprovação de benefícios como auxílio-alimentação ou auxílio-moradia para magistrados aconteça por aqui”.
Por quê?
“Porque não temos esse tipo de sistema imoral. Temos um sistema democrático, que regulamenta o nível salarial da categoria dos magistrados, assim como dos políticos. E temos uma opinião pública que não aceitaria atos imorais como a concessão de benefícios para alimentar os juízes às custas do dinheiro público. Os juízes suecos não podem, portanto, sequer pensar em fazer coisas desse gênero”, conclui Carsten Helland.
O salário médio bruto de um juiz na Suécia é de cerca de 60 mil coroas suecas, o que equivale a aproximadamente 22,3 mil reais. O valor equivale ao salário de um deputado sueco, que em termos líquidos representa cerca de 50% a mais do que ganha um professor do ensino fundamental. O salário médio no país é de 27,3 mil coroas suecas.
“Há uma pequena variação nos salários dos magistrados suecos, que se situam em uma faixa entre 50 mil a 63 mil coroas suecas”, diz o juiz.
Há algum outro tipo de benefício além do salário?
“Não, absolutamente não” – ele responde.
A negociação anual dos reajustes salariais da magistratura se dá entre o sindicato Jusek e o Domstolsverket, a autoridade estatal responsável pela organização e o funcionamento do sistema de justiça sueco.
Para entender o sistema sueco, diz o juiz Helland, é preciso olhar um século para trás.
“A partir do final do século XIX, os sindicatos desempenharam um papel fundamental na construção da sociedade que temos hoje. Portanto, não é estranho ver magistrados ou qualquer outro profissional na Suécia sendo filiados a sindicatos. E é importante notar que ser membro de um sindicato, na Suécia, não significa que você seja de esquerda. Os sindicatos são parte essencial da base sobre a qual nossa sociedade foi consolidada – a dualidade entre trabalhadores e empregadores”, ele observa.
O reajuste salarial dos magistrados suecos trata normalmente, segundo o juiz, da reposição da perda inflacionária acumulada no período de um ano, e que se situa em geral entre 2% e 2,5%.
“Nossos reajustes seguem geralmente os índices aplicados às demais categorias de trabalhadores, que têm como base de cálculo os indicadores gerais da economia e parâmetros como o nível de aumento salarial dos trabalhadores do IF Metall (o poderoso sindicato dos metalúrgicos suecos)”, explica o juiz Carsten.
A negociação depende essencialmente do orçamento do Domstolsverket, que é determinado pelo Ministério das Finanças:
“Os juízes têm influência limitada no processo de negociação salarial”, diz Carsten. “As autoridades estatais do Domstolsverket recebem a verba repassada pelo governo, através do recolhimento dos impostos dos contribuintes, e isso representa o orçamento total que o governo quer gastar com as Cortes. A partir deste orçamento, o Domstolsverket se faz a pergunta: quanto podemos gastar com o reajuste salarial dos juízes?”, explica o juiz.
“Não podemos, portanto, lutar por salários muito maiores. Podemos apenas querer que seja possível ganhar mais”, acrescenta ele.
Greves de juízes não fazem parte da ordem do dia.
“Não fazemos greves, porque isso seria evidentemente perigoso para a sociedade”, diz Helland.
Já sei a resposta, de tanto fazer a mesma pergunta a jornalistas e a suecos em geral, mas resolvo perguntar mais uma vez: já ouviu falar de algum caso registrado de juiz corrupto na Suécia?
“Não”, diz Helland. “Nunca”.
Na Suprema Corte sueca, os reajustes salariais também seguem a mesma regra aplicada ao restante da magistratura.
O salário bruto dos juízes do Supremo, segundo Goran Lambertz, é de 100 mil coroas suecas (cerca de 37 mil reais). Uma vez descontados os impostos, os vencimentos de cada juiz totalizam, in totum, um valor líquido de 55 mil coroas suecas (aproximadamente 20,4 mil reais). Sem nenhum benefício ou penduricalho extra, e sem carros com motorista.
Neste exótico país, os juízes da Suprema Corte também não têm status de ministro, e nem são chamados de excelências.
“Se o sistema judiciário de um país não for capaz de obter o respeito dos cidadãos, toda a sociedade estará ameaçada. Haverá mais crimes, haverá cada vez maior ganância na sociedade, e cada vez menos confiança nas instituições do país. Juízes têm o dever, portanto, de preservar um alto padrão moral e agir como bons exemplos para a sociedade, e não agir em nome de seus próprios interesses”, diz Göran Lambertz ao final da nossa conversa.
Ou em bom latim, conforme rezam os manuais jurídicos: nemo iudex in causa sua – ninguém pode ser juiz em causa própria.
Enviada para Combate Racismo Ambiental por Diogo Rocha.
http://racismoambiental.net.br/2016/03/21/juiz-sueco-e-inacreditavel-que-juizes-brasileiros-tenham-o-descaramento-de-se-auto-conceder-beneficios-como-auxilio-alimentacao/

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Richard Branson, o incansável, agora apresenta avião supersônico

O supersônico 'Baby Boom', criado em parceria entre a startup Boom e o grupo Virgin, do bilionário Richard Branson
O supersônico 'Baby Boom', criado em parceria entre a startup Boom e o grupo Virgin, do bilionário Richard Branson (Divulgação/VEJA.com)

Bilionário ajuda a criar aeronave que tem velocidade 2,6 vezes maior que a de aviões comuns; tempo de voo entre Nova York e Londres deve cair pela metade

O bilionário Richard Branson, fundador do grupo Virgin, revelou nesta quarta-feira o protótipo de um novo avião supersônico que promete reduzir o tempo de viagens aéreas e levar passageiros de Londres a Nova York em três horas e quinze minutos. Hoje, o trajeto dura pouco mais de seis horas.
O XB-1, apelidado de “Baby Boom” – em alusão à Boom, startup que trabalhou com a Virgin no projeto -, é considerado o avião civil mais rápido do mundo. Seu primeiro voo deve ser realizado em 2023, com uma passagem custando 2.500 libras (cerca de 10.600 reais).
A aeronave tem uma velocidade de cruzeiro de 2.335 quilômetros por hora, 2,6 vezes maior que a de outros aviões. O Baby Boom pode transportar 40 passageiros por vez.
“Sempre fui apaixonado por inovação aeroespacial e desenvolvimento de voos comerciais de alta velocidade”, disse Branson. “Como inovadora no setor, a decisão da Virgin Galactic de trabalhar com a Boom foi fácil.”
Apesar de outras empresas aeroespaciais como a Boeing e a Lockheed Martin desenvolverem suas próprias espaçonaves supersônicas, a Virgin e a Boom esperam vencer a concorrência no mercado, já que sua aeronave utiliza tecnologia já aprovada pelos reguladores.
O desenvolvimento da nova aeronave do Boom foi feito em parceria com a Spaceship Company, ligada à Virgin Galactic. A empresa fornecerá serviços de engenharia e fabricação à Boom, além de suporte e operações de voo de teste.
Antes da inauguração, Blake Scholl, presidente e fundador da Boom, disse: “sessenta anos após o início da era do jato, ainda estamos voando com velocidades dos anos 1960. Os designers da Concorde não tinham tecnologia para viagens supersônicas a preços acessíveis, mas agora podemos fazer isso.”
O voo de teste subsônico do XB-1 ocorrerá a leste da cidade americana de Denver, no Colorado, enquanto os voos de teste supersônicos serão perto da Base da Força Aérea de Edwards, no sul da Califórnia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Não são “ocupações” de escolas, são invasões

Se o vocábulo “ocupação” passa a ser usado para descrever o fenômeno, uma atitude criminosa não consegue ser expressa nem mesmo em termos banais, que dirá jurídicos.

Numa investigação criminal, a maior dificuldade é conseguir traduzir as evidências e provas de um crime para a linguagem jurídica. Todos podem ver um corpo e saber que ele foi assassinado: a dificuldade é provar quem, como, onde, quando e, inclusive, por quê. O crime resta óbvio: falta saber qual foi, se houve mais crimes envolvidos (sequestro, tortura, formação de quadrilha, estupro etc). Mesmo com o criminoso identificado, o desafio de entender o que aconteceu é o que determina seu julgamento.
Saber qual o crime, o que está em discussão, é simplesmente o ponto central de uma investigação, justamente o que se quer saber. No caso das “ocupações” das escolas, que seguiram com força mesmo após atrapalharem tantos alunos no Enem e só agora parecem diminuir, o erro de investigação já se dá ao se narrar o fenômeno: dos invasores – nem todos alunos – à imprensa, todos falam em “ocupações”, como se as escolas estivessem mesmo sendo “ocupadas”. As escolas estavam sendo invadidas.
"Uma escola é ocupada quando estudantes ocupam seus bancos, sobretudo com a função de estudar"
O crime é de invasão. Uma ocupação não é crime. Se o vocábulo “ocupação” passa a ser usado para descrever o fenômeno por toda uma comunidade de falantes, uma atitude criminosa, que prejudica a maioria da população e é reprovada por toda essa maioria, não consegue ser expressa nem mesmo em termos banais, que dirá jurídicos, para que a conduta tenha algum efeito negativo.
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Uma escola é ocupada quando estudantes ocupam seus bancos, sobretudo com a função de estudar. Ocupa-se seguindo um ordenamento, respeitando-se normas não escritas e um fim determinado. Finda a aula, o estudante desocupa o seu assento para que outro o ocupe em outra aula.
Uma escola é invadida quando um grupo estranho a seu corpo de frequentadores toma a escola à força, com objetivos completamente alheios ao seu fim, usando de violência para impedir a presença alheia – sejam professores, alunos e funcionários ou outras pessoas –, sequestrando-a para propósitos particulares do grupo que a invade, à revelia e prejuízo da sociedade, que arca pela escola, e daqueles que ela concordou em custear para aprimorar seu destino.
Se a imprensa acata o nome fantasia da ação dos invasores, furtando-se também ao seu fim esperado de ser desconfiada e investigativa, explicando a seus leitores o que subjaz por detrás das aparências, a imprensa inverte o seu papel de investigadora para ser replicadora de discursos. Em vez de quarto poder, se torna órgão de propaganda de quem está ou quer algum poder, inclusive por meios ilícitos.
Tampouco há “direito à greve” de “estudantes”. Greve é se recusar a trabalhar. Alunos obtêm um benefício. Podem, sim, fazer um boicote. Mas não há, na Constituição, direito de forçar outra pessoa a aderir a um boicote.
As invasões permanecem como a última bala de um discurso de esquerda que só convence os mais afastados das preocupações da vida real (incluindo Enem e faculdade), julgando-se representar o povo ou coletivos como “os estudantes” ou “os pobres” quanto mais se afastam daqueles que podem perder um ano de suas vidas por interesses político-partidários individuais, justamente forçando a sociedade, com violência, a aceitar suas demandas impopulares no muque.
*Flavio Morgenstern é analista político, criador do portal Senso Incomum e autor de Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs.

domingo, 13 de novembro de 2016

Política Estudantil

Política Estudantil

*Por Alexandre Garcia 

Quando eu era um dos diretores da União Cachoeirense de Estudantes, tinha 15 anos e cursava o científico, pensava que o mundo girava em torno de nós, jovens, alegres e estudantes. 

Quando presidi o Centro Acadêmico da Faculdade de Comunicação Social da PUC/RS, já com 28 anos, pensava diferente. Aos 15, valia o “querer é poder”; aos 28, percebia que “poder é saber”. No meio do caminho, havia feito a cobertura da Revolução Cubana, pelo rádio, e ainda pensava que Guevara fosse um herói, e não um assassino frio e covarde. Fazia poesias exaltando o “Che” e Dom Hélder. 

Depois fui descobrindo a realidade dos personagens e suas idéias. Quando jovem, a gente se engana fácil ou é enganado com facilidade pela pouca distância que se tem entre o pensar e o agir.      Por isso compreendo essa garotada que se jogou na aventura de invadir escolas para impedir o ENEM,  a PEC de limitação de despesas do governo federal e a reforma do ensino médio. Não impediram o ENEM, um sucesso com quase 6 milhões de comparecimento às provas; a emenda dos gastos vai ser aprovada no Senado e o ensino médio vai ser logo reformado, depois de 18 anos de lenta discussão. Compreendo que acreditem nas estórias contadas por professores sindicalizados - que, por sua vez já as ouviram de terceiros, impregnadas de fé religiosa em idéias sociais e políticas que fracassaram em todos os quadrantes do mundo. É o mecanismo da sublimação, descrito por Freud. Frustraram-se na sua ideologia e criam um sonho, uma irrealidade que, para ter a aparência de real, transmitem-na para os alunos, para mentes disponíveis, ainda com fracos mecanismos de censura.      

Compreendendo os que estão na idade adolescente por que já passei. Mas fico na obrigação de alertar-lhes que já estão entrando no tempo do amadurecimento, de pensar por si próprios, serem céticos, submeterem qualquer tipo de catequese à luz da razão. Ou serão manipulados e podem ser conduzidos a erros que prejudicam os outros. O mal que se faz para si pode atingir outros e aí se torna um mal maior. No ENEM, 271 mil inscritos foram prejudicados por invasões de locais onde fariam as provas. A transferência do exame para início de dezembro vai custar 15 milhões a mais para os contribuintes, que são aqueles que trabalham, que compram, que recolhem impostos. O professores sindicalistas que manipularam seus alunos e os partidos políticos que se aproveitaram das jovens mentes idealistas e sonhadoras, precisam ser recebidos com filtros da razão e desconfiança. Sem provas, é só fé. Já vimos esse filme, por exemplo, na Alemanha nazista.      

Na Universidade de Brasília, o professor de algoritmo e programação de computador, na Engenharia da Computação, ao encontrar a sala de aula tomada por meia dúzia de invasores, transferiu a aula para o lado de fora sob “os portais cobertos do Liceu, de Aristóteles”. Em plena aula com 25 alunos, o local foi invadido pelos mesmos ocupantes da sala, que arrancaram das tomadas os computadores da aula. Nada mais parecido com a Juventude Hitlerista de 1939. Os agressores alegaram que em democracia têm o direito de se manifestar. Não sabem que Democracia é a vontade da maioria que respeita a minoria; não a vontade da minoria que desrespeita a maioria.

Ricardo Noblat: No desespero, Lula cospe fogo contra a Lava-Jato

Os devotos de Lula ainda ligam para ele, mas tais devotos escasseiam à medida que o tempo corre e que os fatos se sucedem. Condenado ou não, Lula é carta fora do baralho.


Publicado no Blog do Noblat
Quem ainda liga para Lula?
A imprensa, de quem ele se diz vítima, ainda liga, seja por se achar obrigada a divulgar tudo o que possa interessar a parcelas dos seus leitores, seja para driblar a acusação de que persegue Lula.
Os devotos de Lula ainda ligam para ele, mas tais devotos escasseiam à medida que o tempo corre e que os fatos se sucedem. Condenado ou não, Lula é carta fora do baralho. Como Dilma.
Tornou-se um fardo até mesmo para o PT. Parte do PT quer mais é livrar-se dele, refundar o partido e ir em frente. Outra parte, a que de fato manda, admite Lula por perto desde que ela siga mandando.
Quem tem mais votos para eleger uma nova direção do PT e ditar os rumos do partido? Os que atualmente mandam nele. Lula não tem. Nem os que advogam a refundação.
Ainda se empenham em ligar para Lula os que sempre viveram à sua sombra e a custa de sinecuras. E também as figurinhas carimbadas  que comparecem a atos em defesa dele.
Foi para tais figuras, as mesmas que subscreveram manifestos denunciando o “golpe” que derrubou Dilma e se cansaram de gritar “Fora, Temer”, que Lula falou, ontem à noite, em São Paulo.
O que Lula disse em sua defesa? Acusou o juiz Sérgio Moro, os promotores das Lava-Jato e a imprensa de comprometimento político e ideológico. Afirmou que é alvo de “um pacto diabólico”.
Para variar, bravateou. “Mexeram com a pessoa errada”, disse em tom de ameaça. Para acrescentar:
– Não tenho problema em prestar quantos depoimentos forem necessários. […] Tenho preocupação é quando vejo um pacto quase diabólico entre a mídia, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz que está apurando todo esse processo.
Por fim, proclamou: “Não tenho que provar minha inocência, eles é que tem que provar a inocência deles na acusação”.
De fato, Lula não tem que provar que é inocente. Cabe aos seus acusadores provar que ele é culpado. Mas, ao contrário do que Lula disse, não cabe a eles provarem a própria inocência.
Somente Lula e sua reduzida turma acusam Moro e os procuradores de “comprometimento político e ideológico”. E não se preocupam em provar o que dizem. Simplesmente dão por provado.
Triste performance, essa, a de um líder decadente derrotado por sua própria ambição.

sábado, 12 de novembro de 2016

Chocolate de Pomerode é escolhido um dos melhores do mundo.



O chocolate Serra do Conduru 80% Cacau, da pomerodense Nugali, conseguiu uma importante medalha de bronze no International Chocolate Awards, em Londres. A conquista foi na categoria Barras de Chocolates Escuros. A disputa reuniu cerca de 1,7 mil produtos de todo o planeta.

O cacau usado no chocolate é produzido nos sopés da serra baiana. A receita já havia passado com medalha de prata pela etapa que reuniu fabricantes das Américas, Ásia e Oceania, em junho.

Além da Nugali, apenas uma fabricante brasileira conseguiu medalha na final mundial. A Chocolat du Jour, de São Paulo, conquistou prata e bronze na categoria Drágeas de Chocolate ao Leite Cobertas com nozes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Câmara resiste à proposta que reduz número de partidos

Deputados dizem que para aprovar a medida vão promover mudanças significativas no texto.

A reforma política aprovada em primeiro turno no Senado terá dificuldades para avançar quando chegar à Câmara. Parte da Casa rechaça a proposta e já articula para engavetá-la. Deputados dizem que para aprovar a medida vão promover mudanças significativas no texto. O principal ponto de insatisfação é a cláusula de barreira, que, na prática, pretende limitar o número de partidos no País.
Atualmente, são 35 legendas – 28 com representação no Congresso. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada pelos senadores nesta quarta-feira, em comparação com os resultados das eleições de 2014, reduziria a apenas 16 o número de partidos hoje. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão em processo de criação mais 29 siglas.
Deputados afirmam que a proposta vai limitar a representatividade, em especial a dos partidos pequenos, e reclamam que grandes legendas culpam os “nanicos” pela dificuldade em se obter a estabilidade política. “As mazelas da política não estão localizadas nos partidos pequenos. É falsa a ideia de que os pequenos dificultam a governabilidade”, disse o líder do PCdoB na Câmara, Daniel Almeida (BA).
A legenda, com 11 deputados, vai trabalhar para barrar a reforma. Na avaliação de Almeida, a proposta cria deputados “de segunda e terceira categorias”. O PCdoB não estará sozinho. O PT, que originalmente era a favor da cláusula de barreira e do fim das coligações, já admite rever sua posição. “Na bancada é muito forte o respeito ao PCdoB, à Rede e ao PSOL. Isso vai ser rediscutido porque a mudança do cenário é muito brusca”, afirmou o líder Afonso Florence (BA).

Propostas

Entre as alterações “bruscas”, como afirmou Florence, está a exigência de os partidos conseguir ao menos 2% dos votos válidos em 14 unidades da Federação em 2018. Se não atingir o desempenho, as siglas não poderão ter assento no Congresso nem acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV. A PEC ainda prevê o fim das coligações proporcionais e permite a união das legendas em federações.
Com 58 deputados em sua bancada, Florence disse que será difícil a aprovação da PEC na Câmara do jeito que está. O líder do PROS, Ronaldo Fonseca (DF), endossou a crítica do petista: “Sabe quando vai passar na Câmara? Só no próximo século”. Com seis deputados na bancada, Fonseca destacou que a cláusula de barreira já foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a reforma aprovada no Senado é “piada”.
Parlamentares se queixam da origem da proposta e alegam que o correto seria a Câmara enviá-la aos senadores. A preocupação na Casa é que as medidas aprovadas atingem diretamente a eleição de deputados, por ser disputa proporcional. “Nenhuma regra os atinge. Então, não dá para agradar aos senhores senadores”, afirmou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). A legenda tem 18 deputados.

Mudanças

Parte das siglas aceita discutir a PEC na Câmara, mas já avisa que serão feitos ajustes. “A gente vai trabalhar para aprovar mudanças, mas elas não podem acontecer da noite para o dia”, afirmou o líder do PRB, Márcio Marinho (BA). Da forma como foi aprovada, considerou o deputado, os pequenos e médios partidos “sucumbirão”.
Segundo Marinho, o PRB, com 22 deputados, vai recomendar alterações na cláusula de barreira e no tempo de aplicação da regra, para que os partidos se organizem. A Rede, com quatro deputados, vai reunir a direção do partido para discutir propostas de alterações na reforma política.
Durante as discussões no plenário do Senado anteontem, o próprio autor da proposta, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), já admitira que o texto poderia ser alterado.
Presidentes de outros partidos também reconhecem a atuação dos deputados na matéria aprovada pelos senadores. “Não vejo problema na proposta, mas ela vai mexer com todo o sistema eleitoral. Deverá haver algumas mudanças, acho que com relação ao fim das coligações. Já no caso da cláusula de barreira é mais fácil, existirão federações”, afirmou o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN). A sigla tem 28 deputados.
Antônio Carlos Rodrigues, presidente do PR, disse que o partido ainda não discutiu a reforma política. “Acredito que o projeto do Senado avance, mas sofrerá grandes alterações pela Câmara”, afirmou. O PR é representado por 42 deputados na Casa. A PEC deverá ser votada em segundo turno no Senado no dia 23 deste mês e só depois seguirá para a Câmara.
A PROPOSTA
Cláusula de barreira ou de desempenho: Limita o acesso às verbas do Fundo Partidário e tempo de rádio e TV para partidos que não atingirem o mínimo de votos. A partir de 2018, a cláusula será aplicada aos partidos que não atingirem pelo menos 2% dos votos válidos do País nas eleições para a Câmara, distribuídos em ao menos 14 unidades da Federação, com um mínimo de 2% dos votos válidos em cada um. A partir das eleições de 2022, o mínimo passa a ser de 3% dos votos;
Fim de coligações partidárias: São extintas as alianças entre partidos para as eleições a partir de 2020. É válida para as eleições proporcionais de vereadores e deputados. Assim, um candidato com elevado número de votos deixaria de eleger os candidatos da coligação que não obtiveram número significativo de votos;
Federação partidária: Os partidos poderão se unir para formar federações e ter atuação parlamentar.
(Com Estadão Conteúdo)