Lula, além da cidadania italiana que possui, parece que gosta de fazer negócios com os italianos, nesse lado o admiro, vai logo ao chefe dos chefes, não faz negócio com pelêgo...,

Nome de Lula aparece no caso Berlusconi

Na carta em que extorquia o ex-premiê italiano, o jornalista Valter Lavitola, hoje preso, diz que Lula o ajudou num polêmico negócio de madeiras na Amazônia. Justiça da Itália já ouviu Pizzolato

Janaina Cesar, de Nápoles e Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br), de Brasília
No fim de abril, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, recebeu em sua cela na penitenciária de Sant’Anna, em Modena, a visita do procurador italiano Vicenzo Piscitelli. O integrante do MP italiano estava acompanhado de três policiais. O encontro alimentou especulações de que Pizzolato estaria envolvido na investigação conduzida por Piscitelli sobre o rumoroso caso do jornalista Valter Lavitola, ex-diretor do diário “Avanti” preso por extorsão contra o ex-premiê Silvio Berlusconi e que responde a processo também por lavagem de dinheiro e corrupção internacional. Pizzolato, porém, não foi interrogado na condição de suspeito ou de testemunha, mas como colaborador. O procurador queria sua ajuda para esclarecer um trecho até hoje misterioso da carta em que Lavitola cobra de Berlusconi ajuda financeira. Em três das 25 páginas do documento, obtido por ISTOÉ, o jornalista italiano fala que recorreu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conseguir vender uma área de manejo florestal que tinha na Amazônia. Nas palavras de Lavitola, Lula “provou ser um verdadeiro amigo”.
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TRANSAÇÃO
Em carta encaminhada ao premiê Silvio Berlusconi, em dezembro de 2011,
Valter Lavitola afirma que recorreu a Lula para negociar área de manejo florestal na Amazônia.
"Ele conseguiu que a direção da empresa compradora fizesse um acordo comigo."
A carta escrita por Lavitola foi encontrada no computador do ítalo-argentino Carmelo Pintabona, amigo e um dos homens de confiança do jornalista condenado. Pintabona, então presidente da Federação das Associações Sicilianas da América do Sul, foi preso em 3 de agosto de 2012, em Palermo. Ele foi indiciado no mesmo processo de extorsão, mas acabou inocentado e ganhou a liberdade em março do ano passado. No depoimento que deu ao MP napolitano, Pintabona disse que Lavitola “conhecia bem Lula”, de quem falava com frequência e confirmou a existência da concessão na Amazônia. “Foi o próprio Lavitola que me disse para explicar o porquê do pedido de dinheiro a Berlusconi, pois existia o risco de perder a concessão”, disse o empresário. Na carta, Lavitola dá instruções ao ex-premiê para que pagasse US$ 900 mil a uma empresa chinesa que teria sido responsável pelo plano de manejo florestal. Outros 5 milhões de euros (US$ 7 milhões) também seriam necessários para bancar um escritório de advocacia que cuidaria da arbitragem do negócio.
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Até decidir se entregar em 16 de abril de 2012, Lavitola permaneceu foragido por oito meses. Segundo Lavitola, naquele momento ninguém queria se envolver em negócios com seu nome, por conta do processo na Itália. Na carta, ele fala que recorreu anteriormente a Lula, o qual se mostrou um verdadeiro amigo, mas que naquele momento, em dezembro de 2011, quando escreveu a carta, já não poderia mais contar com ele. “Infelizmente o presidente Lula (que está provando ser um verdadeiro amigo) já não pode fazer muito. Ele conseguiu que a direção da empresa compradora, por meio de uma sentença (obviamente acordada) de um tribunal de arbitragem, fizesse um acordo comigo”, escreveu. Em seguida, avalia que os compradores da área “deveriam aceitar” uma procuração em seu nome para tocar o negócio, enquanto estivesse impedido “por questões alheias” a sua vontade.
O caso intriga os procuradores. Eles pediram ajuda a Pizzolato na expectativa de que novas informações pudessem contribuir para elucidar o caso. “Do que é citado na carta, tudo o que apuramos até agora mostrou ter fundamento”, diz uma fonte do MP. Quando Pizzolato foi preso em Modena, a Procuradoria Antimáfia cruzou as informações da carta com outros dados e decidiu interrogá-lo, considerando sua filiação ao PT e a amizade com Lula. Mas o ex-diretor do BB preferiu não abrir a boca. Procurado por ISTOÉ, Lula informou por meio da assessoria que “nunca ouviu falar de Valter Lavitola ou dos outros assuntos perguntados”. “Vale lembrar que em dezembro de 2011 o ex-presidente estava em tratamento quimioterápico contra o câncer”, disse, em nota.
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MISTÉRIO
A carta escrita por Valter Lavitola (foto) em que Lula é citado foi encontrada
no computador do ítalo-argentino Carmelo Pintabona, amigo e um dos
homens de confiança do jornalista, que também responde  a processo
por lavagem de dinheiro e corrupção internacional
No ano passado, o Ministério Público brasileiro e a Polícia Federal entraram no caso, acionados por carta rogatória a pedido da Procuradoria italiana que atua no Tribunal de Nápoles. No processo em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), obtido por ISTOÉ, os procuradores pedem a quebra do sigilo telefônico e bancário de Lavitola, a identificação de propriedades em seu nome, além de busca e apreensão em diversos endereços. Também solicitam a notificação e o interrogatório de pessoas que seriam “laranjas” do jornalista italiano em uma complexa rede de empresas de fachada. São eles: Alexander Heródoto Campos, Danielle Aline Louzada e Neire Cássia Pepe Gomes.
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ELUCIDAÇÃO
No fim de abril, o procurador italiano Vicenzo Piscitelli procurou
Henrique Pizzolato, em sua cela da penitenciária de Sant'Anna,
em Modena, para tentar esclarecer menção a Lula
Até agora, o Ministério Público brasileiro não conseguiu localizar Neire e Danielle. Heródoto deve ser ouvido em breve. Em depoimento às autoridades italianas, em 2012, Heródoto revelou que, além da concessão de exploração de madeira, Lavitola tinha uma companhia aduaneira, uma imobiliária e duas empresas de exportação de pescado. Os investigadores suspeitam que as empresas teriam sido usadas para lavagem de dinheiro. A “Pesqueira Barra de São João”, além da “Immobiliare Italiana” e da madeireira “Maremma”, ambas situadas em Roma, pertenceriam ao conglomerado econômico “Bonaventura Group”, com sede em Miami e controlado por Lavitola. Depois que o jornalista italiano foi preso, Heródoto usou documentação falsa para tentar reivindicar a titularidade do Bonaventura. Ele diz que havia acertado a compra do negócio por US$ 5,6 milhões e que Lavitola lhe devia US$ 800 mil. No depoimento, Heródoto acrescentou que, em 2009, encontrou Lavitola numa feira de empresários em São Paulo. Ele estava com Berlusconi. “Fui apresentado a ele. Berlusconi fora convidado como presidente do conselho e estava em companhia de Lula, nosso presidente naquela época”, lembra. De acordo com a investigação, Lavitola, em 2004, vendeu 50% da Maremma para a Wilmar Company, gigante asiático do setor madeireiro.
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SILENCIOU
Condenado no processo do mensalão, Henrique Pizzolato
evitou incriminar Lula. Questionado, nada falou sobre
a suposta ligação entre Lula e Valter Lavitola

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