O naufrágio na Câmara confirma: o segundo mandato começou com cara de fim de feira

O companheiro Arlindo Chinaglia, do PT paulista, acreditava ter 180 votos garantidos quando resolveu que só faltava o apoio militante do Palácio do Planalto para voltar à presidência da Câmara dos Deputados. Animada com a ideia de livrar-se do desafeto Eduardo Cunha, do PMDB fluminense, Dilma Rousseff  determinou a imediata entrada em campo de seis atacantes do primeiro escalão.

Desde quarta-feira, movimentaram-se à luz do dia e agiram nas catacumbas os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) Pepe Vargas (Relações Institucionais), Gilberto Kassab (Cidades), Ricardo Berzoini (Comunicações), Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) e Miguel Rosseto (Secretaria Geral da Presidência. O resultado da ofensiva foi conhecido neste domingo: a disputa equilibrada virou goleada desmoralizante.
Chinaglia teve 136 votos — quase a metade dos 267 obtidos pelo vitorioso Eduardo Cunha. Os 100 eleitores de Júlio Delgado, do PSB mineiro, comprovaram que a oposição seguiu a orientação do senador Aécio Neves. A bisonha performance do preferido do Planalto, portanto, deve ser inteiramente debitada na conta da base alugada.
Eduardo Cunha, convém ressalvar, nada tem a ver com o Brasil decente. Mas o horizonte fica menos perturbador a cada fiasco do bando de farsantes acampado 12 anos no coração do poder. Embora o senador Renan Calheiros continue na chefia da Casa do Espanto, o Congresso não está dominado.  Na Câmara, a bancada dos ainda fiéis a Dilma reúne 136 entre mais de 500 deputados. A supergerente de araque está ao relento. Deixou de ser inimputável.
Uma presidente reeleita há pouco mais de três meses deveria ter força de sobra para instalar qualquer um no comando da Mansão dos Horrores. O naufrágio de Chinaglia reafirma que o início do segundo mandato tem cara de fim de feira. Dilma logo entenderá que o principal objetivo a perseguir é permanecer no emprego. Não será fácil.

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