Grandes marcas de caminhão que você nunca ouviu falar

Já contamos a história do surgimento dos primeiros caminhões e ônibus (se você não viu, clique aqui). Em nosso quadro Retrovisor também sempre mostramos caminhões antigos. Se Europa, e principalmente a Alemanha, é o berço dos veículos comercias, não é de se estranhar então que no começo da era dos veículos automotores, muitas indústrias surgiram nos países de lá. Algumas foram muito grandes, verdadeiros impérios, outras nem tanto, mas muitas delas não sobreviveram. E mesmo em época de internet, onde a gente consegue informações de todos os lados do mundo, ainda é possível descobrir marcas de caminhão que você nunca ouviu falar. Te convidamos agora a dar uma voltinha na história dos caminhões e conhecer essas marcas que fizeram história, mas que hoje viraram peças de museu.

Henschel

Henschel é outra marca de caminhão que você nunca ouviu falar
Modelo da Henschel de 1969
É uma marca alemã, fundada em 1810 e conhecida por fazer locomotivas. Sua sede era na cidade de Kassel, no centro do País. A empresa atuou em diversos setores, incluindo a indústria bélica durante a II Guerra Mundial. Assim como muitas outras empresas alemãs, a Henschel usou mão de obra praticamente escrava com trabalhos forçados dentro de sua fábrica durante a guerra. Talvez por isso a empresa tenha sido quase totalmente destruída por bombardeios.
Henschel é a primeira das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Henschel é a primeira das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
No pós-guerra a empresa se reestruturou. A divisão de caminhões foi vendida para a Daimler, a mesma do grupo Mercedes-Benz. Porém a empresa não usa mais a marca Henschel desde 1974. Outros setores da companhia passaram por diversas fusões, aquisições e parceiras até ser vendida para a canadense Bombardier em 2002. A planta de Kassel ainda opera até hoje.

Krupp

Os modelos da Krupp fizeram muito sucesso, mas a marca não existe mais
Os modelos da Krupp fizeram muito sucesso, mas a marca não existe mais
Krupp é outra marca alemã que produzia motores, veículos comerciais, caminhões e ônibus. Os veículos começaram a ser fabricados depois da primeira guerra mundial, em 1919, e o último saiu em 1969. Após o fim da fabricação, o grupo Daimler ficou com os concessionários e serviços pós-venda da marca, mas não com a marca em si, que morreu naquele ano.
Modelo Krupp Mustang de 1957
Modelo Krupp Mustang de 1957

Deutz

Caminhões novos da marca você não verá, mas a empresa ainda existe
Caminhões novos da marca você não verá, mas a empresa ainda existe
O logotipo parece foguete né? Mas não é nada disso. A Deutz é outra empresa alemã de motores. Mas a explicação do logo é meio confusa. A Deutz é da cidade de Colônia, norte da Alemanha. Porém na década de 1930 ela comprou a Magirus, empresa de equipamentos para bombeiros de Ulm, cidade no sul do País. Mas parece que a Deutz gostou mais do logo da Magirus que do dela própria e o adotou. O desenho é a torre da catedral da cidade de Ulm com um M de Magirus na base.
Deutz é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar, mas ainda dá tempo, já que a empresa ainda existe
Deutz é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar, mas ainda dá tempo, já que a empresa ainda existe
A Deutz existe até hoje, atuando também no Brasil com motores voltados ao mercado agrícola. Já a Magirus foi comprada pela Iveco e esse continua sendo o nome de toda a linha voltada para bombeiros da montadora italiana, inclusive aqui no Brasil.

Ernst Grube Werdau

Ernst Grube Werdau é uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Ernst Grube Werdau é uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Mais uma marca alemã, desta vez da cidade de Werdau, centro leste do país. A empresa surgiu em 1898 e fabricou vagões, caminhões, ônibus e trólebus. Mudou de nome várias vezes até 1952, quando adotou a marca em homenagem a Ernst Grube, um político da resistência que foi contra o regime nazista. Ele nasceu na cidade de Werdau e morreu em um campo de concentração em 1945. A empresa era uma estatal e conseguiu sobreviver ao pós-guerra, porém faliu em 2004.

Faun

Faun é uma marca de caminhão que você nunca ouviu falar
Modelo da Faun de 1955
Faun é na verdade uma sigla, o nome real dessa empresa alemã é bem difícil de pronunciar, Fahrzeugfabriken Ansbach und Nürnberg, que quer dizer Fábrica de veículos de Ansbach e Nuremberg, duas cidades da região da Baviera, de onde se originou a fábrica.
Faun é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Faun é outra das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Ela foi fundada em 1845, porém a produção de caminhões começou na década de 1930. Originalmente, a Faun era focada em veículos para uso municipal, como coleta de lixo e limpeza de ruas, com o tempo a marca foi se expandindo, mas durante a década de 1960, a concorrência com grandes marcas como MAN e Mercedes-Benz dificultou a vida dos fabricantes menores, por isso a marca encerrou sua produção de caminhões convencionais e ônibus no fim da década. Caminhões especiais foram fabricados para o governo russo da década de 70 até 1990, quando a empresa encerrou de vez a produção de caminhões. No mesmo ano a Faun foi vendida para a japonesa Tadano e hoje seu nome oficial é Tadano Faun GmbH.

Vomag

Vomag é mais uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Vomag é mais uma das marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Com certeza uma das histórias mais cheias de reviravoltas e situações improváveis é a da Vomag, empresa alemã fundada em 1881. A indústria produzia, inicialmente, máquinas de bordar. Em 1902 expandiu seu negócio também para máquinas de impressão. Em 1910 fez a primeira máquina de bordar automática e se tornou um sucesso na Europa. Em 1912 outro sucesso, construindo a primeira impressora offset rotativa. Porém a eclosão da Primeira Guerra Mundial mudou os rumos da empresa.
A partir de 1914 a Vomag começou a construir caminhões com capacidade de carga de 3 toneladas. Essa indústria foi crescendo, assim como a gama de veículos disponíveis. A empresa começou a produzir também artefatos de guerra como granadas, minas e projéteis. Em 1919 a guerra acabou, mas a empresa seguiu em boa fase até a depressão de 1929. Com o mundo em colapso e uma má administração, que rendeu diversos processos por fraude para a empresa, a Vomag abriu falência no começo da década de 1930. No mesmo período o partido de Hitler subiu ao poder e comprou a marca. Ao longo da Segunda Guerra Mundial, a empresa passou a construir também tanques de guerra. Como muitas outras empresas alemãs, a Vomag adotou trabalhos forçados durante o período. O local virou um complexo importante dos nazistas.
Muito provavelmente pela mesma razão, no pós guerra houve uma tentativa de apagar o nome Vomag. A divisão de impressoras saiu do grupo em 1946 e atua até hoje sob o nome Plamag Plauen. O restante foi mudando de nome e de ramo. Hoje a empresa se chama WEMA VOGTLAND Technology GmbH e seu site não traz nenhuma referência a Vomag

Škoda

Škoda é a única de nossa lista que não surgiu na Alemanha
Škoda é a única de nossa lista que não surgiu na Alemanha
Essa daqui não é alemã (logo se vê por esse acento estranho em cima do S). A Škoda é uma empresa da República Checa fundada em 1859. Na época a região ainda fazia parte do Império Austríaco. No começo a empresa fabricava equipamentos de guerra para os militares Austro-Húngaros. Eram locomotivas, navios e outros veículos bélicos. Ela chegou a ser a maior fabricante de produtos bélicos do império antes da Primeira Guerra Mundial, exportando suas armas para Europa e até América Latina.
Depois da I Guerra a empresa começou a expandir sua gama de produtos, não sendo mais exclusivamente uma indústria bélica. Em 1924 ela comprou uma fabricante de automóveis. Os caminhões parecem não ter sido muito importantes para a marca, pois não são lembrados em sua história. Ao longo dos anos a empresa passou por vendas e compras e em 1999 a divisão de carros foi comprada pela Volkswagen e ainda mantém o nome Škoda Autos. Outra divisão, totalmente independente, é a Škoda Transportation, que também segue ativa porém com foco em transporte de passageiros.

Büssing

Büssing é a última de nossa lista de marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Büssing é a última de nossa lista de marcas de caminhão que você nunca ouviu falar
Büssing nos chamou atenção por seu logo parecido com o da MAN, e não é por coincidência. A empresa foi fundada em 1903 por Heinrich Büssing em Braunschweig, centro norte da Alemanha. O primeiro caminhão foi o ZU-550, com motor 2 cilindros a gasolina que levava até 2 toneladas. Nos anos seguintes a capacidade de carga cresceu, até que em 1923 a marca se tornou número um em participação no mercado alemão com o inovador caminhão com três eixos.
Assim como quase todas as outras empresas alemãs que conhecemos até agora, durante a II Guerra Mundial, a Büssing também usou trabalho forçado dos presos em campos de concentração em suas fábricas. A empresa também passou a produzir alguns veículos militares. No pós-guerra a marca lançou modelos cara-chata e teve a MAN como um de seus principais clientes tanto para caminhões quanto para peças. Em 1971 a MAN AG comprou oficialmente a Büssing, passando a se chamar MAN-Büssing e adotando o logo da Büssing, o famoso leão. Com o tempo o nome Büssing foi retirado dos caminhões, mas seu logo de leão é a marca oficial da MAN até hoje.
Büssing de 1953 com o logo de leão que hoje é símbolo dos caminhões MAN
Büssing de 1953 com o logo de leão que hoje é símbolo dos caminhões MAN
Devem existir ainda muitas outras marcas que surgiram e morreram ao longo dos anos, mas que deixaram seus veículos em museus e coleções particulares de amantes de caminhão. Por aqui temos os saudosos e queridos FNMs, que já foram tema de matérias do Pé na Estrada (clique para assistir). Também olhamos vários desses modelas na IAA 2016 e você pode vê-los também clicando aqui. Se você sabe de outras marcas não conhecidas aqui no Brasil mas que fizeram muito sucesso em outros países, mande pra gente. E dessas todas, qual foi a sua preferida? Conte pra gente nos comentários e compartilhe com os amigos do trecho amantes da história do transporte.
Por Paula Toco

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