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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Valentina de Botas: O PT morreu de petismo

Está de parabéns o Brasil que presta por ter deposto um governo tão brutalmente delinquente quanto incompetente.

Gostaria de agradecer pela companhia de mais um ano, dizer que torço para que tenhamos fé, coragem e alegria (há de haver muitas e haveremos de as reconhecer) para enfrentar o que virá, que está de parabéns o Brasil que presta por ter deposto um governo tão brutalmente delinquente quanto incompetente. O país não teve medo de aplicar a lei. Basta somente isto: aplicar a lei, um hábito ainda não sedimentado no país que prefere criar leis cada vez mais duras para não aplicar nem as novas nem as já existentes, enquanto no mundo fora do nosso tristonho realismo fantástico é sabido que é a certeza do castigo, mais do que a dureza dele, o que inibe o crime em qualquer circunstância.
O acordo da Brasken com os procuradores americanos informa que Emílio Odebrecht era o presidente da república; depusemos Dilma, mas é preciso também depor o Empreiteiro da República implodindo um sistema aberto a toda sorte de canalhices contra a nação. Se Lula será preso ou não em 2017, eu não sei, o que sei é que é uma canseira essa história de uma denúncia por semana sem concluir a coisa. Isso está pior do que sexo tântrico. Sei também que Emílio Odebrecht era o chefe do jeca. E continuou sendo mesmo quando terminou o governo Lula e este continuou sendo regiamente remunerado pelo dono da Odebrecht com a grana roubada da Petrobras em conluio com o alto escalão do governo. A pilhagem financiou também uma escória internacional de protoditadores e tiranos, além de enriquecer canalhas domésticos. A tudo, o suor dos brasileiros pagava.

Não é de hoje que as empreiteiras determinam as prioridades da nação, um dos tantos exemplos é o fato de as rodovias se sobreporem ao uso de ferrovias, quando estas representam uma opção mais racional num país com a extensão do nosso. A corrupção também não é exatamente uma novidade entre nós, mas o esquema que o PT erigiu sobre tal base primitiva, gerenciou, disseminou e perpetuou para ele próprio se perpetuar no poder na perpetuação do próprio esquema, enclausurando o país no primitivismo sem o qual a ciranda anticivilizatória não vingaria, é de natureza inédita e a isso precisamos estar atentos para não igualarmos ladrões e roubos que se igualam perante a lei, pois, se todos devem pagar por suas delinquências ‒ e todos devem pagar por suas delinquências ‒, o PT traduz uma delinquência que ultrapassa o roubo.
O motor do PT é do crime organizado que emprega até os filhos, as mulheres e demais parentes na estrutura do crime. Quando me desfilei do PT, aos 20 anos de idade, saí desconfiada de que a pátria dos petistas não era o Brasil, mas o petismo. Depois que a súcia assumiu a presidência roubando como nunca para reinar para sempre, na cópula incessante com a escória doméstica e a internacional e asfixiando a democracia brasileira desde a clivagem vigarista de “nós x eles” e a aposta na radicalização do debate que repudiava o convívio dos contrários travestida de defesa dos-mais-pobres-e-resistência-azelite, até a compra de Medidas Provisórias, o aluguel de jornalistas e o financiamento do capital jornalístico de uma revista inteira sempre imparcial na resoluta defesa do petismo, até pensei que a pátria do bando fosse o mais degenerado dos populismos ‒ degenerado em roubalheira, em atraso ideológico, em embotamento do pensamento, em jequice. Mas a pátria dessa escumalha, que só floresce e vinga no primitivismo que deforma instituições e estupidifica indivíduos quando não compra ou aluga a consciência deles, é a tirania, ou seja, era mesmo o petismo: minha intuição juvenil foi certeira.
Claro que o PT não é o único que rouba, o que torna o partido único nem é o montante colossal e inédito, mas o objetivo do roubo e a natureza do assalto: um o esbulho que visa a própria organização do estado de direito. Mas se a súcia destruiu o país, os escombros a soterraram: o PT morreu de petismo, falta o camburão do FBI ou da PF recolher o cadáver. Pesquisas randômicas que apresentam meio mundo como candidato não o ressuscitarão. Institutos de pesquisas eleitorais, que há muito tempo não compreendem o país, darem o jeca como eleito num cenário em que disputa com Sérgio Moro que, sabem até as araucárias do teatro Guaíra naquela região agrícola do país, não é candidato a nada, servem à tese inconstitucional de antecipação das eleições, da tal campanha vintage por diretas-já; mais já do que diretas antes que o jeca tome posse de uma cela em Curitiba. Os obstáculos legais transformam a coisa num debate inútil, diversionista, de muito calor e pouca luz e a permanente campanha eleitoral de Lula é somente uma nova modalidade de tentar obstruir a justiça como foi a nomeação dele como ministro, cometida por Dilma Rousseff.
Muitos se perguntam a diferença entre o governo Temer e o dos petistas e até já há comparação igualando o PIB sob o governo atual e o de Dilma sem a ressalva de que aquele durou 6 anos e este não completou 8 meses desde o impeachment. Acho que há muitas diferenças e algumas semelhanças indesejáveis; o saldo, positivo na minha opinião, é apurado por uma constatação básica: a presidência da república não é mais ocupada por alguém que acua o país, mas que o governa. Ainda que não seja o bastante, isso é fundamental.
Restam a missão duríssima de reconstruir o país e, missão ainda mais difícil, a de aprender. Aprender que é a sociedade que custeia as aposentadorias vitalícias e integrais de senadores e suplentes (geralmente, os financiadores do titular) que a elas fazem jus com apenas 180 dias de trabalho; que é o suor dos brasileiros que paga auxílio-moradia de juízes que trabalham onde moram; que é a nossa grana que sustenta as 43 estatais criadas na gestão petista; e que a nação assim esbulhada desfruta dos piores serviços públicos entre os países emergentes. Aprender que o papel do governante não é o de pai nem mãe, de nos fazer felizes e nem de nos salvar de perigos inventados para camuflar problemas reais, mas o de ser eficiente, não atrapalhar a vida de quem produz, deseja inovar, empreender e crescer.
O ano de 2016 acaba deixando exausto o país que presta numa luta que ainda não acabou e, ainda que nos sintamos com o coração como um espantalho num campo de trigo à espera dos pássaros que tardam, fizemos tudo certo. Será que adiantou? Não sei ainda, mas não tenho dúvida de que já valeu a pena.

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