Seguidores

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

De onde vêm as palavras: Os reis do presépio, que reis são eles?


Deonísio da Silva conta quem foram "os magos que, informados por Herodes, chegaram ao destino e visitaram Jesus"

the_magi_henry_siddons_mowbray_1915-trc3aas-reis-magos
DEONÍSIO DA SILVA
Os ossos dos três reis magos foram levados da Itália para a Alemanha pelo imperador Frederico Barba Roxa em 1164. Faz séculos que eles estão na Catedral de Colónia, onde são visitados com frequência por turistas do mundo inteiro.
Os reis do presépio resultam da interpretação de um pequeno trecho do Evangelho de São Mateus, mas ele não diz que eram três, nem que eram reis, nem que tinham nomes. Diz apenas: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: “onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?. Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. O rei Herodes e toda a Jerusalém ficaram perturbados com esta notícia”.
A seguir, Mateus diz que os magos, informados por Herodes, chegaram ao destino e visitaram Jesus: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram”. Como se vê, Mateus não fala em gruta, o cenário preferencial do presépio. Presépio veio do Latim praesepium, estábulo. Isto explica a presença da manjedoura e dos animais.
Estas foram as bases da lenda dos três reis magos. Lenda é uma palavra oriunda do latim medieval legenda, vocábulo surgido para designar o que estava sendo lido e o modo como eram proferidas as narrativas heroicas, as novelas de cavalaria e a vida de personalidades referenciais das religiões.
Poucos ouvintes sabiam ler. As histórias eram lidas em voz alta para que analfabetos pudessem compreendê-las. Pessoas do povo memorizavam lendas inteiras ou fragmentos delas e assim as narrativas mesclavam muitas versões faladas àquela que tinha sido escrita e recitada. Estas últimas eram repetidas e traduzidas, com variações de estilo, de conteúdo e de personagens.
Todavia lendas não são tiradas do nada, são construídas com elementos históricos e imaginários. Na Idade Média, o número de reis magos chegou a duzentos. Na Europa ainda hoje são vendidas miniaturas de antigos presépios com mais de uma centena de personagens, entre os quais muitos reis. Como os magos levaram três presentes ao Menino Jesus (ouro, incenso e mirra), seu número foi fixado em três.
Os três reis que estão junto à manjedoura do presépio são identificados como mágos. Mágos, em Grego, designava apenas os sacerdotes que praticavam a astronomia e a astrologia. Eles estavam investidos de poder, tanto religioso como político, mas não eram reis!
O Evangelho de Mateus que serviu de base às traduções foi escrito originalmente em Grego, resultante de uma série de apontamentos feitos por Mateus em Aramaico.
Mas como eles foram parar ali? Desde o primeiro presépio, uma invenção de São Francisco de Assis no século XIII. Com o tempo, os reis magos ganharam até nomes: Gaspar, Merquior e Baltasar, cada um deles com uma das três cores básicas da raça humana (branca, amarela, negra)!
Lenda não é mentira. É um modo de contar. Mateus diz que, avisados em sonhos, os magos voltaram por outro caminho e não informaram a Herodes que o rei dos judeus tinha nascido. Furioso, ele ordenou a matança dos inocentes, representada em tantas imagens, com o fim de matar todas as crianças nascidas nos últimos dois anos e assim executar o Menino Jesus, que já estava no Egito, para onde tinha sido levado pelos pais, uma vez que um anjo avisou São José. São José, aliás, não diz uma única palavra em toda a Bíblia. Ele não fala, ele faz, sempre faz o que é necessário fazer como pai do menino para alimentá-lo e protegê-lo.
Todo Natal, os reis magos são lembrados no presépio, adorando o Menino Jesus, o rei recém-nascido. Os reis verdadeiros, de existência comprovada, estão ausentes. Ficaram só os reis imaginários. A bonita lenda cristã triunfou sobre a História sem abalar a fé dos cristãos! Quem pouco tem a ver com o Natal é Papai Noel…Mas esta é outra história, outra lenda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário