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quarta-feira, 11 de maio de 2016

“No calor dos fatos” e outras três notas de Carlos Brickmann

Episódios vividos nos últimos meses serviram para revelar o caráter de vestais que passeavam na orla vestidos de freira

Era um grande empresário, que assumiu a Folha e a transformou num dos maiores jornais do país. Dizia não ser jornalista. Mas era – e como! Ensinou-nos que o patrão era, sempre, Sua Excelência o Leitor. Ensinou-nos a buscar aspectos inéditos e verídicos das notícias. Elefante voando, peemedebista rejeitando cargos, tucano fazendo oposição, todas essas coisas estranhas têm de ser bem noticiadas e muito bem explicadas.
Mas nem com tantos anos de aula aprendemos a explicar o inexplicável. Por exemplo, como é que um governo sem governantes, em que neurônio virou piada e os aliados-inimigos se reúnem com hora marcada para redistribuir os cargos que já ocupam, com popularidade mensurável por um relógio quebrado, que reduziu a discussão política a uma disputa para saber quem é mais ladrão, nós ou eles, consegue sobreviver, mesmo que por alguns dias, depois de perder por níveis alemães a votação do impeachment?
E ainda acusam de golpistas quem os derrota na forma da lei. Não tem jeito: aproveitando os Jogos Olímpicos e a presença no Brasil da Pira Sagrada, atocha, Dilma!

A hora da festa
Você se diverte ao ver a equipe de Temer, quase toda importada de Dilma, discutindo moralização e ladroeira? Pois vai divertir-se ainda mais até o fim do mês, quando aparecer na Procuradoria-Geral da República a lista dos 316 políticos de Benê, que foi presidente da Construtora Norberto Odebrecht. Tem delação pra mais de metro.

Revelações
Episódios vividos nos últimos meses serviram para exibir o caráter de vestais que passeavam na orla com trajes de freira. Um exemplo? José Eduardo Cardozo, especialista em equilibrar-se à beira do precipício.
Dia quente
Este colunista deseja a todos um bom dia. E espera que haja bom senso e comedimento tanto nas comemorações quanto na raiva da derrota.

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