Anheuser-Busch Inbev oferece US$104 bi pela SABMiller


SABMiller responde que a proposta -- a terceira já feita -- não é suficiente

A Anheuser-Busch InBev (ABI) está propondo comprar sua arquirrival SABMiller por 104,1 bilhões de dólares, numa transação que criaria ‘a primeira cervejaria verdadeiramente global’.
O casamento entre as cervejarias No. 1 e No. 2 é esperado há anos, e criaria um Golias com faturamento de 64 bilhões de dólares e uma geração de caixa operacional (EBITDA) de 24 bilhões de dólares por ano. Seria, também, o maior triunfo do capitalismo brasileiro no palco global, já que a ABI é controlada por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.
Mas por volta de 5:20 da manhã (hora do Brasil), enquanto o CEO da ABI, Carlos Brito, participava de uma teleconferência para explicar a proposta a investidores, a SABMiller disse que a nova oferta, a terceira feita pela ABI nos últimos dias, ‘subvaloriza substancialmente a companhia.’
Carlos BritoA ABI está oferecendo pagar 42,15 libras por ação da SABMiller, um ágio de 44% em relação ao preço da ação em 14 de setembro, o dia anterior ao papel decolar em meio a boatos de que a ABI faria uma oferta.
A ABI disse que nos últimos dias fez duas ofertas por escrito à SABMiller, uma de 38 libras por ação e a outra de 40 libras por ação, e se disse ‘desapontada’ que o conselho da SAB tenha rejeitado ambas as ofertas sem conversar mais profundamente com a ABI. (Nada de novo aqui: o mercado sempre soube que o conselho da SAB lutaria por cada centavo que pudesse extrair da ABI.)
A ABI também desenhou uma proposta para pagamento em ações, que pode ser aceita apenas pelos dois maiores acionistas da SABMiller, a Altria (a antiga Philip Morris) e a família colombiana Santo Domingo, que juntas detêm 41% da cervejaria sulafricana.
A ABI se propõe a pagar pelas ações da SAB Miller que estão nas mãos destes acionistas com uma classe restrita de ações da ABI, que não negociarão na Bolsa pelos próximos cinco anos (apesar de terem direito a voto e a dividendos como se fossem ações ordinárias). No quinto ano, essas ações restritas seriam convertidas em ações da ABI numa proporção de 1 para 1.
Só que o valor implícito desta oferta a ser paga em ações é menor do que a oferta em dinheiro disponível para os demais acionistas. O ágio em relação ao preço de setembro é de apenas 28% (enquanto, na oferta em dinheiro, é de 44%.)
A disparidade no valor das ofertas sugere que a ABI convenceu os dois maiores acionistas da SAB a aceitar um preço inferior para viabilizar a operação, já que isto permite à ABI pagar um ágio maior aos demais acionistas. O sucesso da oferta, por sua vez, deverá gerar valor no curto e médio prazos, ‘compensando’ Altria e Santo Domingo, apesar da integração entre as empresas apresentar desafios inéditos. A Altria já disse que vai aceitar sua parte em ações.Jorge Paulo Lemann
Pela lei do Reino Unido, que governa todos os procedimentos desta operação, a proposta delineada esta manhã não é considerada uma oferta formal. A ABI tem até o dia 14 de outubro para fazer uma oferta. Se não o fizer, ou se sua proposta atual for rejeitada, a ABI terá que esperar seis meses para voltar a conversar com a SABMiller, a menos que a SAB mude de ideia e tenha a iniciativa de procurar a ABI.
No Brasil, um detalhe importante do comunicado ao mercado que saiu de madrugada deve chamar a atenção dos acionistas da Ambev, que, como se sabe, é controlada pela ABI.
A ABI disse que se reserva o direito de “implementar a transação por meio de, ou junto a, uma subsidiária da ABI ou uma empresa que se tornará uma subsidiária da ABI.”
Há algum tempo, banqueiros de investimento e analistas especulam que, numa eventual compra da SAB, a ABI poderia usar o balanço da Ambev (que não tem dívida líquida), fazendo com que a cervejaria brasileira compre as operações da SAB na América Latina — particularmente a Colômbia, onde a SABMiller tem o monopólio virtual do mercado.
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O mapa abaixo, publicado pela ABI, mostra a complementaridade geográfica entre as duas empresas.
Em vermelho, as regiões dominadas pela ABI.  Em amarelo, o território da SABMiller.
E em laranja, as regiões onde hoje elas competem de forma relevante.
MAPA SAB

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