Nomeação de Mangabeira Unger para ministro de Lula justifica qualquer outra

Mangabeira Unger (Foto: Elza Fiúza / Arquivo ABr)Mangabeira Unger (Foto: Elza Fiúza / Arquivo ABr)
Nem antes nem depois de Mangabeira alguém escreveu artigo tão explosivo
Ricardo Noblat
Para quem está empenhado em impedir que o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) assuma o Ministério da Saúde pelo simples fato de ele ter dito há um mês que a situação de Dilma era insustentável, e que por isso ela deveria renunciar: e Mangabeira Unger, hein?
Pior foi Mangabeira, filósofo, professor de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em novembro de 2005, na fase mais conturbada do escândalo do mensalão, ele publicou no jornal Folha de S. Paulo um artigo que começava assim:
“Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos. Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente.”
Nem antes nem depois de Mangabeira alguém escreveu artigo tão explosivo. Pois bem: um ano e meio depois, a convite do então presidente Lula, Mangabeira assumiu a Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo. Virou ministro. Voltou a ser ministro com Dilma.
Desde então, o Caso Mangabeira serve de álibi para qualquer nomeação de eventual desafeto.
Confira o que Manoel Júnior disse sobre Dilma:
“Além da crise ética, moral, financeira e política do país, temos uma crise de confiança, e a presidente precisa neste momento pensar no país. Ela pensando no país saberá que a situação é quase insustentável. Se eu estivesse na situação dela, diante dos dados econômicos que nós temos, eu renunciaria”.
Bobagem, concorda? Até elegante demais...

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