Mitos sobre a cerveja - Beer sommelier e nutricionista esclarecem alguns enganos sobre a bebida preferida do brasileiro.

1. A cerveja deve ser colocada deitada na geladeira para gelar mais rápido – a melhor posição para armazenar e gelar cervejas é de pé, para que a superfície de contato do líquido com o ar seja menor. “A cerveja deve ser resfriada gradualmente; colocá-la no congelador, só se for momentos antes de servi-la” explica o beer sommelier, Túlio Rodrigues .

2. Cerveja não pode estar inserida em um estilo de vida equilibrado– a cerveja é produzida com ingredientes naturais, a partir de grãos de cevada (e outros cereais) maltados, lúpulo, água e levedura (fermento). “O lúpulo é um dos ingredientes responsáveis pelo sabor, aroma e amargor da cerveja. Ele tem propriedades nutricionais que ajudam a preservar a cerveja, de forma natural. O malte de cevada é fonte de ferro, fósforo, zinco, magnésio e vitaminas B2 e B6. Além disso, a cerveja também possui propriedades antioxidantes que ajudam a manter níveis de colesterol dentro da normalidade” observa da gerente de nutrição do Hospital do Coração (HCor), Rosana Perim.

3. Cerveja dá barriga – não existe relação direta da ingestão da bebida com o aumento da gordura corporal. Essa ideia pode estar associada ao fato da cerveja ser uma bebida fermentada, o que pode provocar uma maior sensação de distensão abdominal, o que não significa acúmulo de gordura no abdômen. “O consumo de salgadinhos gordurosos e outros tira-gostos calóricos para acompanhar a cerveja, somado à falta de atividade física, podem gerar sobrepeso e aumento da circunferência abdominal, mas não a cerveja em si” lembra a nutricionista.

4. Cerveja tem que ser servida muito gelada – quando servida em baixíssima temperatura, a cerveja acaba anestesiando as papilas gustativas da língua, que fazem com que você perca a sensibilidade para degustar a bebida. O calor pede cervejas geladas, mas sem exageros.

5. O colarinho não serve para nada – a espuma protege a bebida da oxidação, ou seja, impede que ela entre em contato direto com o oxigênio, além de reduzir a perda de gás e ajudar a manter a temperatura. Dois dedos de espessura é o ideal.

6. Vinho é mais saudável que cerveja – O consumo moderado de cerveja pode fazer parte de um estilo de vida saudável assim como o vinho. Uma taça de vinho tem 240 kcal, enquanto um copo de cerveja tem pouco mais da metade disso (123 kcal). Além disto, a cerveja possui uma concentração menor de álcool (entre 3% e 8%) quando comparada com o vinho, que é de 12% a 15%. A cerveja também possui compostos benéficos à saúde como antioxidantes, vitaminas e sais minerais. Segundo estudos realizados, apreciar uma taça de vinho ou um copo de cerveja por dia pode trazer benefícios para a saúde. Vale ressaltar que recomendações internacionais com base em provas cientificas indicam que a quantidade máxima de álcool a ser consumida por dia, independente do tipo de bebida, é de 30g para os homens e 15g para as mulheres. Na prática, isso corresponde a 2 latas de cerveja ou 2 taças de vinho para homens e 1 lata de cerveja ou 1 taça de vinho para mulheres.

7. Cerveja de garrafa é mais gostosa que a de lata (ou vice versa) –o produto é o mesmo, não importa o recipiente, porém, o aroma e sabor podem ser influenciados pelo modo de conservar e resfriar a bebida. Os excessos são prejudiciais para a degustação da loura; o ideal é manter a temperatura constante, seja ela fria ou sem refrigeração. Quando ocorre a mudança brusca de temperatura, o sabor da cerveja é prejudicado.

8. Não existe copo específico para tomar cerveja – para que os diferentes sabores e aromas sejam ressaltados, cada estilo de cerveja pede um tipo de copo adequado. A pilsen pode ser apreciada em uma tulipa ou caneca, a lambic pede taças do tipo flauta e já a weissbier, copos maiores. Se não tiver o copo ideal, utilize taças de vinho branco.

9. Mulheres não gostam de cerveja amarga – geralmente o gosto doce é associado ao feminino, mas isso não determina a preferência da mulher por cervejas desse tipo. Há influências culturais e genéticas para determinar a preferência de uma pessoa, independente de sexo, pelo gosto doce ou amargo. O paladar é algo que se constrói ao longo do tempo, e gostar do amargor é uma inclinação que pode também ser atribuída a mulher em igual proporção.

10. Cerveja é coisa de homem – essa impressão pode ser histórica, uma vez que, na antiguidade, as mulheres produziam a cerveja para os homens a beberem. Hoje esse paradigma tem sido quebrado e podemos encontrar confrarias femininas que apreciam a cerveja em qualidade e moderação, mestre-cervejeiras que ajudaram na fabricação de boas e reconhecidas cervejas brasileiras e também beer sommeliers premiadas que entendem bastante da bebida melhor do que muito marmanjo. 

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