GREVE: ‘Protesto é pelo futuro dos nossos filhos’, dizem caminhoneiros no DF

Movimento reúne 50 caminhões em frente ao Estádio Mané Garrincha. 
Grupo protesta contra alta do diesel, valor dos pedágios e redução do frete.

Caminhões estacionados em frente ao estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (Foto: Isabella Calzolari/G1)Caminhões estacionados em frente ao estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (Foto: Isabella Calzolari/G1)Caminhoneiros que ocupam o estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, no Distrito Federal, desde a madrugada desta terça-feira (3), afirmaram ao G1 que os protestos iniciados há duas semanas são principalmente para que eles consigam dar um futuro com boas condições aos filhos. O movimento reuniu 50 caminhões em frente à arena. A categoria protesta contra a alta do diesel, o valor dos pedágios e pela redução do preço do frete.O caminhoneiro Ney Justino, de 54 anos, veio de Campo Mourão, no Paraná. Com 32 anos de estrada, ele afirmou que se os caminhoneiros não conseguirem uma negociação com o governo, a maioria terá de deixar a profissão.

"Resolvi vir para cá pela minha família. Se a gente fica acomodado, não conseguimos dar condições para nosso filhos. Essa manifestação significa o futuro dos nosso filhos", diz. "Se a gente não conseguir o que a gente quer, provavelmente teremos que deixar o caminhão."
Justino reclamou das condições durante as viagens. Segundo ele, não há nenhum tipo de segurança ou estrutura nas estradas para receber os caminhoneiros. "Somos pessoas fortes e valentes, mas somos frágeis. Não andamos armados e não temos segurança nenhuma. O caminhoneiro hoje está conhecido como ladrão ou drogado, e nada disso é verdade", afirmou. "O caminhoneiro tem que fazer aquilo que ele ama, se não amar o que faz não suporta a solidão da estrada e a saudade de casa."
O caminhoneiro Célio Alves, de 49 anos, afirmou que os caminhoneiros geralmente têm saúde precária também. "A gente não tem saúde boa. A maioria não tem plano de saúde e nem condições para ir ao médico", disse. "Na estrada, não temos postos de apoio. O tipo de banheiro que a gente usa é horrível. Às vezes pagamos R$ 10 para tomar banho em um lugar e não dá nem para lavar a mão de tão sujo que é. É um absurdo."
Os caminhoneiros Ney Justino e Célio Alves saíram de Campo Mourão para vir ao DF (Foto: Isabella Calzolari/G1)Os caminhoneiros Ney Justino e Célio Alves saíram de Campo Mourão para vir ao DF
(Foto: Isabella Calzolari/G1)
Fernando Roque, de 36 anos, veio de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, e disse que a vida de caminhoneiro é uma tradição de sua família. "Comecei a dirigir com 13 anos. Desde pequeno meu pai já tinha caminhão e eu e meu irmãos continuamos a tradição", disse. "O problema é que acabamos não estudando muito e hoje para deixar o caminhão e começar a estudar fica complicado, mas dirigir desse jeito não está tendo mais condições."
Com duas filhas - de 4 anos e outra de 10 meses, Roque afirmou que a saudade da família faz parte de seu cotidiano. "A gente está acostumado a ficar fora, mas sente falta. Sempre estou pensando nas crianças e em casa", disse. "A gente não consegue acompanhar o crescimento. Essa profissão é realmente para quem gosta porque é muito difícil. Se eu puder e conseguir, vou vender o caminhão. Não tenho mais ânimo para continuar assim."
Comissão
Uma comissão de cinco caminhoneiros foi montada para se reunir com seis deputados no Congresso Nacional na tarde desta terca. Segundo o caminhoneiro Gilberto Bandeloff, de 48 anos, o grupo é independente e não é representado por nenhuma entidade. "Em outras situações o sindicato nos traiu. Sindicato não está na nossa realidade, não é caminhoneiro", disse. "Por isso resolvemos vir até aqui para resolver por conta própria."
Caminhões concentrados em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha  (Foto: Isabella Calzolari/G1)Caminhões concentrados em frente ao Estádio Nacional Mané
Garrincha (Foto: Isabella Calzolari/G1)
Segundo Bandeloff, a reunião com deputados será para discutir principalmente o preço do óleo diesel. "Os deputados falaram que vão levar nossas propostas para a bancada."
O caminhoneiro Alceo Tramujas, de 41 anos, afirmou que não há nenhuma carreata prevista. "Não estamos programando nenhum deslocamento. Se for feito, será bem organizado, com o apoio da PM", disse.

"Queremos que o governo nos receba. Estamos com muitos deputados apoiando a causa e principalmente a população. O povo abraçou nossa causa de uma maneira que nunca  tínhamos visto."

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