Valentina de Botas: O jeca e seu partido-bando-seita estão morrendo de petismo

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Já disse isso de outro modo, mas acho que serve para esta foto e este momento. Eu vejo gente morta. Que cara é essa, a do jeca? Que olhar é esse, o dele? Pergunto a Tom Jobim que sabia tudo de olhares. Talvez o do jeca seja o olhar cínico de quem pronuncia o mundo como quem quer convencer de que não há alternativa ao dono desses olhos, logo, que não há alternativa ao cinismo. Um cinismo profundo de que só os covardes são capazes, como se estabelecesse os horizontes e os limites do mundo na mentira – não há vida possível fora desses contornos: a oposição quer o sofrimento do povo, as elites são contra nordestino presidir o Brasil, a imprensa independente é golpista e os indignados são pessimistas, sem falar dos tais “eles”.
Nesta foto, com o olhar rútilo, embevecido entre os cúmplices, mirando o frasco com uma mostra oleosa do que a Petrobras produz, o jeca vê o que importa: a súcia arrancara da empresa, por baixo, 200 milhões em 10 anos. Eis que se completa o destino do partido fundado há 35 anos, revelado no mais patético embuste da história desse país trigueiro dividido entre o Carnaval e a quarta-feira de cinzas. Nascidos para sanear as mazelas da nação, o jeca e seu partido-bando-seita se nutriram delas e agora morrem de petismo.
Agonizam, respirando por aparelhos incrustados no Estado pelos vigaristas em cópula incessante para continuar parindo, a cada aurora e a cada crepúsculo, as negociatas e as mentiras que, protegendo umas às outras, preservam o conjunto de canalhice colossal, inédita. A súcia esperneia pela sobrevivência na metafísica troncha de um oportunista ideário esquerdista que só deu errado onde foi tentado, mas ainda pulsante nessa matéria bananosa emoldurada por 8 mil km de praia que acomoda, com o jeitinho malemolente sob o sol dos trópicos que derrete indignações, a roubalheira de quem rouba pela causa.
Que causa? A do triplex no Guarujá, de onde, sonhando com o poder eterno, o jeca insiste em reinar sobre um país devastado pela incompetência mais rombuda e pela roubalheira mais renitente, engendradas por quem lhe sanearia as mazelas? Esse homenzinho miserável está em silêncio desde que a verdade começou a se fazer ouvir. Não sei se morrerá calado, não tenho a habilidade de ler olhos como o Tom Jobim, o Brasil que se submeteu à escória me confunde e o brasileiro me intriga. Não sei ao certo que cara e que olhar são esses, o do jeca. Nem me interessa porque o que vejo me basta: a coisa repugnante que eles encarnam está morta.

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