Greve dos caminhoneiros continua hoje, sem previsão de terminar

A região Sudoeste está com pelo menos 13 pontos de bloqueio, e o número pode aumentar nos próximos dias. Alguns setores começam a se queixar de desabastecimento. Os grevistas estão organizando um grupo para ir negociar em Brasília

O governo federal não deu, por ora, qualquer indício de que pretende negociar amplamente com os caminhoneiros. Com isso, os manifestantes também continuam bloqueando as estradas do país, sem sinal de que a greve irá parar logo.
Grande parte dos estados já aderiu aos protestos. No Paraná, há piquetes na região central, no Sul, nos Campos Gerais, em acessos a Curitiba, e no Sudoeste eram pelo menos 13 pontos de parada. Em Santa Catarina, também há bloqueios nas regiões Norte e Oeste, assim como em grande parte do Rio Grande do Sul.
O movimento visa melhores condições de trabalho a motoristas autônomos e empregados, regulamentação do preço do frete – que em muitos casos mal cobre os custos operacionais –, renegociação de financiamentos de caminhões por meio do BNDES, e criação de regras que impeçam o desmantelamento do setor pelos embarcadores, entre outras soluções.
Segundo o secretário do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Francisco Beltrão e Região (Sinditac Francisco Beltrão), entidade que cobre toda a região Sudoeste, Idair Parizotto, a manifestação é coordenada pelos sindicatos, mas conta com o envolvimento de transportadoras, cooperativas, autônomos e empregados. “O setor como um todo está descontente”, afirmou.
Sudoeste
Algumas mudanças ocorreram no último final de semana em relação aos bloqueios. Por recomendação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os manifestantes abriram o piquete na BR 163 sobre a ponte do rio Iguaçu entre Realeza e Capitão Leônidas Marques – uma vez que o local é considerado perigoso. O grupo que estava no local foi dividido em dois, que piquetearam a PR 281 em Capanema, e a PR 182, em Realeza.
Além disso, foram criadas barreiras também em Pato Branco e Mariópolis – locais que antes não contavam com piquetes.
O objetivo de criar várias barreiras menores, ao invés de poucas muito longas, é organizar melhor o movimento. Segundo Parizotto, os manifestantes não estão bloqueando todo tipo de mercadoria, para não desabastecer as cidades, mas cada caso é avaliado individualmente. Nessas circunstâncias, um bloqueio menor é mais prático. “Então estamos abrindo mais pontos, e assim fica mais fácil o acesso de postos (de combustível), comércio e coisas assim. Porque se tivermos que atender 10 km de fila em um único ponto, não atende nunca”.
Abastecimento
Alguns setores da região começam a se queixar de desabastecimento; em especial, os postos de combustível. Apesar disso, os manifestantes garantem que tentam manter um fluxo razoável de produtos na região.
“Não estamos deixando de abastecer, não estamos deixando de tratar os animais, de recolher o leite do produtor. Isso tudo está acontecendo”, afirmou o representante do Sinditac.
 “A gente não está liberando o transporte de safra, alguns produtos. Mas a gente preserva bastante a comunidade. Tudo o que o comércio está nos ajudando e apoiando, a gente não tem como não ajudar e não apoiar o comércio local. Então o que a gente pode fazer para ajudar, a gente faz”.
Negociação
O maior representante do movimento dos caminhoneiros no país é a União Nacional dos Caminheiros (Unicam). No entanto, não existe uma liderança centralizada e, por isso, por todo o país os sindicatos estão escolhendo representantes que irão a Brasília negociar com o governo federal.
Na noite de ontem estava marcada uma nova reunião do Sinditac Francisco Beltrão para a escolha dos representantes locais. “Nós temos 68 líderes de comunidade. Durante a reunião, dessas 68 pessoas vamos filtrar e tirar essa comissão, que irá a Brasília essa semana”, destacou Parizotto.

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