Se varejo vem de vara, quem atacou o atacado?

“E ‘atacado’? Como passa de ‘aquele que sofreu ataque’ para ‘comércio atacadista’?” (Humberto Maroneze)
A consulta de Humberto é uma decorrência do artigo sobre o sentido comercial da palavra “varejo”, que publiquei aqui na semana passada, e nos dá uma boa oportunidade de desfazer um mal-entendido comum.
Como se sabe, varejo e atacado são termos opostos no vocabulário do comércio. O primeiro designa a venda de mercadorias avulsas, diretamente ao consumidor. O segundo, a venda em grandes partidas.
No entanto, se a palavra varejo é derivada de vara (neste caso uma velha unidade de comprimento usada por comerciantes de tecidos), como foi que o verbo atacar, “agredir”, deu origem a tal acepção?
Bom, não deu – aí é que está o mal-entendido. Atacado vem mesmo do verbo atacar, mas neste caso estamos falando de outra palavra, sem relação com a ideia de ataque ou ofensiva. Atacar, no caso, é um vocábulo antigo e praticamente caído em desuso que significa “prender, unir por meio de ataca”.
Ataca? Sim, ataca: “tira de couro, cordão, fita com que se prende uma coisa a outra, especialmente peça de vestuário; cordão para amarrar sapatos” (Houaiss). O comércio atacadista é, na origem, aquele que lida com mercadorias amarradas umas às outras em lotes.
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