Quem é o ministro dos transportes César Borges? Está no ministério por competência ou por interesses?

01/04/2013
 às 20:41

Novo ministro dos Transportes expõe a pior face da política brasileira

A “devolução” do Ministério dos Transportes ao PR é um emblema da forma como se administra a coisa pública no Brasil. Sérgio Passos, que deixa a pasta — ex-secretário-executivo, ascendeu com a queda de Alfredo Nascimento, em 2011 —, é filiado ao partido, mas considerado excessivamente técnico para os apetites do PR. Tanto é assim que o partido o vê como homem da cota de Dilma, não da legenda.
A presidente, como é sabido, já está cuidando da disputa de 2014. Precisa pacificar o PR, antes que a legenda resolva ouvir o que Eduardo Campos (PSB) ou Aécio Neves têm a dizer. A lógica do tal “presidencialismo de coalizão” no Brasil é a cooptação. Simples assim. A rigor, Dilma não precisa do PR pra nada no dia a dia do Congresso. Quer é seu tempo de televisão. Vale, digamos, o dobro, certo? O que ela pega pra ela não vai para outro.
Tudo nessa história evidencia as nossas peculiaridades. O acerto de Dilma foi feita com o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), ex-ministro dos Transportes, que ela teve de demitir, tantos eram os descalabros na pasta. É pouco? Defenestrado, Nascimento andou fazendo, assim, uma espécie de ameaça, sugerindo que sua pasta foi usada para interesses eleitoreiros. “O governo está com medo dos senadores e de mim”, disse então.
Agora, todos voltaram a se entender. Vai ver o governo já não tem mais medo, e Nascimento esqueceu o que tinha a dizer. O Ministério dos Transportes, como evidenciou o escândalo, é uma formidável máquina eleitoreira.
BorgesBorges ser agora ministro também é a cara do Brasil — a sua pior cara, note-se. Nem me refiro às suas qualidades pessoais, ou falta delas (cada um a seu gosto). Não entro nesse mérito neste texto. Refiro-me à sua trajetória.
Borges era um dos homens de confiança de Antonio Carlos Magalhães na Bahia. Foi deputado estadual duas vezes pelo PFL, secretário de estado (gestão ACM), vice-governador e governador da Bahia (1999-2002). Com a morte de ACM, ocorrida em 2007, perde espaço na disputa pelo espólio político do líder baiano e migra para o PR. Tornou-se, assim, base de apoio do petismo.
Em poucas democracias do mundo essa migração seria possível — a rigor, não me ocorre nenhuma. Em Banânia, não se devem estranhar esses movimentos em nome da tal “governabilidade”.
O problema é que essa “governabilidade” tem os ombros larguíssimos e serve para justificar práticas muito mais nefastas. Reitero: Dilma não precisa do PR para governar. Está comprando é um tempo de televisão. Não se trata de tentar conquistar a reeleição com base na boa gestão, mas de fazer da gestão mero instrumento para o projeto de poder. Ainda voltarei a este assunto. É evidente que o PT não atua sozinho nesse jogo perverso. Apenas se tornou o seu mais talentoso jogador.
Por Reinaldo Azevedo

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