Os justiceiros de feriado


Como todos já sabem, feriado é dia de manifestação contra a corrupção.

É dia dos corruptos ligarem a TV e assistirem bocejando ao noticiário sobre mobilizações monumentais na internet. A reunião de multidões nas redes sociais é tão formidável, que nem precisa passar ao mundo real.
Desta vez, porém, os éticos de feriado chegaram à perfeição – em termos de entretenimento para os colarinhos brancos.
Nada mais tranquilizador para os corruptos do que assistir aos gladiadores do bem infernizando a vida da maior cidade do país. Os manifestantes pularam da web para o asfalto da Avenida Paulista e hackearam o trânsito.
Como se sente um cidadão comum, já traumatizado com engarrafamentos, prisioneiro em seu próprio carro em pleno sábado, porque é Dia de Tiradentes e a patrulha ética resolveu fechar a rua?
Se a manifestação for contra Carlinhos Cachoeira, periga o cidadão engarrafado passar a simpatizar com o bicheiro.
O fechamento da Avenida Paulista pelo protesto contra a corrupção lembrou outro ato recente, no Centro do Rio, em frente ao Clube Militar. Para repudiar a violência do regime de 1964, os ativistas da democracia xingavam e tentavam agredir os militares que chegavam ao local.
Como se vê, hoje a corrupção e a tortura são inaceitáveis, mas a estupidez está liberada.
Enquanto os vândalos da ética fechavam a Avenida Paulista, perto dali assessores do ministro da Saúde afastavam jornalistas aos safanões, para que o chefe não precisasse responder se está ou não na folha de Cachoeira. O movimento contra a corrupção incomoda muita gente – menos os suspeitos.
O ministro do STF Ricardo Lewandowski conta com as multidões virtuais (e os trapalhões reais) para continuar enrolando em sua revisão do mensalão.
Quanto aos inocentes, todo cuidado é pouco. Vem aí o Primeiro de Maio. Não saia de casa antes de saber onde os éticos de feriado vão atacar.

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