terça-feira, 15 de janeiro de 2013

(Assads & Castros e os restos)



O pai de Bashar com o irmão de Raúl
Que foto velha, assim como algumas ditaduras. Um dos personagens desta foto é familiar dos leitores. Dispensa maiores apresentações. O outro é Hafez Assad, já morto, cujo herdeiro é o atual ditador da Síria, Bashar Assad. Fidel está vivo [sic], mas seu irmão Raúl herdou o patrimônio cubano.
A foto é de fevereiro de 1979, quando papai Assad visitava Havana e em Teerã acontecia o triunfo da revolução islâmica do aiatolá Khomeini. O regime iraniano vive, mas trocou de aiatolá-chefe (agora é Khamenei). Todos estes regimes (castrista, assadista e aiatolista) são amigos. Aqui falta mencionar outro integrante desta confraria infame, o chavismo.
O regime presidido [sic] por Hugo Chávez é o mascote da turma, mas, como sabemos, está vigoroso no noticiário devido ao estado de saúde do presidente e à bizarra situação do povo bolivariano que tomou posse no seu lugar na quinta-feira passada. É verdade que o regime com a saúde mais abalada é o de Bashar Assad.
Nesta coluna, existem os rituais de estimar, apostar, profetizar e, é verdade, torcer sobre qual destes regimes irá falecer antes. Mas o ponto aqui é mais ressaltar a dependência mútua. Em termos mais específicos, são duas conexões diretas; Caracas-Havana e Damasco-Teerã. Em linguagem hospitalar, um precisa assistir o outro para garantir a sobrevida. A coisa está tão decadente em Cuba, que o chavismo substituiu o comunismo soviético como grande patrono. A sorte de Assad é que, além da ajuda de Teerã, ele ainda pode contar com Moscou, como nos velhos tempos.
Alguns desses regimes são mais jurássicos do que os outros (isto, obviamente não é o mesmo que anunciar morte à vista). Há uns bichos que vivem muito tempo antes da extinção, mas dá para estimar, apostar e profetizar UTI e necrotério para alguns destes regimes. Ok, ok, torcer também.
*Caio Blinder

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Um país de poucos e de tolos...,


Lista de gastos secretos da Presidência vai de diária de hotel a material de pesca

'Estado’ obtém planilha que detalha, pela primeira vez, gastos sigilosos da Presidência da República feitos com cartões corporativos entre 2003 a 2010; sob Lula, as despesas somaram R$ 44,5 milhões e se intensificaram com viagens do petista

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Os gastos da Presidência da República com cartões corporativos classificados como sigilosos por se tratarem de “informações estratégicas para a segurança da sociedade e do Estado” incluem compra de produtos de limpeza, sementes, material de caça e pesca e até de comida de animais domésticos. As despesas secretas do Executivo federal somaram R$ 44,5 milhões entre 2003 e 2010. O gasto preponderante no período - R$ 31,6 milhões - refere-se a despesas com hotéis e locação de carros.
As informações constam de planilha do próprio Palácio do Planalto obtida pelo Estado. O levantamento detalha pela primeira vez a natureza dessas despesas sigilosas com cartão corporativo nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência. São 106 itens, incluindo também comissões e corretagem, despesas com excesso de bagagem, serviços médicos, taxas de estacionamento, pedágio, material esportivo e produtos médicos.
Os gastos foram realizados por servidores do Gabinete de Segurança Institucional, do Gabinete Pessoal do ex-presidente e ordenadores de despesa da Presidência da República.
O Estado revelou, em sua edição de domingo passado, que quase metade dos gastos com cartões corporativos do governo federal em 2012 é mantida em segredo. Em média, 95% dos gastos da Presidência são ocultados sob a alegação de sigilo.
Viajante. A série histórica dos gastos secretos do Executivo obtida pela reportagem revela o aumento dos gastos com viagens presidenciais. Ao longo dos dois mandatos, Lula intensificou sua agenda de compromissos institucionais pelo Brasil e exterior.
Segundo os dados da planilha, a Secretaria de Administração da Presidência desembolsou R$ 1,3 milhão com hospedagem em 2003 (R$ 2 milhões, em valores de 2010, atualizados pelo INPC).
Em 2010, foram quase R$ 4 milhões. Lula bateu recordes do antecessor Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em número de viagens ao exterior e dias fora do país. Entre 2003 e 2004, foram 82 dias fora do Brasil. Em 2007 e 2008, o presidente dedicou 138 dias - quatro meses e meio - à agenda externa. A fatura com hospedagem chegou a R$ 20,5 milhões.
Eleições. Na gestão Lula, o maior gasto com cartão foi registrado em 2004: R$ 7 milhões, sendo R$ 3,5 milhões apenas com locação de carros, R$ 1,8 milhão com hotéis, R$ 273,2 mil com fornecimento de alimentação e R$ 65,9 mil com tecidos e aviamentos. Em seu segundo ano à frente da Presidência, o ex-presidente percorreu diversas cidades em campanha para seus aliados.
Os registros mostram ainda que houve aumento na compra de produtos de limpeza e materiais para festas e homenagens e também na manutenção de imóveis do governo.
Em 2006, também ano eleitoral, a Secretaria de Administração dobrou gastos com serviços de telecomunicações: as despesas passaram de R$ 88 mil para R$ 153 mil. Durante a corrida pelos governos estaduais e pela reeleição, Lula abriu as portas do Palácio para aliados. No ano seguinte, houve redução nessa rubrica.
Segredo. O levantamento revela que parte dessas despesas secretas é corriqueira e não se enquadra em informações estratégicas e de segurança.
Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) já apontavam para a irregularidade do segredo de alguns gastos com cartão corporativo. Pela legislação, cabe ao gestor regulamentar o uso da verba sigilosa. O cartão corporativo foi criado em 2001, ainda no governo FHC, exatamente para dar mais transparência aos gastos oficiais.
Em 2008, durante o escândalo sobre o uso indevido de cartões corporativos, que envolveu ministros de Estado, terminou com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Órgãos de controle interno identificaram saques irregulares e pagamento de despesas pessoais.
A então ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro (PT) pediu demissão após suspeitas de gastos abusivos com aluguel de carros feitos com cartão corporativo. O então ministro do Esporte Orlando Silva (PCdoB) também virou alvo de críticas ao ser flagrado usando o cartão corporativo para comprar tapioca.
Governo Dilma. Entre janeiro e setembro do ano passado, 46,2% das despesas via cartão corporativo foram classificadas como sigilosas. Ao todo, R$ 21,3 milhões dos R$ 46,1 milhões foram pagos secretamente. A maioria é de compras e saques da Presidência da República, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lista-de-gastos-secretos-da-presidencia-vai-de-diaria-de-hotel-a-material-de-pesca,982875,0.htm


Rosegate...,


Caso Rose: 52 dias de estrepitoso silêncio só serviram para confirmar que Lula não tem como sair do atoleiro em que se meteu

Se o tamanho da confusão é maior que o estoque de embustes, Lula emudece até ser socorrido pela crônica amnésia nacional — ou pelo aparecimento de outra encrenca que faça andar a fila de casos político-policiais que envolvem o ex-presidente. Foi assim, por exemplo, quando se descobriu a roubalheira do mensalão. Ou quando um avião da TAM explodiu na pista de Congonhas. Ou quando a imprensa revelou amostras da soberba gastança bancada com cartões corporativos.
Como o truque funcionou nos episódios anteriores, o mágico de circo resolveu reapresentá-lo para engambelar a plateia perplexa com o Rosegate. Desta vez não deu certo. A mudez malandra sobre a pornochanchada fora da lei que estrelou ao lado da primeiríssima amiga Rosemary Noronha só serviu para atestar que Lula não tem como sair do atoleiro em que se meteu.
Imposto pela enxurrada de ladroagens, bandalheiras, perguntas sem resposta e abjeções de variado calibre abastecida por quadrilheiros acampados  no escritório da Presidência da República em São Paulo, o mais longo e estrepitoso silêncio de Lula é também o mais patético. Neste domingo, completou 52 dias. Amanhã serão 53. A coluna só vai encerrar a contagem quando o fugitivo da imprensa, no momento homiziado em Angra dos Reis, recuperar a voz — e tratar de usá-la para explicações mais convincentes do que as que deve ter balbuciado em casa.
O país que pensa exige respeito. Patroa é uma coisa, pátria é outra. Fartos de tanta tapeação, milhões de brasileiros não aceitam ser tratados como se fossem um bando de marisas letícias.
*Augusto Nunes


domingo, 13 de janeiro de 2013

"Chávez Presidente...,(mas seu corpo fica em Cuba)"


A manchete do Diário do Comércio é uma aula de jornalismo honesto: ‘Chávez Presidente (mas seu corpo fica em Cuba)’

O Diário do Comércio precisou de apenas oito palavras e dois parênteses para produzir nesta sexta-feira uma manchete irretocável, proporcionar uma aula de jornalismo honesto e desmoralizar o desfile de eufemismos promovido pelos concorrentes para mascarar os fatos. Criativa, refinadamente irônica e, sobretudo, verdadeira, a manchete da publicação dirigida por Moisés Rabinovici escancarou as tapeações que têm povoado o alto das primeiras páginas da grande imprensa. Segundo o noticiário de quase todos os jornais, a Venezuela é uma democracia às voltas com complicações constitucionais passageiras. O Diário do Comércio  acaba de avisar que, depois da sagração de Hugo I, nasceu um reino governado por um moribundo. Simples assim.
É sempre animador constatar que ainda há vida inteligente nas redações do Brasil.

Top Top Garcia..,


O bobo da corte de Hugo I

Sempre que alguma crise política irrompe na América Latina ou em outras paragens igualmente flageladas pelo primitivismo endêmico, é fácil descobrir quem tem razão: o lado errado é o apoiado por Marco Aurélio Garcia. Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, a fórmula disponível desde janeiro de 2003 é infalível. Faz dez anos que o órfão da União Soviética se mete em todas. Nunca acertou nenhuma, comprova o post reproduzido na seção Vale Reprise.
Garcia enxerga uma democracia em Cuba e uma ditadura no Paraguai, chora a perda de um Bin Laden e insulta vítimas de desastres aéreos com repulsivo toptops. Coerentemente, resolveu abrir a boca à espera de um dentista para anunciar que se alistou no exército que luta pela criação do Reino da Venezuela e promete garantir a tiros a sagração de Hugo Chávez. O trono ainda não foi encomendado. O monarca agoniza num hospital da ilha-presídio dos irmãos Castro. Sempre afoito, Garcia nem pediu licença para instalar-se no emprego mais que merecido.
Enquanto esperam por Hugo I, os súditos do rei de bloco carnavalesco  se distraem com o brasileiro que nasceu para bobo da corte.
*Augusto Nunes

sábado, 5 de janeiro de 2013

RATOS E HOMENS

J.R. Guzzo: no MENSALÃO, o ministro Joaquim Barbosa jogou uma banana de dinamite no sistema de corrupção que há dez anos envenena a vida pública no Brasil
Joaquim Barbosa (Foto: Fellipe Sampaio / STF)
"O ministro Joaquim Barbosa era a pessoa menos indicada para fazer o que Lula e o PT esperavam dele no Supremo" (Foto: Fellipe Sampaio / STF

RATOS E HOMENS

J. R. Guzzo
J. R. Guzzo
Quando o ex-presidente Lula indicou o nome do procurador Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal, em 2003, aplaudiu a si mesmo por mais esse lance da genialidade política que lhe é atribuída.
Tornava-se, com isso, “o primeiro presidente deste país” a levar um negro à mais alta corte de Justiça do Brasil — o que não é bem assim, pois antes de Barbosa o STF teve dois ministros mulatos, já esquecidos na bruma dos tempos.
Mas o que vale nas coisas da política, em geral, é o que se diz — e o que se disse é que havia ali um plano magistral. O novo ministro, agradecido pela honra recebida, seria um belo amigo do governo nas horas difíceis. Acontece que os melhores planos, muitas vezes, não acabam em bons resultados; o que decide tudo, no fim das contas, são os azares da vida.
O grande problema para Lula foi que o único negro disponível para ocupar o cargo era Joaquim Barbosa — e ali estava, possivelmente, uma das pessoas menos indicadas para fazer o que esperavam dele.
O ministro não está lá por alguma espécie de “cota”
Para começo de conversa, Barbosa dá a impressão de detestar, positivamente, o rótulo de primeiro “ministro negro” do STF. Não quer que pensem que está lá para preencher alguma espécie de “cota”; a única razão de sua presença no STF, julga o ministro, são seus méritos de jurista, adquiridos em anos de trabalho duríssimo e sem a ajuda de ninguém.
Nunca precisou do apoio da “comunidade negra”, nem da Secretaria da Igualdade Racial, ou coisa que o valha. Também não parece se impressionar, nem um pouco, com gente de origem humilde. É filho de um pedreiro do interior de Minas Gerais, tornou-se arrimo de família na adolescência e ao contrário de Lula, que não bate ponto desde que virou líder sindical, em 1975, Barbosa começou a trabalhar aos 16 anos de idade e não parou até hoje.
O ministro, além disso, é homem de personalidade notoriamente difícil, sujeita a ásperas mudanças de humor e estoques perigosamente baixos de paciência. É atormentado por uma hérnia de disco que lhe causa dores cruéis e o obriga muitas vezes a ficar de pé durante as sessões do STF.
Lula e o PT fizeram uma aposta errada
É, em suma, o tipo de pessoa que se deve tratar com cuidado. Lula e o PT fizeram justamente o contrário. Quando Barbosa se tornou relator no processo do mensalão, em 2006, continuaram apostando todas as fichas na histórica impunidade com que são premiados no Brasil réus poderosos e capazes de pagar advogados caros.
Descobriram, agora, que o trabalho de Barbosa puxou as condenações em massa no julgamento do mensalão — e jogou uma banana de dinamite no sistema de corrupção que há dez anos envenena a vida pública no Brasil.
A primeira trovoada séria veio quando o ministro aceitou a denúncia da procuradoria contra os quarenta do mensalão. Na época, o único deles com cabeça foi o ex-secretário-geral do PT Silvio ‘”Land Rover” Pereira; não contestou a acusação, foi punido com prestação de “serviços comunitários” e acabou resolvendo seu caso a preço de custo.
Os demais, guiados pelo farol de Lula, preferiram ficar debochando. Durante o tempo todo, ele sustentou que o mensalão “nunca existiu”. Quando o julgamento começou, disse que não iria acompanhar nada: “Tenho mais o que fazer”.
Delúbio achava que o caso acabaria em “piada de salão”
Delúbio Soares, operador-mor do guichê de pagamento do esquema, afirmou que tudo iria acabar em “piada de salão”. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, garantiu que o povo estava interessado, mesmo, é na novela das 9. O que queriam com isso? Imaginavam que Joaquim Barbosa, trabalhando como um burro de carga, com a tortura da dor nos quadris e seu temperamento de porco-espinho, estava achando engraçado ouvir que o seu esforço era uma palhaçada inútil?
Lula e sua tropa tinham certeza de que o processo iria se arrastar até o Dia do Juízo Final. O ministro Barbosa, hoje, poderia dizer: “Não contavam com a minha astúcia”. No caso, sua astúcia foi entender a diferença entre “muito tempo” e “nunca”. Tudo seria demorado, claro. Mas ele tinha certeza de que terminaria o seu trabalho — e que os 80% de popularidade de Lula, aí, não iriam servir para nada.
Em sua curta obra-prima Ratos e Homens, um dos clássicos da literatura populista americana, John Steinbeck se inspira num antigo poema escocês para nos dizer que os mais bem cuidados planos deste mundo, sejam feitos por ratos ou por homens, são coisas frágeis; podem ser desfeitos pela roda do acaso, que é indiferente tanto aos projetos mais humildes quanto aos mais ambiciosos, e só acabam deixando mágoa e dor.
Joaquim Barbosa talvez faça com que os mensaleiros se lembrem disso por muito tempo.

Meditação e Consciência


O pensamento de Satyaprem

Quem é você? É com essa interrogação que Satyaprem começa suas palestras – chamadas satsangs – que faz pelo Brasil e por outros países para levar à meditação quem busca um pouco mais de consciência. Um dos mestres mais respeitados do mundo, Satyaprem nasceu no Rio Grande do Sul e trabalhou como jornalista e fotógrafo até ser obrigado a deixar o país  por pressão da ditadura militar. Na Índia, conheceu o mestre Osho. De volta a Porto Alegre, criou um centro que recebe centenas de visitantes todos os anos. Nesta entrevista dividida em sete partes, Satyaprem conta o que pensa.
PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE 5

PARTE 6

PARTE 7

Após condenação de companheiros, petistas aceleram projeto na Câmara que estabelece privilégios para detentos...,


Projeto na Câmara prevê pacote de benefícios a presos

Texto do Estatuto Penitenciário Nacional estabelece a concessão de privilégios para detentos, como creme hidratante e biblioteca, e cria o Dia do Encarcerado

Gabriel Castro
Penitenciária Estadual de Charqueadas, no Rio Grande do Sul
Penitenciária Estadual de Charqueadas, no Rio Grande do Sul (Jefferson Botega/Agência RBS)
Sob o comando de Marco Maia (PT-RS), a Câmara dos Deputados decidiu acelerar a tramitação de um projeto que prevê a concessão de um pacote de benefícios para detentos, como creme hidratante, condicionador de cabelo, chuveiro quente e biblioteca. O texto do Estatuto Penitenciário Nacional ainda assegura os direitos políticos a presos sem condenação transitada em julgado e fixa até o Dia do Encarcerado: 25 de junho.
O estatuto contém um ponto ainda mais controverso: determina a prisão de diretores de presídios que permitirem a alocação de mais detentos do que a capacidade máxima da unidade. Segundo dados do Ministério da Justiça, o déficit carcerário do país, hoje, é de pelo menos 240.000 vagas. Como seria quase impossível erguer presídios em tempo recorde, o autor da matéria, deputado Domingo Dutra (PT-MA), sugere a ampliação das chamadas penas alternativas: "A construção de presídios obedece a um esquema que interessa às construtoras e despreza penas alternativas, a aplicação de multas, o monitoramento eletrônico".
A proposta lista ainda outros dispositivos como a obrigatoriedade de presídios com 400 detentos contarem com ao menos cinco médicos - o que resulta em uma proporção de 1,25 médico por cem pessoas. No Brasil, essa média é próxima a 0,2 médico por cem habitantes.
O projeto foi apresentado em 2009, como fruto da CPI do Sistema Carcerário, e retomado em 2011, por iniciativa do deputado Domingos Dutra. Mas, só no fim do ano passado, já após a condenação dos réus no processo do mensalão, é que parece ter atraído o interesse da Câmara. O presidente da Casa, Marco Maia, criou uma comissão especial para agilizar a tramitação do texto sem que o plenário precise analisar o assunto. Se aprovado, seguirá para o crivo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, irá direto para o Senado. Adversário da proposta, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) reclama: "Dada a pressa disso tudo, com toda a certeza é para ajudar os mensaleiros".
Domingos Dutra afirma que não há relação entre as condenações de petistas e a retomada do projeto de lei. "Essa meia dúzia que foi condenada pelo mensalão vai ter um padrão que a massa carcerária não tem, porque eles não são da mesma classe social que compõe a esmagadora maioria dos presos", diz. O texto em análise entraria em vigor um ano após a sanção.
Hidratante - O projeto em discussão prevê que o agente penitenciário que não fornecer o material de higiene necessário - inclusive o creme hidratante - corre o risco de ser condenado a seis anos de prisão. O texto determina punições até mesmo para juízes e promotores que não cumprirem o dever de fiscalizar as condições nas unidades prisionais - o que pode resultar em até quatro anos de prisão para as autoridades. Mas Domingo Dutra não vê excessos na medida: "É preciso estabelecer punições, inclusive para os juízes e promotores que não fazem as inspeções que deveriam realizar mensalmente".
Para a professora de Direito Penal Soraia Rosa Mendes, da Universidade Católica de Brasília, esses dispositivos da proposta dependeriam de uma alteração na legislação que trata da execução penal. “Não é o diretor do presídio que manda encarcerar. E o Judiciário trabalha com a legislação existente, que é encarceradora de grandes massas”, afirma ela, que acha "grave" a possibilidade de que magistrados sejam condenados por não resolverem uma situação insolúvel como a das cadeias.
A especialista concorda com o autor do projeto, entretanto, quando defende a redução do número de presos provisórios (42% do total) e a aplicação da pena de prisão apenas a criminosos que representem perigo maior à sociedade, possibilidade que o deputado Bolsonaro não admite: "Prefiro uma cadeia cheia de vagabundos a um cemitério cheio de inocentes".
Mais comedido, o deputado Walter Feldman (PSDB-SP) critica o projeto do Estatuto Penitenciário e diz que é inviável a tentativa de resolver todos os problemas do sistema prisional em um texto único “É uma medida profundamente demagógica e absolutamente fora da realidade. Claro que você pode construir metas, mas só é possível discutir isso a longo prazo", diz.
Feldman também vê excesso na inclusão de benefícios como condicionador de cabelo e creme hidratante em uma lei federal. “Essa medida é característica de portaria, de decretos. É um equívoco achar que tudo precisa ser detalhado em lei”, diz ele. Domingos Dutra se explica: “Infelizmente, nosso país tem uma tradição de que tudo tem que ser na base da lei.”
Apesar dos pontos questionáveis, o  texto de Domingos Dutra também trata de medidas relevantes para reduzir o caos nas unidades prisionais, como a colocação de integrantes de facção criminosa em celas individuais, a realização de trabalho compulsório pelos presos, e a normatização dos castigos aos detentos indisciplinados. A proposta torna definitivos alguns benefícios como a benefício da visita íntima, que hoje é aplicado de forma diferente em cada presídio.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Genoino que não é genuíno...,


Gurgel deve pedir bloqueio dos proventos de Genoíno como deputado para pagar multa do Mensalão

O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, deverá pedir o bloqueio judicial dos salários do novo deputado José Genoíno Neto. Os proventos de R$ 26.723,13 e a verba extra de R$ 34.200 aos quais Genoíno têm direito mensalmente seriam arrestados para o pagamento da multa de R$ 468 mil da Ação Penal 470, onde ele foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão em regime semi-aberto por crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.
Genoíno pode tomar posse porque o julgamento do mensalão ainda não “transitou em julgado” e cabem recursos. A posse dele e de outros 13 parlamentares aconteceu a portas fechadas na presidência da Câmara em recesso. Genoíno sabe que é candidato a sair pela porta dos fundos do parlamento diretamente para a cela de um presídio, assim que não couberem mais recursos ao STF – que já decidiu que os parlamentares condenados em ação penal terão seus mandatos cassados automaticamente após a publicação da sentença.
Mas Genoíno prefere aproveitar o “direito que tem” para continuar influindo no processo político: “Me sinto confortável porque estou seguindo as normas da democracia e da Constituição do meu país. Além do mais, eu fui eleito em 2010, quando começou esta campanha condenatória. Eu respeito esta Constituição, lutei por ela e participei da elaboração e da votação. E quem respeita, cumpre".
Genoíno terá grande influência enquanto estiver no mandato herdado de Carlinhos Almeida (PT-SP), empossado prefeito de São José dos Campos (SP). O irmão de Genoíno, José Nobre Guimarães (PT-CE), foi escolhido como o líder da bancada do partido na Câmara. Guimarães é o mesmo que teve um assessor flagrado com US$ 100 mil dólares na cueca, em 2005. Guimarães também teve o nome citado, em novembro, nas conversas grampeadas pela Polícia Federal na Operação Águas Claras – na qual 18 pessoas foram presas por suspeitas de fraude em licitações em quatro estados e no Distrito Federal.
Os irmãos Genoíno e Guimarães vão colaborar, ainda mais, para o desgaste de imagem do Partido dos Trabalhadores. Se isto é bom ou ruim, o tempo vai revelar. Enquanto isto, o cidadão-eleitor-contribuinte brasileiro é submetido à tortura psicológica de aguentar tamanha falta de ética, honestidade e postura cívica no maravilhoso e muito bem remunerado mundo dos políticos profissionais – que se comportam como amadores da verdadeira democracia.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Brinquedos de luxo...,


Publicado originalmente em 15 de novembro de 2012.
Matéria de Vicente Vilardaga, publicada na Revista Alfa deste mês

QUANTO CUSTA?
Alfa fez os cálculos dos gastos de operação e manutenção de cinco brinquedos de gente grande. Saiba o preço para sustentar suas fantasias

SÍMBOLO DO CAVALINHO -- Se for roubado, prepare-se para desembolsar R$ 800; PNEU E RODA -- Um jogo custa R$ 7 mil. Só o pneu sai por R$ 2,5 mil; FUNILARIA E PINTURA -- Para fazer um pequeno reparo na porta, gasta-se não menos do que R$ 2,5 mil
SÍMBOLO DO CAVALINHO -- Se somente o símbolo for roubado (e é, até na Europa), prepare-se para desembolsar R$ 800; PNEU E RODA -- Um jogo custa R$ 7 mil. Só o pneu sai por R$ 2,5 mil; FUNILARIA E PINTURA -- Para fazer um pequeno reparo na porta, gasta-se não menos do que R$ 2,5 mil
FERRARI FF
R$ 2,8 milhões
A FF tem tração integral e é a primeira Ferrari da história com 4 lugares de verdade. Ou seja, um superesportivo para levar a família inteira, um modelo hatch de alto luxo e também o carro zero quilômetro mais caro vendido no Brasil hoje.
Poucos objetos se tornaram uma prova tão inegável de riqueza. Quer levar um? Esteja preparado para pagar o preço acima e muito mais. Além da quantia desembolsada para a aquisição, um comprador de uma máquina endiabrada dessas tem de ser capaz de bancar seus custos anuais de propriedade – e seus riscos de acidentes e roubo.
Comprar uma Ferrari é só uma parte da história. Outra é sustentá-la, honrar seus impostos, seguro, revisões e manutenções. Se perder a chave codificada, o preço para substituí-la, por exemplo, gira em torno de 5 mil reais.
Se riscarem a porta do motorista e for necessário um pequeno conserto e um retoque na pintura, quanto você acha que vai gastar? Esteja preparado para desembolsar entre 10% e 20% do valor do carro todos os anos – e aí sim, seja feliz.

CUSTO ANUAL (em reais)
IPVA – 125 mil
Seguro total – 200 mil
Troca de óleo (a cada 5 mil km) – 2,5 mil
Combustível (a cada 2 mil km) – 1,5 mil
Total – R$ 329 mil

ANCORA E CORRENTE -- O conjunto (com corrente de 30 metros) custa R$ 7,5 mil; LIMPADOR DE PARA-BRISA -- Motor, paleta e braço: R$ 1,7 mil; ESCADA LATERAL -- Para sair da água: R$ 6 mil
ANCORA E CORRENTE -- O conjunto (com corrente de 30 metros) custa R$ 7,5 mil; LIMPADOR DE PARA-BRISA -- Motor, paleta e braço: R$ 1,7 mil; ESCADA LATERAL -- Para sair da água: R$ 6 mil

LANCHA FERRETI 830: PARADA NA MARINA, 37 MIL POR MÊS
R$ 30 milhões
Quem circula em um iate de 80 pés definitivamente não pode se preocupar com dinheiro. Além de desembolsar o valor acima, é necessário também garantir o custeio mensal da embarcação.
Mesmo que você não a coloque na água, a conta impressiona: uma Ferreti desse tamanho parada na marina custa cerca de 37 mil reais por mês.
E se você decidir usá-la com regularidade, vai gastar mil reais por hora de navegação. O iate consome 350 litros de óleo diesel por hora, ao preço médio de 2,7 reais o litro.

CUSTO ANUAL (em reais)
Tripulação (marinheiro e ajudantes) – 180 mil
Seguro – 120 mil
Marina (custo da vaga) – 96  mil
Revisão programada (mão de obra e peças) – 25 mil
Combustível (para navegar 30 horas por mês) – 360 mil
Total – R$ 781 mil

ÁGUA POTÁVEL E ELETRICIDADE -- Sistemas de energia (gerador a diesel ou fontes eólicas e solares) e de armazenamento de água da chuva que garantam a autossuficiência da ilha: R$ 120 mil; MERGULHO -- Kits para você e seus convidados mergulharem: R$ 1,5 mil; LANCHA 25 PÉS -- Para 6 pessoas: R$ 60 mil
ÁGUA POTÁVEL E ELETRICIDADE -- Sistemas de energia (gerador a diesel ou fontes eólicas e solares) e de armazenamento de água da chuva que garantam a autossuficiência da ilha: R$ 120 mil; MERGULHO -- Kits para você e seus convidados mergulharem: R$ 1,5 mil; LANCHA 25 PÉS -- Para 6 pessoas: R$ 60 mil

ILHA EM ANGRA DOS REIS
R$ 6,5 milhões por 8,5 mil metros quadrados
O custo de uma ilha depende de sua distância da costa, da existência ou não de água potável, da antiguidade da sua posse, da qualidade das instalações e dos tributos.
Já o custo de manutenção subirá conforme a quantidade de funcionários que viverão ali. A ilha à venda pelo valor acima, por exemplo, está a cerca de 4 quilômetros da marina mais próxima, sem acesso à rede elétrica nem água potável.
Tem uma casa ampla, com piscina, e boas instalações para os funcionários, além de uma voadeira para se locomoverem. A situação  dos impostos das ilhas precisa ser analisada com cautela. Há uma taxa cobrada pela União, na proporção de 2,5% a 5% do valor do terreno, chamada laudênio, sempre que ele passa por uma operação onerosa, caso de compra e venda.
Há também tributos anuais, equivalentes ao IPTU, que podem variar de 0,6% a 2% do preço do imóvel.

CUSTO ANUAL (em reais)
Impostos (taxa de propriedade) – 120 mil
Mão de obra (zelador e marinheiro) – 100 mil
Marina (vaga para lancha de 25 pés) – 12  mil
Combustível (gerador e lancha) – 10 mil
Total – R$ 242 mil


TELEFONE POR SATÉLITE -- O aparelho da Iridium custa R$ 3,2 mil; CARPETE ESPECIAL ANTI-INFLAMÁVEL -- R$ 50 mil
TELEFONE POR SATÉLITE -- O aparelho da Iridium custa R$ 3,2 mil; CARPETE ESPECIAL ANTI-INFLAMÁVEL -- R$ 50 mil

LEGACY 650
R$ 60 milhões
O grande prazer de ter um jato executivo é poder sair e chegar dos lugares na hora em que a pessoa bem entende, sem enfrentar filas no check-in e no embarque.
Diferentemente dos outros bens dessa lista, um avião desses não serve só ao lazer de seu dono, mas às suas necessidades de trabalho – é um bem de capital, e não um bem de consumo. Ele gera retorno para os negócios.
Mesmo assim, é o mais emblemático símbolo da riqueza e status que um milionário pode ter. Com um Legacy 650 é possível fazer deslocamentos continentais – voos até Miami, por exemplo, com apenas uma escala, e levar até 14 passageiros em 3 ambientes.
Com o plano de manutenção da Embraer para o modelo, que inclui serviços, peças, mão de obra e eventuais resgates remotos, o cliente paga 32 mil reais por mês e mais uma taxa de 800 reais por hora de voo.

CUSTO ANUAL (em reais)
Tripulação (piloto, copiloto e comissários) – 800 mil
Seguro – 50 mil
Hangaragem (Aeroporto de Congonhas) – 600  mil
Plano de manutenção – 384 mil
Combustível (400 horas) – 1,7 milhão
Total – R$ 3,5 milhões

TACO -- Feito com cana-da-índia, custa R$ 250. Um jogador usa 20 tacos por temporada; BOTA -- Custa pelo menos R$ 750. O modelo Fagliano argentino sai por R$ 3 mil; SELA -- O jogador normalmente usa duas selas por temporada de R$ 800 cada uma
TACO -- Feito com cana-da-índia, custa R$ 250. Um jogador usa 20 tacos por temporada; BOTA -- Custa pelo menos R$ 750. O modelo Fagliano argentino sai por R$ 3 mil; SELA -- O jogador normalmente usa duas selas por temporada de R$ 800 cada uma

JOGAR POLO
R$ 500 mil
Se você não tiver amor pelo polo ou algum talento para o jogo, o que pode lhe garantir patrocínio, é melhor escolher outro esporte.
O valor acima é para comprar o básico: uma tropa de 6 bons cavalos ou éguas mestiços de crioulo argentino com puro sangue inglês, número mínimo de animais que se usa em uma partida, e transferir o título de um clube, como o Helvetia, em Indaiatuba (SP).
Fora isso, há o gasto anual com roupas e equipamentos, alojamento, alimentação, saúde, o transporte dos animais e as inscrições nos campeonatos..
A temporada do jogo no Brasil dura 8 meses, uma das mais longas do mundo, e os times competem entre duas e três vezes por semana, o que significa mais gastos.

CUSTO POR TEMPORADA (em reais)
Tratador exclusivo – 30 mil
Veterinário dedicado à tropa – 36 mil
Alimentação (para 6 cavalos) – 24  mil
Equipamentos – 2 mil (por ano)
Transporte (3 fretes por semana durante 8 meses) – 30 mil
Inscrições em campeonatos – 50 mil
Total – R$ 172 mil

LEIAM TAMBÉM:

‘A década perdida’, por Marco Antonio Villa


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEGUNDA-FEIRA

MARCO ANTONIO VILLA
A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi recebida como um conto de fadas. O país estaria pagando uma dívida social. E o recebedor era um operário.
Operário que tinha somente uma década de trabalho fabril, pois aos 28 anos de idade deu adeus, para sempre, à fábrica. Virou um burocrata sindical. Mesmo assim, de 1972 a 2002 ─ entre a entrada na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e a eleição presidencial ─, portanto, durante 30 anos, usou e abusou do figurino do operário, trabalhador, sofrido. E pior, encontrou respaldo e legitimação por parte da intelectualidade tupiniquim, sempre com um sentimento de culpa não resolvido.
A posse ─ parte dos gastos paga pelo esquema do pré-mensalão, de acordo com depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público ─ foi uma consagração. Logo a fantasia cedeu lugar à realidade. A mediocridade da gestão era visível. Como a proposta de governo ─ chamar de projeto seria um exagero ─ era inexequível, resolveram manter a economia no mesmo rumo, o que foi reforçado no momento da alta internacional no preço das commodities.
Quando veio a crise internacional, no final de 2008, sem capacidade gerencial e criatividade econômica, abriram o baú da História, procurando encontrar soluções do século 20 para questões do século 21. O velho Estado reapareceu e distribuiu prebendas aos seus favoritos, a sempre voraz burguesia de rapina, tão brasileira como a jabuticaba. Evidentemente que só poderia dar errado. Errado se pensarmos no futuro do país. Quando se esgotou o ciclo de crescimento mundial ─ como em tantas outras vezes nos últimos três séculos ─, o governo ficou, como está até hoje, buscando desesperadamente algum caminho. Sem perder de vista, claro, a eleição de 2014, pois tudo gira em torno da permanência no poder por mais um longo tempo, como profetizou recentemente o sentenciado José Dirceu.
Os bancos e as empresas estatais foram usados como instrumentos de política partidária, em correias de transmissão, para o que chamou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, de “projeto criminoso de poder”, quando do julgamento do mensalão. Os cargos de direção foram loteados entre as diferentes tendências do Partido dos Trabalhadores (PT) e o restante foi entregue à saciedade dos partidos da base aliada no Congresso Nacional. O PT transformou o patrimônio nacional, construído durante décadas, em moeda para obter recursos partidários e pessoais, como ficou demonstrado em vários escândalos durante a década.
O PT era considerado uma novidade na política brasileira. A “novidade” deu vida nova às oligarquias. É muito difícil encontrar nos últimos 50 anos um período tão longo de poder em que os velhos oligarcas tiveram tanto poder como agora. Usaram e abusaram dos recursos públicos e transformaram seus Estados em domínios familiares perpétuos. Esse congelamento da política é o maior obstáculo ao crescimento econômico e ao enfrentamento dos problemas sociais tão conhecidos de todos.
Não será tarefa fácil retirar o PT do poder. Foi criado um sólido bloco de sustentação que ─ enquanto a economia permitir  ─ satisfaz o topo e a base da pirâmide. Na base, com os programas assistenciais que petrificam a miséria, mas garantem apoio político e algum tipo de satisfação econômica aos que vivem na pobreza absoluta. No topo, atendendo ao grande capital com uma política de cofres abertos, em que tudo pode, basta ser amigo do rei ─ a rainha é secundária.
A incapacidade da oposição de cumprir o seu papel facilitou em muito o domínio petista. Deu até um grau de eficiência política que o PT nunca teve. E o ano de 2005 foi o ponto de inflexão, quando a oposição, em meio ao escândalo do mensalão, e com a popularidade de Lula atingindo seu nível mais baixo, se omitiu, temendo perturbar a “paz social”. Seu principal líder, Fernando Henrique Cardoso, disse que Lula já estava derrotado e bastaria levá-lo nas cordas até o ano seguinte para vencê-lo facilmente nas urnas. Como de hábito, a análise estava absolutamente equivocada. E a tragédia que vivemos é, em grande parte, devida a esse grave erro de 2005. Mas, apesar da oposição digna de uma ópera-bufa, os eleitores nunca deram ao PT, nas eleições presidenciais, uma vitória no primeiro turno.
O PT não esconde o que deseja. Sua direção partidária já ordenou aos milicianos que devem concentrar os seus ataques na imprensa e no Poder Judiciário. São os únicos obstáculos que ainda encontram pelo caminho. E até com ameaças diretas, como a feita na mensagem natalina ─ natalina, leitores! ─ de Gilberto Carvalho (ex-seminarista, registre-se) de que “o bicho vai pegar”. A tarefa para 2013 é impor na agenda política o controle social da mídia e do Judiciário.
Sabem que não será tarefa fácil, porém a simples ameaça pode-se transformar em instrumento de coação. O PT tem ódio das liberdades democráticas. Sabe que elas são o único obstáculo para o seu “projeto histórico”. E eles não vão perdoar jamais que a direção petista de 2002 esteja hoje condenada à cadeia.
A década petista terminou. E nada melhor para ilustrar o fracasso do que o crescimento do produto interno bruto (PIB) de 1%. Foi uma década perdida. Não para os petistas e seus acólitos, claro. Estes enriqueceram, buscaram algum refinamento material e até ficaram “chiques”, como a Rosemary Nóvoa de Noronha, sua melhor tradução. Mas o Brasil perdeu.
Poderíamos ter avançado melhorando a gestão pública e enfrentado com eficiência os nossos velhos problemas sociais, aqueles que os marqueteiros exploram a cada dois anos nos períodos eleitorais. Quase nada foi feito ─ basta citar a tragédia do saneamento básico ou os milhões de analfabetos.
Mas se estagnamos, outros países avançaram. E o Brasil continua a ser, como dizia Monteiro Lobato, “essa coisa inerme e enorme”.