Aguardente à italiana

Bebida com forte graduação alcoólica, a grappa é ideal para ser consumida após as refeições e até misturada ao café.


Nome
Grappa ou graspa?
Se alguém chegar à cantina Sapor Itália e solicitar uma dose de “graspa”, vai ouvir uma verdadeira aula dos proprietários do restaurante, o chef Giovanni Luchini e sua esposa, Mia Baggio. É que o termo correto é mesmo grappa. Segundo os empresários, de origem italiana e que pesquisaram a fundo o tema, o motivo do engano veio da dificuldade de pronúncia dos primeiros italianos que trouxeram a bebida ao Brasil. “Ele vieram da região de Vêneto, que tem um dialeto próprio cuja sonoridade de ‘grappa’ soa como ‘graspa’. Por isso criou-se essa confusão”, conta Mia.
Após os almoços e jantares italianos, uma velha tradição vem à tona: para fechar uma refeição, não há nada melhor do que uma boa xícara de café expresso misturada a uma bebida que se assemelha a nossa popular aguardente, a grappa. De sabor forte e alto teor alcoólico, ela é uma marca registrada do país europeu, tão respeitada quanto o conhaque é na França, comparam os enólogos. Apesar de toda essa tradição, no Brasil a bebida ainda é pouco conhecida, até mesmo para os fãs dos destilados.
O enólogo Alcioni Dümes explica que a grappa é feita do bagaço das uvas, utilizando principalmente as cascas. “Ela surgiu do conceito de aproveitamento total da fruta. Como na produção dos vinhos sobravam muitas sementes e cascas, os produtores de Vêneto (região no nordeste da Itália) resolveram aproveitar esses insumos para preparar uma nova bebida”. Originalmente feita de sobras, a bebida ganhou importância. “Atualmente alguns produtores usam as melhores uvas de seus vinhedos para a sua confecção, e não mais os restos”, diz.
Assim como nos vinhos, a produção da grappa pode ser feita de diversos tipos de uva. “O comprador encontra rótulos feitos com as frutas brancas, como a chardonnay, mas também de uvas tintas, como pinot noir e cabernet sauvignon”, afirma Dümes. Mas se engana quem pensa em encontrar na grappa um sabor próximo ao dos vinhos. A cachaça brasileira é a bebida que melhor faz referência à italiana. É que o processo de destilação torna-a bastante forte, com graduação alcoólica sempre entre 42% e 50%.
Bebida digestiva
Esposa e descendente de italianos, a proprietária da cantina Sapor Italia, Mia Baggio, ensina que a melhor forma de consumir a grappa remonta à tradição italiana: adicionar uma dose a uma xícara de café expresso. “É uma excelente opção para depois das refeições, principalmente nos dias frios. Na Europa ela é consumida assim durante todo o inverno”. Para os fãs de bebidas destiladas, ela indica que o consumo puro também é permitido, apesar do sabor ser bem forte, pela sua graduação alcoólica.
O enólogo Alcioni Dümes indica que outra boa harmonização pode ser obtida ao se consumir a grappa pura ou misturada ao café: combinando ainda com chocolate. “O ideal é optar pelos mais adocicados, nunca os amargos”, diz.

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