Como os diplomatas da Coreia do Norte vivem sem salário?

Na América Latina, com o contrabando de charutos cubanos. No resto do mundo, com o comércio ilegal de ouro, drogas e até chifres de rinoceronte

Guardas da Coreia do Norte na Zona Demilitarizada, que faz fronteira com a Coreia do Sul, em 2010 (Crédito: Flickr/John Cant)
Guardas da Coreia do Norte na Zona Demilitarizada, que faz fronteira com a Coreia do Sul, em 2010 (Crédito: Flickr/John Cant)
A Coreia do Norte é um dos países mais pobres do mundo. Desde os anos 1990, quando perdeu a ajuda soviética, é incapaz de alimentar a própria população. Desesperado por conseguir qualquer renda, Kim tem enviado diplomatas para o exterior com a missão de conseguir dividendos e enviar uma parte de volta para casa.
Na América Latina, o negócio mais comum é o contrabando de charutos cubanos. Na porta das fábricas de Havana, eles compram os produtos no câmbio negro por 10% do valor. Depois, embarcam a mercadoria em malas diplomáticas, que não podem ser revistadas. Em uma viagem, eles podem conseguir até 10 mil dólares. Mas às vezes há imprevistos.
Em setembro de 2015, dois membros da embaixada da Coreia do Norte no Brasil foram pegos no aeroporto de Viracopos, em Campinas, com 3800 charutos cubanos. Como era muita bagagem, os fiscais da alfândega suspeitaram e pediram para olhar o conteúdo.
Funcionários da Coreia do Norte já foram pegos em vários cantos do mundo contrabandeando produtos variados. Em Moçambique, estavam com chifres de rinoceronte da África do Sul. Na fronteira com a China, com eletrônicos da Mongólia. Em Bangladesh, com 27 quilos de ouro.
Na Europa, diplomatas já receberam ordens para vender drogas em 2013 e depois enviar o dinheiro arrecadado para a Coreia do Norte. Cada um ficou responsável por comercializar 20 quilos de metanfetamina. O montante arrecadado seria usado para os festejos de aniversário do ditador Kim Jong un.

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