2015, o ano em que ampliamos a expressão “fundo do poço”

Atingimos o pré-sal das notícias ruins. Fecharemos um ano tenebroso com a sensação de que ainda pode piorar


Houve em 2015 uma ampliação do termo “fundo do poço”. Perfuramos tanto que atingimos uma camada pré-sal; descobrimos uma fonte inesgotável de notícias negras e viscosas na macroeconomia.
Fechamos 2014 sabendo que o ano seguinte seria ruim, mas não tão ruim. Em janeiro, o grosso dos economistas previa uma alta do PIB de 0,4% e inflação de 7% em 2015. Como éramos ingenuamente otimistas há 11 meses!
Muita gente chamou de catastrofistas aqueles que, quando o ano começava, previram o dólar a 4 reais, a perda do grau de investimento, a queda de 3% da economia, a inflação em dois dígitos e a incapacidade do ministro Joaquim Levy de equilibrar a contas do governo.
O pior não é 2015 ter sido mais difícil do que esperávamos, mas fechar o ano com a sensação de que o sofrimento foi em vão. Começamos o ano sabendo que a dificuldade era necessária para arrumar a casa e reconquistar a confiança. Mas depois de um ano tenebroso a casa está mais revirada que antes; há pratos e copos quebrados espalhados pela sala; o governo, de ressaca, mal sabe o que é uma vassoura.
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Em setembro, o economista Mansueto Almeida ouviu de investidores: “o Brasil ficou muito barato. Mas pode ficar ainda mais barato. Vou esperar”. A situação piorou um bocado desde então, mas a opinião dos investidores continua a mesma. Mesmo depois das previsões pessimistas terem se confirmado, ainda tem o que piorar.
Tiririca foi o deputado mais votado em 2010 ao dizer que “pior que tá não fica”. Que ingênuo otimismo, Tiririca! Seria melhor termos seguindo o conselho de Bastiat: “nunca desconfie da capacidade do governo de piorar o que já é ruim”.
@lnarloch

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