Uma tradução de “Se”, de Kipling, para o governo Dilma

Nesta semana tensa e difícil, VEJA dedica à presidente Dilma Rousseff esta tradução livre do famoso poema inspiracional Se, do inglês Rudyard Kipling

Dilma Rousseff
Se a senhora for capaz de mudar de ideia quando
todo mundo ao seu redor é cabeça-dura e a culpa.
Se mantiver a autoconfiança mesmo errando,
mas der a devida atenção também a quem discorda.
Se responder com fatos a quem, para a senhora, mente
e, sentindo-se odiada, evitar a reação exagerada,
e, mesmo assim, não se mostrar acima do bem e do mal.

Se não se deixar escravizar pelos sonhos da juventude
ou não rejeitar, apenas porque não são suas, as boas ideias.
Se tratar a popularidade e o abismo da impopularidade
como impostores igualmente dedicados a iludir a plateia.
Se conseguir entender que caiu nas próprias armadilhas
e que esse seu tormento é fruto do ego, seu inimigo,
ou se, vendo as suas convicções do passado superadas,
reconstruir novas sem resquícios do credo antigo.

Se for capaz de ver seu conjunto de vitórias e reuni-lo
em um vaso que, mesmo quebrado, preserve as flores,
e, assim, possa começar de novo apenas com valores,
e fazê-lo resignada e sem medo de perder o estilo.
Se for capaz de forçar seu coração, nervos e tendões
a servir sua vontade de salvar seu governo, mesmo
quando tentam o contrário Mercadante, Rossetto e falcões.

Se for capaz de conversar com Stediles e não esmorecer
e com sacerdotes de seitas econômicas sem emburrecer.
Se nem Lula nem Cunha puderem feri-la profundamente.
Se todos os brasileiros pobres dependerem da senhora,
mas poucos em troca de votos e nenhum totalmente.

Se entender que a salvação não virá dos que vivem
de repasses e contracheques do Leviatã obeso,
mas dos brasileiros que trabalham e investem
e, assim, carregam do Estado e da burocracia o peso.

Se usar a passagem implacável do tempo de modo
que consiga fazer o Brasil voltar à normalidade e progredir,
da senhora de novo será o poder que recebeu da urna,
mas que, por ideologia e maus conselheiros, teve de dividir,
e - ainda melhor - na história não deixará lacuna.

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