Dólar amplia alta e bate os R$ 3,43 nesta terça-feira

Alta foi intensificada após a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) piorar a perspectiva do Brasil para de "estável" para "negativa"

Dólar
Dólar sobe pelo quinto dia seguido(Gary Cameron/Reuters)
O dólar ampliou a alta a 2% e chegou a bater 3,43 reais na máxima do dia após a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) piorar a perspectiva do Brasil para "negativa", em meio a preocupações com a situação fiscal brasileira e o cenário político conturbado. Na máxima da sessão, a moeda americana atingiu 3,4353 reais, com alta de 2%. Ao longo do dia, no entanto, a divisa perdeu força e fechou o dia cotada a 3,36 reais, o mesmo valor alcançado nesta segunda-feira e o maior desde 27 de março de 2003. Nas últimas quatro sessões, o dólar acumulou valorização de 6%.
A agência, que já tem a nota do Brasil no último degrau antes de perder o grau de investimento, argumentou que sua decisão vem da série de investigações de corrupção envolvendo empresas e políticos, que pesam cada vez mais sobre os cenários econômico e fiscal brasileiros. Informou ainda que o país enfrenta circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras.
Investidores já vinham demonstrando preocupação com a possibilidade de o Brasil perder seu grau de investimento, após cortes nas metas fiscais do governo deste e dos próximos anos surpreenderem e decepcionarem os mercados financeiros.
Outro fator importante para os próximos passos do dólar é a reunião do Federal Reserve, banco central americano, que termina na quarta-feira. Sinalizações de que o Fed caminha para elevar os juros ainda neste ano podem servir de gatilho para a moeda norte-americana dar mais um salto, afirmaram operadores, uma vez que pode atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados no Brasil.
"A verdade é que o dólar não tem motivo para cair. Qualquer queda vai ser um alívio temporário", disse mais cedo a operadora de um banco nacional.
Swap - O atual momento do mercado de câmbio também fez investidores redobrarem a atenção sobre a intervenção do Banco Central (BC), já que a valorização da moeda norte-americana tende a pressionar a inflação ao encarecer importados. O sinal mais imediato será o anúncio da rolagem dos swaps cambiais que vencem em setembro, equivalentes a venda futura de dólares.

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