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O pato manco e a presidente que não se manca

Dilma com Obama na Casa Branca em abril de 1912. Tempos mais leves para a presidente
Dilma com Obama na Casa Branca em abril de 2012. Tempos mais leves para a presidente
Barack Obama e Dilma Rousseff jantam nesta segunda-feira na Casa Branca e na terça-feira haverá reunião de trabalho. Ótimo jantar e bons negócios. Falo isso sabendo de todas as dificuldades objetivas, do desconforto que este governo da República do Pixuleco significa para mim pessoalmente e com o noticiário sobre o Brasil mais para página policial do que de geopolítica ou de negócios.
No entanto, torço pelo Brasil. Espero que nesta ofensiva desesperada, o governo consiga atrair investimentos estrangeiros e de fato recalibre seus laços com o parceiro tradicional.
Eu quero o Brasil no lado certo da história, sem discurseira antiamericana chulé. Eu quero o Brasil integrado com os setores de ponta da economia global. Tudo bem exportar commodities para a China, mas o Brasil realmente precisa dinamizar suas parcerias quando existem lances históricos para a concretização de acordos comerciais dos EUA na área do Pacífico e com a Europa. Espero que se concretize a meta chutada por funcionários americanos e brasileiros de dobrar o comércio entre os dois países em dez anos.
Estou aqui fazendo muita torcida estratégica num cenário inglório e incerto. Não é mole ter alguém como Dilma Rousseff para tentar vender o peixe na forma e no conteúdo, vender a tal agenda positiva. Imaginem se o ministro Joaquim Levy não conseguisse estar presente nas conversas e seminários em Nova York, Washington e San Francisco para falar em português, inglês e sensatês?
Meu título lá em cima é meio apelativo (no caso do Obama, hehehe). Sobre Dilma é mais pertinente. Claro que a leitura está aberta. E vou manter a charada. No entanto, não quero desgalhar demais e vou focar. Dilma não se manca, pois ela tem uma visão errada das coisas.
Foi preciso o país chafurdar no lodaçal em todos os sentidos para que a presidente aparentemente abandonasse ideias e planos, dignos de um projeto desenvolvimentista estatizante e anacrônico (nem estou discutindo mera incompetência ou pedaladas fiscais). Hora de buscar investimentos em infraestrutura com mais flexibilidade lá fora (aqui).
Claro que existem oportunidades no Brasil. O país está mais barato e isso por “obra” deste governo que aos trancos e barrancos tenta sair do fundo do poço, topando qualquer negócio. No entanto, como confiar nesse governo? E como alertou aquele que deveria ser o ministro da Fazenda, Arminio Fraga, em entrevista à Folha, “infelizmente não chegamos ao fundo do poço”.
Sobre o interlocutor de Dilma, quem sabe ele até tenha começado um caminho de volta, do fundo do poço. Barack Obama, o pato manco (presidente americano em final de mandato), caminha com mais firmeza. Ele conseguiu na semana passada vitórias históricas no Congresso e na Corte Suprema, ao ganhar autoridade forte para negociar acordos comerciais no mundo, a ratificação do seu programa de saúde e a aprovação do casamento gay.
A polarização segue ácida, mas houve provas de cooperação bipartidária (na questão comercial), sem falar do espírito de união nacional depois da chacina racista em Charleston.
Muita piada foi feita semanas atrás com uma pesquisa mostrando que George W. Bush era mais popular do que Obama. Comparação boba, sem parâmetro (a pesquisa mostrou que Jimmy Carter era mais popular que Obama e também Bush). Na mais recente pesquisa Wall Street Journal/NBC News, aprovação de 48% e rejeição de 48% para Obama (em setembro passado, a rejeição era de 54%). No mesmo momento do segundo mandato, a aprovação de Bush era de 29%.
Claro que até entregar as chaves da Casa Branca em janeiro de 2017, o pato manco Obama pode tropeçar bastante. Em termos imediatos (agora mesmo), vamos esperar os desdobramentos globais da crise da pequena Grécia. Ademais, a penosa negociação nuclear iraniana pode estar finalmente chegando nos conformes (Obama considera a finalização do acordo um dos pilares do seu legado).
Não está garantido o acordo e se acontecer pode ser o estouro da boiada de setores contrários no Congresso e de aliados dos EUA no Oriente Médio (Israel e Arábia Saudita). Tudo isso rolando enquanto dona Dilma tenta vender o Brasil nos States. Duro para os americanos manterem o foco no Brasil esta semana.
E para arrematar, uma nota leve. Nesta terça-feira, enquanto Obama e Dilma têm a reunião de trabalho, Chris Christie, o meu governador (New Jersey), talvez anuncie sua entrada na corrida para tentar pegar a vaga de Obama. Será o pretendente de número 13 nas primárias republicanas. Chris Christie nega as informações vazadas de que esteja pronto para anunciar a decisão. Governador, se manca.

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