O caminho se faz ao andar: nesta tarde, a voz rouca das ruas vai consumar o nocaute

Atualizado às 10h30

Em 31 de março, uma circular assinada pelo presidente do PT, Rui Falcão, marcou para 7 de abril o espetáculo de estreia do que Lula batizou de “Frente Ampla” —  codinome inventado para que pareça mais gordo o quarteto que reúne o PT, a CUT, o MST e a UNE. Caprichando na pose de médico de campo de concentração,  Falcão determinou “a mobilização da militância para participar do Dia Nacional de Luta”. O climax da demonstração de força do lulopetismo seria alcançado com a “concentração em Brasília contrária à votação do PL 4330, da terceirização, na Câmara dos Deputados”.
Para mostrar quem manda, um batalhão de bucaneiros da seita invadiria o prédio do Congresso. Simultaneamente, em outras capitais, multidões de devotos marchariam “em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores, da Petrobras e da reforma política”. Lula prometeu aparecer numa das frentes, fantasiado de Marechal do Povo e pronto para liderar a contra-ofensiva que livraria Dilma Rousseff do cerco da elite golpista.
Conversa de 171. O líder popular que morre de medo de povo desde a vaia estrondosa na abertura do Pan-2007 anda colecionando ideias de jerico, mas não perdeu o faro que antecipa fiascos. No dia 7, preferiu entrincheirar-se em seu instituto-esconderijo. Mudo, viu pela TV o sumiço dos oficiais de alta patente, a deserção dos soldados rasos e o desfile de cifras desmoralizantes.
Em Belém, o ato público juntou 30 companheiros paraenses. Em São Luiz, 40 gatos pingados. Menos de 200 em Porto Alegre, 50 em Curitiba, 70 em Salvador. Os 2 mil combatentes convocados para a invasão do Congresso foram rechaçados por um pequeno contingente da PM de Brasília.  Em São Paulo, a CUT esperava juntar 10 mil militantes. Apareceram 400, que viraram mil nas contas dos coronéis de macacão.
Por falta de cabeças a contar, o Datafolha deu folga aos especialistas em multiplicação de gente. O Dia Nacional de Luta mobilizou tão poucos lutadores que nem conseguiu espaço nas páginas reservadas ao noticiário político. Na quarta-feira, os três maiores jornais do país enfurnaram na editoria de economia a vexatória ocorrência política registrada na véspera.
As portentosas manifestações de 15 de março levaram às cordas os embusteiros que institucionalizaram a corrupção impune e há 12 anos vêm batendo todos os recordes de inépcia administrativa. De lá para cá, ficaram ainda mais grogues com as pancadas desferidas por pesquisas de opinião, novidades sobre a roubalheira do Petrolão, índices que atestam o descontrole da inflação ou a escalada do desemprego e imagens de companheiros delinquentes na traseira do camburão, fora o resto.
Dilma já renunciou ao comando da economia e da articulação política. Sitiados por um Brasil farto de farsa, o bando de vigaristas baixou a guarda e carece de forças para o contra-ataque. Se a imensidão de indignados cumprir o seu dever neste domingo, e os figurões fora da lei forem devidamente surrados pela voz rouca das ruas, 12 de abril de 2015 será lembrado como o dia em que se decretou o nocaute.
E depois desta tarde, o que virá? Saberemos em breve. Em certas curvas da História, o caminho se faz ao andar.

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