7 Fatores que geram insatisfação nos motoristas de caminhão

Fatores que geram insatisfação nos motoristas de caminhão

















Este começo de 2015 tem sido de insatisfação em quase toda a sociedade brasileira, mas os caminhoneiros são uma das classes que mais deixa isso claro. Com vários focos de greve estourando pelo País, o setor promete barulho. Veja aqui 7 razões pelas quais eles estão no limite. Isso sem considerar o normal da profissão, como estar longe de casa ou ser responsável pelo patrimônio da empresa 24h por dia.

1 – Aumento do diesel 

Essa foi a gota d’água para os que estão em greve. O preço dos combustíveis subiu de forma geral, isso porque o governo federal aumentou dois impostos que incidem sobre eles, o PIS/Cofins e a CIDE-Combustíveis. Para a gasolina, a diferença ficou em R$ 0,22 o litro, para o diesel foi R$ 0,15. Com isso o governo deve arrecadar R$ 12,1 bilhões em 2015, mas quanto o motorista gastará a mais? Em linhas bem gerais, um carro roda em média 20mil km/ano e faz 10km/l, com isso o aumento da gasolina gerará um custo R$ 440 maior. Já um caminhão roda em média 120mil km/ano e faz 1,8 km/l. No fim de 2015 o custo com diesel terá sido R$ 10 mil mais alto.

2 – Frete baixo 

Essa é uma briga antiga, sobem os custos e o frete não acompanha. Agora foi a alta do combustível, antes foi o aumento dos pedágios, em 2012 veio a obrigação do ARLA, antes já vinham diária pra estacionar em postos e até para o banho. Segundo as empresas de transporte e os autônomos, eles não conseguem repassar esses custos para os clientes, que não aceitam o aumento do frete. Um estudo feito pela NTC (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) em setembro de 2014, apontou uma defasagem de 10% no valor do frete, mas isso para empresas, para os autônomos esse valor pode ser ainda maior. E pagar pra trabalhar ninguém quer ne?

3 – Condições das rodovias 


Rodar o dia todo pela Rod. Castello Branco em São Paulo pode ser cansativo, agora imagine rodar o dia todo pela Transamazônica... Segundo a última pesquisa da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), de 2014, dos 98 mil km pesquisados, apenas 38% estava em estados bom ou ótimo, enquanto 24% estava ruim ou péssimo, o restante foi classificado como regular. Mas a pesquisa só leva em conta vias pavimentadas, só que apenas 13% das vias no País são pavimentas, então é comum um caminhoneiro contar que levou mais de 4 horas para fazer 200 km. Além da demora, a pista ruim solta diversas peças do caminhão, aumentando os custos de manutenção e o tempo gasto na oficina, além de a trepidação constante provocar danos à saúde do condutor. 

4 – Falta de segurança 

Estar o tempo todo na estrada é estar o tempo todo exposto ao perigo que ela esconde, e aqui nem estamos falando do perigo de acidentes, motoristas despreparados e afins. O assunto é o perigo de ser roubado ou sofrer um sequestro por conta da carga ou caminhão. Dados preliminares da NTC indicam que até o meio de dezembro de 2014, o número de ocorrências de roubo já era 5,5% maior que em 2012, o que representa 15,2 mil casos, somando R$ 1 bilhão de prejuízo, sem falar no trauma dos motoristas que são abordados e de muitos que acabam assassinados na ação.













5 – Desrespeito na carga e descarga 

Quem nunca ficou nervoso por passar mais de um hora na fila do banco? Agora imagine passar dias em um pátio esperando para descarregar. Essa é a realidade da grande maioria. O motorista chega em uma empresa, muitas vezes com o horário agendado, entrega a nota e aí espera, por horas, dias, muitas vezes também sem acesso a banheiro, chuveiro, alimentação, sem poder dormir porque precisa ficar atento caso chamem seu nome no autofalante, e não raro sendo mal tratado pelos carregadores e seguranças da empresa. E como isso acontece no Brasil inteiro, os embarcadores não acham que é lá um grande problema. Já na Europa, um absurdo sem tamanho é esperar 12horas, aqui, isso é quase sorte.

6 – Falta de diária 

Se ficar parado esperando a carga e descarga é ruim, agora imagine isso sem receber nada enquanto fica lá. O correto é receber o mínimo que cubra os custos de alimentação e estadia durante o tempo parado, mas muitos transportadores não pagam esses valores, aí o motorista que ganha por carga e fica parado 4 dias num pátio, são quatro dias como se ele não tivesse trabalhado, que ele não irá receber no fim do mês, mas que ele teve que gastar para se manter no local.













7 – Não cumprimento das leis da categoria 

Até existe uma legislação para melhorar as condições de trabalho, mas a dificuldade é de fazer valer essas leis. Por exemplo, o vale-pedágio, é lei desde 2002 que os custos do pedágio sejam cobertos pelo embarcador, mas muitas vezes as empresas alegam que os valores já estão incluídos no frete, situação ilegal, mas sem fiscalização, continua sendo prática comum no País. O mesmo acontece com a lei do descanso, que garante ao motorista 11 horas de intervalo entre uma jornada e outra, mas não é cumprida por grande parte dos motoristas e transportadores. A lei do tempo parado para carga e descarga então... legalmente o motorista receberia, à partir da quinta hora parado, R$1/tonelada/hora, mas esse valor quase ninguém recebe. Alguns fazem acordos e ainda conseguem receber parte, a maioria, nem isso.

Tantos fatores levam a profissão a ser a que mais mata no Brasil, segundo o próprio Ministério da Previdência Social, gerando fuga de profissionais do setor e grande insatisfação dos que ficam. Então se você topar com uma greve pelo caminho, já sabe o porquê.

Veja neste domingo matéria sobre o assunto no Pé na Estrada.
http://trucao.com.br/noticias/mostrar/134

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