Zero: como computar meio milhão de vazios


educacao-enem-movimentacao-campus-unip-matsukawa-baixa-20141109-002-size-598Zero. Mais de meio milhão de notas zero nas redações do Enem 2014, num país que certo slogan governamental gostaria de tornar conhecido como “pátria educadora” (gargalhadas), é um número eloquente.
De um lado, um conjunto cheio: meio milhão. Do outro, um vazio: zero. Pois era isso, “vazio”, que queria dizer a princípio a palavra árabe sifr – a mesma, por sinal, da qual brotou nosso substantivo “cifra”. Sifr está na origem do latim tardio zephirum, que por sua vez deu no francês zéro, fonte imediata tanto do “zero” português quanto do inglês zero.
Sim, a ideia do zero – que teria surgido primeiro entre babilônios, chineses, maias e hindus – demorou a emplacar na matemática ocidental: os antigos gregos e romanos não o contavam entre os números, daí a aparição tardia da palavra em latim, já na Idade Média, quando os algarismos arábicos foram introduzidos na Europa.
Será que meio milhão de zeros vão ajudar a opinião pública a finalmente tomar consciência da gravíssima doença que impede e continuará impedindo a sociedade brasileira de fazer avanços reais – essa produção sistemática, ampla e vexatória de semianalfabetos a que chamamos educação?

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