É apropriado que a palavra “boçal”, substantivo e adjetivo, que tem entre outros os sentidos de “tosco, grosseiro” e “estúpido”, guarde relação etimológica estreita com o vocábulo “boca”.

Por que o boçal morre pela boca

É apropriado que a palavra “boçal”, substantivo e adjetivo, que tem entre outros os sentidos de “tosco, grosseiro” e “estúpido”, guarde relação etimológica estreita com o vocábulo “boca”.
Costuma ser pela boca, ou seja, ao abri-la para falar, que uma pessoa faz por merecer tal qualificativo. No entanto, não é na ideia de expressão verbal que o boçal e a boca têm seu encontro etimológico.
O português foi buscar a palavra, datada de 1540, no espanhol bozal, derivado do latim bucca(“boca”). Os sentidos dominantes da palavra entre nós parecem ser uma combinação de duas acepções já presentes em seu idioma de origem: a de “inexperiente” em primeiro lugar, com influência posterior da ideia – neste caso, por metonímia – de “animalesco”.
Bozal queria dizer “aquele que ainda tem buço (bozo, penugem sobre a boca)”, ou seja, que é inexperiente, desajeitado, bisonho. Mas significava também “focinheira, conjunto de correias que se prende no focinho de um animal feroz para que não morda”.
Há quem considere “boçal” uma palavra de origem racista, escravocrata, mas a história não é bem essa. Sim, o vocábulo teve largo emprego em referência a escravos – para qualificar aqueles que, recém-chegados da África, ainda eram “bisonhos” e não falavam português –, mas a palavra é anterior a tal uso e a ele sobreviveu.
Modernamente, é comum ver o adjetivo empregado de modo informal como sinônimo de “muito grande, descomunal”, caso em que pode até ter sentido positivo: “O cara acumulou uma fortuna boçal!”.

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