O PT mostra que tem gabarito

Para um governo que forja suas próprias contas, qual o problema em forjar uma sessão de CPI?

GUILHERME FIUZA

>> Coluna de Guilherme Fiuza publicada na edição impressa de ÉPOCA em 11 de agosto
A mídia golpista está de novo chateando o governo popular. Só porque os missionários do PT no Planalto, no Congresso e na Petrobras foram flagrados montando uma farsa na CPI da estatal, essa imprensa burguesa que não tem mais o que fazer está novamente com manchetes escandalosas. Parece até que não conhece o modus operandi de Dilma, Lula e companhia. Para um governo que forja suas próprias contas – a céu aberto, para todo mundo ver –, qual o problema em forjar uma sessão de CPI? Nada de novo no front. O problema, esse sim escandaloso, não está na encenação, mas no palco.
O Brasil assistiu – sonolento, como sempre – ao sepultamento da CPI do Cachoeira em 2013. Três meses depois, os brasileiros inundaram as ruas para um basta contra alguma coisa que eles não sabiam (não sabem) o que era. Nem um único pedestre, ativista, ninja ou mascarado fez alguma pálida referência ao escândalo. Tratava-se de uma conexão mafiosa entre um megabicheiro e uma megaempreiteira – a escolhida pelo governo popular para fazer a maior parte das obras do PAC. A Primavera Burra não viu que o Caso Cachoeira, se devidamente investigado com o clamor das ruas, passaria a limpo boa parte da República.
Mas é perda de tempo falar de manifestações que hoje discutem se os pimpolhos incendiários podem ou não tramar em liberdade a explosão da cabeça do próximo inocente. Os novos donos do Brasil – os milionários imperadores do oprimido – sabem bem que nenhum lunático tranca-ruas desses corre o menor risco de entender o truque da elite vermelha. Por isso, a CPI do Cachoeira descansa em paz. Ela havia sido fomentada por Lula para atingir adversários do PT. Quando o oráculo viu que o caldo entornaria para dentro de casa, mandou parar a brincadeira. Nada como um líder.
E assim caminhava também a CPI da Petrobras, montada carinhosamente pelo governo com todas as cartas marcadas, para morrer a quilômetros da praia. A CPI do Cachoeira ainda tinha tido momentos insalubres, com o companheiro Collor, escalado por Dilma, Lula e Sarney para babar seu ódio contra a imprensa e tentar jogar areia nos olhos da opinião pública (como se precisasse). Na CPI da Petrobras, não foi preciso nada disso. Trabalho limpo, manipulação governista tranquila, maioria anestésica garantida – ninguém sabe, ninguém viu doleiro nenhum, muito menos ouviu falar onde fica Pasadena.
Mais um escândalo posto magistralmente em banho-maria pelos companheiros, só esperando que a chegada da Copa do Mundo lhe desse o golpe de misericórdia – natural e indolor. Nem o mau humor dos 7 a 1 vexatórios lembrou ao distinto público a central de negociatas em que foi transformada a maior empresa brasileira. Tudo corria normalmente, até que surge a denúncia bombástica: os depoentes que responderam sobre a Petrobras na CPI são acusados de receber previamente as perguntas que lhes foram feitas pelos integrantes da Comissão.
A farsa em si não tem problema nenhum. Desde que o Brasil reelegeu Lula alegremente com o mensalão nas costas, a farsa está liberada. A CPI da Petrobras já era uma farsa antes da farsa, infestada de companheiros para não investigar nada. É como se você tivesse comprado o professor para lhe dar nota 10, depois montasse outro golpe para roubar o gabarito da prova! Tudo bem que sua vocação para o roubo seja forte, mas por que se arriscar tanto?
O caso do gabarito das questões da CPI para dirigentes da Petrobras é incrível, porque ali todos são índios da mesma tribo: perguntadores e perguntados servem à missão suprema de preservar o projeto de sucção do PT ao reeleger Dilma Rousseff. Essa operação para marcar as cartas já marcadas é, portanto, altamente intrigante. Um bom investigador diria, sem piscar: ainda há algum segredo valioso nessa história. Ainda bem que esse investigador não existe. O trabalho vai sobrar de novo para a imprensa burguesa, coitada. Como exploram essa elite branca.
É sempre um espetáculo assistir à ação coordenada do PT entre empresa estatal, Congresso e Palácio – naquilo que o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso já explicou que não é quadrilha. Seja qual for o nome do esquema, tem a chance de chegar à perfeição se Dilma for reeleita.
Guilherme Fiuza

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