Exclusivo! Dom Moacyr diz que Marina Silva é frágil e defende a alternância de poder no Acre


Arcebispo deixou escapar que considera Marina frágil para a disputa e que o papel da igreja é orientar o voto.
Bispo da Prelazia do Acre e Purus por mais de 25 anos, considerado mentor intelectual de Chico Mendes e da presidenciável Marina Silva, o arcebispo emérito de Porto Velho, Dom Moacyr Grechi, testemunha ocular e protagonista dos principais acontecimentos que marcaram a história recente do Acre, concedeu entrevista à ContilNet Notícias na tarde sábado (30), dez dias depois de ter se encontrado com Marina Silva, e disse que não fala mais sobre a ex-pupila e agora presidenciável. Ele deixou escapar que considera a candidata frágil para a disputa e que o papel da igreja é orientar o voto, relembrou a história de Chico Mendes, a luta contra o esquadrão da morte, e a ascensão do PT no poder no Acre. Ao ser questionado sobre os irmãos Viana, senador Jorge Viana (PT) e governador Tião Viana, com quem mantém laços antigos de amizade, o religioso afirmou que defende a alternância de poder sob quaisquer circunstâncias.

Se apoiando em uma bengala e mostrando fragilidade física, o arcebispo emérito de 78 anos, Dom Moacyr Grechi, aparenta não se deixar abater nem pelo tempo e nem pelo cansaço. Acompanhado do padre Luiz Ceppi, o religioso que realizou a missa fúnebre de Chico Mendes, Dom Moacyr recebeu a reportagem da ContilNet Notícias com um pedido, antecipado por uma religiosa local: não ser questionado sobre Marina. A entrevista foi realizada na casa paroquial, na Vila Nova Califórnia-RO, onde o arcebispo participou das festividades de 25 anos de existência do projeto de Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (Reca).
Veja a seguir os principais pontos da entrevista:
ContilNet Notícias - O senhor pediu para a irmã nos informar que o senhor não quer falar sobre política. Por quê, bispo?
Dom Moacyr Grechi - Não. Não é que não quero falar de política. Eu não quero falar é de Marina (Marina Silva, candidata à presidência da República) porque uma vez eu fiz uma observação, sem nenhuma má intenção, e ela ficou profundamente magoada, então, eu prefiro não falar. Encontrei-me com ela recentemente, no aeroporto de Brasília. Cumprimentamo-nos e pronto.
ContilNet Notícias - Eu li o desabafo dela, em resposta a um suposto comentário seu, de que ela seria frágil.
Dom Moacyr- Eu disse que ela não aguentaria o tranco, mas não quero mais falar sobre isso para não machucar ela.
ContilNet Notícias - A igreja da atualidade continua mantendo a combinação de oração e solidariedade?
Dom Moacyr - A igreja continua com a mesma proposta, a mesma doutrina, que é combinar a fé e a doutrina com o amor ao próximo. O católico pode se unir a um evangélico e ateu, desde que continue a lutar pela justiça, pela defesa do mais pobre.
ContilNet Notícias - Quando o senhor estava no Acre, lutou contra os poderosos da época. Custou caro?
Dom Moacyr - Sim, custou muito caro. Recebi muitas ameaças de morte, mas eu tinha a solidariedade total dos seringueiros, do povo mais pobre.
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Dom Moacyr concede entrevista à jornalista Gina Menezes, do portal ContilNet Notícias

ContilNet Notícias - Qual a lembrança mais marcante que ficou da sua atuação como bispo do Acre?
Dom Moacyr - O que mais ficou na memória e no coração era o amor com que as pessoas me tratavam.
ContilNet Notícias - O senhor ajudou a implantar o Centro de Direitos Humanos no Acre. Como eram encarados os princípios de direitos humanos naquela época?
Dom Moacyr - Tinha muito abusos, prendiam sem provas, batiam. Era muita coisa. A situação da grilagem gerou muitos outros crimes. Eu e padre Paolino (Paolino Baldassari) tivemos que aprender sobre o direito de posse para podermos ensinar para aqueles que lutavam contra os grileiros para que pudessem se proteger, amparados no conhecimento.
Contilnet Notícias - Que lembranças o senhor guarda sobre a época em que o esquadrão da morte atuou no Acre?
Dom Moacyr - Ouvi terríveis histórias, que as pessoas, assustadas, me procuravam para desabafar. Presenciei o dia em que várias autoridades estavam reunidas, incluindo o secretário de Segurança e presidente do Tribunal de Justiça, quando Hidelbrando entrou, aos gritos, dizendo que iria, sim, matar o assassino do irmão dele e que mataria também quem se colocasse no caminho dele para impedir a vingança. Naquele momento, um desembargador disse-me o seguinte: "Hoje, a sociedade do Acre é refém de um bandido”.
ContilNet Notícias - O senhor acredita que se o Chico Mendes tivesse sobrevivido àquela época ele teria mudado a concepção dele a respeito do meio ambiente?
Dom Moacyr - Creio que ele teria compreendido, assimilado muitas coisas.
ContilNet Notícias - Direta ou indiretamente, o senhor fez parte de movimentos que se tornaram berço para o nascimento e fortalecimento do PT no Acre. Que avaliação o senhor faz disso, e em especial, do trabalho político dos irmãos Viana?
Dom Moacyr - Estive recentemente com Jorge Viana, na visita ao papa. O Tião Viana me ajudou muito quando era médico e resolvia casos em que eu pedia a ajuda dele, mas creio que é importante a alternância de poder. Defendo a alternância de poder sob quaisquer circunstância.

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