Chega de chorar ao ler os jornais

MAIS QUANTOS MORREM ENQUANTO ESCREVO ESTE TEXTO?
Artigo publicado nas páginas de opinião do Diário do Comércioda Associação Comercial de São Paulo
neil-ferreiraAntes Scriptum: Mais 3 vagas na ABL, conheço bem 2 delas: João Ubaldo e Ariano Suassuna. João Ubaldo, sem contar seus livros deliciosos, um deles deixado incompleto, encantava seus leitores dos jornais, aqui em São Paulo no Estadão, Caderno 2, aos domingos.
Suassuna, inesquecível por seu “Auto da Compadecida”, que transformou João Grilo num artista na arte de mentir, e o para mim quase incompreensível “A Pedra do Reino”, cujo volume (que tenho) para em pé de tão grosso. Três lágrimas sentidas para eles e pra vaga que não conheço (NF).
Escrevo cansado de ver nos jornais o placar do Oriente Médio: Israel mais de 800, na maioria civis indefesos, dos quais sei que 147 são crianças e 74 mulheres x Palestinos 39, talvez entrem na conta as 3 crianças israelenses sequestradas e massacradas. Sei que os palestinos cutucaram o dragão com vara curta, então que paguem a conta, é isso? (É).
Vejo que Israel falou que o Brasil é um “país irrelevante”; e é. Mas não só pela nossa diplomacia, momentaneamente contrária aos interesses israelenses.
Acho e aviso que Israel não l falou do jeito que estou falando agora: o Brasil irrelevante mesmo. E um “anão diplomático”, que também acho que é.
Pelo menos alguém teve a coragem de falar a verdade : “país irrelevante” e “anão diplomático”, talvez não pelos mesmos motivos que Israel teve, mas pelos que nós temos.
País que tem Dilma como quase reeleita nas pesquisas só pode ser “irrelevante” e a se levar em conta os últimos Ministros das Relações Exteriores, é “anão diplomático”, sim. Israel atirou no que viu e acertou no que não viu.
Que fique claro: também momentaneamente não aprovo a política externa de Israel, mas quem sou eu pra me meter a sebo de aprovar ou desaprovar qualquer coisa que seja.
Como Jeovah, Allah e Deus, brimos entre si segundo o Livro de Abraão, permitem semelhante mortandade entre seus herdeiros, também primos entre si?
E a ONU? Cada vida que se perde, uma que seja, de qualquer lado que seja, é demais; uma vida perdida não volta, uma criança de qualquer um dos lados é para ser chorada até o fim dos tempos.
As 3 crianças israelenses e as 147 crianças palestinas, sacrificadas no altar da insânia: esses números vão aumentar, isso é quase uma certeza, só tendem a aumentar.
Há uma frase atribuída à ex-primeira-ministra de Israel, Golda Meir: “Podemos perdoar os árabes que matam nossas crianças. Não podemos perdoar as crianças deles, que nos obrigam a matar”. Parece que Israel e o Hamas não querem a paz.
Israel fala que há tantas mulheres e crianças entre as vítimas de guerra em Gaza, porque os palestinos as colocam como escudos na frente dos seus terroristas. Será possível tamanho absurdo? Se Israel falou que é, então é.
Um terrorista religioso do Hamas admitiu que usavam crianças e mulheres como escudos. Sou mal informado, vi isso só agora. Numa coisa sou bem informado: ele foi morto por militares israelenses em 2009, portanto a ele pode ser atribuída qualquer declaração.
Conheço a história de um israelense, Abie Nathan, que transformou seu grande barco na rádio “Voice of Peace” (“A Voz da Paz”), e transmitia para os dois lados em permanente conflito, de “algum lugar do Mediterrâneo”, “Give Peace a Chance”. Sua luta era solitária e sem chance, mas estava fazendo a sua parte.
Abie era um cara fantástico, fez mais pela paz verdadeira do que organizações mundiais inteiras. Uma vez pilotou um avião até o inimigo Egito, para pedir paz, foi derrubado, sobreviveu e acabou seus dias organizando maratonas de “Give Peace a Chance”. Quantas pessoas de corajosa boa vontade precisam morrer antes que a paz seja conquistada?
A minha vontade de ser neutro está abalada, os números não me permitem, os números não são neutros nesta conta, que nos deixa com a amargura da impotência, sem saber o que fazer (ou sabendo mas não fazendo).
Tenho grandes amigos, quase irmãos, de famílias de origem judaica, que eu, filho único, escolhi para serem meus irmãos e que sempre me aceitaram como irmão.
Um deles, o mais querido de todos, um dos mais importantes jornalistas da sua geração, trabalhador em um kibutz na juventude e depois habitante de Tel Aviv por muitos anos, me explicou como é a política israelense:
“O pequeno Israel é a maior democracia do mundo”, disse-me e acreditei. Ele explicou: “Você encontra 3 israelenses conversando sobre política numa esquina, e dali a 3 minutos tem 5 brigas feias”.
Definição perfeita, tanto quanto entendi. Israel é uma invejável democracia quase perfeita. Os representantes do povo, votados e eleitos, votam e determinam o caminho que o estado deve trilhar.
Mas cansei de quase chorar ao ler os jornais da manhã, procurei outros motivos de canseiras. Cansei do Ibope e do DataFalha dando a Dilma despencando nas pesquisas, mas reeleita; cansei do IBGE dando um Pibinhão de 1,8%, quando até o Dunga sabe que o Pibinho é de menos de 0,9 %.
Sabemos que as 3 maiores mentiras do mundo são: a Grande Mentira, a Pequena Mentira e a Estatística. A Estatística é a ciência que permite que se eu como um frango por dia e você não come nenhum, cada um de nós terá comido meio frango por dia; acho que é por aí que se explica como o IBGE se arranja pra fazer um Pibinho de 0,9% virar um Pibinhão de 1,8%.
Cansei de saber que livraram as carantonhas da Dilma e de mais 9 cumpanhero no trambique sem vergonha do Um Bilhão e Duzentos Milhões de Dólares da Refinaria Pasadena.
Mas, felizmente, o TCU colocou o do Gabrielli na reta e sabe-se que quem tem, tem medo; quem sabe ele usa a Pasadena pra jorrar a verdade sobre a Refinaria de mentira.
Cansei de ver baderneiros terroristas se autodenominarem “presos políticos” e, aliados do Psol do Rio de Janeiro, exigindo liberdade pra fabricar bombas caseiras e coquetéis Molotov.
Não merecem a paz em que temos a fortuna de viver, por passarem suas covardes vidas mascarados, querendo rompê-la. Olhem para o Oriente Médio e vejam se aprendem alguma coisa. Cansei e me desculpe por estar cheio desse monte de lixo que nos cerca.
Por isso, tiro este momento pra curtir a Marina, minha netinha mais nova, 6 meses e meio agora, já fazendo algumas pequenas artes que o vô babão aqui entende como se ela estivesse falando comigo. E está. Quando me vê, sorri aquele sorriso banguela e eu, caindo pra trás de alegria, faço cosquinha na bochecha gordinha dela e falo, com toda idiotice do mundo, “cadê o sorriso do vovô”, e ela sorri.
Pra minha alegria, minha filha e meu genro estão com sua casinha em reforma e enquanto isso ficam na minha casa. O que não sabem é que estou subornando o empreiteiro pra ir atrasando a obra o quanto puder, pra que fiquem mais na minha casa.
Nada há de mais alegre no mundo do que esse serzinho que já rola na cama, dorme no colo e detesta ir para o berço. Minha filha, ex-baladeira e agora mãezona tipo mama italiana, carrega uma filha que adora passar as noites na balada, baladeira que é por DNA.
Mesmo assim, com toda essa felicidade que vivo neste momento, grita nos meus ouvidos a pergunta que não quer calar: mais quantos morreram desde que comecei a escrever este texto?

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