A superplanta biônica

Cientistas americanos usam nanotecnologia para aumentar a eficiência do processo de fotossíntese e criar vegetais capazes de identificar a presença de poluentes

A fotossíntese é um dos processos mais fascinantes da natureza. Por meio da luz solar, as plantas são capazes de quebrar moléculas de dióxido de carbono e água e transformá-las em glicose. Ou seja: energia. Ela é essencial para toda a vida no planeta, já que a maioria das cadeias alimentares tem, em sua base, seres clorofilados que produzem seu próprio sustento. Além disso, um dos subprodutos da fotossíntese é o gás oxigênio, aquele que a maior parte dos seres vivos respira. Se tem dado tão certo, por que deveríamos mexer com ela? Para um grupo americano de cientistas, a fotossíntese ainda pode melhorar. Por isso, eles decidiram usar nanotecnologia para criar “plantas biônicas” capazes de absorver mais luz e gerar mais energia.
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“Pode ser um caminho na criação de biomateriais híbridos para captação de energia solar e mecanismos detectores de poluentes”, explica o Dr. Juan Pablo Giraldo, biólogo e engenheiro químico do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), nos Estados Unidos. O ponto de partida do estudo foi o fato de que a maioria dos vegetais consegue converter apenas 10% da luz solar em energia. Os cloroplastos, células responsáveis pelo processo físico-químico, são incapazes de absorver o espectro verde de cor, por exemplo. Para tentar melhorar essa taxa, os estudiosos introduziram nanotubos de carbono – estruturas microscópicas em forma de canudo, mais finas que fios de cabelo – nas células. Esse material é capaz de captar a luz solar e transformá-la em um fluxo de elétrons (confira quadro). Com isso, as taxas de conversão da fotossíntese aumentaram até três vezes.
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MAIS EFICIENTE
Nanotubos de carbono aumentaram em até três vezes
a conversão de luz em energia nesta planta
O estudo foi ainda mais longe. Os pesquisadores descobriram que as “folhas biônicas” emitem um brilho característico quando colocadas sob luz infravermelha, mas que essa característica é anulada na presença de óxido nitroso, muito comum em diversos poluentes. “Essas plantas poderiam ser usadas como detectores de materiais tóxicos em cidades, plantações e até aeroportos”, diz Giraldo. Embora a pesquisa ainda esteja em seus estágios iniciais, os cientistas afirmam que a tecnologia, se viabilizada em grande escala, poderia melhorar a produtividade de lavouras. Também facilitaria a obtenção de combustíveis e outros produtos derivados de algas. Ainda falta, no entanto, conhecer os efeitos da modificação no longo prazo. A fotossíntese, afinal, tem bilhões de anos de bons serviços prestados.
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