Imagens em Movimento: A criação de uma superprodução em tempo real

SYLVIO DO AMARAL ROCHA
“Eu sei que o tempo é curto, então falarei rapidamente de todos e podem me cortar. Eu não ficarei bravo”. É dessa forma que Cuba Gooding Jr. começa seu discurso depois de premiado com o Oscar de melhor ator coadjuvante pela atuação no filme Jerry Maguire, em 1996. Voz embargada pela emoção, ele continua desfiando agradecimentos ─ à mulher, aos pais, a Deus ─ antes de resumir com um sorriso e três palavras o turbilhão de sentimentos: “Eu estou feliz”.
A elevação da trilha sonora é a senha para encerrar a fala e deixar o palco. Mas é aí que começa um dos discursos mais aplaudidos da história do que ainda era o Kodak Theatre (desde 2013,com o pedido de falência da Kodak, o teatro estampa o nome de seu novo patrocinador, Dolby).
“Estúdio: eu te amo”, vai em frente Gooding Jr.. “Cameron Crowe, eu te amo”, diz ao diretor. A voz sobe alguns decibéis para a homenagem ao protagonista: “Tom Cruise, eu te amo, irmão”. A intensificação das ovações contagiam o orador, que começa a formular declarações de amor a todos os que de alguma forma participaram do filme. Aplaudido de pé, ele enfim completa a performance com um salto, batendo os calcanhares no ar.
Mais impressionante do que o que acontecia no palco era o que se passava nos bastidores. Enquanto Gooding Jr. discursava, uma câmera registrava a atuação do diretor de corte do programa, responsável pela seleção das imagens que aparecem na televisão (similar à montagem no cinema). No vídeo de dois minutos (assista abaixo), fica evidente que o tempo e o ângulo certo são essenciais para transmitir aos telespectadores ─ e eventualmente ampliá-la ─ a emoção que inunda o outro lado da tela. A arriscada decisão de manter Cuba no ar deu certo.
O que acontece no backstage do Oscar é a realização de uma superprodução em tempo real. Como se fosse um longa-metragem feito ao vivo, num palco italiano.

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