Situação dos monumentos de Brasília é lastimável...,

A 4 meses da Copa, capital do país está abandonada, sob a falta de cuidados do PT federal e do PT local
Ponto que interliga o Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, a Praça dos Três Poderes lembra um museu a céu aberto por abrigar obras de importantes escultores, entre eles Bruno Giorgi, Oscar Niemeyer e Marianne Peretti. Um dos locais que mais deveria ser valorizado pelo governo local, porém, atualmente amarga total abandono: o piso está quebrado e cheio de mato, além dos bancos sujos. Além disso, o Espaço Cultural Lúcio Costa está fechado para obras de acessibilidade, conforme aponta um cartaz na entrada. O prazo para término: 26 de novembro de... 2012. Apesar disso, o GDF estipula a conclusão em abril deste ano. (Fotos Cristiano Mariz)
Ponto que interliga o Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, a Praça dos Três Poderes lembra um museu a céu aberto por abrigar obras de importantes escultores, entre eles Bruno Giorgi, Oscar Niemeyer e Marianne Peretti. Um dos locais que mais deveria ser valorizado pelo governo local, porém, amarga total abandono: o piso está quebrado e cheio de mato, além dos bancos sujos. O Espaço Cultural Lúcio Costa está fechado para obras de acessibilidade, conforme aponta um cartaz na entrada. O prazo para término: 26 de novembro de… 2012!!!  O GDF promete concluir a obra em abril deste ano. (Fotos Cristiano Mariz)
Por Marcela Mattos e Gabriel Castro, na VEJA.com:
A quatro meses da Copa do Mundo, a capital do país-sede de um dos mais importantes eventos do mundo amarga o abandono. Ao contrário do esperado para a cidade que ergueu o estádio de futebol mais caro do país, quem visita hoje Brasília se depara com monumentos sujos, danificados e mal iluminados – o que, somado à dificuldade de utilizar o transporte público e à crescente onda de violência, acaba por decepcionar e afastar o turista.
Não é necessário ir longe para se constatar a falta de cuidado com os principais atrativos de Brasília, que abrigará sete partidas do Mundial de futebol e deverá receber 600.000 visitantes, segundo o Ministério do Turismo. Apenas nas proximidades da Esplanada dos Ministérios, a reportagem do site de VEJA enumerou sete pontos que integram o roteiro turístico, mas estão em situação deplorável – por falta de limpeza e manutenção inadequada – ou com as portas fechadas.
Roteiro certo de quem visita a capital, a Praça dos Três Poderes, que interliga o Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, tem mato crescendo entre as pedras que apoiam obras de Bruno Giorgi, Oscar Niemeyer e Marianne Peretti. Além disso, os bancos estão sujos, e o Espaço Lúcio Costa, um dos poucos atrativos da praça, está fechado desde outubro de 2012 – e com prazo de reabertura vencido há mais de um ano. Em nota, o governo do Distrito Federal prometeu que o museu voltará a funcionar em abril.
“Esperava algo mais ajeitado. Aqui é lindo, claro. Mas estamos na capital do país, e era para ser a menina dos olhos”, disse a advogada Juliana Aragão após conhecer a Praça dos Três Poderes. “As coisas estão sujas e bagunçadas”, continuou o administrador de empresas Flávio Ramos. Os dois são moradores de Olinda (PE) e visitaram a cidade nesta semana. No relato, os pernambucanos criticaram ainda a falta de policiamento e as obras inacabadas do aeroporto.
Também não passa despercebida a condição de outros cartões-postais de Brasília. A cúpula do Museu Nacional da República está suja, a rampa de acesso ao local apresenta rachaduras e a pintura descascando. Em situação similar, a Ponte Juscelino Kubitschek ainda está mal iluminada.
“Em Brasília, constroem-se coisas lindas, mas não há manutenção. Há lixo pela cidade toda. O turista vai ver isso e, junto com o retrato dos monumentos, vai levar essa paisagem”, diz a arquiteta Ana Helena Fragomeni, autora do livro Não vivemos em cartões postais. “Faltam lugares em que o turista saiba que vai ser recebido como pessoa. Esses lugares deveriam estar perto dos hotéis, com centro de turismo que forneça água, refrigerante e banheiros.”
Por ser de responsabilidade de diversas secretarias, o GDF afirma não ter como apresentar um valor total de quanto será investido para melhorar os pontos turísticos até a Copa do Mundo. Mas promete concluir a revitalização do Museu da República, da Torre de Televisão e da sua fonte luminosa antes do torneio de futebol. Além disso, o GDF afirma que estão em fase de instalação novas placas de sinalização para turistas.
Localizado entre a Catedral e o Congresso Nacional, o Museu Nacional da República é um dos monumentos mais recentes de Oscar Niemeyer e destaca-se como um dos pontos imprescindíveis no roteiro de turistas interessados nas obras do arquiteto. Ao chegar ao local, porém, os turistas vão se deparar com um ambiente inóspito: a cúpula do museu está imunda e a famosa rampa de acesso, além da sujeira, apresenta rachaduras. Pior: os arredores de uma das principais referências da capital do país virou ponto de tráfico de drogas e atrai usuários à luz do dia. “Às 15h já podemos ver os consumidores”, conta um dos seguranças, que preferiu não se identificar. Ele reclamou ainda da falta de segurança e da ausência de policiamento no local.
Localizado entre a Catedral e o Congresso Nacional, o Museu Nacional da República é um dos monumentos mais recentes de Oscar Niemeyer e destaca-se como um dos pontos imprescindíveis no roteiro de turistas interessados nas obras do arquiteto. Ao chegar ao local, porém, os turistas vão se deparar com um ambiente inóspito: a cúpula do museu está imunda, e a famosa rampa de acesso, além da sujeira, apresenta rachaduras. Pior: os arredores de uma das principais referências da capital do país virou ponto de tráfico de drogas e atrai usuários à luz do dia. “Às 15h, já podemos ver os consumidores”, conta um dos seguranças, que preferiu não se identificar. Ele reclamou ainda da falta de segurança e da ausência de policiamento no local
Brasília atualmente tem três Centros de Atendimento ao Turista – locais onde são entregues mapas e destinados a ajudar os visitantes –, mas nenhum próximo de onde eles se hospedam. Os dois CATs instalados nos setores hoteleiros foram desativados e serão transferidos para outro ponto, segundo o governo, de melhor visibilidade. No local, restou um painel de acrílico com um mapa surrado e um segurança que, além da vigilância, ganhou a atribuição de atender os turistas desavisados: “Vem muita gente pedindo um mapa e querendo informações. Mas falo para buscarem em outro CAT”, diz um dos vigias do centro da Asa Sul.
Brasília, atualmente, tem três Centros de Atendimento ao Turista – locais onde são entregues mapas e destinados a ajudar os visitantes –, mas nenhum próximo de onde eles se hospedam. Os dois CATs instalados nos setores hoteleiros foram desativados e serão transferidos para outro ponto, segundo o governo, de maior visibilidade. No local, restou um painel de acrílico com um mapa surrado e um segurança que, além da vigilância, ganhou a atribuição de atender os turistas desavisados: “Vem muita gente pedindo um mapa e querendo informações. Mas falo para buscarem em outro CAT”, diz um dos vigias do centro da Asa Sul.
Cartão-postal de Brasília, a Ponte Juscelino Kubitschek é uma das mais belas obras da cidade e pode ser vista minutos antes da aterrisagem na capital federal. De perto, porém, a ponte de mais de um quilômetro de extensão e que custou 186 milhões de reais aos brasilienses precisa de um reparo com urgência: os visitantes que optarem por completar o trajeto a pé vão se deparar com o corrimão torto e com um local mal iluminado – alguns dos postes inclusive estão sem os bocais das lâmpadas. O descuido também pode ser percebido na sujeira dos arcos e nas pichações de pontos próximos.
Cartão-postal de Brasília, a Ponte Juscelino Kubitschek é uma das mais belas obras da cidade e pode ser vista minutos antes da aterrissagem na capital federal. De perto, porém, a ponte de mais de um quilômetro de extensão e que custou 186 milhões de reais aos brasilienses precisa de um reparo com urgência: os visitantes que optarem por completar o trajeto a pé vão se deparar com o corrimão torto e com um local mal iluminado – alguns dos postes inclusive estão sem os bocais das lâmpadas. O descuido também pode ser percebido na sujeira dos arcos e nas pichações de pontos próximos.
Crise
O desleixo com os pontos turísticos de Brasília é mais um sintoma da crise permanente no governo de Agnelo Queiroz (PT). O governador do Distrito Federal tem o segundo menor índice de popularidade do país, atrás apenas de Rosalba Ciarnlini (DEM), do Rio Grande do Norte. Por isso, ao contrário de outros chefes do Executivo, ele ainda não definiu os planos de reeleição. Há partidários que defendem o lançamento de outro nome do PT ao governo neste ano.
Agnelo passou o primeiro ano de mandato tentando explicar os sucessivos casos de corrupção – novos e antigos –, que vieram à tona quando ele assumiu o Palácio do Buriti. Mesmo depois de passada a fase mais aguda dos escândalos, não mostrou serviço: as principais obras haviam sido planejadas pela gestão de José Roberto Arruda, que perdeu o cargo após a Operação Caixa de Pandora. A falta de eficiência na gestão gerou problemas na saúde e na segurança pública.
Recentemente, uma onda de violência atingiu a capital federal, em parte porque policiais militares insatisfeitos resolveram dar início a uma “Operação Tartaruga” para pressionar o governo a aumentar os salários. Foram mais de 70 assassinatos em janeiro, um aumento de 40% na comparação com o mesmo mês de 2013. Era uma rara oportunidade em que a população, refém dos policiais e dos criminosos, poderia dar um voto de confiança a Agnelo caso o governador reagisse com firmeza. Mas ele preferiu se omitir.
Não bastasse um serviço de transporte público insuficiente para atender a população brasilense – e que tende a piorar com a vinda de turistas durante a Copa do Mundo –, a Rodoviária de Brasília é um dos exemplos do descaso que assola a capital do país. Somada às longas filas de espera para tomar um ônibus, os passageiros ainda têm de lidar com um cenário de obras inacabadas, escadas rolantes interditadas, risco iminente de roubo e o consumo indiscriminado de drogas. Diante desse retrato, quem tem condições de pagar um pouco a mais opta por tomar um táxi.
Não bastasse um serviço de transporte público insuficiente para atender a população brasilense – e que tende a piorar com a vinda de turistas durante a Copa do Mundo –, a Rodoviária de Brasília é um dos exemplos do descaso que assola a capital do país. Somada às longas filas de espera para tomar um ônibus, os passageiros ainda têm de lidar com um cenário de obras inacabadas, escadas rolantes interditadas, risco iminente de roubo e o consumo indiscriminado de drogas. Diante desse retrato, quem tem condições de pagar um pouco mais opta por tomar um táxi.
Após passar por três anos em obras e sofrer uma sequência de atrasos, a Catedral de Brasília, também projetada por Oscar Niemeyer, foi inaugurada há pouco mais de um ano e já apresenta sinais de abandono. Enquanto a fachada da igreja ainda está conservada, os arredores foram esquecidos pelo governo: os muros mais próximos estão pichados e sujos.
Após passar por três anos em obras e sofrer uma sequência de atrasos, a Catedral de Brasília, também projetada por Oscar Niemeyer, foi inaugurada há pouco mais de um ano e já apresenta sinais de abandono. Enquanto a fachada da igreja ainda está conservada, os arredores foram esquecidos pelo governo: os muros mais próximos estão pichados e sujos.
O governo corre para entregar um dos principais pontos turísticos da capital a tempo da Copa do Mundo. A torre de televisão está fechada para a instalação de elevadores para cadeirantes e de escadas rolantes. O prazo de entrega está atrasado em oito meses. O GDF promete a reabertura em junho – mas as obras ainda estarão incompletas. Ficam para depois a revitalização da estrutura metálica e a criação de um centro de exposições sobre a história da capital.
O governo corre para entregar um dos principais pontos turísticos da capital a tempo da Copa do Mundo. A torre de televisão está fechada para a instalação de elevadores para cadeirantes e de escadas rolantes. O prazo de entrega está atrasado em oito meses. O GDF promete a reabertura em junho – mas as obras ainda estarão incompletas. Ficam para depois a revitalização da estrutura metálica e a criação de um centro de exposições sobre a história da capital.
Por Reinaldo Azevedo

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