Torneira fechada para a lavenderia "Banco Rural"...,

Agora, bancos de madeira, por Luiz Garcia

Luiz Garcia, O Globo
Louve-se a justiça, sempre que ela é aplicada com a necessária — mas nunca excessiva — severidade. Não apenas pelo seu caráter punitivo, mas também, e, talvez principalmente, pela advertência que representa para aqueles possuídos pela tentação do delito.
O poder da advertência, como se sabe, é relativo. O infrator em potencial, como estamos exaustos de saber, sempre acredita que com ele será diferente, simplesmente por ser mais esperto que os idiotas que se deixam apanhar com a mão no bolso alheio — ou coisa pior.
E a lentidão da justiça, especialmente em relação aos espertalhões de terno e gravata, sempre parece ser comparável à de uma idosa tartaruga de pernas curtas. Mesmo assim, ou por isso mesmo, agora podemos festejar e sair dançando pela rua em face da notícia de que chegou praticamente ao fim um dos episódios mais escandalosos dos últimos tempos: o do mensalão.


Para quem não se lembra ou não leu o jornal de sábado: oito anos depois, o Banco Central acaba de fechar o Banco Rural. É o castigo pela sua participação num audacioso pagamento de dinheiro sujo a políticos aliados do governo Lula, durante pelo menos dois anos.
O castigo é obviamente justo, mas pode-se lamentar a falta de agilidade no processo que levou a ele. As provas do crime eram óbvias. Os responsáveis já foram condenados há algum tempo. Três diretores do Rural receberam penas de prisão: Kátia Rabello e José Roberto Salgado, 16 anos e 8 meses; e Vinicius Samarane, oito anos e 9 meses. E todos também tiveram penas financeiras.
Parece justo — como castigo para a trinca e como exemplo para outros cidadãos espertos do mundo financeiro.
E o próprio Banco Rural recebeu multas pesadas que, sozinhas, tornaram impossível a sua sobrevivência. Pode recorrer à Justiça, mas praticamente sem chance de êxito: em casos semelhantes, o Banco Central tem ganho 98% dos casos. Os infelizes clientes honestos do Rural terão seus depósitos garantidos, num limite de R$ 250 mil para cada um. São vítimas inocentes, mas não havia outra saída.
Em suma, um final adequado para uma sinistra conspiração financeira. E uma enfática palavra de alerta para outros espertinhos, ou candidatos a isso, da praça bancária.
Não se esqueçam: ao contrário do que muita gente pensa, banqueiro também pode ir para a cadeia — onde os únicos bancos são de madeira dura.

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