A Influência do Clima no Apogeu e Declínio das Civilizações

O clima frio ajuda o desenvolvimento

Talvez a palavra melhor para definir o papel do clima no desenvolvimento de um país não seja “dificultar” – mas sim, “não colaborar para”. Examinemos o que ocorre, em primeiro lugar, nos países frios. O sujeito que mora na Suécia, no Canadá, na Finlândia, Islândia e similares (que são considerados os países mais adiantados do mundo), para começo de conversa, se não trabalhar, morre de frio. Se não trabalhar não pode ter uma casa, não pode comprar um casaco etc, de modo que, só para permanecer vivo, ele tem, para início de papo, trabalhar. E não pode trabalhar pouco. Tem de trabalhar muito, porque ter uma casa com aquecimento adequado para suportar as baixíssimas temperaturas desses países, não é coisa financeiramente fácil. Compar agasalhos para si e para sua família também não é algo barato.
Por outro lado, nesses países, onde a temperatura amena – aquela que permite que a pessoa saia às ruas de manga de camisa – é rara, no máximo acontecendo em um ou dois meses por ano (às vezes nem isso), faz com que as pessoas, na maior parte do tempo, fiquem dentro de suas casas, ao invés de ir para as ruas para finalidades de diversão e de passatempo. Com isso, elas precisam ter casas melhores, mais espaçosas, mais confortáveis e com mais recursos, visando uma vida mais agradável e o menos entediante possível. As pessoas que moram em tais países, então, se dedicam mais a hobbies, à leitura, a jogos e passatempos de salão e a atividades preferencialmente mais intelectuais do que atividades físicas, pois estas são melhores de ser executadas ao ar livre. Só que todas essas coisas são caras. Hobbies costumam ser dispendiosos; livros são caros em todas as partes do mundo. E assim por diante.

Indolência, preguiça e malandragem

No Brasil e em países em que as temperaturas invernais quase nunca chegam aos 10o positivos, ou pouco menos, a coisa muda completamente de figura. Ter uma casa com aquecimento não é necessário. Muitas vezes nem é preciso uma casa, pois um simples barraco ou tapera construída de restos de materiais de construção e/ou de galhos e folhas vegetais resolve o problema – como fazem nossos índios – e o fogo resolve qualquer problema de aquecimento.
No entanto, essas “casas” costumam ser muito pouco confortáveis, pequenas, de modo que as pessoas são praticamente obrigadas a exercer muitas de suas atividades fóra delas, ao ar livre, ou, forçam as pessoas a sair de casa para procurar espaço, conforto, diversões e passatempos na rua – e, muitas vezes, até mesmo para exercer suas atividades profissionais.
Trabalhar muito («com esse calor!…»), não é coisa levada muito a sério. O sujeito mora com a mãe, ou com a sogra, faz meia dúzia de biscates por mês (se isso), ganha um dinheirinho suficiente para comprar uma bermuda, uma sunga de praia e uma sandália “havaiana” e pronto. Quando quer comer algo melhorzinho é só chegar na beira de um canal (como os que existem em Cabo Frio), jogar uma rede e apanhar, facilmente, em poucos minutos, uns bons dois ou três quilos de camarão e pronto. Uma cervejinha completa o esquema. Come a metade da pesca e vende a outra metade para algum turista e assim compra um óculos de sol num camelô. Trabalhar mesmo, com carteira assinada, para quê? Só que, com essa maneira de pensar, com esse comportamento – que é mais comum do que parece – o país não anda, não se desenvolve. E estudar para quê?

Como já dizia Montesquieu…

Por outro lado, Montesquieu já dizia, a propósito do colonialismo e da escravidão:
«Já dissemos que o calor excessivo diminui a força e a coragem dos homens, e que havia nos climas frios uma certa força de corpo e de espírito, que tornava os homens capazes de ações duradouras, penosas, grandes e ousadas… Não devemos, pois, nos espantar que a covardia dos povos de clima quente os haja quase sempre tornados escravos, e que a coragem dos povos de clima frio os haja mantido livres. É consequência que deriva de sua causa nartural.»
Será que Montesquieu tinha razão?
O aquecimento global, agora já um fato quase que completamente desacreditado, poderia agravar a situação dos países já tão quentes? Ou tornaria os países, atualmente frios, mais quentes a ponto de incentivar a indolência em seus povos? Como uma nova pequena era glacial se aproxima, iniciando-se, provavelmente, até antes de meados do presente século, a situação do Brasil e de países de mesma latitude poderá mudar. Quem sabe se, com mais frio, mais educação e menos corrupção, nós, finalmente, deixaremos esta situação em que 130 milhões de brasileiros possam sair de seus atuais estados de pobreza?

O livro a ler é: Fagan, Brian — «O Aquecimento Global – A Influência do Clima no Apogeu e Declínio das Civilizações» — São Paulo, Brasil: Larousse do Brasil Participações Ltda.



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