O idiota

Renato Follador

Conhecer nossos talentos é meio caminho andado para o sucesso profissional.

Conta-se que numa pequena cidade do interior um grupo de pessoas se divertia às custas de um idiota.

Um pobre coitado de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e esmolas.

Diariamente eles chamavam o bobo ao bar onde se reuniam.

E ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 Réis e outra menor, de 2.000 Réis.

Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Certo dia, um cliente o chamou e perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.

Eu sei, respondeu o não tão tolo assim. Ela vale cinco vezes menos, mas no dia em que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda.

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa: quem parece idiota, nem sempre é.

Os que se julgam espertos podem ser, na verdade, os grandes tolos.

O não ganancioso preserva sua fonte de renda.

Mas a conclusão mais interessante, a meu ver, é a de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.

O que importa não é o que pensam de nós, mas quem realmente somos.

O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente

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