NÃO É A IDADE…


Tenho dito nos meus comentários dos últimos dias, e em muitos momentos de minhas palestras, que fico extremamente irritado com velhos dengosos. E o que são velhos dengosos? Pessoas que num certo momento da vida dão-se por velhas, e em razão disso passam a desejar privilégios, buscam acomodação e querem ser tratadas por pobrezinhas. Não contem comigo, compadres e comadres, não contem.

Se a pessoa de idade estiver doente, bom, aí a conversa é outra. Se estiver saudável, por que razão fazer-se de coitadinha? Vejo seguidamente pessoas na faixa dos 60, 70 anos, “gemendo”, buscando vagas nesses tediosos e constrangedores grupos da “terceira idade”. Que terceira idade? Terceira idade só acima dos 100 anos.
Digo o que digo, com os olhos grudados na Folha, lendo esta manchete: – “Niemeyer, 104 anos, se recupera e deve ter alta”. O Niemeyer de que trata a manchete é o Oscar Niemeyer, o arquiteto que desenhou Brasília e respondo por incontáveis grandes obras dentro e fora do Brasil.
O jornal diz mais, diz que a equipe de Niemeyer, no hospital onde o arquiteto se recupera de um problema pulmonar, dá voltas para atender-lhe às solicitações. Niemeyer está preocupado com projetos que ele tem em andamento no Marrocos, onde arquiteta  um centro cultural, na Argélia, onde desenha uma biblioteca, em Portugal, onde ele projeta um museu, e na França, onde cuida de uma vinícola. E tem 104 anos. Que tapa na cara dos velhos dengosos que andam por aí arrastando o chinelo, vestindo pijama e o mais que fazem é jogar dominó, que tapa na cara.
Niemeyer sabe que a vida só tem sentido se estivermos vinculados a um trabalho, seja ele qual for, se estivermos apaixonados, seja também pelo que for, desde, é claro, que não seja por alguém, uma pessoa… Trabalho é vida, trabalho é sentido à vida, trabalho é sentir-se útil e não um fantasma aposentado e inútil por preguiça ou cansaço… Não é a idade que nos faz velhos, é a vida vazia, não é mesmo, Oscar Niemeyer?
*Luiz Carlos Prates

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