Nem sempre o povo gosta de ser feito de bobo...,


Eleições: no RIO, Cesar Maia e Garotinho, inimigos históricos, viram aliados de ocasião e afundam em abraço de afogados. Nem sempre o povo gosta de ser feito de bobo

A foto oficial do abraço de afogados: Rosinha, Garotinho, Cesar Maia, Clarissa e Rodrigo
Muitos políticos pensam que o povo é bobo, para usar linguagem popular.
Às vezes, eles acham que têm razão, diante do que resulta das urnas, aqui e ali.
Outras vezes, quebram estrepitosamente a cara, como ocorreu, no Rio de Janeiro, com a aliança feita entre inimigos políticos históricos e ferozes — o ex-prefeito Cesar Maia e o ex-governador Anthony Garotinho.
Maia, três vezes prefeito do Rio, político controvertido mas sem dúvida sagaz e com um sem-número de realizações palpáveis, deixou anos de combate ao populismo garotinhista para, estendendo a mão ao rival e sua mulher, a também ex-governadora Rosinha Garotinho, compor uma chapa integrada por seu próprio filho e herdeiro político — o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) — como candidato a prefeito, e, como vice, a filha e igualmente herdeira política do casal rival, a ex-vereadora e atual deputada estadual Clarissa Garotinha (PR).
O resultado não poderia ser mais desastroso: a chapa dos jovens herdeiros começou com 7% das intenções de voto e, abertas e contadas as urnas, terminou com miseráveis 2,94% dos votos.
O próprio Cesar Maia, que já esteve perto de ser governador do Estado e que, no passado, frequentou cogitações de uma candidatura presidencial, alcançou votação modesta como candidato a vereador: dos 4,7 milhões de eleitores cariocas, apenas 44 mil votaram nele — quando a expectativa não confessada publicamente pelo ex-prefeito era abocanhar um mínimo de 100 mil votos.
Quem se salvou do incêndio acabou sendo Rosinha que, longe da capital, em Campos dos Goytacazes, se reelegeu prefeita.
Nem sempre o povo gosta de ser feito de bobo.

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